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Fumaça preta persiste na Capela Sistina: conclave segue sem papa em segundo dia

Conclave
Conclave - Foto: Marcelo Alixandre/ Shutterstock.com Conclave - Foto: Marcelo Alixandre/ Shutterstock.com

A chaminé da Capela Sistina expeliu fumaça preta na manhã desta quinta-feira, 8 de maio de 2025, sinalizando que os 133 cardeais eleitores ainda não chegaram a um consenso para escolher o sucessor do papa Francisco. O ritual, que ocorre em absoluto sigilo no Vaticano, mantém fiéis e observadores do mundo inteiro atentos à Praça São Pedro, onde milhares se reúnem diariamente na expectativa do anúncio do novo pontífice.

O processo, iniciado na quarta-feira, 7 de maio, já completou três votações sem definição, conforme indicado pela fumaça preta liberada após cada rodada inconclusiva. A tradição centenária da Igreja Católica determina que a eleição do papa exige dois terços dos votos, ou seja, pelo menos 89 dos 133 cardeais eleitores.

  • Primeira votação: Realizada na tarde de quarta-feira, resultou em fumaça preta às 16h (horário de Brasília).
  • Segunda e terceira votações: Ocorreram na manhã desta quinta-feira, com fumaça preta às 7h (horário de Brasília).
  • Próximas etapas: Até duas votações estão previstas para a tarde, com fumaça esperada por volta das 14h.

O conclave, que reúne cardeais de 70 países, segue um ritmo intenso, com até quatro votações diárias a partir do segundo dia, duas pela manhã e duas à tarde. A demora na escolha do novo papa, embora comum em conclaves históricos, reflete a complexidade do processo e as dinâmicas internas do Colégio Cardinalício.

Origem do ritual

O termo “conclave” deriva do latim cum clavis, que significa “fechado à chave”. Desde o século XIII, os cardeais eleitores são isolados do mundo externo durante o processo, uma prática estabelecida para evitar influências externas e acelerar a decisão. Na Capela Sistina, sob os afrescos de Michelangelo, os cardeais escrevem suas escolhas em cédulas com a inscrição “Eligo in Summum Pontificem” (Eu elejo como Sumo Pontífice). Após a votação, as cédulas são queimadas em um fogão especial, gerando a fumaça que comunica o resultado ao mundo.

A fumaça preta, produzida com substâncias como perclorato de potássio, antraceno e enxofre, indica que nenhum candidato alcançou a maioria necessária. Já a fumaça branca, gerada com clorato de potássio, lactose e colofônia, anunciará a eleição do novo papa, seguida pelo tradicional “Habemus Papam” proclamado da varanda da Basílica de São Pedro.

Na quarta-feira, a primeira votação foi marcada por um atraso de quase duas horas em relação ao horário previsto, com a fumaça preta aparecendo às 16h (horário de Brasília). Segundo informações apuradas, o atraso pode ter sido causado por uma pregação prolongada antes da votação ou pela inexperiência de muitos cardeais, já que a maioria participa de seu primeiro conclave.

Dinâmicas internas do colégio cardinalício

Os 133 cardeais eleitores, todos com menos de 80 anos, representam a diversidade global da Igreja Católica, com sete brasileiros entre eles: Dom Leonardo Ulrich Steiner, Dom João Braz de Aviz, Dom Jaime Spengler, Dom Paulo Cezar Costa, Dom Odilo Scherer, Dom Raymundo Damasceno Assis e Dom José Freire Falcão. A presença de cardeais de diferentes continentes reflete a universalidade da Igreja, mas também torna o processo mais complexo, com possíveis divisões entre correntes teológicas e políticas.

  • Votos iniciais: A primeira votação é frequentemente simbólica, com cardeais distribuindo votos como gestos de respeito ou amizade.
  • Consenso progressivo: A partir do segundo dia, as votações tendem a se concentrar em candidatos com maior apoio.
  • Nomes cotados: Cardeais como Luis Antonio Tagle (Filipinas), Pietro Parolin (Itália) e Peter Turkson (Gana) aparecem em listas de possíveis sucessores.
  • Desafios internos: A Igreja enfrenta debates sobre temas como inclusão, modernização e administração financeira.

A eleição de um papa na primeira votação é extremamente rara. Nos últimos dez conclaves, nenhum pontífice foi escolhido no primeiro dia. O conclave de 1939, que elegeu Pio XII, foi o mais rápido do século XX, concluído no segundo dia com três votações. Já o conclave de 2005, que elegeu Bento XVI, terminou na quarta votação, e o de 2013, que escolheu Francisco, na quinta.

Preparativos meticulosos

A Capela Sistina, palco do conclave, foi cuidadosamente preparada para o evento. Desde o início de maio, equipes do Vaticano instalaram a chaminé metálica no telhado da capela, visível da Praça São Pedro. Um fogão especial, operado eletronicamente, queima as cédulas e libera a fumaça, enquanto janelas foram escurecidas e dispositivos tecnológicos desativados para garantir o sigilo.

Cerca de 200 quartos na Casa Santa Marta, onde os cardeais se hospedam, receberam divisórias e portas provisórias para maior privacidade. A mobília é minimalista, composta por cama, criado-mudo e armário. Técnicos, eletricistas e floristas permanecem no local durante o conclave, mas sob juramento de sigilo, sob pena de excomunhão.

O processo começou oficialmente na quarta-feira com a missa Pro Eligendo Pontifice, celebrada na Basílica de São Pedro. Após a missa, os cardeais seguiram em procissão até a Capela Sistina, entoando o hino Veni Creator para invocar o Espírito Santo. Às 12h46 (horário de Brasília), o mestre das Celebrações Litúrgicas, arcebispo Diego Giovanni Ravelli, proclamou o “extra omnes” (todos fora), ordenando que não participantes deixassem o local. As portas foram trancadas, marcando o início do conclave.

Expectativas para a tarde

As duas votações previstas para a tarde desta quinta-feira, 8 de maio, podem trazer novidades. A fumaça, branca ou preta, é esperada por volta das 14h (horário de Brasília), após a quarta votação do dia. Caso não haja consenso, o conclave prosseguirá na sexta-feira com o mesmo ritmo de até quatro votações diárias.

O cardeal decano Giovanni Battista Re, de 91 anos, que não vota por exceder o limite de idade, expressou otimismo, afirmando esperar que a fumaça branca apareça ainda nesta quinta-feira. Pietro Parolin, que substituiu Re como celebrante do conclave, tem a tarefa de perguntar ao eleito se aceita o cargo e qual nome adotará.

Se o conclave ultrapassar três dias sem um papa, uma pausa de 24 horas será feita para orações e reflexões. Após sete votações adicionais sem resultado, outra pausa pode ser convocada. Caso 34 votações sejam inconclusivas, os dois cardeais mais votados disputarão um “segundo turno”, ainda necessitando de dois terços dos votos.

A capela sistina como símbolo

Construída no final do século XV por ordem do papa Sisto IV, a Capela Sistina é mais do que o local do conclave: é um marco da arte e da espiritualidade. Seus afrescos, pintados por mestres como Michelangelo, Botticelli e Perugino, retratam cenas bíblicas, como A Criação de Adão e O Juízo Final. Desde 1878, todos os conclaves ocorrem na capela, que se tornou um símbolo da continuidade da Igreja Católica.

  • Teto icônico: Pintado por Michelangelo entre 1508 e 1512, retrata o Gênesis em nove painéis.
  • Parede do altar: O Juízo Final, concluído em 1541, domina o espaço onde os cardeais votam.
  • História de conclaves: A capela sedia eleições papais permanentemente desde o século XIX.
  • Acessos restritos: Durante o conclave, apenas cardeais e pessoal autorizado entram no local.

A capela, batizada em homenagem a Sisto IV, foi projetada pelos arquitetos Giovanni de Dolci e Baccio Pontelli. Suas paredes laterais exibem 12 painéis com cenas da vida de Moisés e Jesus, pintados por artistas como Ghirlandaio e Perugino. O ambiente, embora majestoso, é descrito como austero durante o conclave, com os cardeais sentados em mesas simples sob o teto monumental.

Tradições do processo eleitoral

Cada votação segue um ritual preciso. Os cardeais escrevem o nome de seu escolhido em uma cédula, dobram-na e a depositam em uma urna, erguendo-a para garantir visibilidade. Cardeais com dificuldades de mobilidade têm seus votos coletados por escrutinadores. Após a contagem, as cédulas são perfuradas com uma agulha na palavra “Eligo” e queimadas no fogão.

  • Escrutinadores: Três cardeais colhem os votos, enquanto outros três revisam a contagem.
  • Sigilo absoluto: Celulares, internet e contatos externos são proibidos.
  • Sala das Lágrimas: O papa eleito se veste com as vestes papais antes de ser apresentado.
  • Anúncio final: O cardeal protodiácono proclama o “Habemus Papam” da varanda.

O conclave é um dos rituais mais antigos da Igreja, remontando à Idade Média. A proibição de contato externo, estabelecida para evitar interferências, reflete a gravidade da escolha. Em 1268, um conclave durou quase três anos, levando à criação de regras mais rígidas para isolar os cardeais.

Reações na praça são pedro

Na Praça São Pedro, cerca de 45 mil fiéis acompanharam a fumaça preta na manhã desta quinta-feira. Apesar da indefinição, a atmosfera permanece de expectativa, com cânticos, orações e turistas tirando fotos da chaminé. Muitos fiéis, vindos de países como Itália, Brasil e Filipinas, expressam esperança de que o novo papa traga unidade à Igreja.

Na quarta-feira, a espera pela primeira fumaça gerou momentos de ansiedade. Uma menina, nos ombros do pai, gritou “È nera!” ao ver a fumaça preta, enquanto outros aplaudiam espontaneamente, como se os cardeais pudessem ouvi-los. A praça, embora cheia, não estava lotada, com alguns fiéis deixando o local após horas de espera.

Nomes em destaque

Embora o conclave seja sigiloso, especulações sobre candidatos circulam entre vaticanistas e fiéis. O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, conhecido por sua proximidade com os pobres, é frequentemente mencionado. Pietro Parolin, ex-secretário de Estado do Vaticano, é visto como um administrador experiente. Peter Turkson, de Gana, representa a possibilidade de um papa africano, algo inédito na história moderna.

A escolha do papa reflete não apenas questões espirituais, mas também prioridades administrativas e geopolíticas. Com 80% dos cardeais eleitores nomeados por Francisco, que faleceu em 21 de abril de 2025, espera-se que o novo pontífice siga uma linha pastoral próxima à do antecessor, embora com nuances próprias.

Ritmo das votações

A partir do segundo dia, o conclave adota um ritmo acelerado, com duas votações pela manhã e duas à tarde. Cada votação dura cerca de 1h40 a 1h50, devido ao número de cardeais e à meticulosidade do processo. A fumaça é liberada apenas após a segunda votação de cada turno, exceto se um papa for eleito antes.

Na manhã desta quinta-feira, as votações começaram às 5h30 (horário de Brasília), com a fumaça preta aparecendo às 7h. As sessões da tarde, previstas para 12h30 e 14h, manterão o mesmo padrão. Caso a fumaça branca não apareça até sexta-feira, o conclave entrará em uma fase crítica, com a possibilidade de pausas para diálogo entre os cardeais.

Aspectos técnicos da fumaça

A produção da fumaça é um processo técnico sofisticado. Dois fogões operam em conjunto: um queima as cédulas, e outro libera os compostos químicos que determinam a cor. A chaminé, instalada dias antes do conclave, é testada discretamente para evitar falhas. Um técnico permanece em uma sala próxima, controlando o sistema eletronicamente.

  • Fumaça preta: Usa perclorato de potássio, antraceno e enxofre.
  • Fumaça branca: Combina clorato de potássio, lactose e colofônia.
  • Controle remoto: O sistema é acionado eletronicamente para maior precisão.
  • Testes prévios: Realizados para garantir a visibilidade da fumaça.

Nos conclaves de 2005 e 2013, houve momentos de confusão, com fumaça de cor incerta, levando o Vaticano a aprimorar o sistema. Desde então, a fumaça branca é acompanhada pelo badalar dos sinos para evitar dúvidas.

Histórico de conclaves

A duração média dos últimos dez conclaves é de 3,2 dias, com nenhum ultrapassando cinco dias. O conclave mais longo da história, entre 1268 e 1271, durou 2 anos, 9 meses e 2 dias, devido a disputas políticas. Desde então, regras mais rígidas garantem processos mais rápidos, com isolamento total dos cardeais.

O conclave de 2025 é o primeiro em 50 anos a ocorrer em um contexto de divisões internas perceptíveis na Igreja, segundo vaticanistas. Temas como a inclusão de minorias, a transparência financeira e o papel da mulher na Igreja estão entre os desafios que o próximo papa enfrentará, influenciando as escolhas dos cardeais.

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