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9º teste da Starship marca reutilização, mas SpaceX enfrenta nova perda de contato

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SpaceX - Foto: Sven Piper/istock SpaceX - Foto: Sven Piper/istock

A nave Starship, da SpaceX, decolou com sucesso na terça-feira, 27 de maio de 2025, marcando o nono voo de teste do maior sistema de foguetes já construído. Pela primeira vez, a empresa reutilizou o propulsor Super Heavy, um marco na busca por lançamentos espaciais mais econômicos. No entanto, a missão enfrentou problemas significativos: a SpaceX perdeu contato com a nave durante a reentrada, e a carga de satélites simulados não foi liberada. Este é o terceiro teste consecutivo com falhas, evidenciando os desafios técnicos do projeto.

O lançamento ocorreu às 19h37 (horário de Brasília) a partir da base Starbase, no sul do Texas, sob olhares atentos de engenheiros e entusiastas. A reutilização do Super Heavy, equipado com 33 motores Raptor, foi um passo ousado, mas a missão não atingiu todos os objetivos. Apesar do progresso, a perda de contato com a nave reforça a complexidade de tornar a Starship totalmente reutilizável.

Principais pontos da missão:

  • Reutilização inédita do Super Heavy, com 29 dos 33 motores já usados no voo 7.
  • Falha na abertura da porta de carga, impedindo a liberação de satélites simulados.
  • Perda de controle da nave devido a vazamentos de combustível na fase de reentrada.
  • Explosão do Super Heavy antes do pouso planejado no Golfo do México.

A SpaceX, liderada por Elon Musk, segue apostando na Starship como peça central para missões à Lua, Marte e além, mas os resultados recentes levantam questões sobre a prontidão do sistema para voos tripulados.

Reutilização histórica do Super Heavy

Pela primeira vez, a SpaceX reutilizou um propulsor Super Heavy, identificado como Booster 14, que já havia voado no sétimo teste, em janeiro de 2025. Dos 33 motores Raptor, 29 eram os mesmos da missão anterior, com apenas quatro substituídos após inspeções. Esse feito é um marco na busca por reduzir custos de lançamento, permitindo que o mesmo hardware seja usado em múltiplos voos com manutenção mínima. Durante o lançamento, todos os motores funcionaram conforme o esperado, impulsionando a Starship para uma trajetória suborbital.

O Super Heavy separou-se da nave cerca de dois minutos e meio após a decolagem, iniciando uma manobra de retorno ao Golfo do México. A SpaceX testou uma trajetória de descida mais íngreme, projetada para avaliar os limites térmicos e aerodinâmicos do propulsor. Contudo, pouco após o início da queima de pouso, o sinal de telemetria foi perdido, e o booster explodiu antes de atingir a água. Engenheiros agora analisam os dados para entender a falha, que não comprometeu o sucesso inicial da reutilização.

Objetivos ambiciosos da missão

A nona missão da Starship tinha metas ousadas, incluindo testes de reutilização, experimentos de reentrada e validação de melhorias no sistema. A nave, chamada Ship 35, foi equipada com novas telhas metálicas e áreas sem revestimento cerâmico para avaliar o comportamento térmico durante a reentrada. Além disso, a SpaceX planejava realizar a primeira reignição de um motor Raptor no vácuo, essencial para missões orbitais e lunares.

Outros objetivos incluíam:

  • Testar a abertura da porta de carga para liberar oito satélites simulados Starlink.
  • Validar um novo sistema de purga de nitrogênio para evitar vazamentos de combustível.
  • Avaliar ajustes nos motores Raptor, como reforços nas linhas de alimentação.
  • Coletar dados sobre o desempenho do Super Heavy em condições extremas.

Embora o lançamento e a separação tenham ocorrido sem problemas, a falha na abertura da porta de carga e os vazamentos de combustível comprometeram os testes planejados. A reignição do motor foi cancelada devido à perda de controle da nave, limitando os dados coletados.

Perda de contato na reentrada

Cerca de 30 minutos após o lançamento, a Starship começou a apresentar problemas graves. Vazamentos de combustível, detectados durante a fase de cruzeiro suborbital, causaram perda de pressão no tanque principal. Isso levou a uma rotação descontrolada da nave, dificultando a manutenção da orientação correta para a reentrada. Imagens transmitidas mostraram plasma envolvendo a nave e danos visíveis, como uma aba derretendo, antes que o contato fosse perdido sobre o Oceano Índico.

A SpaceX realizou uma manobra de passivação, esvaziando os tanques de propelente para minimizar riscos durante a reentrada descontrolada. A nave provavelmente se desintegrou na atmosfera, sem atingir o pouso vertical planejado. Esse desfecho frustrou as expectativas de coletar dados cruciais sobre o desempenho do escudo térmico e dos sistemas de controle de voo.

Marcos e desafios anteriores

A Starship já realizou nove voos de teste desde abril de 2023, com cinco considerados bem-sucedidos e quatro falhas, incluindo a missão mais recente. O programa, que começou com a versão Block 1, evoluiu para a Block 2, usada nos últimos três voos. A Block 2 incorpora melhorias como maior capacidade de propelente, abas frontais redesenhadas e um sistema de alimentação de combustível otimizado.

Nos voos 7 e 8, realizados em janeiro e março de 2025, a SpaceX enfrentou problemas semelhantes. No voo 7, vibrações intensas causaram vazamentos de propelente, resultando em um incêndio e na destruição da nave. No voo 8, uma falha em um motor Raptor levou ao desligamento de outros motores, com a nave se despedaçando sobre o Golfo do México. Essas falhas consecutivas levaram a ajustes nos sistemas da Starship, mas os resultados do voo 9 indicam que os desafios persistem.

Papel da Starship no futuro espacial

A Starship é peça central nos planos da SpaceX para revolucionar os voos espaciais. Com 400 pés de altura e capacidade para até 150 toneladas em órbita, o sistema é projetado para ser totalmente reutilizável, reduzindo drasticamente os custos de lançamento. A nave é essencial para os planos de Elon Musk de colonizar Marte e para o programa Artemis da NASA, que prevê o uso de uma variante da Starship como módulo de pouso lunar a partir de 2027.

Para alcançar esses objetivos, a SpaceX precisa dominar:

  • Reutilização de ambos os estágios, Super Heavy e Starship.
  • Reabastecimento em órbita, necessário para missões de longa distância.
  • Sistemas de proteção térmica para reentradas seguras.
  • Operações de alta cadência, com até 25 lançamentos anuais de Starbase.

A empresa também planeja usar a Starship para lançar a próxima geração de satélites Starlink e realizar voos ponto a ponto na Terra, com viagens internacionais em menos de 30 minutos.

Reações e próximos passos

Após o voo, Elon Musk destacou o sucesso parcial da missão, como a reutilização do Super Heavy e o desligamento programado de um motor no espaço. Ele anunciou uma cadência acelerada para os próximos três voos, com intervalos de três a quatro semanas. A SpaceX já trabalha na análise dos dados do voo 9, com foco nos vazamentos de combustível e na falha do Super Heavy.

A Administração Federal de Aviação (FAA) iniciou uma investigação sobre o incidente, exigindo que a SpaceX identifique as causas e implemente correções antes do próximo lançamento. A agência ampliou as zonas de exclusão de detritos para o voo 9, após incidentes anteriores que afetaram o tráfego aéreo na Flórida e no Caribe.

Avanços técnicos em teste

A nona missão testou várias inovações no sistema Starship. A nave Ship 35 apresentou telhas metálicas com resfriamento ativo, projetadas para resistir ao calor extremo da reentrada. Áreas sem telhas cerâmicas foram incluídas para mapear margens de fluxo de calor, fornecendo dados para futuras melhorias no escudo térmico. O Super Heavy, por sua vez, realizou uma manobra de inversão directional, otimizada para economizar propelente durante o retorno.

Embora alguns testes tenham sido comprometidos pela perda da nave, a SpaceX coletou informações valiosas sobre o desempenho do hardware reutilizado. A empresa planeja incorporar essas lições em veículos futuros, incluindo a introdução do motor Raptor 3, que promete maior confiabilidade e eficiência.

Importância da base Starbase

A Starbase, localizada perto de Boca Chica, Texas, é o coração do programa Starship. Recentemente incorporada como cidade, a instalação suporta uma cadência crescente de lançamentos, com permissão da FAA para até 25 voos anuais. A base abriga linhas de produção em massa, permitindo a construção rápida de novos veículos.

Além do Texas, a SpaceX planeja expandir as operações para a Flórida, onde construirá uma instalação de 380 pés para processamento de boosters e naves. Essa expansão visa aumentar a frequência de lançamentos e suportar missões mais complexas, como o envio de cargas massivas à órbita terrestre baixa.

Comparação com outros sistemas

A Starship se destaca como o sistema de lançamento mais poderoso já desenvolvido, superando o Saturn V da era Apollo, que gerava 7,6 milhões de libras de empuxo. Com 16 milhões de libras de empuxo, o Super Heavy oferece o dobro da potência, permitindo cargas maiores e missões mais ambiciosas. Diferentemente do Falcon 9, que é parcialmente reutilizável, a Starship visa a reutilização total, um salto tecnológico significativo.

Outros sistemas, como o Space Launch System (SLS) da NASA, oferecem capacidades robustas, mas com custos muito mais altos e sem reutilização. A Starship, se bem-sucedida, pode redefinir a economia dos voos espaciais, tornando missões interplanetárias viáveis.

Planos para missões futuras

A SpaceX já prepara o próximo voo de teste, previsto para as próximas semanas, dependendo da aprovação da FAA. A empresa planeja tentar a captura da Starship com os braços mecânicos da torre de lançamento, uma técnica já dominada com o Super Heavy em voos anteriores. Além disso, a SpaceX trabalha no desenvolvimento da Starship Block 3, que trará maior capacidade de carga e melhorias no design.

Entre os planos de longo prazo estão:

  • Demonstração de reabastecimento orbital em 2026.
  • Lançamento de satélites Starlink de terceira geração.
  • Missões não tripuladas a Marte a partir de 2026.
  • Pousos lunares para o programa Artemis em 2027.

A empresa também explora voos comerciais, com reservas de bilionários como Jared Isaacman para viagens circumlunares.

Lições do voo 9

Apesar das falhas, o voo 9 forneceu dados críticos para o refinamento da Starship. A reutilização do Super Heavy comprovou a viabilidade de relançar hardware testado, enquanto os problemas com vazamentos e controle de atitude destacaram áreas que precisam de melhorias. A SpaceX adota uma abordagem iterativa, testando componentes até o limite para identificar pontos fracos antes de missões operacionais.

Engenheiros agora examinam telemetria e vídeos para entender a sequência de eventos que levou à perda da nave. A falha na abertura da porta de carga, por exemplo, pode exigir redesign do mecanismo, enquanto os vazamentos sugerem a necessidade de reforços nos tanques de propelente.

Visão de Elon Musk

Elon Musk mantém uma visão ousada para a Starship, enxergando-a como o veículo que tornará a humanidade multiplanetária. Durante a transmissão do voo 9, ele enfatizou a importância dos testes de reentrada, especialmente o desempenho das telhas térmicas. Musk também criticou o programa Artemis da NASA, chamando-o de limitado em comparação com seus planos para Marte.

A SpaceX planeja acelerar a produção de naves e boosters, com o objetivo de lançar até 1.000 Starships por ano no futuro. Essa ambição depende do sucesso de testes como o voo 9, que, apesar dos contratempos, aproximam a empresa de seus objetivos de longo prazo.

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