Um crime brutal chocou Abaetetuba, no nordeste do Pará, na manhã de 27 de maio de 2025, quando o radialista Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, foi assassinado a tiros durante a transmissão ao vivo de seu programa na Rádio Guarany FM. O comunicador, de 46 anos, foi surpreendido por um homem encapuzado que invadiu o estúdio e disparou pelo menos três vezes, causando sua morte imediata. A Polícia Civil investiga o caso, analisando imagens de câmeras de segurança e ouvindo testemunhas, enquanto a comunidade local e entidades de classe lamentam a perda. Luisinho, figura conhecida no rádio e em eventos culturais, deixa esposa, uma filha e um legado de mais de 20 anos de carreira. O crime, tratado como execução premeditada, levanta debates sobre a segurança de profissionais de comunicação no estado.
A execução ocorreu em um contexto de rotina para o radialista, que acabara de entrar no ar. Testemunhas relatam que o atirador agiu com precisão, sem proferir palavras, o que reforça a hipótese de um crime planejado. O estúdio foi isolado logo após o ocorrido, e a Delegacia de Homicídios de Abaetetuba assumiu as investigações. A violência do ato, transmitida ao vivo, deixou ouvintes em choque, com os disparos ecoando pela programação.
- Detalhes iniciais: O suspeito usava capacete, máscara azul e roupas escuras, portando uma pistola calibre 380.
- Fuga: Após o crime, ele escapou em uma motocicleta branca sem placa, com apoio de um segundo indivíduo.
- Investigação: A polícia considera hipóteses como agiotagem e vingança, mas a motivação segue indefinida.
A trajetória de Luisinho Costa, marcada por contribuições à cultura local, torna o crime ainda mais impactante. Ele era filho de Bené Costa, locutor conhecido e diretor da emissora, e se destacava como empresário, DJ e produtor de eventos.
Perfil de um comunicador carismático
Luisinho Costa iniciou sua carreira na Rádio Guarany FM em 2000, consolidando-se como uma das vozes mais reconhecidas de Abaetetuba. Com mais de duas décadas no rádio, ele combinava carisma e profissionalismo, atraindo um público fiel. Além do microfone, sua atuação como promoter cultural o colocou no centro de grandes eventos na região, como shows de forró e festivais.

Amigos e colegas descrevem o radialista como uma figura vibrante, sempre dedicada a movimentar a cena cultural local. Ele promovia atrações nacionais e regionais, fortalecendo o turismo e a economia de Abaetetuba. Sua presença nas redes sociais, onde anunciava eventos e interagia com seguidores, reforçava sua influência.
- Carreira no rádio: Atuava na Guarany FM desde os 21 anos, com programas diários de grande audiência.
- Eventos culturais: Organizou shows de artistas como Wesley Safadão e bandas regionais de brega.
- Redes sociais: Tinha mais de 6 mil seguidores no Instagram, com posts frequentes sobre eventos.
- Família: Casado desde 1998, deixa uma filha e sua esposa, que não se pronunciaram publicamente.
Crime com sinais de planejamento
A Polícia Civil do Pará informou que o assassino agiu com características de um profissional. O suspeito, descrito como um homem de estatura média, usava uma pistola prateada calibre 380 e disparou com precisão, atingindo Luisinho na cabeça, costas e abdômen. A ausência de diálogo durante o ataque e a rapidez da ação sugerem um plano bem elaborado.
O atirador fugiu em uma motocicleta modelo Pop, de cor branca, acompanhado por um segundo suspeito que o aguardava do lado de fora. A polícia acredita que o uso de uma mochila pelo criminoso pode indicar que ele carregava roupas para trocar após o crime, dificultando sua identificação. Imagens de câmeras de segurança da rádio e de áreas próximas estão sob análise, mas nenhum suspeito foi preso até o momento.
Repercussão na comunidade
A morte de Luisinho Costa gerou comoção em Abaetetuba, com moradores se reunindo em frente à Rádio Guarany FM para acompanhar o trabalho da perícia. Nas redes sociais, mensagens de luto e indignação se multiplicaram, com amigos e ouvintes compartilhando memórias do radialista. O Bloco Me Namora, agremiação carnavalesca da qual Luisinho era proprietário, publicou uma nota destacando sua dedicação e alegria.
A violência do crime, transmitida ao vivo, amplificou o impacto na comunidade. Ouvintes relataram choque ao ouvir os disparos durante a programação, enquanto colegas de profissão expressaram temor pela segurança no exercício da comunicação. A rádio suspendeu suas transmissões temporariamente, e o estúdio permanece isolado para investigações.
- Homenagens locais: Moradores deixaram flores e cartazes em frente à emissora.
- Reação online: Posts no Instagram e WhatsApp viralizaram, com milhares de compartilhamentos.
- Silêncio na rádio: A Guarany FM anunciou uma pausa nas atividades por tempo indeterminado.
Entidades cobram justiça
O Sindicato dos Radialistas do Pará (Stert), o Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA) emitiram uma nota conjunta lamentando o assassinato. As entidades anunciaram que acompanharão as investigações de perto, exigindo rapidez na identificação dos responsáveis.
A nota destacou que ataques a comunicadores representam uma ameaça à liberdade de imprensa e à democracia. As organizações planejam reuniões com autoridades de segurança para discutir medidas de proteção aos profissionais da comunicação no estado. Em Abaetetuba, líderes comunitários também se mobilizam para pressionar por respostas.
Linhas de investigação
A Polícia Civil trabalha com duas hipóteses principais para o crime: vingança ou questões ligadas à agiotagem. Embora Luisinho fosse conhecido por seu perfil conciliador, investigadores não descartam que ele pudesse ter desafetos devido à sua atuação em eventos de grande visibilidade. Denúncias feitas pelo radialista em seu programa também estão sendo analisadas como possível motivação.
Testemunhas, incluindo um colega que estava no estúdio, prestarão depoimento nos próximos dias. A polícia solicita que a população colabore com informações anônimas pelo Disque Denúncia 181. Até o momento, nenhum mandante ou executor foi identificado, e a ausência de pistas concretas mantém o caso em aberto.
- Hipóteses principais: Vingança pessoal ou dívidas relacionadas à agiotagem.
- Denúncias no programa: Luisinho abordava temas polêmicos, como questões locais de Abaetetuba.
- Colaboração pública: A polícia reforça o uso do canal anônimo para denúncias.
Legado cultural de Luisinho
Além de sua atuação no rádio, Luisinho Costa deixou uma marca profunda na cultura de Abaetetuba. Como um dos fundadores do Bloco Me Namora, ele transformou o carnaval local, atraindo milhares de foliões anualmente. O bloco, conhecido por sua organização e energia, era um reflexo de sua paixão por conectar pessoas.
Seus eventos musicais também impulsionaram a economia local, trazendo turistas e gerando empregos temporários. Colegas destacam que Luisinho planejava novos projetos para 2025, incluindo um festival de música regional. Sua morte interrompeu esses planos, deixando um vazio na comunidade cultural.
Sepultamento e luto
O corpo de Luisinho Costa foi velado na manhã de 28 de maio, no Cemitério Público Municipal de Abaetetuba, em uma cerimônia marcada por emoção. Centenas de pessoas, incluindo familiares, amigos e ouvintes, compareceram para prestar homenagens. O sepultamento ocorreu por volta das 9h, sob forte comoção.
A prefeitura de Abaetetuba emitiu uma nota de pesar, reconhecendo a contribuição do radialista para a cidade. Escolas de samba e grupos culturais locais também se manifestaram, prometendo homenagens em futuros eventos.
- Velório concorrido: A cerimônia reuniu cerca de 500 pessoas, segundo estimativas locais.
- Nota oficial: A prefeitura destacou o papel de Luisinho na promoção cultural.
- Homenagens futuras: O Bloco Me Namora planeja um evento em memória do radialista.
Segurança de comunicadores em foco
A morte de Luisinho Costa reacende o debate sobre a proteção de profissionais de comunicação no Pará. O estado registra casos recorrentes de violência contra jornalistas e radialistas, especialmente em cidades do interior. Entidades de classe apontam que a falta de segurança inibe a liberdade de expressão e o jornalismo investigativo.
A OAB-PA anunciou que protocolará um pedido formal ao governo estadual para reforçar medidas de proteção. Sindicatos também planejam campanhas de conscientização, visando sensibilizar a sociedade sobre a importância de um ambiente seguro para comunicadores.
Cenário de violência no estado
O Pará enfrenta desafios históricos com a violência, especialmente em regiões como Abaetetuba, onde crimes como homicídios e execuções são registrados com frequência. Dados recentes do Instituto de Segurança Pública do estado mostram que a taxa de homicídios na região nordeste paraense permanece acima da média nacional.
O assassinato de Luisinho se soma a outros casos de ataques a figuras públicas no estado, incluindo lideranças comunitárias e políticos locais. Autoridades prometem intensificar operações na região, mas a resolução do caso depende de avanços nas investigações.
- Taxa de homicídios: Abaetetuba registrou 45 homicídios por 100 mil habitantes em 2024.
- Casos semelhantes: Outros comunicadores foram alvos de ameaças no Pará nos últimos cinco anos.
- Resposta policial: A Polícia Civil planeja reforçar o efetivo em Abaetetuba.