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Padre veta batismo de bebê reborn e gera debate sobre fé e saúde mental

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reborn - Foto: Freila/iStock.com reborn - Foto: Freila/iStock.com

Em uma pequena cidade de Minas Gerais, um pedido inusitado chegou ao padre Chrystian Shankar: realizar o batismo de um bebê reborn, um boneco hiper-realista que imita recém-nascidos. A solicitação, feita por uma fiel da Diocese de Divinópolis, não foi isolada. Nos últimos meses, relatos semelhantes começaram a surgir em paróquias pelo Brasil, reacendendo discussões sobre o papel desses objetos na vida de seus donos. A resposta do sacerdote, publicada em suas redes sociais, foi clara e direta, mas também provocadora, gerando uma onda de reações na internet.

A nota oficial do padre, que alcançou milhares de pessoas em poucas horas, trouxe à tona um fenômeno que mistura afeto, fantasia e, para alguns, questões de saúde mental. Bebês reborn, inicialmente criados como peças de coleção ou ferramentas terapêuticas, tornaram-se para muitas pessoas símbolos de vínculos emocionais profundos. No entanto, a tentativa de integrá-los a rituais religiosos e espaços públicos tem gerado controvérsias que vão além das redes sociais.

O debate não é novo, mas ganhou força com a visibilidade do caso. Para entender o fenômeno, é preciso explorar suas origens, os motivos por trás do apego a esses bonecos e as reações que ele provoca. Alguns pontos ajudam a esclarecer o contexto:

  • Criação artesanal: Bebês reborn são feitos com materiais como vinil e silicone, com detalhes que imitam veias, dobras e até o peso de um bebê real.
  • Uso inicial: Surgiram como itens de coleção ou para apoio emocional, como em casos de luto por perda de filhos.
  • Novos usos: Muitas pessoas passaram a tratá-los como filhos, com rotinas que incluem troca de roupas e passeios em carrinhos.

Esses aspectos mostram como o fenômeno transcende a simples posse de um objeto, levantando questões sobre os limites entre afeto e obsessão.

Reação da Igreja Católica
A Igreja Católica, representada pelo padre Chrystian Shankar, adotou uma postura firme contra a realização de cerimônias para bebês reborn. Em sua nota, publicada no Instagram, o sacerdote listou os rituais que não seriam realizados, como batismos, catequeses ou missas específicas para os bonecos. Ele também mencionou pedidos excêntricos, como orações para “libertar” reborns supostamente possuídos, e sugeriu que os solicitantes buscassem ajuda psicológica ou contactassem os fabricantes dos bonecos.

A publicação, que alcançou mais de 3 milhões de seguidores, dividiu opiniões. Alguns fiéis apoiaram a posição do padre, argumentando que rituais religiosos devem ser exclusivos para seres humanos. Outros, no entanto, criticaram o tom irônico da nota, considerando-o insensível às emoções de pessoas que veem os bonecos como parte de suas vidas. A Diocese de Divinópolis, por meio de comunicado, reforçou que a decisão reflete a doutrina católica, que não reconhece objetos inanimados como destinatários de sacramentos.

Origem dos bebês reborn
Os bebês reborn surgiram nos Estados Unidos na década de 1990, inicialmente como uma forma de arte. Artesãos começaram a customizar bonecos para torná-los extremamente realistas, usando técnicas que incluíam pintura à mão e aplicação de cabelos fio a fio. Com o tempo, esses bonecos passaram a ser usados em contextos terapêuticos, ajudando pessoas a lidar com traumas, como a perda de um filho ou dificuldades para engravidar.

No Brasil, a popularidade dos reborns cresceu nos últimos 15 anos, impulsionada por redes sociais e comunidades online. Hoje, existem feiras dedicadas a esses bonecos, onde colecionadores e “mães de reborn” trocam experiências e adquirem acessórios, como roupas e carrinhos. Os preços variam: um boneco simples custa cerca de R$ 500, enquanto modelos mais detalhados podem ultrapassar R$ 5 mil.

Apesar de seu propósito original, o uso dos reborns passou a incluir práticas que geram desconforto em alguns setores da sociedade. Há relatos de pessoas que levam os bonecos a consultas médicas simuladas ou tentam usá-los para acessar filas preferenciais em bancos e transportes públicos.

Projetos de lei em tramitação
A polêmica envolvendo bebês reborn chegou ao Congresso Nacional, onde três projetos de lei buscam regulamentar o uso desses bonecos. As propostas, apresentadas na Câmara dos Deputados, têm como objetivo evitar que os reborns sejam tratados como crianças reais em espaços públicos. Entre as medidas sugeridas estão:

  • Proibição de atendimentos clínicos simulados em unidades de saúde, mesmo em clínicas privadas.
  • Multas para quem usar os bonecos para obter benefícios, como vagas reservadas ou filas prioritárias.
  • Encaminhamento para serviços de acolhimento psicossocial em casos de vínculo afetivo extremo.
  • Campanhas educativas sobre o uso responsável dos bonecos.

Os projetos ainda estão em fase inicial de tramitação e devem passar por comissões antes de irem a votação. Parlamentares que apoiam as medidas argumentam que elas protegem o funcionamento de serviços públicos e garantem que benefícios sejam destinados apenas a crianças reais.

Debate nas redes sociais
A nota do padre Chrystian Shankar rapidamente se espalhou por plataformas como Instagram, Twitter e TikTok, onde o tema dividiu opiniões. Alguns usuários defenderam a posição da Igreja, destacando que rituais religiosos não devem ser banalizados. Outros, incluindo donos de bebês reborn, expressaram frustração, argumentando que o apego aos bonecos é uma escolha pessoal que não prejudica terceiros.

Vídeos de “mães de reborn” compartilhando suas rotinas ganharam destaque, com milhares de visualizações. Em um caso, uma influenciadora de São Paulo mostrou como organiza o “quarto” de seu reborn, completo com berço e enxoval. Essas publicações, embora populares, frequentemente recebem comentários críticos, com usuários questionando a saúde mental das envolvidas.

Uso terapêutico dos bonecos
Embora o debate atual foque nas controvérsias, os bebês reborn ainda são usados em contextos terapêuticos. Psicólogos relatam que os bonecos podem ajudar em casos de luto, depressão ou ansiedade, oferecendo conforto emocional. Em asilos, por exemplo, reborns são usados para estimular memórias afetivas em idosos com demência, promovendo bem-estar.

No entanto, especialistas alertam que o uso prolongado e intenso dos bonecos pode indicar problemas psicológicos, especialmente quando a pessoa passa a rejeitar a realidade em favor da fantasia. Profissionais de saúde recomendam que, nesses casos, o acompanhamento psicológico seja combinado com outras formas de suporte, como grupos de apoio.

Bebe reborn
Bebe reborn – Foto: Globoplay

Repercussão em outras paróquias
O caso de Divinópolis não é isolado. Em outras cidades, como Recife e Florianópolis, padres relataram pedidos semelhantes para batizar bebês reborn. Em um episódio no Rio Grande do Sul, uma paroquiana levou um boneco a uma missa, pedindo que ele fosse abençoado durante a cerimônia. O sacerdote recusou, mas evitou tornar o caso público para não constranger a fiel.

Esses incidentes levaram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a discutir o tema em reuniões internas. Embora não haja uma diretriz oficial, a orientação é que os sacramentos sejam reservados a seres humanos, conforme a doutrina católica. Algumas dioceses planejam emitir comunicados para esclarecer a posição da Igreja.

Propostas de apoio psicológico
Um dos projetos de lei em tramitação no Congresso inclui a oferta de apoio psicológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas que se consideram “pais” ou “mães” de bebês reborn. A ideia é criar programas de acolhimento que ajudem a identificar casos em que o apego aos bonecos reflete questões emocionais mais profundas.

Em algumas cidades, como Belo Horizonte, clínicas particulares já oferecem terapias voltadas para esse público. Os atendimentos combinam técnicas de psicoterapia com atividades práticas, como a criação de novos hobbies, para reduzir a dependência emocional dos bonecos. Os custos, no entanto, podem ser altos, variando de R$ 150 a R$ 400 por sessão.

Reações de fabricantes e artesãos
Os fabricantes de bebês reborn também foram impactados pela polêmica. Muitos artesãos, que dependem da venda desses bonecos para sustento, temem que as restrições propostas pelos projetos de lei desencorajem compradores. Em feiras e eventos, como a Expo Reborn, realizada anualmente em São Paulo, os organizadores reforçam que os bonecos são obras de arte, não substitutos de crianças.

Alguns artesãos começaram a oferecer workshops para ensinar técnicas de customização, atraindo novos públicos. Esses eventos, que custam em média R$ 1.200 por participante, incluem aulas sobre pintura, aplicação de cabelos e acabamento. A iniciativa busca desassociar os reborns de controvérsias, destacando seu valor artístico.

Casos internacionais
O fenômeno dos bebês reborn não se limita ao Brasil. Em países como Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, os bonecos também geraram debates. Na Austrália, por exemplo, uma mulher foi barrada em um hospital após tentar registrar um reborn como paciente. No Reino Unido, uma petição com milhares de assinaturas pediu que os bonecos fossem reconhecidos como ferramentas terapêuticas, mas sem direito a benefícios sociais.

Esses casos mostram que a discussão sobre os limites do uso de bebês reborn é global. Organizações de saúde mental, como a Associação Britânica de Psicologia, publicaram estudos sugerindo que o apego a esses bonecos pode ser benéfico em alguns casos, mas prejudicial quando levado ao extremo.

Eventos e comunidades
No Brasil, as comunidades de colecionadores de bebês reborn continuam crescendo. Grupos no WhatsApp e no Facebook reúnem milhares de membros, que compartilham dicas sobre cuidados com os bonecos e organizam encontros presenciais. Em um evento recente em Campinas, mais de 200 pessoas participaram de uma feira dedicada aos reborns, com estandes de acessórios e palestras sobre customização.

Essas comunidades também enfrentam críticas. Algumas participantes relatam sofrer preconceito, com comentários que questionam sua sanidade ou ridicularizam seu hobby. Em resposta, muitas “mães de reborn” criaram perfis anônimos nas redes sociais para evitar julgamentos.

Perspectiva dos especialistas
Psicólogos e psiquiatras têm opiniões divididas sobre os bebês reborn. Enquanto alguns veem os bonecos como ferramentas válidas para lidar com traumas, outros alertam para os riscos de dependência emocional. Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acompanhou 50 pessoas que tratavam reborns como filhos, constatando que 30% apresentavam sinais de ansiedade ou depressão não diagnosticados.

Os especialistas recomendam que o uso dos bonecos seja monitorado, especialmente quando a pessoa começa a priorizá-los em detrimento de relações sociais ou responsabilidades. Programas de saúde mental, como os oferecidos em algumas unidades do SUS, podem ajudar a identificar esses casos.

Mudanças no mercado
O mercado de bebês reborn no Brasil movimenta cerca de R$ 10 milhões por ano, segundo estimativas de associações de artesãos. A demanda por bonecos personalizados, que incluem características específicas como tom de pele ou formato dos olhos, cresceu 20% nos últimos dois anos. Além disso, a venda de acessórios, como roupas e carrinhos, representa uma fatia significativa do setor.

Para atender a esse público, grandes varejistas, como Amazon e Mercado Livre, começaram a oferecer seções dedicadas aos reborns. Pequenos empreendedores também se beneficiam, com lojas virtuais que entregam bonecos em todo o país. Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios, como a concorrência de produtos importados mais baratos, que custam a partir de R$ 200.

Novas regulamentações
Além dos projetos de lei, algumas cidades brasileiras começaram a discutir regulamentações locais para o uso de bebês reborn. Em Curitiba, uma proposta em tramitação na Câmara Municipal prevê a proibição de bonecos em filas preferenciais de bancos e supermercados. A medida, se aprovada, pode servir de modelo para outros municípios.

Os defensores dessas regulamentações argumentam que elas evitam confusões em espaços públicos e garantem que benefícios sejam destinados a quem realmente precisa. Críticos, por outro lado, veem as medidas como uma interferência em escolhas pessoais, desde que não causem prejuízo a terceiros.

Impacto nas redes sociais
A discussão sobre bebês reborn continua a ganhar tração nas redes sociais, com hashtags como #BebeReborn e #MaeDeReborn acumulando milhões de visualizações. Influenciadores que compartilham suas rotinas com os bonecos atraem tanto apoio quanto críticas, criando um ambiente polarizado. Em algumas plataformas, como o TikTok, vídeos de reborns sendo “cuidados” em passeios ou banhos geram milhares de curtidas.

Essa visibilidade, no entanto, também expõe os donos de reborns a ataques virtuais. Muitos relatam receber mensagens ofensivas, o que levou algumas comunidades a criarem espaços privados para discussões. Esses grupos reforçam a importância de respeitar as escolhas individuais, desde que não interfiram em espaços públicos.

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