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Anvisa bane bala gummy com tadalafila e alerta para riscos do uso sem prescrição

Gummy de tadalafila — Foto Reprodução Redes sociais
Gummy de tadalafila — Foto Reprodução Redes sociais Gummy de tadalafila — Foto Reprodução Redes sociais

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a bala gummy Metbala, que contém tadalafila, pegou o mercado de surpresa. Publicada na quarta-feira, 14 de maio de 2025, a resolução veta a fabricação, distribuição, manipulação, propaganda e uso do produto. A medida veio após a constatação de que o medicamento, comercializado como uma guloseima, não possui qualquer regulação sanitária. A tadalafila, conhecida por tratar disfunção erétil, é um dos princípios ativos mais consumidos no Brasil, mas seu uso recreativo tem gerado alertas de especialistas.

O Metbala, que ganhou popularidade em redes sociais, era vendido como uma alternativa descolada aos comprimidos tradicionais. Propagandas destacavam sua praticidade e sabor, mas omitiam a necessidade de prescrição médica. A Anvisa reforçou que a tadalafila é um medicamento de tarja vermelha, exigindo avaliação clínica. A agência também advertiu que a automedicação pode levar a complicações graves, incluindo riscos cardiovasculares.

  • Falta de regulação: O Metbala não passou por testes de segurança ou eficácia exigidos pela Anvisa.
  • Propaganda irregular: Anúncios nas redes sociais incentivavam o uso recreativo, violando normas sanitárias.
  • Riscos à saúde: Efeitos adversos como priapismo e queda de pressão arterial foram associados ao uso indevido.

A popularidade da tadalafila no Brasil vai além do Metbala. Em 2023, o país registrou a venda de 47,2 milhões de caixas do medicamento, um aumento de 38,9% em relação a 2020, segundo dados da Anvisa. A substância também é usada para tratar hiperplasia prostática benigna e hipertensão arterial pulmonar, mas seu consumo recreativo, impulsionado por modismos, preocupa autoridades.

Regulação e proibição do Metbala

A Anvisa justificou a proibição do Metbala pela ausência de registro sanitário. O produto, vendido em embalagens coloridas, era fabricado sem controle de qualidade, o que comprometia sua segurança. A resolução publicada no Diário Oficial da União determina que todos os lotes sejam recolhidos imediatamente. Empresas que descumprirem a medida podem enfrentar multas e outras penalidades.

O Metbala entrou no radar da agência após denúncias de consumidores e profissionais de saúde. Anúncios em plataformas digitais, como Instagram e TikTok, promoviam a bala como uma solução rápida para melhorar o desempenho sexual. Esses conteúdos, segundo a Anvisa, desrespeitavam as normas de propaganda de medicamentos, que proíbem a banalização de substâncias controladas.

A agência também alertou para o risco de falsificação. Como o Metbala não era regulamentado, não havia garantia sobre a quantidade de tadalafila em cada unidade. Essa incerteza aumenta a probabilidade de overdoses ou subdosagens, ambas perigosas.

Mecanismo de ação da tadalafila

A tadalafila age como um inibidor da enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5). Ela promove o relaxamento dos vasos sanguíneos, facilitando o fluxo de sangue para o pênis durante a estimulação sexual. Esse mecanismo é eficaz para tratar disfunção erétil, mas também tem aplicações aprovadas em outras condições.

  • Hiperplasia prostática benigna (HPB): Alivia sintomas urinários, como dificuldade para urinar.
  • Hipertensão arterial pulmonar (HAP): Melhora a capacidade funcional em pacientes com pressão elevada nos pulmões.
  • Disfunção erétil: Permite ereções mais firmes, mas depende de estímulo sexual.

O medicamento, comercializado sob marcas como Cialis e Adcirca, é eficaz quando usado sob orientação médica. No entanto, seu uso sem prescrição pode mascarar problemas de saúde subjacentes, como doenças cardiovasculares, que requerem diagnóstico adequado.

Popularidade impulsionada por modismos

A tadalafila conquistou um espaço singular na cultura popular brasileira. Em 2023, a música “Tadalafila”, de Os Barões da Pisadinha e Alanzim Coreano, viralizou nas plataformas de streaming. A letra, que exalta o medicamento como um segredo para “aguentar a noite toda”, reflete a banalização do seu uso. Especialistas alertam que esse tipo de exposição midiática contribui para a automedicação.

Dados de mercado mostram o crescimento exponencial do consumo. Um relatório da Close-Up International, publicado em 2024, colocou a tadalafila como a terceira molécula mais vendida no Brasil, atrás apenas de losartana e metformina. O aumento nas vendas coincide com a popularização de conteúdos que associam o medicamento a virilidade e desempenho.

A facilidade de acesso também preocupa. Farmácias online e marketplaces oferecem tadalafila sem exigir receita, apesar das normas da Anvisa. Essa prática, segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), coloca a saúde pública em risco, especialmente entre jovens que consomem a substância por influência de redes sociais.

Uso indevido em academias

Nos últimos anos, a tadalafila passou a ser consumida por frequentadores de academias, tanto homens quanto mulheres. A crença é que a substância, ao melhorar o fluxo sanguíneo, favoreceria a hipertrofia muscular. No entanto, não há evidências científicas que sustentem essa teoria.

Médicos entrevistados pelo programa Profissão Repórter, em fevereiro de 2025, criticaram a prescrição de tadalafila para fins estéticos. Joaquim Francisco de Almeida, coordenador da Câmara Técnica de Urologia do Cremesp, classificou a prática como antiética. Ele destacou que o uso fora da bula pode levar a complicações graves, como arritmias cardíacas.

  • Falta de comprovação: Estudos não demonstram benefícios da tadalafila para ganho muscular.
  • Riscos cardiovasculares: O aumento do fluxo sanguíneo pode sobrecarregar o coração em pessoas não avaliadas.
  • Dependência psicológica: Usuários podem acreditar que o medicamento é essencial para o desempenho físico.

A Anvisa já notificou academias e influenciadores que promovem o uso da tadalafila como suplemento. A agência reforça que qualquer indicação além das aprovadas na bula é considerada ilegal.

Efeitos adversos em destaque

O uso da tadalafila, mesmo em doses recomendadas, pode causar efeitos colaterais. Os mais comuns incluem dor de cabeça, rubor facial, dores musculares, congestão nasal e indigestão. Em casos raros, complicações graves como priapismo (ereção prolongada e dolorosa), perda de audição ou visão e eventos cardiovasculares foram relatados.

A substância é contraindicada para pacientes que usam nitratos, como os prescritos para angina, devido ao risco de queda abrupta da pressão arterial. Pessoas com doenças cardíacas que desaconselhem atividade sexual também devem evitar o medicamento.

Fátima Cardoso, conselheira federal de Farmácia de Sergipe, enfatizou a importância de seguir as orientações médicas. Ela alertou que a automedicação, especialmente com produtos como o Metbala, pode agravar condições preexistentes ou interagir perigosamente com outros medicamentos.

Prescrição obrigatória reforçada

A tadalafila é classificada como medicamento de tarja vermelha, exigindo receita médica para compra. A Anvisa e o CFF têm intensificado campanhas para conscientizar a população sobre a importância de consultar um médico antes de usar a substância. A prescrição garante que o paciente seja avaliado para condições como hipertensão, diabetes ou problemas cardíacos, que podem contraindicar o uso.

O uso recreativo, segundo especialistas, pode levar à dependência psicológica. Homens jovens, em particular, relatam inseguranças relacionadas ao desempenho sexual, o que os leva a consumir tadalafila mesmo sem necessidade clínica. Essa prática pode dificultar o diagnóstico de doenças subjacentes, como disfunção erétil causada por fatores psicológicos ou hormonais.

Mercado de medicamentos controlados

O caso do Metbala expõe fragilidades no controle de medicamentos no Brasil. A venda de produtos sem registro sanitário, especialmente em plataformas digitais, tem crescido. A Anvisa já notificou empresas de e-commerce que facilitam a comercialização de medicamentos controlados sem receita.

  • Fiscalização intensificada: A agência aumentou blitze em farmácias e marketplaces.
  • Punições previstas: Multas e suspensão de atividades comerciais estão entre as penalidades.
  • Educação ao consumidor: Campanhas destacam os perigos da compra em sites não regulamentados.

O CFF também pediu maior rigor na fiscalização de propagandas. Influenciadores que promovem medicamentos sem autorização sanitária podem ser responsabilizados por infrações éticas e legais.

Reações do setor farmacêutico

A proibição do Metbala gerou debates entre fabricantes e distribuidores de medicamentos. Empresas que produzem tadalafila de forma regular, como Pfizer e Eli Lilly, reforçaram a importância de cumprir as normas da Anvisa. Essas companhias destacaram que seus produtos passam por rigorosos testes de qualidade antes de chegar ao mercado.

Farmácias tradicionais, por sua vez, relatam aumento na procura por tadalafila após a viralização de conteúdos nas redes sociais. Gerentes de redes como Drogasil e Droga Raia informaram que reforçaram o treinamento de funcionários para exigir receita médica, evitando vendas irregulares.

A Associação Brasileira de Farmácias (Abrafarma) emitiu um comunicado apoiando a decisão da Anvisa. A entidade destacou que a segurança do consumidor deve ser prioridade e que produtos como o Metbala comprometem a credibilidade do setor.

Campanhas de conscientização

A Anvisa lançou, em 2024, a campanha “Medicamento não é brinquedo”, com foco na prevenção da automedicação. A iniciativa inclui comerciais na TV, posts em redes sociais e parcerias com conselhos de classe, como o CFF. A proibição do Metbala reforçou a mensagem de que medicamentos controlados exigem supervisão profissional.

O Ministério da Saúde também tem atuado para educar a população. Em 2023, a pasta publicou um guia sobre o uso racional de medicamentos, destacando os riscos de substâncias como a tadalafila quando consumidas sem orientação. O material está disponível em postos de saúde e no site oficial do ministério.

  • Canais de denúncia: A Anvisa disponibiliza um número de telefone e um formulário online para denúncias de produtos irregulares.
  • Parcerias com escolas: Oficinas em colégios abordam os perigos da automedicação entre jovens.
  • Foco em redes sociais: Influenciadores são orientados a evitar propagandas de medicamentos controlados.

A campanha ganhou força após o aumento de casos de intoxicação por medicamentos controlados. Dados do Sistema Nacional de Informações Toxico-Farmacológicas (Sinitox) mostram que, em 2023, cerca de 12% das intoxicações registradas no Brasil foram causadas por medicamentos de tarja vermelha.

Alternativas seguras ao Metbala

Pacientes que precisam de tadalafila para condições aprovadas, como disfunção erétil ou HPB, têm à disposição medicamentos regulamentados. Marcas como Cialis, produzida pela Eli Lilly, e genéricos aprovados pela Anvisa oferecem segurança e eficácia comprovadas.

Médicos recomendam que pacientes busquem consultas especializadas antes de iniciar o tratamento. Urologistas e cardiologistas podem avaliar a necessidade do medicamento e ajustar a dose conforme o perfil do paciente. Farmácias credenciadas, físicas ou online, são os únicos canais autorizados para a venda.

O CFF também orienta a população a verificar o registro sanitário de medicamentos. Embalagens devem conter o número de registro da Anvisa, além de informações sobre lote e validade. Produtos como o Metbala, que não apresentam essas informações, devem ser evitados.

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