Mais de R$ 9 bilhões aguardam resgate no Sistema de Valores a Receber (SVR), plataforma do Banco Central que permite a pessoas físicas, empresas e herdeiros de falecidos consultar e recuperar recursos esquecidos em bancos, consórcios e outras instituições financeiras. A partir de 27 de maio de 2025, uma nova funcionalidade permite solicitações automáticas de resgate via Pix, simplificando o processo. A consulta é feita exclusivamente no site oficial do Banco Central, exigindo uma conta gov.br de nível prata ou ouro. O serviço, totalmente gratuito, visa devolver saldos de contas encerradas, tarifas indevidas e outros valores não reclamados. Este texto detalha o passo a passo para consulta e resgate, além de orientações para evitar golpes.
O SVR foi criado para facilitar o acesso a recursos que muitos desconhecem. A nova opção de resgate automático, exclusiva para pessoas físicas com chave Pix do tipo CPF, elimina a necessidade de solicitações manuais. Instituições financeiras que não aderiram ao Pix ainda exigem contato direto.
- O que pode ser resgatado: Saldos de contas encerradas, cotas de consórcios, tarifas indevidas e recursos de cooperativas.
- Quem pode consultar: Pessoas físicas, empresas e herdeiros de falecidos com documentação específica.
- Prazo para Pix: Até 12 dias úteis para devolução via sistema.
A seguir, o processo detalhado para acessar e recuperar esses valores.
Como acessar o Sistema de Valores a Receber
O primeiro passo para verificar se há valores esquecidos é acessar o site oficial do SVR. A plataforma exige login com uma conta gov.br de nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas ativada. Para pessoas físicas, o CPF e a data de nascimento são suficientes. Empresas devem informar o CNPJ e a data de abertura.
Se houver valores disponíveis, o sistema exibe as instituições financeiras envolvidas e a origem dos recursos. O usuário recebe uma data agendada para retornar e solicitar o resgate, baseada na data de nascimento ou criação da empresa. Caso a data seja perdida, a repescagem permite novo agendamento.
O Banco Central reforça que o serviço é gratuito e alerta contra golpes. Links suspeitos ou pedidos de pagamento para liberar valores devem ser ignorados. Apenas o site valoresareceber.bcb.gov.br é confiável.
Passo a passo para consulta
Consultar o SVR é simples, mas requer atenção aos detalhes. O processo começa com o acesso ao portal oficial.
- Acesse o site: Visite valoresareceber.bcb.gov.br e clique em “Consultar”.
- Informe os dados: Insira CPF e data de nascimento para pessoas físicas ou CNPJ e data de abertura para empresas.
- Verifique resultados: O sistema indica se há valores e fornece uma data para retorno.
- Faça login: Use uma conta gov.br (nível prata ou ouro) na data agendada.
- Solicite o resgate: Escolha a opção de devolução, preferencialmente via Pix.
Se não houver valores, o sistema permite novas consultas no futuro, já que novos recursos podem ser incluídos. O Banco Central não envia notificações ou links, e qualquer contato deve partir da instituição financeira listada no SVR.
Resgate automático: como funciona
A funcionalidade de resgate automático, lançada em 27 de maio de 2025, é uma novidade para pessoas físicas. Para ativá-la, o usuário deve acessar o SVR, marcar a opção “receber valores automaticamente” e possuir uma chave Pix vinculada ao CPF.
O crédito é depositado diretamente na conta indicada, sem aviso prévio do Banco Central. O prazo de devolução é de até 12 dias úteis. Contas conjuntas e instituições que não aderiram ao Pix exigem solicitações manuais.
Empresas e herdeiros de falecidos não podem usar o resgate automático. Para esses casos, o procedimento manual continua, com contato direto com a instituição financeira.
Valores disponíveis e sua origem
O SVR reúne diversos tipos de recursos esquecidos. Até fevereiro de 2025, cerca de R$ 9,024 bilhões estavam disponíveis, sendo 63,97% valores até R$ 10, 24,7% entre R$ 10,01 e R$ 100, e 9,61% entre R$ 100,01 e R$ 1 mil. Apenas 1,71% dos beneficiários têm direito a mais de R$ 1 mil.
- Contas encerradas: Saldos de contas-corrente ou poupança não sacados.
- Consórcios: Cotas de grupos extintos não resgatadas.
- Cooperativas: Sobras líquidas ou cotas de capital de associados.
- Tarifas indevidas: Cobranças irregulares previstas em acordos com o Banco Central.
Desde o início do programa, em fevereiro de 2022, R$ 9,713 bilhões já foram devolvidos de um total de R$ 18,737 bilhões disponibilizados. Cerca de 46,4 milhões de pessoas físicas e 4,2 milhões de empresas ainda não resgataram seus valores.
Procedimento para pessoas falecidas
Herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais podem consultar valores de pessoas falecidas. O processo exige CPF e data de nascimento do falecido, além de aceitar um termo de responsabilidade no SVR.
Após a consulta, o interessado deve contatar a instituição financeira para apresentar documentação que comprove o vínculo. Não há prazo fixo para devolução nesses casos, e o resgate não pode ser feito diretamente pelo sistema.
- Documentos necessários: Certidão de óbito, comprovante de herança ou representação legal.
- Contato com a instituição: Use telefone ou e-mail informado pelo SVR.
- Prazo: Depende da análise da instituição financeira.
O Banco Central alerta que apenas pessoas autorizadas legalmente podem acessar esses dados, e qualquer tentativa de fraude pode gerar responsabilização.
Cuidados contra golpes
Golpistas frequentemente se aproveitam do SVR para enganar cidadãos. Sites falsos, aplicativos fraudulentos e mensagens prometendo resgates rápidos são comuns. O Banco Central reforça que nunca envia links, solicita senhas ou cobra taxas.
- Site oficial: Apenas valoresareceber.bcb.gov.br é confiável.
- Sem taxas: O serviço é gratuito, e qualquer cobrança é suspeita.
- Não clique em links: Evite mensagens por e-mail, SMS ou WhatsApp.
- Verifique contatos: Apenas instituições listadas no SVR podem entrar em contato.
O SPC Brasil recomenda monitorar o CPF regularmente para prevenir fraudes, usando serviços como o SPC Avisa, que alerta sobre movimentações suspeitas.
Histórico do SVR
Lançado em fevereiro de 2022, o SVR já passou por várias atualizações. Após uma pausa de quase um ano, foi reaberto em março de 2023 com novas fontes de recursos e a possibilidade de consultar valores de falecidos. Em maio de 2025, o sistema registrou R$ 258 milhões em saques.
O programa é parte de um esforço do Banco Central para promover transparência no sistema financeiro. Valores não resgatados permanecem nas instituições por até 25 anos, após o que podem ser incorporados à União, conforme a Lei 2.313 de 1954.
Alternativas para quem não tem Pix
Quem não possui chave Pix pode resgatar valores diretamente com a instituição financeira. O SVR fornece telefone ou e-mail para contato, e o usuário deve negociar a forma de devolução, que pode ser por TED, DOC ou outra transferência.
- Crie uma chave Pix: Cadastre uma chave em sua instituição financeira e retorne ao SVR.
- Contato direto: Combine com a instituição o método de pagamento.
- Sem prazo fixo: Devoluções fora do Pix dependem da instituição.
A criação de uma chave Pix é recomendada para agilizar o processo, especialmente com a nova funcionalidade de resgate automático.
O que acontece com valores não resgatados
Após o prazo de 25 anos, valores não reclamados podem ser transferidos ao Tesouro Nacional. Um projeto de lei aprovado em 2024 autoriza o uso desses recursos para compensar a desoneração da folha de pagamento de 17 setores econômicos.
Até 17 de abril de 2025, era possível solicitar valores judicialmente. Após essa data, o acesso depende de editais publicados pelo Ministério da Fazenda, que listam instituições e agências com valores disponíveis.
- Edital do Tesouro: Publicado após o fim do prazo de resgate.
- Prazo adicional: 30 dias para reclamação após o edital.
- Ação judicial: Seis meses para requerer o direito aos valores.
O Banco Central esclarece que a transferência para a União não é confisco, mas uma medida prevista em lei.
Dicas para gerenciar valores resgatados
Após o resgate, especialistas sugerem opções seguras para aplicar os valores. O Tesouro Selic é indicado por sua liquidez e proteção contra a inflação. CDBs de liquidez diária, como os que rendem 110% do CDI, também são alternativas.
- Tesouro Selic: Ideal para segurança e resgate rápido.
- CDBs: Oferecem rendimentos acima da poupança com liquidez.
- Planejamento: Considere objetivos financeiros antes de investir.
O Banco Central recomenda verificar regularmente o SVR, pois novos valores podem ser adicionados com o tempo.