A contagem regressiva para o fim do prazo do Imposto de Renda 2025 começou. Faltando apenas cinco dias para o encerramento, marcado para 30 de maio, milhões de brasileiros ainda correm contra o tempo. Até o momento, a Receita Federal registrou um volume significativo de declarações, mas o número de contribuintes que ainda não enviaram o documento preocupa. A expectativa é de um sprint final nos próximos dias.
O processo, que começou em 15 de março, já recebeu mais de 31,6 milhões de declarações até as 23h16 de 25 de maio. No entanto, com a projeção de 46,2 milhões de envios, cerca de 14,5 milhões de contribuintes ainda precisam cumprir a obrigação. A Receita Federal reforça a importância de não deixar para a última hora, já que o sistema pode enfrentar sobrecarga nos momentos finais.
Para facilitar o envio, os contribuintes contam com diferentes ferramentas e opções. Entre elas, destacam-se:
- Declaração online: Disponível no portal e-CAC para contas Gov.br ouro ou prata.
- Programa Gerador da Declaração (PGD): Baixado no site da Receita, compatível com Windows, MacOS e Linux.
- Aplicativo Meu Imposto de Renda: Ideal para envio via celulares e tablets.
Essas alternativas buscam atender diferentes perfis de contribuintes, desde aqueles que preferem a praticidade dos dispositivos móveis até os que optam pelo preenchimento detalhado em computadores. Com o prazo se aproximando, a escolha da melhor ferramenta pode fazer a diferença.
Volume de declarações recebidas
A Receita Federal informou que, até o último domingo, 31.628.411 declarações foram processadas. Esse número representa cerca de 68% do total esperado para 2025. A opção pré-preenchida, que agiliza o processo ao importar dados de anos anteriores, foi utilizada por 48,8% dos contribuintes. Já a declaração simplificada, mais comum entre quem tem menos deduções, domina com 56,3% dos envios.
Entre as declarações entregues, 62,1% resultaram em imposto a restituir, o que significa que a maioria dos contribuintes espera receber valores de volta. Por outro lado, 20,4% dos declarantes precisarão pagar imposto adicional, enquanto 17,5% não terão valores a pagar ou restituir. Esses números refletem a diversidade de situações financeiras dos brasileiros.

O ritmo de envios tem se intensificado nas últimas semanas. Em comparação com o mesmo período de 2024, o volume de declarações recebidas cresceu 3,2%, segundo dados internos da Receita. A expectativa é que o feriado prolongado antes do prazo final impulsione ainda mais os números, mas também aumente o risco de congestionamento no sistema online.
Quem precisa declarar
Nem todos os brasileiros são obrigados a entregar a declaração do Imposto de Renda. As regras para 2025 definem critérios específicos que determinam a obrigatoriedade. Entre os principais estão:
- Rendimentos tributáveis acima de R$ 33.888,00 em 2024, como salários, aluguéis ou honorários.
- Rendimentos isentos ou tributados na fonte superiores a R$ 200 mil, incluindo poupança ou indenizações.
- Operações na Bolsa de Valores com soma acima de R$ 40 mil ou ganhos tributáveis.
- Posse de bens com valor superior a R$ 800 mil, como imóveis ou veículos.
- Atividade rural com receita bruta acima de R$ 169.440,00.
Além disso, a declaração é obrigatória para quem se tornou residente no Brasil em 2024 ou para aqueles que realizaram a venda de imóveis com isenção condicionada à compra de outro bem. A Lei das Offshores também trouxe novas exigências, como a declaração detalhada de bens no exterior ou trusts.
Opção pré-preenchida em destaque
A declaração pré-preenchida tem se consolidado como uma ferramenta essencial para agilizar o processo. Disponível para quem possui conta Gov.br nos níveis ouro ou prata, ela importa automaticamente informações como rendimentos, deduções e bens declarados em anos anteriores. Até o momento, quase metade dos contribuintes optou por essa modalidade, um aumento de 5% em relação a 2024.
Apesar da praticidade, a Receita alerta que os dados importados devem ser conferidos. Erros ou omissões podem levar a declarações retidas na malha fina, o que exige correções posteriores. Para evitar problemas, o órgão recomenda que os contribuintes revisem cuidadosamente cada campo antes de enviar.
A modalidade pré-preenchida é especialmente útil para quem tem fontes de renda variadas ou bens complexos, como investimentos no exterior. No entanto, a adesão ainda está abaixo do esperado, já que muitos contribuintes preferem a declaração simplificada por sua facilidade.
Ferramentas disponíveis para envio
Os contribuintes têm à disposição três principais formas de enviar a declaração. Cada uma atende a diferentes necessidades e níveis de familiaridade com tecnologia. A primeira é o Programa Gerador da Declaração (PGD), disponível para download no site da Receita Federal. Ele é compatível com sistemas operacionais como Windows, MacOS e Linux, sendo ideal para quem prefere trabalhar offline.
Outra opção é o aplicativo Meu Imposto de Renda, disponível para Android e iOS. Voltado para dispositivos móveis, ele permite o preenchimento e envio da declaração de forma prática, especialmente para declarações mais simples. Por fim, a Declaração Online, acessada pelo portal e-CAC, é exclusiva para contas Gov.br ouro ou prata e dispensa a instalação de programas.
Cada ferramenta tem suas particularidades:
- PGD: Indicado para declarações complexas, com muitas deduções ou bens.
- Meu Imposto de Renda: Ideal para quem busca mobilidade e rapidez.
- Declaração Online: Prática para quem já usa a plataforma Gov.br regularmente.
A escolha da ferramenta depende do perfil do contribuinte e da complexidade da declaração. A Receita recomenda testar as opções com antecedência para evitar surpresas de última hora.
Perfil dos declarantes
Os dados parciais da Receita Federal revelam o perfil dos contribuintes que já enviaram suas declarações. A maioria, 56,3%, optou pela declaração simplificada, que é mais comum entre trabalhadores assalariados com poucas deduções. Essa modalidade aplica um desconto padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado a R$ 16.754,34.
Por outro lado, 43,7% escolheram a declaração completa, que permite detalhar despesas dedutíveis, como saúde, educação e dependentes. Essa opção é mais vantajosa para quem tem gastos elevados ou fontes de renda diversificadas. Entre os declarantes, 62,1% terão direito a restituição, com o primeiro lote de pagamentos previsto para 30 de maio.
A Receita também identificou um aumento na declaração de bens no exterior, impulsionado pela Lei das Offshores. Cerca de 2,3% das declarações incluíram trusts ou aplicações financeiras fora do país, um crescimento de 8% em relação a 2024. Esse movimento reflete a maior fiscalização sobre ativos internacionais.
Restituições e pagamentos
O processo de restituição do Imposto de Renda é um dos principais atrativos para os contribuintes. Em 2025, 62,1% das declarações processadas até agora indicam valores a restituir. O primeiro lote, liberado em 30 de maio, priorizará idosos, pessoas com deficiência e professores, além de quem usou a declaração pré-preenchida.
Os valores a restituir variam conforme os rendimentos e deduções informados. Em média, as restituições de 2025 devem girar em torno de R$ 3.200, segundo estimativas baseadas em anos anteriores. Os pagamentos serão distribuídos em cinco lotes, entre maio e setembro, com depósitos diretos nas contas informadas pelos contribuintes.
Para quem terá imposto a pagar, o prazo para quitar a primeira parcela ou a cota única também é 30 de maio. O pagamento pode ser dividido em até oito parcelas, com juros de 1% ao mês mais a taxa Selic. A Receita alerta que atrasos no pagamento geram multas de até 20% do valor devido.
Cuidados ao declarar
Evitar erros na declaração é essencial para não cair na malha fina. A Receita Federal aponta que os problemas mais comuns incluem omissão de rendimentos, erros em deduções e inconsistências em bens declarados. Para minimizar riscos, o órgão sugere:
- Conferir todos os comprovantes de rendimentos fornecidos por empregadores e instituições financeiras.
- Revisar despesas dedutíveis, como saúde e educação, garantindo que estejam dentro dos limites legais.
- Declarar todos os bens e direitos, mesmo aqueles com valor abaixo do limite de obrigatoriedade.
- Verificar dados importados na declaração pré-preenchida, especialmente de anos anteriores.
A malha fina pode atrasar restituições ou gerar autuações. Em 2024, cerca de 1,2 milhão de declarações ficaram retidas para análise, sendo 65% por omissões ou erros simples. A Receita recomenda retificar a declaração assim que o problema for identificado, utilizando o mesmo canal de envio.
Novidades da Lei das Offshores
A Lei das Offshores, sancionada em 2024, trouxe mudanças significativas para o Imposto de Renda 2025. Ela exige que bens e direitos no exterior, como trusts e aplicações financeiras, sejam declarados de forma detalhada. Contribuintes que optaram por tratar bens de entidades controladas como se fossem próprios também devem incluir essas informações.
Cerca de 120 mil contribuintes já atualizaram seus bens no exterior até maio de 2025, segundo a Receita. Esse número é 15% superior ao registrado no mesmo período de 2024. A nova legislação também permite a regularização de ativos com pagamento de ganho de capital diferenciado, uma opção utilizada por 8% dos declarantes com bens internacionais.
A fiscalização sobre ativos no exterior foi intensificada, com cruzamento de dados entre a Receita e instituições financeiras globais. Isso aumentou a transparência, mas também a complexidade para quem possui investimentos fora do país. A Receita disponibilizou guias específicos no portal e-CAC para orientar esses contribuintes.
Prazo final e riscos
Com o prazo de 30 de maio se aproximando, a Receita Federal intensificou as campanhas para alertar os contribuintes. Deixar para enviar a declaração nos últimos dias pode resultar em dificuldades técnicas, como lentidão no sistema ou falhas de conexão. Em 2024, cerca de 10% dos envios foram registrados nas últimas 24 horas, o que gerou sobrecarga no portal e-CAC.
Quem não declarar até o prazo estará sujeito a multas. O valor mínimo é de R$ 165,74, mas pode chegar a 20% do imposto devido, dependendo do caso. Além disso, o contribuinte ficará com o CPF em situação irregular, o que pode dificultar acesso a serviços como financiamentos e certidões.
A Receita recomenda organizar os documentos com antecedência, como comprovantes de rendimentos, despesas dedutíveis e informes de bancos. Para quem contratou contadores, é importante garantir que o profissional tenha tempo suficiente para revisar a declaração. Até o momento, 12% dos contribuintes optaram por serviços profissionais, um aumento de 4% em relação a 2024.
Alternativas para agilizar
Para quem ainda não enviou a declaração, algumas estratégias podem ajudar a cumprir o prazo. A primeira é utilizar a declaração pré-preenchida, que reduz o tempo de preenchimento em até 40%, segundo a Receita. Outra dica é priorizar o envio pelo aplicativo Meu Imposto de Renda, que tem interface simplificada e é ideal para declarações menos complexas.
Contribuintes com muitas deduções ou bens devem reservar mais tempo para o preenchimento, especialmente se optarem pelo PGD. A Receita também sugere:
- Separar documentos por categoria, como rendimentos, despesas e bens.
- Usar a função de salvamento automático no PGD para evitar perda de dados.
- Testar o envio com antecedência para identificar possíveis erros no sistema.
Essas medidas podem evitar contratempos e garantir que a declaração seja enviada dentro do prazo. Com 14,5 milhões de contribuintes ainda pendentes, a expectativa é de um volume recorde de envios nos próximos dias.