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TRE-RS lança documentário sobre eleições 2024 em meio às enchentes no RS

Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul
Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul - Foto: Divulgação/ TRE-RS Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul - Foto: Divulgação/ TRE-RS

Porto Alegre enfrentou, em 2024, uma das piores tragédias ambientais de sua história. As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul entre abril e maio deixaram marcas profundas, não apenas nas cidades, mas também nas instituições. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS) lançou, em 14 de maio de 2025, o documentário “O desafio da eleição municipal de 2024 em meio à inundação”, um registro histórico que captura os esforços para realizar as eleições municipais em meio ao caos.

O evento de lançamento, realizado no plenário do TRE-RS, reuniu desembargadores, servidores e autoridades. A produção, conduzida pelo Memorial da Justiça Eleitoral Ministro Teori Albino Zavascki, destaca a resiliência da instituição e dos profissionais envolvidos.

  • Impacto das enchentes: Danos em zonas eleitorais e na sede do TRE-RS.
  • Ações emergenciais: Reuniões virtuais e campanhas para mesários voluntários.
  • Reconstrução: Esforço coletivo para garantir o pleito.
  • Registro histórico: Documentário como memória da superação.

Esforço institucional em foco

O documentário enfatiza o papel central do TRE-RS na superação dos desafios impostos pelas enchentes. O presidente do tribunal, desembargador Voltaire de Lima Moraes, abriu a cerimônia de lançamento destacando a importância de preservar a memória desse período. Ele lembrou que a sede do tribunal, o edifício Joaquim Francisco de Assis Brasil, sofreu danos significativos, com a invasão de água em áreas críticas. Apesar disso, o tribunal conseguiu coordenar ações para manter o calendário eleitoral.

As reuniões virtuais foram fundamentais para planejar a logística do pleito. Campanhas específicas incentivaram a participação de mesários voluntários e combateram a abstenção, que poderia ter sido agravada pela situação de calamidade. A colaboração entre os cinco tribunais gaúchos fortaleceu as iniciativas, garantindo que as eleições ocorressem sem adiamentos.

O Memorial da Justiça Eleitoral, responsável pela produção, já havia investido em registros audiovisuais anteriormente. Este é o terceiro documentário do acervo, reforçando o compromisso com a documentação de momentos marcantes. Gerson Fischmann, ex-integrante do Pleno do TRE-RS, explicou que a curadoria buscou captar a essência do esforço coletivo, com depoimentos que revelam o impacto humano da tragédia.

Danos materiais e logísticos

As enchentes de 2024 comprometeram severamente a infraestrutura eleitoral no Rio Grande do Sul. A sede do TRE-RS, localizada em Porto Alegre, foi inundada, afetando áreas administrativas e depósitos de urnas eletrônicas. Ana Gabriela de Almeida Veiga, diretora-geral do tribunal, descreveu o momento em que recebeu a notícia da invasão da água como “surreal”. O cenário, segundo ela, era de devastação total, com perdas materiais que exigiram respostas rápidas.

No depósito de urnas na zona norte de Porto Alegre, a situação não foi diferente. Cerca de 6.500 urnas eletrônicas foram danificadas, obrigando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a enviar equipamentos de reposição. O Arquivo Central do TRE-RS também sofreu danos, com documentos e materiais históricos parcialmente comprometidos.

  • Urnas danificadas: 6.500 unidades afetadas pelas enchentes.
  • Reposição: TSE forneceu equipamentos para o pleito.
  • Arquivo Central: Documentos históricos sob risco.
  • Logística adaptada: Transferência de urnas para locais seguros.

Relatos de quem viveu a tragédia

O documentário traz depoimentos que ilustram a gravidade do cenário enfrentado pelos profissionais da Justiça Eleitoral. Em Guaíba, a chefe do cartório eleitoral, Daniela Rodrigues Rezende Kiraly, relatou a velocidade com que a água subiu em 2 de maio de 2024. A enchente ultrapassou todos os registros anteriores, pegando a cidade desprevenida. O cartório local precisou reorganizar suas operações em tempo recorde para garantir a continuidade do trabalho.

No interior, a situação era igualmente crítica. Em Arroio do Meio, o juiz eleitoral João Regert descreveu o esforço para proteger as urnas eletrônicas. Com o nível do rio Arroio subindo rapidamente, os equipamentos foram levados para o segundo andar do Fórum. Mesmo assim, metade das urnas ficou submersa, e as demais sofreram com a umidade. A preparação para as eleições, segundo ele, exigiu um planejamento intenso em menos de cinco meses.

Os relatos são acompanhados por imagens que mostram a destruição causada pelas águas. Ruas alagadas, prédios públicos comprometidos e comunidades inteiras isoladas compõem o pano de fundo do documentário. A narrativa visual reforça a dimensão da tragédia e o esforço para superá-la.

Campanhas para engajamento cívico

Diante do risco de alta abstenção, o TRE-RS lançou campanhas específicas para mobilizar eleitores e mesários. As iniciativas contaram com ampla divulgação em redes sociais, rádios e TVs locais. O objetivo era reforçar a importância do voto, mesmo em um contexto de reconstrução.

Uma das estratégias foi o recrutamento de mesários voluntários. Com muitas zonas eleitorais afetadas, o tribunal enfrentou dificuldades para formar equipes completas. As campanhas destacaram o papel cívico dos mesários, incentivando a participação de jovens e adultos.

  • Mobilização digital: Anúncios em redes sociais e sites institucionais.
  • Parcerias locais: Apoio de rádios e TVs regionais.
  • Foco na juventude: Incentivo à participação de eleitores jovens.
  • Redução da abstenção: Esforço para manter comparecimento eleitoral.
  • Resultados positivos: Engajamento superou expectativas iniciais.

Registro audiovisual como memória

O documentário não se limita a relatar os desafios logísticos. Ele também funciona como um tributo à dedicação dos profissionais envolvidos. A produção intercala imagens de arquivo com entrevistas realizadas após o pleito, capturando a emoção de quem esteve na linha de frente. O desembargador Voltaire de Lima Moraes, em um dos depoimentos, destacou a “briga em defesa da democracia” como o motor das ações do TRE-RS.

A escolha do formato audiovisual reflete uma tendência crescente na Justiça Eleitoral. Projetos como esse, segundo Gerson Fischmann, valorizam a memória institucional e aproximam o público do funcionamento do sistema eleitoral. O Memorial da Justiça Eleitoral planeja continuar investindo em produções semelhantes, ampliando o acervo histórico do TRE-RS.

Logística eleitoral sob pressão

A realização das eleições em 2024 exigiu adaptações logísticas sem precedentes. Além da reposição de urnas, o TRE-RS precisou reorganizar a distribuição de equipamentos em zonas eleitorais afetadas. Em algumas cidades, os locais de votação foram realocados para prédios menos danificados, o que exigiu comunicação intensiva com os eleitores.

O transporte de urnas também enfrentou obstáculos. Estradas bloqueadas e áreas alagadas dificultaram o acesso a municípios do interior. Equipes do TRE-RS trabalharam em conjunto com a Defesa Civil e outros órgãos para garantir a entrega dos equipamentos a tempo.

  • Realocação de seções: Locais de votação transferidos em várias cidades.
  • Transporte desafiador: Estradas danificadas complicaram logística.
  • Coordenação com Defesa Civil: Parcerias para acesso a áreas isoladas.
  • Comunicação reforçada: Divulgação de novos locais de votação.

Depoimentos que emocionam

Os relatos pessoais são um dos pontos altos do documentário. Servidores e magistrados compartilham experiências que vão além do trabalho técnico. Em Porto Alegre, uma servidora descreveu o impacto emocional de ver a sede do TRE-RS inundada. “Era como perder um pedaço da nossa história”, afirmou.

Em outras cidades, os desafios eram semelhantes. Um colaborador de Canoas relatou a dificuldade de manter o atendimento ao público enquanto as ruas da cidade estavam submersas. A solidariedade entre os servidores, segundo ele, foi essencial para superar os momentos mais difíceis.

As entrevistas também destacam o papel do TSE no apoio ao TRE-RS. A reposição de urnas e o suporte técnico foram fundamentais para a realização do pleito. A colaboração entre os tribunais reforçou a unidade do sistema eleitoral brasileiro.

Reconstrução institucional

Após as enchentes, o TRE-RS iniciou um processo de reconstrução de sua infraestrutura. A sede em Porto Alegre passou por reformas para recuperar áreas danificadas. O Arquivo Central, que guarda documentos históricos, recebeu atenção especial para preservar materiais resgatados.

Zonas eleitorais no interior também precisaram de reparos. Em cidades como Guaíba e Arroio do Meio, os cartórios eleitorais foram realocados temporariamente enquanto os prédios originais eram restaurados. O esforço de reconstrução correu paralelo à preparação para as eleições, aumentando a pressão sobre as equipes.

  • Reformas na sede: Recuperação de áreas administrativas e depósitos.
  • Preservação de arquivos: Salvamento de documentos históricos.
  • Realocação temporária: Cartórios funcionando em espaços alternativos.
  • Planejamento simultâneo: Reconstrução e organização eleitoral.

Homenagem à democracia

O documentário é, acima de tudo, uma celebração do compromisso com a democracia. As eleições de 2024 no Rio Grande do Sul ocorreram sem incidentes graves, um feito notável diante das circunstâncias. O desembargador Voltaire de Lima Moraes, em seu depoimento final, destacou a “conduta cívica superior” de todos os envolvidos.

A produção também reconhece o papel dos eleitores. Apesar das dificuldades, o comparecimento às urnas foi significativo, refletindo a confiança no sistema eleitoral. Campanhas de conscientização, aliadas ao esforço logístico, garantiram que o pleito fosse concluído com sucesso.

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