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Detran intensifica fiscalização contra grau de moto em maio de 2025: regras e multas

Enduro bike rider - Foto: homydesign/istockphoto.com
Enduro bike rider - Foto: homydesign/istockphoto.com Enduro bike rider - Foto: homydesign/istockphoto.com

O sol já se punha em uma movimentada avenida de São Paulo, quando o ronco de uma motocicleta cortou o ar, seguido por aplausos e gritos de uma pequena multidão. Um jovem motociclista, equilibrando-se apenas na roda traseira, executava o famoso “grau”, uma manobra que eleva a roda dianteira do chão, desafiando a gravidade e as leis de trânsito. A prática, conhecida como “wheeling” ou “stunt” em outros países, é um espetáculo para alguns, mas um risco iminente para as autoridades de trânsito. Em maio de 2025, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) intensifica a fiscalização contra essas manobras em vias públicas, com regras claras e penalidades rigorosas.

A popularidade do grau de moto cresceu nos últimos anos, especialmente entre jovens em periferias urbanas e em eventos informais nas ruas. Vídeos nas redes sociais, com milhões de visualizações, mostram motociclistas exibindo suas habilidades, muitas vezes em locais proibidos. O Detran, ciente do aumento de acidentes relacionados a essas práticas, atualizou suas diretrizes para coibir o uso indevido de motocicletas em manobras perigosas.

  • Riscos à segurança: O grau reduz a visibilidade do condutor e aumenta o risco de colisões.
  • Impacto no trânsito: Manobras em vias públicas podem causar congestionamentos e acidentes.
  • Penalidades severas: Multas, suspensão da CNH e apreensão do veículo são medidas aplicadas.
  • Campanhas educativas: O Detran promove ações para conscientizar sobre os perigos do grau.

Origem e popularidade do grau

A prática do grau de moto teve início na década de 1970, na Califórnia, Estados Unidos, com o piloto Doug Domokos, que se tornou ícone do wheeling. No Brasil, a manobra ganhou força a partir dos anos 2000, especialmente em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. Em 2013, o país realizou seu primeiro campeonato nacional de wheeling, homologado pela Confederação Brasileira de Motociclismo, marcando a transição da prática de ruas para eventos organizados. Apesar disso, a maioria das execuções ainda ocorre em vias públicas, desafiando as autoridades.

O grau é visto por muitos jovens como uma forma de expressão cultural e habilidade técnica. Em bairros periféricos, grupos se reúnem para treinar e competir informalmente, muitas vezes sem equipamentos de segurança adequados. A adrenalina e o reconhecimento social impulsionam a prática, mas o custo pode ser alto. Dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) apontam que, em 2022, 12.058 motociclistas morreram em acidentes de trânsito no Brasil, com jovens de 20 a 29 anos sendo os mais afetados.

O que diz o Código de Trânsito Brasileiro

Conduzir uma motocicleta equilibrando-se apenas na roda traseira é expressamente proibido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O artigo 244, inciso III, classifica a prática como infração gravíssima, com penalidades que vão além de uma simples multa. A legislação considera o grau uma forma de malabarismo, devido ao alto risco que representa para o condutor, pedestres e outros motoristas.

  • Multa: R$ 293,47, valor base para infrações gravíssimas.
  • Suspensão da CNH: De 2 a 8 meses, podendo chegar a 18 meses em caso de reincidência.
  • Recolhimento do documento: A habilitação é retida até a regularização.
  • Apreensão do veículo: A moto é levada ao pátio até que o condutor quite as penalidades.

Se o motociclista for flagrado exibindo a manobra com intenção de atrair atenção, a infração pode ser enquadrada no artigo 175 do CTB, que trata de direção perigosa. Nesse caso, a multa sobe para R$ 2.934,70, com possibilidade de dobrar para R$ 5.869,40 em caso de reincidência dentro de 12 meses. Além disso, a Lei nº 13.546/2017 ampliou as penalidades, classificando tais condutas como crime de trânsito em situações que ponham em risco a segurança alheia.

Fiscalização intensificada em maio de 2025

Em maio de 2025, o Detran de diversos estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais e Ceará, anunciou operações específicas para coibir o grau de moto. A iniciativa responde ao aumento de denúncias de manobras perigosas em vias urbanas e rodovias. Em São Paulo, por exemplo, blitze estão sendo realizadas em pontos estratégicos, como avenidas de grande circulação e bairros periféricos onde a prática é comum.

As operações contam com o apoio da Polícia Militar e de agentes de trânsito, que utilizam câmeras e drones para identificar infratores. Em Fortaleza, o Detran-CE instalou placas educativas em áreas de alta incidência, alertando sobre as penalidades. A fiscalização também visa coibir outras infrações relacionadas, como o uso de escapamentos modificados, que amplificam o barulho das motos e são proibidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

O Detran-SP informou que, somente em 2024, mais de 400 mil infrações por manobras perigosas foram registradas no estado, com São Paulo, Guarulhos e Campinas liderando o ranking. A meta para 2025 é reduzir esses números em 20%, por meio de ações educativas e repressivas. As blitze também verificam a regularidade de documentos e o uso de equipamentos de segurança, como capacetes ajustados e viseiras.

Campanhas educativas e conscientização

Além da fiscalização, o Detran tem investido em campanhas educativas para alertar sobre os riscos do grau de moto. Em 2023, o Detran-SP lançou a campanha “Pilotar com Segurança”, que incluiu vídeos nas redes sociais, palestras em escolas e distribuição de panfletos em comunidades. A iniciativa foi retomada em 2025, com foco em jovens de 18 a 29 anos, faixa etária mais envolvida em acidentes com manobras perigosas.

As campanhas destacam histórias de vítimas de acidentes causados por grau, como o caso de João, um jovem de 22 anos que perdeu o controle da moto em uma avenida de Recife e sofreu lesões permanentes. Depoimentos como esse são usados para sensibilizar os motociclistas sobre as consequências de suas escolhas. Escolas de formação de condutores também foram orientadas a reforçar o tema durante as aulas teóricas e práticas.

  • Vídeos educativos: Mostram simulações de acidentes e suas consequências.
  • Palestras comunitárias: Realizadas em parceria com associações de bairro.
  • Material gráfico: Panfletos com informações sobre multas e riscos.
  • Parcerias com influenciadores: Jovens motociclistas com grande alcance nas redes sociais promovem a pilotagem segura.

Espaços regulamentados para manobras

Diante da popularidade do grau, algumas cidades brasileiras começaram a regulamentar espaços para a prática de manobras, buscando reduzir os riscos em vias públicas. Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a Câmara de Vereadores aprovou, em 2021, o projeto “Rua do Grau”, que criou um espaço dedicado a motociclistas. O local exige documentação regular, equipamentos de segurança e sinalização adequada, com o trânsito interditado durante os eventos.

No Recife, o Projeto de Lei Ordinária nº 9/2023 reconheceu o wheeling como prática esportiva, estipulando regras como o uso de grades de proteção e pistas com dimensões mínimas de 80×25 metros. Esses espaços permitem que os motociclistas pratiquem com segurança, sem infringir o CTB. Em São Paulo, a Secretaria de Esporte e Lazer estuda a criação de áreas semelhantes, mas o projeto ainda está em fase de planejamento.

Os locais regulamentados também abrigam competições oficiais, como o campeonato brasileiro de stunt, que atrai pilotos de todo o país. Em 2023, o motociclista Jefferson Matheus, de Santa Cruz do Rio Pardo, conquistou o título mundial na Motor Bike Expo, em Verona, Itália, demonstrando o potencial do Brasil na modalidade. Esses eventos reforçam a importância de canalizar a prática para ambientes controlados.

Riscos à segurança pública

Executar o grau em vias públicas não afeta apenas o motociclista, mas também pedestres, ciclistas e outros motoristas. A manobra reduz a capacidade de reação do condutor, que precisa manter o equilíbrio em alta velocidade. Em caso de imprevistos, como um pedestre atravessando a rua ou um veículo mudando de faixa, o risco de colisão é elevado.

Acidentes envolvendo grau frequentemente resultam em lesões graves ou fatais. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), publicado em 2024, revelou que 30% dos acidentes com motocicletas em áreas urbanas estão relacionados a manobras arriscadas. Jovens do sexo masculino, entre 20 e 29 anos, representam a maioria das vítimas, com traumatismos cranianos e fraturas múltiplas sendo as lesões mais comuns.

As autoridades também enfrentam desafios para conter a prática. Em muitas ocasiões, motociclistas fogem das blitze, iniciando perseguições perigosas. Em Belo Horizonte, um caso recente envolveu um grupo de jovens que bloqueou uma avenida para realizar manobras, resultando em uma operação policial que terminou com três motos apreendidas e dois condutores detidos.

Penalidades além das multas

As consequências de ser flagrado dando grau vão além do bolso. A suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode impactar a vida profissional de motociclistas, especialmente aqueles que dependem da moto para trabalhar, como entregadores e mototaxistas. O recolhimento do veículo também gera custos adicionais, como taxas de guincho e diárias no pátio do Detran.

  • Suspensão da CNH: Impede o condutor de pilotar por meses, afetando sua rotina.
  • Custos de regularização: Taxas de pátio e guincho podem superar R$ 1.000.
  • Registro criminal: Em casos graves, a manobra pode ser enquadrada como crime de trânsito.
  • Impacto psicológico: Acidentes podem deixar sequelas emocionais em vítimas e familiares.

Para reaver a CNH, o condutor precisa passar por um curso de reciclagem de 30 horas, oferecido por autoescolas credenciadas. O curso aborda legislação de trânsito, direção defensiva e primeiros socorros, com o objetivo de reforçar a conscientização. Em caso de reincidência, o período de suspensão é ampliado, e a CNH pode ser cassada, exigindo que o condutor reinicie todo o processo de habilitação.

Prova prática do Detran e o controle de habilidades

A formação de novos motociclistas também é uma frente de ação do Detran para prevenir manobras perigosas. A prova prática para a categoria A, que habilita a condução de motos, avalia o equilíbrio e a capacidade de manobra dos candidatos. O percurso inclui ziguezague, prancha, curvas em L e rotatórias em formato de 8, simulando situações do trânsito real.

Erros como conduzir sem segurar o guidom com as duas mãos ou iniciar a prova com o capacete mal ajustado resultam em reprovação. O Detran-SP registrou, em 2024, uma taxa de reprovação de 35% na prova prática de motos, com muitos candidatos demonstrando dificuldades em manter o controle em baixa velocidade. As autoescolas foram orientadas a intensificar o treinamento em manobras seguras, desencorajando práticas como o grau durante o aprendizado.

Alternativas para os entusiastas

Para os apaixonados por manobras, o Brasil oferece opções legais e seguras. Campeonatos de stunt, como o Brasileiro de Wheeling, reúnem pilotos em pistas fechadas, com juízes avaliando critérios como resistência, habilidade e criatividade. As competições exigem motos preparadas e equipamentos de proteção, como joelheiras, cotoveleiras e capacetes reforçados.

  • Eventos nacionais: O campeonato brasileiro ocorre anualmente em cidades como São Paulo e Goiânia.
  • Cursos de pilotagem: Escolas oferecem treinamentos para manobras em ambientes controlados.
  • Clubes de motociclistas: Grupos organizam encontros para praticar com segurança.
  • Pistas privadas: Algumas cidades disponibilizam áreas para treinos supervisionados.

Essas alternativas buscam atender à demanda dos jovens por adrenalina, sem expor a população a riscos. Em Fortaleza, por exemplo, um grupo de motociclistas criou o projeto “Grau Legal”, que promove eventos em parceria com o Detran-CE, incentivando a prática em locais apropriados.

Dados regionais e tendências

A prática do grau varia entre as regiões do Brasil. São Paulo lidera o número de infrações, com 400 mil registros em 2024, seguido por Minas Gerais (385 mil) e Ceará (376 mil). O Nordeste, em particular, tem visto um aumento de eventos organizados, com competições locais atraindo milhares de espectadores. No Sul, cidades como Araucária e Porto Alegre investem em regulamentação, enquanto o Centro-Oeste enfrenta desafios com a prática em rodovias.

A faixa etária dos infratores é um dado preocupante. Cerca de 70% dos motociclistas autuados por grau têm entre 18 e 29 anos, segundo o Detran-MG. A maioria é do sexo masculino, e muitos não possuem habilitação definitiva, pilotando com permissão para aprender. Esses números reforçam a necessidade de ações voltadas para a educação de jovens condutores.

As redes sociais também desempenham um papel ambíguo. Plataformas como Instagram e TikTok amplificam a visibilidade do grau, com vídeos alcançando milhões de visualizações. Ao mesmo tempo, o Detran utiliza esses canais para divulgar campanhas, contratando influenciadores para falar sobre segurança no trânsito. Em 2025, o órgão planeja lançar um aplicativo que permitirá denúncias anônimas de manobras perigosas, facilitando a fiscalização.

Equipamentos de segurança e regulamentação

O uso de equipamentos de proteção é outra preocupação do Detran. O CTB exige que motociclistas utilizem capacetes com viseira ou óculos de proteção, além de calçados fechados. No entanto, muitos praticantes de grau dispensam esses itens, aumentando o risco de lesões em caso de quedas. Em blitze realizadas em 2024, 25% das motos apreendidas por manobras perigosas apresentavam irregularidades, como escapamentos adulterados ou pneus desgastados.

A regulamentação de motos também é rigorosa. Veículos fabricados após 1998 não podem emitir ruídos acima de 3 decibéis do especificado no manual do fabricante. Ciclomotores, como mobiletes, exigem habilitação na categoria A ou Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC), e sua regularização deve ser concluída até 31 de dezembro de 2025, conforme a Resolução nº 996/2023 do Contran.

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