Aos 89 anos, José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai, enfrenta o estágio final de um câncer de esôfago, conforme anunciado por sua esposa, Lucía Topolansky. A ex-vice-presidente uruguaia revelou que Mujica está sob cuidados paliativos, focados em aliviar a dor e garantir dignidade em seus últimos dias. A notícia, divulgada em uma entrevista à rádio Sarandí, abalou o Uruguai e a América Latina, onde Mujica é uma figura icônica da esquerda. Sua trajetória, marcada por austeridade e humanismo, continua a inspirar milhões.
Montevidéu, a capital uruguaia, amanheceu sob o peso da notícia. Topolansky, companheira de Mujica há décadas, destacou que o ex-presidente optou por não seguir com tratamentos invasivos após a metástase do câncer. A decisão reflete a postura pragmática de Mujica, que sempre defendeu a simplicidade e a aceitação dos ciclos da vida.
- Diagnóstico inicial: Em abril de 2024, Mujica anunciou um tumor no esôfago, descoberto em exames de rotina.
- Progressão da doença: Em janeiro de 2025, ele revelou que o câncer se espalhou para o fígado, comprometendo seu estado geral.
- Cuidados paliativos: A equipe médica agora prioriza o conforto, com medicações para controle da dor e suporte em casa.
Declaração de Lucía Topolansky
Lucía Topolansky, ex-vice-presidente do Uruguai entre 2017 e 2020, falou com serenidade sobre a condição de Mujica. Em sua entrevista à rádio Sarandí, ela explicou que o casal está focado em garantir que o ex-presidente viva seus últimos momentos com dignidade. A ex-guerrilheira, que compartilhou com Mujica anos de luta contra a ditadura uruguaia, enfatizou a importância de respeitar a privacidade do marido.
A declaração de Topolansky veio após semanas de especulações sobre a saúde de Mujica. Ela esclareceu que a decisão de suspender tratamentos foi tomada devido à fragilidade do ex-presidente, agravada por doenças crônicas, como uma condição imunológica que afeta seus rins há mais de 20 anos.
- Respeito à privacidade: Topolansky pediu que a mídia e o público evitem abordagens invasivas.
- Foco no conforto: A rotina de Mujica inclui repouso em sua chácara nos arredores de Montevidéu.
- Apoio familiar: Amigos próximos e familiares acompanham o casal, oferecendo suporte emocional.
Trajetória política de Mujica
José Mujica governou o Uruguai entre 2010 e 2015, deixando um legado de políticas progressistas e um estilo de vida austero. Conhecido como o “presidente mais pobre do mundo”, ele doava grande parte de seu salário e vivia em uma chácara simples, rejeitando as regalias do cargo. Sua gestão foi marcada pela legalização da maconha, avanços em direitos sociais e uma postura crítica ao consumismo.
Antes de ingressar na política institucional, Mujica foi guerrilheiro do Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros, lutando contra a ditadura militar uruguaia (1973-1985). Ele passou quase 15 anos preso, grande parte em condições desumanas, incluindo longos períodos em solitária. Essas experiências moldaram sua visão humanista e sua defesa pela igualdade.
Mujica também foi eleito senador em duas ocasiões, mas deixou o cargo em 2020, citando a pandemia de Covid-19 e sua saúde fragilizada. Mesmo afastado da política formal, ele permaneceu ativo, apoiando a campanha de Yamandú Orsi, eleito presidente do Uruguai em 2024.
Reações no Uruguai
A notícia sobre o estado terminal de Mujica gerou comoção no Uruguai. Líderes políticos de diferentes espectros expressaram solidariedade. O presidente Yamandú Orsi, aliado de Mujica, pediu respeito à privacidade do ex-presidente e destacou sua contribuição para a democracia uruguaia.
Em Montevidéu, cidadãos comuns deixaram flores e mensagens em frente à residência de Mujica. Nas redes sociais, uruguaios compartilharam histórias sobre o ex-presidente, lembrando sua proximidade com o povo e sua simplicidade.
- Homenagens públicas: Prefeituras organizaram eventos para celebrar o legado de Mujica.
- Mensagens online: Hashtags como #ForçaMujica e #PepeVive ganharam força nas plataformas digitais.
- Silêncio oficial: O governo uruguaio evitou comunicados extensos, respeitando o pedido de Topolansky.
- Apoio de figuras locais: Ex-presidentes como Tabaré Vázquez e Luis Lacalle Pou enviaram mensagens de apoio.
Apoio internacional
A condição de Mujica também repercutiu além das fronteiras do Uruguai. Líderes latino-americanos, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, manifestaram apoio. Lula, que se encontrou com Mujica em fevereiro de 2025 durante a posse de Yamandú Orsi, descreveu o uruguaio como um “ser humano acima da média”.
Outros líderes, como o presidente chileno Gabriel Boric, que visitou Mujica em março de 2025, reforçaram a admiração pelo ex-guerrilheiro. Boric e Mujica plantaram uma oliveira juntos, em um gesto simbólico de continuidade das ideias de justiça social.
A imprensa internacional destacou a influência global de Mujica. Jornais como o argentino La Nación e o britânico The Guardian publicaram reportagens sobre sua trajetória, enfatizando sua relevância como ícone da esquerda humanista.
Histórico médico de Mujica
O câncer de esôfago de Mujica foi diagnosticado em abril de 2024, após um check-up de rotina. Inicialmente, os médicos optaram por radioterapia, que foi concluída em junho do mesmo ano. Em agosto, a médica Raquel Pannone anunciou que o tumor estava em remissão, mas alertou sobre a fragilidade do ex-presidente devido a complicações renais e vasculite.
Em setembro de 2024, Mujica passou por uma cirurgia para facilitar a alimentação, já que a radioterapia inflamava seu aparelho digestivo. No entanto, em janeiro de 2025, ele revelou que o câncer havia se espalhado para o fígado, tornando tratamentos como quimioterapia ou cirurgia inviáveis.
- Condições preexistentes: Mujica sofre de uma doença imunológica há mais de 20 anos.
- Impacto da radioterapia: O tratamento causou perda de peso e dificuldade para se alimentar.
- Decisão final: A suspensão de tratamentos reflete a fragilidade de seu estado geral.
Legado na América Latina
Mujica se tornou um símbolo da esquerda latino-americana por sua retórica anticonsumista e seu compromisso com a justiça social. Sua gestão no Uruguai foi pioneira em temas como a legalização da maconha, aprovada em 2013, e a promoção de energias renováveis. Ele também defendeu a integração regional, fortalecendo o Mercosul e as relações com países como o Brasil.
Seu estilo de vida, marcado pela recusa de luxos, inspirou movimentos sociais em toda a região. Mujica rejeitava o rótulo de “presidente mais pobre”, argumentando que sua riqueza estava na liberdade e na coerência com seus valores.
Durante sua carreira, ele se encontrou com líderes como Fidel Castro, Hugo Chávez e Cristina Kirchner, sempre defendendo a unidade latino-americana. Suas reflexões sobre a felicidade e o consumismo continuam a ser citadas em fóruns internacionais.
Participação nas eleições de 2024
Apesar de sua saúde debilitada, Mujica participou ativamente das eleições uruguaias de 2024. Ele apoiou Yamandú Orsi, candidato da Frente Ampla, que venceu o segundo turno em novembro. Mujica votou em outubro, em uma cadeira de rodas, e declarou que aquele poderia ser seu “último voto”.
Sua presença na campanha foi limitada devido à fragilidade física, mas ele gravou mensagens incentivando a militância da Frente Ampla. Orsi, considerado um pupilo político de Mujica, prometeu manter o diálogo com o Brasil e fortalecer o Mercosul, ecoando ideias do ex-presidente.
- Apoio a Orsi: Mujica foi um dos principais cabos eleitorais da campanha.
- Discurso de despedida: Em outubro, ele falou sobre a luta por um “mundo melhor”.
- Impacto eleitoral: A vitória da Frente Ampla foi vista como uma homenagem a Mujica.
- Limitações físicas: Médicos recomendaram que ele evitasse deslocamentos longos.
Cuidados paliativos em foco
Os cuidados paliativos, agora centrais no tratamento de Mujica, visam melhorar a qualidade de vida de pacientes em estágio terminal. No Uruguai, esse tipo de atendimento é oferecido tanto em hospitais quanto em domicílios, permitindo que pacientes permaneçam em ambientes familiares.
No caso de Mujica, a equipe médica optou por um acompanhamento em sua chácara, nos arredores de Montevidéu. Profissionais de saúde monitoram sua condição, administrando medicamentos para dor e garantindo hidratação e nutrição adequadas.
Topolansky destacou que o objetivo é assegurar que Mujica passe seus dias com tranquilidade. A decisão de manter o atendimento em casa reflete o desejo do ex-presidente de permanecer em seu ambiente, cercado por sua horta e seus animais.
Simplicidade como marca
A chácara de Mujica, onde ele vive com Topolansky, é um símbolo de sua filosofia de vida. O casal cultiva flores e hortaliças, mantendo uma rotina simples mesmo durante os anos de presidência. O famoso Fusca azul de 1987, que Mujica dirigia pelas ruas de Montevidéu, tornou-se um ícone de sua rejeição ao luxo.
Em 2014, um xeque árabe ofereceu US$ 1 milhão pelo veículo, mas Mujica recusou, atendendo ao pedido de uruguaios que viam o carro como patrimônio nacional. A chácara e o Fusca continuam a atrair visitantes, que buscam conhecer o local onde vive um dos líderes mais admirados do mundo.
- Rotina na chácara: Mujica dedica tempo à jardinagem e à leitura.
- Rejeição ao luxo: Ele nunca morou no Palácio Estévez, residência oficial dos presidentes.
- Simbolismo do Fusca: O carro representa sua coerência com valores de austeridade.
Homenagens em vida
Nos últimos meses, Mujica recebeu diversas homenagens no Uruguai e no exterior. Em março de 2025, ele participou de um evento com o presidente chileno Gabriel Boric, onde plantaram uma oliveira em sua chácara. O gesto foi visto como um tributo à sua luta por um mundo mais justo.
No Uruguai, prefeituras planejam nomear ruas e praças em homenagem a Mujica. Escolas também iniciaram projetos educativos sobre sua trajetória, destacando sua contribuição para a democracia e os direitos humanos.
A Frente Ampla, coalizão que Mujica ajudou a fortalecer, anunciou a criação de um fundo para preservar seu legado, com foco em iniciativas de inclusão social e sustentabilidade.
Saúde e dignidade
A escolha de Mujica por cuidados paliativos reflete sua visão sobre a morte como parte natural da vida. Em entrevistas anteriores, ele afirmou que “tudo o que nasce é para morrer” e que aceitava seu destino com serenidade. Essa postura ressoa com sua filosofia de valorizar a felicidade acima da riqueza.
Topolansky reforçou que a prioridade é garantir que Mujica viva seus últimos dias com dignidade. A equipe médica mantém um acompanhamento constante, ajustando medicações conforme necessário.
O Uruguai, conhecido por seu sistema de saúde acessível, oferece suporte robusto para cuidados paliativos, o que permite que pacientes como Mujica recebam atendimento de qualidade em casa.
Legado cultural
Além de sua influência política, Mujica deixou uma marca cultural profunda. Seus discursos, repletos de reflexões sobre a vida e a sociedade, foram compilados em livros e documentários. Filmes como “El Pepe, una vida suprema”, dirigido por Emir Kusturica, retratam sua trajetória e seu impacto global.
No Uruguai, artistas criaram murais e músicas em homenagem a Mujica, celebrando sua simplicidade e seu compromisso com os mais pobres. Suas frases, como “a vida é uma aventura bela”, tornaram-se lemas para movimentos sociais.
- Obras inspiradas: Documentários e livros sobre Mujica ganharam projeção internacional.
- Arte urbana: Murais em Montevidéu retratam o ex-presidente com seu Fusca.
- Frases icônicas: Suas reflexões sobre felicidade inspiram ativistas em todo o mundo.
- Presença na mídia: Jornais globais destacam sua relevância como líder humanista.
Relação com o Brasil
Mujica sempre manteve laços estreitos com o Brasil, especialmente durante os governos de Lula e Dilma Rousseff. Ele defendeu a integração sul-americana e a importância do Mercosul, destacando o Brasil como um parceiro comercial essencial para o Uruguai.
Em suas visitas ao Brasil, Mujica foi recebido com entusiasmo, especialmente por movimentos de esquerda. Sua participação em eventos como a Cúpula do Mercosul reforçou a colaboração entre os dois países em áreas como comércio e sustentabilidade.
Lula, que visitou Mujica em Montevidéu em 2025, reiterou sua admiração pelo uruguaio, destacando sua coerência e sua luta por um mundo mais igualitário.
Solidariedade global
A notícia sobre a condição de Mujica gerou uma onda de solidariedade em todo o mundo. Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, emitiram notas reconhecendo sua contribuição para a democracia. Universidades na Europa e na América Latina anunciaram palestras em sua homenagem.
No Uruguai, voluntários organizaram vigílias pacíficas em praças públicas, onde cidadãos lêem trechos de discursos de Mujica. Essas iniciativas reforçam a conexão do ex-presidente com o povo, mesmo em seus momentos finais.

