Destaques

Ex-mulher de professora morta é presa por mandar executar crime em São Paulo

professora Fernanda Bonin, de 42 anos, foi achada morta
professora Fernanda Bonin, de 42 anos, foi achada morta - Foto: Arquivo Pessoal professora Fernanda Bonin, de 42 anos, foi achada morta - Foto: Arquivo Pessoal

Em uma noite de abril, Fernanda Bonin, professora de matemática de 42 anos, saiu de seu apartamento no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, após receber um chamado de sua ex-companheira. A viagem, que deveria ser um simples ato de ajuda, terminou em tragédia. O corpo da vítima foi encontrado no dia seguinte, em um terreno baldio próximo ao Autódromo de Interlagos, na Zona Sul da capital, com sinais de estrangulamento. A investigação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), revelou uma trama complexa envolvendo ciúmes, traição e um crime encomendado.

A Polícia Civil de São Paulo, após meses de apuração, prendeu a ex-companheira de Fernanda, Fernanda Fazio, apontada como mandante do assassinato. A veterinária, de 45 anos, entregou-se às autoridades no escritório de seu advogado, em Perdizes, na Zona Oeste, no dia 9 de maio de 2025. Além dela, outros suspeitos estão sob investigação, incluindo um homem detido por abandonar o carro da vítima e duas pessoas que teriam executado o crime.

O caso chocou a comunidade escolar da Beacon School, onde Fernanda lecionava, e levantou debates sobre violência motivada por questões pessoais. A seguir, alguns pontos centrais da investigação:

  • Cronologia do crime: Fernanda desapareceu em 27 de abril, após sair de casa às 18h50. Seu corpo foi encontrado na manhã seguinte.
  • Evidências coletadas: O carro da vítima, um Hyundai Tucson prata, foi localizado dias depois, contendo uma faca e um celular.
  • Motivação apontada: Ciúmes, relacionados a um novo relacionamento de Fernanda e planos de mudança para a Alemanha, teriam levado Fazio a encomendar o assassinato.
  • Prisões realizadas: Além de Fazio, um suspeito foi preso por abandonar o veículo, e outros dois estão na mira da Justiça.

A investigação, que inicialmente considerava a hipótese de latrocínio, mudou de rumo ao identificar elementos que apontavam para um homicídio premeditado. A análise de câmeras de segurança, depoimentos e perícias foi essencial para desvendar o caso, que segue em andamento com diligências para esclarecer todos os detalhes.

Motivação por ciúmes

Fernanda Fazio, ex-companheira de Bonin, tornou-se o foco das investigações após inconsistências em seus depoimentos. A veterinária afirmou que, na noite de 27 de abril, seu carro apresentou problemas mecânicos na Avenida Jaguaré, o que a levou a pedir ajuda à professora. No entanto, perícias realizadas no veículo de Fazio revelaram que não havia qualquer falha no câmbio, contradizendo sua versão inicial. Esse detalhe foi crucial para que os investigadores começassem a explorar a possibilidade de um crime planejado.

A relação entre Fernanda Bonin e Fernanda Fazio, que durou oito anos, era marcada por idas e vindas. Casadas, elas tiveram dois filhos e, após a separação em 2024, tentavam uma reconciliação por meio de terapia de casal. Segundo informações levantadas pela polícia, Fazio ficou abalada ao descobrir que Bonin havia iniciado um novo relacionamento e planejava se mudar para a Alemanha, o que teria desencadeado o ciúme que motivou o crime. A investigação aponta que a veterinária contratou um conhecido para executar o assassinato, enquanto outras duas pessoas teriam participado diretamente da ação.

O depoimento de Fazio, prestado em duas ocasiões, foi marcado por contradições. Na primeira vez, ela relatou que esperou por Bonin na Avenida Jaguaré, mas, como o carro voltou a funcionar, seguiu para o apartamento da professora e não a encontrou. Na segunda oitiva, que durou mais de três horas, os investigadores pressionaram a veterinária sobre detalhes que não se alinhavam com as evidências, como a ausência de registros de falhas mecânicas em seu veículo. Essas inconsistências levaram à decretação de sua prisão preventiva no dia 9 de maio.

Cronologia dos acontecimentos

O desaparecimento de Fernanda Bonin começou a ser desvendado por meio de imagens de câmeras de segurança. Às 18h50 do dia 27 de abril, a professora foi filmada no elevador de seu prédio, no Jaguaré. Minutos depois, seu Hyundai Tucson prata deixou a garagem do condomínio. Após isso, não houve mais registros de Bonin com vida. Na manhã seguinte, por volta das 10h30, a Polícia Militar recebeu uma denúncia anônima e localizou o corpo da vítima em um terreno baldio na Avenida João Paulo da Silva, no bairro Vila da Paz, próximo ao Autódromo de Interlagos.

O corpo apresentava sinais claros de violência. Um cadarço estava enrolado no pescoço de Fernanda, e peritos da Polícia Técnico-Científica confirmaram que a causa da morte foi asfixia por estrangulamento. A necropsia, embora não divulgada em detalhes, indicou uma única lesão significativa na região cervical, reforçando a hipótese de um ataque direcionado. A ausência do carro e do celular da vítima inicialmente levou a polícia a registrar o caso como latrocínio, mas a descoberta de novos elementos mudou a linha investigativa.

A seguir, os principais marcos temporais do caso:

  • 27 de abril, 18h50: Fernanda Bonin sai de seu apartamento após ligação de Fazio.
  • 28 de abril, 10h30: Corpo da vítima é encontrado em terreno baldio.
  • 3 de maio: Carro de Bonin é localizado a poucos quarteirões do local do crime.
  • 7 de maio: Homem suspeito de abandonar o veículo é preso.
  • 9 de maio: Fernanda Fazio se entrega à polícia e tem prisão preventiva decretada.

A rápida ação da polícia na análise de imagens e coleta de depoimentos foi essencial para avançar a investigação, mas a complexidade do caso exigiu o envolvimento de especialistas em perfilamento criminal.

Papel das câmeras de segurança

As imagens captadas por câmeras de segurança desempenharam um papel central na investigação. Além das gravações do prédio de Bonin, que mostraram sua saída na noite de 27 de abril, outras câmeras registraram o momento em que o carro da vítima foi abandonado. Por volta da meia-noite do mesmo dia, uma dupla foi filmada deixando o Hyundai Tucson na Rua Ricardo Moretti, na Cidade Dutra, a cerca de um quilômetro do terreno onde o corpo foi encontrado. As imagens mostram o casal saindo do veículo, olhando ao redor e seguindo por uma viela estreita até desaparecerem do campo de visão.

A polícia identificou que a dupla passou pela estação Autódromo, da Linha 9-Esmeralda, mas não embarcou em nenhum trem, optando por seguir a pé para outra região do bairro. A análise dessas imagens levou à identificação de uma impressão digital no carro, que foi crucial para a prisão de um dos suspeitos em 7 de maio. O homem, cuja identidade não foi revelada, confessou ter abandonado o veículo, mas negou envolvimento direto no assassinato. A polícia aguarda imagens internas da estação Autódromo para tentar realizar reconhecimento facial e identificar o segundo integrante da dupla.

A descoberta do carro, no dia 3 de maio, trouxe novas pistas. Dentro do veículo, os investigadores encontraram uma faca, que pode ter sido usada para ameaçar Bonin, e um celular sem chip, possivelmente pertencente a um dos filhos da vítima, devido aos aplicativos de jogos instalados. Ambos os objetos foram encaminhados para perícia, e os resultados ainda não foram divulgados publicamente. A presença desses itens reforçou a tese de que o crime foi cuidadosamente planejado, com o objetivo de despistar as autoridades.

Perfilamento criminal na investigação

O DHPP acionou uma equipe especializada em perfilamento criminal para auxiliar na investigação. Formado por delegados, psicólogos, peritos e criminólogos, o grupo utiliza técnicas de análise comportamental para traçar o perfil psicológico dos suspeitos e da vítima. No caso de Fernanda Bonin, os especialistas estudaram o modus operandi do crime, as circunstâncias do abandono do carro e o contexto pessoal da vítima para identificar possíveis motivações.

A análise revelou que o crime tinha características de um homicídio intencional, e não de um roubo seguido de morte, como inicialmente registrado. A escolha do local para o descarte do corpo, em uma área de mata isolada, e o uso de um cadarço como instrumento de estrangulamento sugerem um ato planejado, possivelmente executado por alguém com acesso a informações sobre a rotina de Bonin. O perfilamento também destacou o papel de Fernanda Fazio, cuja relação conturbada com a vítima e comportamento após o crime levantaram suspeitas.

Os investigadores cruzaram dados de câmeras, depoimentos e perícias para construir uma linha do tempo detalhada. A equipe de perfilamento criminal continua ativa no caso, trabalhando para identificar os executores do crime e esclarecer eventuais lacunas na investigação. A abordagem multidisciplinar, que inclui profissionais com experiência em cenas de crime complexas, tem sido fundamental para avançar as diligências.

Repercussão na comunidade escolar

Fernanda Bonin era professora de matemática na Beacon School, uma escola bilíngue de alto padrão com unidades em Alto de Pinheiros e Vila Leopoldina. Formada em matemática pela Universidade de São Paulo (USP) e especializada em educação inclusiva pela Universidade MacEwan, no Canadá, ela era reconhecida por sua dedicação e gentileza. Sua morte deixou a comunidade escolar em luto, com colegas e alunos expressando choque e tristeza.

A Beacon School emitiu uma nota oficial lamentando a perda: “Fernanda marcou profundamente a vida de muitos estudantes e colegas com sua dedicação, gentileza e compromisso com a educação, e deixará muita saudade.” A instituição reforçou que está oferecendo apoio psicológico a alunos e funcionários, além de promover ações para acolher a comunidade escolar. O velório e sepultamento de Bonin, realizados em Santo André no dia 30 de abril, contaram com a presença de familiares, amigos e membros da escola.

A tragédia também gerou debates sobre a segurança de professores e a violência motivada por questões pessoais. Pais de alunos da Beacon School relataram preocupação com a possibilidade de crimes semelhantes, enquanto educadores destacaram a necessidade de maior proteção para profissionais da educação. A escola, que cobra mensalidades superiores a 7 mil reais, reforçou medidas de segurança em suas unidades, embora não tenha divulgado detalhes específicos.

Detalhes da prisão de Fazio

A prisão de Fernanda Fazio, no dia 9 de maio, marcou um ponto de inflexão no caso. A veterinária, que havia sido ouvida duas vezes pela polícia, decidiu se entregar após a Justiça decretar sua prisão preventiva. A operação ocorreu de forma discreta, no escritório de seu advogado, em Perdizes. Até o momento, a defesa de Fazio não se manifestou publicamente, e a imprensa não conseguiu contato com seus representantes legais.

A Secretaria da Segurança Pública confirmou a prisão em nota oficial, destacando que Fazio é considerada a mandante do crime. A pasta informou que as diligências seguem em curso para esclarecer todos os aspectos do caso, incluindo a identificação e captura dos executores. A prisão de Fazio foi baseada em evidências como as contradições em seus depoimentos, a ausência de falhas mecânicas em seu carro e indícios de que ela contratou um conhecido para cometer o assassinato.

A investigação também revelou que Fazio mantinha contato com um dos suspeitos presos, o que reforçou a tese de um crime encomendado. Na casa desse suspeito, a polícia encontrou uma coleção de cadarços, o que levantou a possibilidade de que o objeto usado para estrangular Bonin tenha vindo de sua posse. A análise pericial desses itens está em andamento, e os resultados podem trazer novas informações sobre a dinâmica do crime.

Evidências materiais coletadas

O carro de Fernanda Bonin, localizado em 3 de maio, foi uma peça-chave na investigação. O Hyundai Tucson prata, placa FIH0H031, foi encontrado na Rua Ricardo Moretti, a poucos quarteirões do terreno onde o corpo da vítima foi descoberto. A perícia inicial realizada no local identificou uma impressão digital, que levou à prisão do homem suspeito de abandonar o veículo. Além disso, a faca e o celular encontrados no carro abriram novas linhas de apuração.

A faca, que está sendo periciada, pode ter sido usada para ameaçar Bonin antes de sua morte, embora a causa do óbito tenha sido confirmada como estrangulamento. O celular, sem chip e com aplicativos de jogos, foi inicialmente associado a um dos filhos da vítima, mas os investigadores ainda analisam se ele contém dados relevantes para o caso. A ausência do celular pessoal de Bonin, que permaneceu desligado após o crime, sugere que os responsáveis pelo assassinato tomaram medidas para dificultar o rastreamento.

Outras evidências materiais incluem as imagens de câmeras de segurança e os cadarços encontrados na casa de um dos suspeitos. A polícia também solicitou perícias adicionais no carro de Fazio e no local onde o corpo foi encontrado, na tentativa de identificar vestígios biológicos ou outras pistas. A integração dessas evidências com os depoimentos e o trabalho de perfilamento criminal tem sido essencial para avançar a investigação.

Linhas investigativas em aberto

Apesar das prisões de Fazio e do suspeito que abandonou o carro, o caso ainda apresenta questões não respondidas. A polícia aguarda a decisão da Justiça sobre os pedidos de prisão de duas outras pessoas, apontadas como executoras do crime. Essas figuras, que aparecem nas imagens das câmeras de segurança, são consideradas peças fundamentais para esclarecer a dinâmica do assassinato.

A investigação também busca determinar como Fazio entrou em contato com os executores e qual foi o valor pago pelo crime. A análise de registros telefônicos e financeiros está em curso, mas os detalhes permanecem sob sigilo. Além disso, a polícia trabalha para confirmar se o cadarço usado no estrangulamento pertence à coleção encontrada na casa de um dos suspeitos, o que poderia fortalecer as provas contra os envolvidos.

A seguir, algumas frentes de investigação em andamento:

  • Identificação da dupla: A polícia espera imagens da estação Autódromo para realizar reconhecimento facial.
  • Perícias pendentes: Resultados das análises da faca, do celular e dos cadarços ainda não foram divulgados.
  • Registros financeiros: Movimentações bancárias de Fazio estão sendo rastreadas para identificar pagamentos aos executores.
  • Depoimentos adicionais: Familiares e conhecidos de Bonin e Fazio continuam sendo ouvidos.
  • Reconstrução do crime: A polícia busca esclarecer onde e como Bonin foi abordada após deixar seu apartamento.

O sigilo imposto ao inquérito tem como objetivo proteger as diligências e evitar que os investigados sejam alertados, mas a expectativa é de que novas prisões ocorram nas próximas semanas.

Reações da família e amigos

A família de Fernanda Bonin, incluindo seu pai e seus dois filhos, foi profundamente abalada pela tragédia. O pai da professora prestou depoimento à polícia, mas os detalhes de sua oitiva não foram divulgados. Os filhos, que dividiam o tempo entre as casas de Bonin e Fazio, estão sob os cuidados de familiares, enquanto a investigação prossegue. A polícia tem evitado expor as crianças, respeitando sua privacidade em um momento de luto.

Amigos de Bonin, muitos deles colegas da Beacon School, organizaram homenagens à professora nas redes sociais. Postagens destacaram sua paixão pela educação e seu compromisso com os alunos, especialmente aqueles com necessidades especiais. A comunidade escolar também criou um fundo de apoio para os filhos de Bonin, com o objetivo de garantir sua educação e bem-estar.

A prisão de Fazio gerou reações mistas entre os conhecidos do casal. Alguns expressaram surpresa, afirmando que a veterinária parecia dedicada à reconciliação, enquanto outros relataram que a relação entre as duas era marcada por conflitos frequentes. A polícia continua ouvindo pessoas próximas para esclarecer o contexto do crime e identificar possíveis testemunhas.

Avanços na investigação forense

A Polícia Técnico-Científica tem desempenhado um papel crucial na análise das evidências. Além da necropsia, que confirmou a asfixia como causa da morte, os peritos realizaram exames no local onde o corpo foi encontrado e no carro da vítima. A ausência de vestígios de luta no terreno baldio sugere que Bonin pode ter sido morta em outro local e transportada para a área de mata, uma hipótese que a polícia ainda investiga.

A análise da impressão digital encontrada no carro foi um marco na investigação, permitindo a identificação de um dos suspeitos. A perícia da faca, que pode conter resíduos biológicos, e do celular, que está sendo desbloqueado para análise de dados, são etapas aguardadas com expectativa. Os cadarços encontrados na casa de um dos suspeitos também estão sob exame, com o objetivo de determinar se há correspondência com o objeto usado no crime.

A integração de tecnologias forenses, como o reconhecimento facial e a análise de DNA, tem sido essencial para avançar o caso. A polícia também utiliza softwares de georreferenciamento para mapear os trajetos da dupla que abandonou o carro, na tentativa de reconstruir seus movimentos após o crime. Esses esforços refletem o compromisso das autoridades em esclarecer o assassinato de Fernanda Bonin e garantir justiça à vítima.

To Top