A partir de maio de 2025, brasileiros com dinheiro esquecido em bancos e instituições financeiras podem resgatar valores de forma mais prática. O Banco Central anunciou uma nova funcionalidade no Sistema de Valores a Receber que permite a solicitação automática de resgates, eliminando a necessidade de consultas manuais periódicas. A medida, válida para pessoas físicas com chave Pix vinculada ao CPF, facilita o acesso a cerca de R$ 9,13 bilhões ainda disponíveis. Desde o início do programa, em 2022, mais de R$ 10 bilhões já foram devolvidos.
A novidade busca simplificar o processo para milhões de cidadãos. Muitos desconhecem que possuem valores a receber, provenientes de contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente ou cotas de cooperativas. O sistema agora permite que o dinheiro seja transferido diretamente para a conta associada à chave Pix, sem intervenções manuais. A seguir, alguns pontos-chave da nova funcionalidade:

- Adesão facultativa, ativada via conta gov.br (nível prata ou ouro).
- Exclusiva para chaves Pix do tipo CPF.
- Instituições não aderentes ao Pix exigem solicitação manual.
- Valores de contas conjuntas ou falecidos seguem com processos específicos.
Nova fase do sistema de valores a receber
A implementação do resgate automático marca uma evolução significativa no Sistema de Valores a Receber. Antes, os usuários precisavam acessar o site do Banco Central, verificar a existência de valores e solicitar cada resgate individualmente. O processo, embora funcional, demandava tempo e atenção, especialmente para quem possui múltiplos valores em diferentes instituições. Com a automatização, o sistema identifica os recursos disponíveis e os transfere diretamente, desde que a funcionalidade esteja habilitada.
Cerca de 33 milhões de contas possuem até R$ 10 a receber, representando a maior fatia dos beneficiários. Outros 13,1 milhões têm valores entre R$ 10,01 e R$ 100, enquanto 5,2 milhões contam com quantias entre R$ 100,01 e R$ 1.000. Apenas 940 mil pessoas possuem mais de R$ 1.000, incluindo casos excepcionais, como um indivíduo com R$ 11,2 milhões esquecidos. Esses dados, atualizados em março de 2025, refletem a diversidade de valores disponíveis.
- Principais fontes de recursos:
- Contas-correntes ou poupança encerradas com saldo.
- Tarifas ou parcelas cobradas indevidamente.
- Cotas de capital de cooperativas de crédito.
- Grupos de consórcio extintos.
Como habilitar o resgate automático
Ativar a solicitação automática exige passos simples, mas requer atenção aos detalhes de segurança. O cidadão deve acessar o site oficial do Sistema de Valores a Receber e fazer login com uma conta gov.br, que precisa ter nível prata ou ouro e verificação em duas etapas ativada. Após o login, a opção de automatização estará disponível para quem possui uma chave Pix vinculada ao CPF.
O processo é intuitivo, mas o Banco Central alerta para a importância de usar apenas o site oficial. Golpes envolvendo mensagens falsas ou links suspeitos têm sido registrados desde o lançamento do programa. A instituição reforça que não entra em contato com os cidadãos para solicitar dados pessoais ou confirmar resgates.
Valores disponíveis e prazos
O montante de R$ 9,13 bilhões é composto por recursos de pessoas físicas e jurídicas. Embora o prazo oficial para resgates tenha sido inicialmente fixado em outubro de 2024, o Ministério da Fazenda esclareceu que não há data limite para reivindicar os valores. Essa decisão ampliou o acesso, especialmente para quem desconhecia a existência de recursos em seu nome.
Um edital publicado em outubro de 2024 prorrogou por seis meses o período para contestar a transferência de valores ao Tesouro Nacional. Caso os recursos não sejam reclamados nesse período, eles serão incorporados como receita orçamentária primária. Até o momento, o maior resgate registrado foi de R$ 2,8 milhões, realizado por uma pessoa física em julho de 2023.
- Faixas de valores mais comuns:
- Até R$ 10: 63,21% dos beneficiários.
- R$ 10,01 a R$ 100: 25,05%.
- R$ 100,01 a R$ 1.000: 9,94%.
- Acima de R$ 1.000: 1,80%.
Resgates para pessoas falecidas
Herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais podem consultar valores de pessoas falecidas. O processo exige acesso ao Sistema de Valores a Receber com uma conta gov.br e a apresentação de um termo de responsabilidade. Após informar o CPF e a data de nascimento do falecido, o sistema exibe os valores disponíveis e as instituições correspondentes.
A solicitação de resgate segue procedimentos específicos, que variam conforme a instituição financeira. Até setembro de 2024, cerca de R$ 2,52 bilhões pertenciam a mais de 4,59 milhões de pessoas falecidas, destacando a relevância dessa funcionalidade para famílias em busca de recursos herdados.
Medidas contra fraudes
O Banco Central intensificou ações para proteger os cidadãos contra golpes relacionados ao Sistema de Valores a Receber. Estelionatários têm explorado o interesse público, enviando mensagens fraudulentas por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagem. Essas comunicações frequentemente solicitam dados pessoais ou pagamentos para liberar supostos valores.
A instituição orienta que nenhum pagamento é necessário para acessar os recursos. Além disso, apenas as instituições financeiras listadas na consulta oficial podem contatar os cidadãos, e jamais pedem senhas ou informações sensíveis. A partir de dezembro de 2025, o Banco Central permitirá que os cidadãos solicitem o bloqueio de abertura de contas em seu nome, medida voltada a prevenir fraudes como contas fraudulentas ou inclusões indevidas em contas conjuntas.
- Dicas de segurança:
- Acesse apenas o site valoresareceber.bcb.gov.br.
- Não clique em links recebidos por mensagens.
- Desconfie de solicitações de pagamento ou dados pessoais.
- Verifique a autenticidade da instituição financeira.
Histórico do programa
Lançado em março de 2022, o Sistema de Valores a Receber já devolveu mais de R$ 10 bilhões a milhões de brasileiros. A iniciativa surgiu para organizar a devolução de recursos esquecidos, que antes dependiam de processos complexos junto às instituições financeiras. A primeira fase do programa enfrentou desafios, como a sobrecarga do site devido ao alto volume de acessos, mas ajustes técnicos garantiram maior estabilidade.
Em 2023, o sistema registrou resgates significativos, incluindo valores de até R$ 1,6 milhão e R$ 750 mil por pessoas físicas. A adesão de instituições financeiras ao termo de devolução via Pix ampliou a agilidade dos resgates, embora algumas ainda exijam solicitações manuais.
Impacto para pessoas jurídicas
Empresas também podem consultar valores esquecidos usando o CNPJ. Até março de 2025, cerca de R$ 1,44 bilhão estavam disponíveis para 2,9 milhões de pessoas jurídicas. O maior valor registrado para uma empresa é de R$ 30,4 milhões, evidenciando que o programa abrange quantias expressivas para o setor corporativo.
O processo de resgate para empresas segue passos semelhantes aos de pessoas físicas, mas pode envolver documentação adicional, dependendo da instituição financeira. A automatização, por enquanto, está restrita a pessoas físicas, mas o Banco Central avalia a possibilidade de expandir a funcionalidade para pessoas jurídicas no futuro.
Integração com o Pix
A obrigatoriedade de uma chave Pix para resgates automáticos reforça a importância do sistema de pagamentos instantâneos no Brasil. Criado em 2020, o Pix se consolidou como uma ferramenta essencial para transações financeiras, e sua integração ao Sistema de Valores a Receber agiliza a devolução de recursos.
Para quem não possui uma chave Pix, o resgate exige contato direto com a instituição financeira para definir a forma de transferência. O prazo médio para recebimento é de 12 dias úteis, mas a automatização tende a reduzir esse tempo para usuários com a funcionalidade ativada.
- Benefícios do uso do Pix no SVR:
- Transferência instantânea para contas vinculadas.
- Redução de burocracia em resgates.
- Maior segurança nas transações.
Ampliação de serviços do Banco Central
Além do resgate automático, o Banco Central anunciou outras medidas para facilitar o acesso a serviços financeiros. A partir de dezembro de 2025, os cidadãos poderão solicitar a proibição de abertura de contas em seu nome, uma iniciativa voltada a combater fraudes. A medida permite a reversão da solicitação a qualquer momento, garantindo flexibilidade.
Essas mudanças refletem o esforço da instituição em modernizar o sistema financeiro e proteger os consumidores. O foco em segurança e praticidade tem sido uma prioridade, especialmente diante do aumento de golpes digitais nos últimos anos.
Dados regionais e distribuição
Os valores esquecidos estão distribuídos por todo o Brasil, com maior concentração em estados populosos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em São Paulo, por exemplo, milhões de contas possuem recursos a receber, variando de pequenos valores a quantias expressivas. Regiões menos populosas, como o Norte, também registram valores significativos, especialmente em capitais como Manaus e Belém.
A distribuição geográfica reflete o alcance do sistema bancário brasileiro, mas também destaca a necessidade de campanhas de conscientização para alcançar cidadãos em áreas rurais ou com menor acesso à internet. O Banco Central planeja parcerias com instituições locais para ampliar a divulgação do programa.
- Regiões com maior volume de recursos:
- Sudeste: 45% do total de valores.
- Sul: 20%.
- Nordeste: 18%.
- Centro-Oeste: 10%.
- Norte: 7%.
Próximos passos do programa
O Banco Central prevê atualizações contínuas no Sistema de Valores a Receber para atender às demandas dos cidadãos. A possibilidade de incluir resgates automáticos para contas conjuntas e pessoas jurídicas está em estudo, embora sem data definida. Além disso, a instituição planeja reforçar a integração com outras plataformas digitais para facilitar o acesso.
A comunicação com o público também será intensificada, com campanhas educativas sobre como consultar e resgatar valores com segurança. O objetivo é garantir que os R$ 9,13 bilhões restantes cheguem aos seus legítimos donos, reduzindo o volume de recursos não reclamados.