A noite de 12 de maio de 2025 trouxe um confronto aguardado no Allianz Parque, onde Santos e Ceará se enfrentaram pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro Série A. Com Neymar presente nas arquibancadas, o estádio registrou um público recorde de 35.240 torcedores, superando marcas anteriores de jogos no local. O empate sem gols, porém, deixou um gosto amargo para as duas equipes, que buscavam objetivos distintos na competição.
O Santos, na vice-lanterna com apenas quatro pontos, precisava da vitória para escapar da zona de rebaixamento. Já o Ceará, embalado por uma vitória recente, almejava encostar no G-4.
- Público histórico: 35.240 pagantes, maior marca do Allianz Parque no Brasileirão 2025.
- Ausência de gols: Ambas as equipes criaram chances, mas esbarraram em defesas sólidas.
- Presença de Neymar: Craque atraiu torcida, mesmo sem jogar devido a lesão.
O jogo foi marcado por intensidade tática, com o Ceará dominando o segundo tempo e o Santos apostando em jogadas pelas laterais.
Recorde de público impulsiona atmosfera
O Allianz Parque viveu uma noite histórica com a presença de 35.240 torcedores, superando o recorde anterior de 30.347 pagantes, registrado em Palmeiras x Botafogo na 1ª rodada do Brasileirão 2025. A escolha do Santos por atuar na capital paulista, em vez da Vila Belmiro, visava aproximar a torcida da região metropolitana. A estratégia deu certo, com ingressos esgotados e apoio constante das arquibancadas. A presença de Neymar, mesmo sem entrar em campo, foi um dos grandes chamarizes, com o craque interagindo com os fãs antes da partida.
A torcida santista, apesar do empate, manteve o apoio durante os 90 minutos, criando um ambiente vibrante. O Ceará, por sua vez, contou com uma pequena, mas barulhenta torcida visitante, que celebrou as chances criadas no segundo tempo. A atmosfera foi um dos pontos altos do confronto, embora o placar não tenha refletido a energia das arquibancadas.
Desempenho do Santos no confronto
O Santos entrou em campo sob pressão, ocupando a 19ª posição na tabela com apenas uma vitória em sete jogos. O técnico Cléber Xavier, em sua segunda partida no comando, apostou em uma formação com três atacantes para buscar o gol desde o início. A escalação contava com Aderlan de volta à lateral direita, Gabriel Bontempo no meio-campo e Tiquinho Soares liderando o ataque.
No primeiro tempo, o Peixe tentou impor seu jogo com jogadas pelas pontas, especialmente com Soteldo pela esquerda. No entanto, a equipe pecou na finalização, com apenas 38% de aproveitamento nos passes decisivos, segundo dados do Sofascore. A defesa, liderada por Zé Ivaldo e Luan Peres, foi sólida, mas o ataque não conseguiu superar o goleiro Bruno Ferreira, do Ceará.
- Posse de bola: 52% para o Santos, com 412 passes completados.
- Finalizações: 10 chutes, sendo apenas 3 no alvo.
- Escanteios: 6, mas sem conversão em chances claras.
- Faltas cometidas: 14, com destaque para entradas duras no meio-campo.
No segundo tempo, o Santos caiu de ritmo, e a entrada de Barreal aos 70 minutos trouxe mais criatividade, mas não o gol. A equipe terminou o jogo com 1,2 xG (gols esperados), indicando dificuldade em converter chances.
Ceará domina segundo tempo
O Ceará, sétimo colocado com 11 pontos, entrou em campo embalado pela vitória por 1 a 0 sobre o Vitória na rodada anterior. Sob o comando de Léo Condé, o Vozão adotou uma postura cautelosa no primeiro tempo, priorizando a marcação no meio-campo. A escalação inicial trouxe Pedro Raul como referência no ataque, apoiado por Lucas Mugni e Erick Pulga nas pontas.
Após o intervalo, o Ceará cresceu no jogo, explorando contra-ataques e bolas aéreas. Aos 58 minutos, Pedro Raul cabeceou com perigo, mas Gabriel Brazão fez grande defesa. O time visitante terminou a partida com 48% de posse de bola e 11 finalizações, sendo 4 no gol. O aproveitamento nos passes foi de 82%, com destaque para Mugni, que completou 45 passes e criou duas chances claras.
- Chances criadas: 3 grandes oportunidades, todas no segundo tempo.
- Dribles certos: 7, com Erick Pulga acertando 4.
- Desarmes: 18, com De Lucca liderando com 5 intervenções.
- xG: 1,4, superior ao do Santos, mas sem conversão.
A falta de precisão nas finalizações e a atuação inspirada de Brazão impediram o Ceará de sair com a vitória, embora o time tenha deixado o campo com a sensação de que poderia ter conquistado os três pontos.
Escolha do Allianz Parque
A decisão do Santos de mandar o jogo no Allianz Parque, estádio do Palmeiras, gerou curiosidade entre os torcedores. A diretoria santista justificou a escolha como parte de uma estratégia para atrair a torcida da capital e aumentar a receita com bilheteria. Antes deste confronto, o Santos já havia jogado em outros estádios paulistanos, como a Neo Química Arena e o Morumbi, em 2024.
O Allianz Parque, com capacidade para cerca de 43 mil pessoas, ofereceu uma estrutura moderna e maior visibilidade para o clube. A renda do jogo, estimada em R$ 2,1 milhões, reforça o acerto financeiro da decisão. A torcida compareceu em peso, mas o desempenho em campo não correspondeu à expectativa gerada pela atmosfera.
Análise tática do confronto
O confronto entre Santos e Ceará foi um duelo tático, com estratégias bem definidas por ambos os treinadores. O Santos adotou um 4-3-3 ofensivo, buscando explorar a velocidade de Soteldo e Rollheiser pelas pontas. A ideia era abrir o jogo e criar superioridade numérica pelos lados, mas a equipe esbarrou na forte marcação cearense, que neutralizou 68% dos avanços santistas pelo flanco esquerdo.
O Ceará, por sua vez, utilizou um 4-2-3-1, com De Lucca e Richardson formando uma dupla sólida na contenção. No segundo tempo, Léo Condé ajustou o posicionamento de Erick Pulga, que passou a atuar mais centralizado, confundindo a defesa adversária. A mudança gerou três chances claras, mas a falta de capricho nas finalizações frustrou o Vozão.
- Posse no meio-campo: Ceará teve 55% de controle no setor central no segundo tempo.
- Eficiência defensiva: Santos sofreu apenas 0,4 xG no primeiro tempo.
- Transições rápidas: Ceará completou 12 contra-ataques, contra 8 do Santos.
A partida evidenciou a dificuldade do Santos em construir jogadas pelo meio, com excesso de cruzamentos (22 tentativas, apenas 5 bem-sucedidas). O Ceará, embora mais perigoso, pecou na definição, com apenas 36% de acerto nas finalizações dentro da área.
Momentos-chave da partida
O jogo teve poucos lances de brilho, mas alguns momentos definiram o empate sem gols. No primeiro tempo, aos 13 minutos, Tiquinho Soares recebeu cruzamento de Aderlan, mas cabeceou por cima. Aos 26 minutos, o Ceará respondeu com uma cobrança de falta de Lourenço, que passou rente à trave.
No segundo tempo, o Vozão pressionou. Aos 58 minutos, Pedro Raul perdeu chance clara após cruzamento de Matheus Bahia. Aos 75 minutos, Barreal, que entrou no lugar de Rollheiser, quase abriu o placar para o Santos com um chute de fora da área, defendido por Bruno Ferreira. O último lance de perigo veio aos 88 minutos, quando Erick Pulga driblou dois marcadores, mas finalizou para fora.
- Defesas decisivas: Gabriel Brazão (Santos) e Bruno Ferreira (Ceará) com 3 intervenções cada.
- Chutes perigosos: 7 no total, com 4 do Ceará.
- Cartões amarelos: 5, sendo 3 para o Santos (Aderlan, Bontempo, Escobar).
- Substituições: Santos fez 4 mudanças; Ceará, 3.
A ausência de gols refletiu a eficiência defensiva de ambos os lados, mas também a falta de inspiração ofensiva.
Neymar como fator extracampo
A presença de Neymar, mesmo sem jogar, foi um dos grandes destaques da noite. O craque, que se recupera de uma lesão na coxa esquerda, participou de ações de marketing do Santos antes do jogo, incluindo um vídeo convocando a torcida. Sua aparição nas arquibancadas atraiu olhares e câmeras, reforçando sua importância para o clube, mesmo fora de campo.
Neymar chegou ao Allianz Parque acompanhado de seguranças e foi ovacionado pelos torcedores. Ele assistiu à partida de um camarote e interagiu com crianças da base santista no intervalo. A diretoria do Santos planeja usar a imagem do jogador em mais eventos para engajar a torcida, especialmente em jogos na capital.
Retrospecto histórico entre as equipes
Santos e Ceará têm um histórico equilibrado, com 25 confrontos registrados desde 1946. O Peixe leva vantagem, com 12 vitórias, contra 5 do Vozão e 8 empates. Como mandante, o Santos mantém uma invencibilidade histórica, nunca tendo perdido para o Ceará em casa.
O último encontro, em 22 de outubro de 2024, pela Série B, terminou com vitória santista por 1 a 0, gol de Diego Pituca. Na ocasião, o Santos dominou as ações, com 56% de posse e 14 finalizações. O empate de 12 de maio de 2025, porém, mostrou um Ceará mais competitivo, especialmente na segunda etapa.
- Gols no confronto: Santos marcou 31 gols; Ceará, 20.
- Jogos sem gols: 5 empates em 0 a 0 desde 1971.
- Maior vitória: Santos 5 x 2 Ceará, em 1946 (amistoso).
- Artilheiros históricos: Pelé (Santos) com 4 gols; Mota (Ceará) com 3.
O equilíbrio recente sugere que os duelos entre as equipes tendem a ser decididos nos detalhes, como ocorreu no Allianz Parque.
Arbitragem e disciplina
A partida foi conduzida pelo árbitro Felipe Fernandes de Lima, com assistência de Rafael da Silva Alves e Thiaggo Americano Labes. O VAR, operado por Rodrigo Nunes de Sá, não foi acionado em lances polêmicos. A arbitragem teve atuação discreta, com cinco cartões amarelos distribuídos: três para o Santos (Aderlan, Gabriel Bontempo e Escobar) e dois para o Ceará (De Lucca e Matheus Bahia).
O jogo teve 29 faltas no total, com o Santos cometendo 14 e o Ceará, 15. Não houve expulsões, e o ritmo da partida foi mantido, com apenas 2 minutos de acréscimos no primeiro tempo e 5 no segundo. A disciplina das equipes evitou interrupções prolongadas, mas as entradas mais duras no meio-campo geraram reclamações dos dois lados.
Próximos compromissos das equipes
Após o empate, Santos e Ceará voltam a campo no fim de semana pela 9ª rodada do Brasileirão. O Santos enfrentará o Flamengo, no Maracanã, no dia 17 de maio, às 19h. A partida será um teste para o Peixe, que busca sua segunda vitória na competição. Cléber Xavier deve manter a base titular, com possível retorno de Neymar, caso avance na recuperação.
O Ceará, por sua vez, recebe o Sport Recife, no Castelão, no dia 16 de maio, às 20h. O Vozão aposta no bom momento em casa, onde venceu quatro de seus últimos cinco jogos, para se aproximar do G-4. Léo Condé pode promover a entrada de Lucas Rian no lugar de Lourenço, após o meia mostrar boa movimentação no segundo tempo contra o Santos.
- Santos x Flamengo: Último confronto terminou 2 a 1 para o Flamengo (2024).
- Ceará x Sport: Ceará venceu por 1 a 0 em 2024 (Série B).
- Desfalques prováveis: Neymar (Santos) e nenhum confirmado para o Ceará.
Os resultados desses jogos serão cruciais para definir as ambições de ambas as equipes no campeonato.

