Entretenimento

Tumulto com Oruam em presídio marca liberdade de MC Poze no Rio em 3 de junho

Oruam
Oruam - Foto: Instagram Oruam - Foto: Instagram

A chegada de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, ao Complexo de Gericinó, por volta do meio-dia, transformou a espera pela soltura de MC Poze em um cenário de caos. Com cabelos tingidos de vermelho, o rapper, filho de Marcinho VP, apontado como líder do Comando Vermelho, foi carregado por apoiadores até o local onde estava Viviane Noronha, esposa de Poze. Ele subiu no teto de um dos três ônibus parados em um engarrafamento próximo ao presídio, dançando e incitando a multidão. A ação gerou correria e gritos entre os fãs, que se aglomeravam desde a manhã.
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que o alvará de soltura de Poze chegou às 14h16, e os procedimentos para sua liberação começaram imediatamente. Enquanto isso, a presença de Oruam intensificava o clima de tensão.

  • Multidão reuniu centenas de fãs, incluindo jovens e famílias.
  • Ônibus parados no trânsito viraram palco improvisado.
  • Viviane Noronha usava camiseta com imagem da família.
  • Oruam foi advertido pela PM para descer do veículo.

Intervenção policial com gás e balas de borracha
A Polícia Militar agiu para conter o tumulto, que escalou após a atitude de Oruam. Por volta das 14h, agentes lançaram gás de pimenta para dispersar a multidão, que reagiu com gritos e tentativas de avançar em direção ao portão do presídio. Quando Poze saiu do complexo, às 14h30, caminhando pelas ruas internas, nova confusão eclodiu. A PM usou balas de borracha para controlar os fãs, que tentavam se aproximar do cantor. Ele entrou em um carro às 14h50, deixando o local sob escolta.
A intervenção policial gerou críticas de apoiadores, que alegaram excesso de força. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram pessoas correndo e cobrindo o rosto devido ao gás.

Prisão e soltura de MC Poze
Marlon Brendon Coelho Couto e Silva, o MC Poze do Rodo, foi preso em 29 de maio de 2025, em sua casa, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. A operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) o acusou de apologia ao tráfico, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho. Durante a prisão, Poze foi levado algemado, sem camisa e descalço, para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho.
Na segunda-feira, 2 de junho, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu habeas corpus ao cantor, determinando sua soltura com medidas cautelares. O desembargador Peterson Barroso Simão criticou a condução da prisão, apontando desproporcionalidade e exposição midiática.

  • Poze deve comparecer à Justiça a cada 10 dias.
  • Está proibido de deixar o Rio de Janeiro.
  • Não pode se comunicar com investigados ou membros do Comando Vermelho.
  • Foi absolvido em caso semelhante em instâncias anteriores.

Investigações sobre o Comando Vermelho
A prisão de Poze está ligada a uma investigação mais ampla sobre o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do Rio. Segundo a Polícia Civil, o cantor realizava shows em áreas dominadas pela facção, com a presença de traficantes armados para garantir a segurança dos eventos. As autoridades também apontam que produtoras de bailes funk, incluindo a Mainstreet Records, da qual Poze faz parte, são suspeitas de lavar dinheiro do tráfico.
A esposa de Poze, Viviane Noronha, e outros associados, como um integrante da Al-Qaeda, teriam se beneficiado do esquema, segundo a polícia. O delegado Felipe Curi, secretário de Polícia Civil, afirmou que as letras e apresentações de Poze disseminam a “narcocultura”, exaltando o crime organizado.

Críticas à condução policial
A decisão judicial que libertou Poze destacou irregularidades na operação da Polícia Civil. O desembargador Peterson Barroso Simão questionou a necessidade da prisão temporária, argumentando que o material apreendido na casa do cantor — sem armas ou drogas — era suficiente para as investigações. Ele também criticou a forma como Poze foi tratado, com algemas e exposição pública, sugerindo apuração futura sobre o procedimento.
O advogado de Poze, Fernando Henrique Cardoso, que também representa Oruam e MC Cabelinho, reforçou que a prisão reflete uma perseguição ao funk. Ele comparou a criminalização do gênero à repressão histórica sofrida pelo samba, destacando que as acusações contra Poze carecem de provas concretas.

Reações de artistas e fãs
A prisão de Poze gerou mobilizações desde o dia 29 de maio. Oruam, amigo próximo do cantor, liderou protestos, incluindo uma motociata na Zona Norte do Rio, na madrugada de 30 de maio, que resultou na apreensão de seis motos e condução de um homem ao 3º BPM. Ele também lançou um clipe intitulado “contra o sistema” em apoio a Poze, com meio milhão de visualizações em menos de 24 horas.
Outros artistas, como Major RD e MC Daniel Falcão, manifestaram indignação. Major RD chamou os investigadores de “safados”, enquanto MC Daniel ironizou, dizendo que Poze parecia ter “roubado o INSS”. Fãs levaram alimentos ao presídio para montar cestas básicas, e cartazes com frases como “MC não é bandido!” e “Liberdade para Poze” foram exibidos durante os protestos.

  • Oruam organizou motociata com centenas de motociclistas.
  • Clipe de apoio a Poze teve forte apelo visual, com símbolos do Comando Vermelho.
  • Viviane Noronha compartilhou imagens do protesto nas redes sociais.
  • Fãs se mobilizaram desde a prisão, com doações e manifestações.

Medidas cautelares e restrições
Após a soltura, Poze foi submetido a medidas cautelares rigorosas. Além de comparecer regularmente à Justiça e não deixar o Rio, ele está proibido de manter contato com Oruam, devido à investigação sobre a ligação do rapper com o Comando Vermelho. Oruam, por sua vez, também é alvo de inquérito por suposta conexão com um chefe foragido da facção. A restrição impacta a amizade e as parcerias musicais entre os dois, que colaboraram em faixas como “Filho do deputado” e “Mundo covarde”.

Histórico de Oruam com a polícia
Oruam já enfrentou problemas com a Justiça. Em fevereiro de 2025, ele foi preso por abrigar um foragido em sua casa, no Joá, Zona Oeste do Rio. Na ocasião, a polícia apreendeu uma pistola 9mm, armas de airsoft e joias. Dias antes, ele havia sido detido por realizar manobras perigosas com um veículo, pagando fiança de R$ 60 mil. A operação de fevereiro também investigava disparos em um condomínio em Igaratá, São Paulo, no fim de 2024.
O rapper, que tem 13 milhões de ouvintes no Spotify, é conhecido por letras que abordam a vida nas comunidades e sua relação com o pai, Marcinho VP, preso desde 1996. Em 2024, ele usou uma camiseta pedindo a liberdade do pai durante show no Lollapalooza.

  • Oruam foi liberado após assinar termo circunstanciado em fevereiro.
  • Apreensão incluiu simulacros e objetos pessoais.
  • Ele é alvo de projeto de lei em São Paulo contra apologia ao crime.

Mobilização nas redes sociais
As redes sociais foram palco de intensa mobilização durante a prisão e soltura de Poze. Oruam usou seu perfil para convocar protestos e compartilhar mensagens de apoio, incluindo conversas com sua mãe, Márcia Gama, que o alertou sobre riscos de prisão. Fãs publicaram vídeos da confusão no presídio, mostrando a ação policial e a agitação causada por Oruam. A hashtag #LiberdadeParaPoze ganhou destaque, com milhares de postagens.

Cenário do funk e investigações
A prisão de Poze e as ações de Oruam reacendem o debate sobre a criminalização do funk. Artistas como Orochi e MC Cabelinho, também ligados à Mainstreet Records, estão sob investigação por suspeita de apologia ao crime e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil alega que bailes funk em áreas dominadas por facções servem como ferramenta de financiamento do tráfico, o que intensifica a vigilância sobre o gênero musical.

To Top