A partir de julho de 2025, a Great Wall Motors (GWM) iniciará a produção do SUV médio Haval H6 em sua fábrica de Iracemápolis, São Paulo, marcando um passo significativo para a consolidação da marca no mercado brasileiro. Inicialmente, o modelo manterá o mesmo design do veículo importado da China desde 2023, sem adotar o visual reestilizado já apresentado no mercado asiático. A aguardada motorização híbrida flex, capaz de rodar com etanol e gasolina, chegará apenas em 2026, acompanhada de uma atualização estética. A decisão da montadora reflete uma estratégia de alinhar novidades mecânicas e visuais para maximizar o apelo do modelo no Brasil, onde o Haval H6 já lidera as vendas entre os híbridos. A produção local visa aumentar a competitividade do SUV frente a rivais como Toyota Corolla Cross e BYD Song Plus, aproveitando incentivos fiscais e maior nacionalização de componentes.
O anúncio da GWM esclarece meses de especulações. Protótipos do Haval H6 reestilizado foram flagrados em testes no Brasil, e o registro de patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) sugeria uma atualização iminente. Contudo, a montadora optou por manter o design atual na fase inicial de produção, evitando depreciação precoce para os proprietários do modelo importado. A escolha também permite à GWM ajustar a linha de montagem e consolidar parcerias com fornecedores locais antes de implementar mudanças significativas.
- Cronograma inicial da produção:
- Julho de 2025: Início da fabricação com design atual.
- 2026: Introdução do motor híbrido flex e reestilização.
- Meta de nacionalização: De 35% em 2025 para 60% em 2026.
A fábrica de Iracemápolis, adquirida da Mercedes-Benz em 2021, está em fase final de reestruturação. Com capacidade para até 100 mil veículos por ano, a unidade será um polo estratégico para a GWM na América Latina, focando em pesquisa, desenvolvimento e exportação.
Início da produção em Iracemápolis
A planta de Iracemápolis, localizada no interior de São Paulo, passou por investimentos significativos para adequação às linhas de montagem da GWM. A produção do Haval H6 começará em julho de 2025, inicialmente com um índice de nacionalização de 35%. A montadora já negocia com cerca de 100 fornecedores locais, visando substituir componentes importados e alcançar 60% de nacionalização em 2026. Essa estratégia é essencial para cumprir as exigências do programa Mover, do governo federal, que oferece benefícios fiscais para veículos com maior conteúdo local.
O processo de fabricação começará com a montagem de peças importadas da China, mas a GWM planeja uma transição gradual. A cabine de pintura, herdada da Mercedes-Benz, permite à montadora dispensar o regime CKD (montagem de kits prontos) e adotar uma produção mais integrada. Até o fim de 2025, a fábrica contará com 800 funcionários, com projeção de 2 mil empregos diretos até 2032, dentro de um plano de R$ 10 bilhões em investimentos no Brasil.
Versões disponíveis do Haval H6
O Haval H6 nacional será produzido em quatro configurações, todas com algum nível de eletrificação, reforçando o compromisso da GWM com tecnologias híbridas. As versões iniciais manterão o motor 1.5 a gasolina, já em processo de adaptação para a tecnologia flex. Confira as especificações:
- HEV2: Híbrido pleno, combina motor 1.5 a combustão com unidade elétrica, entregando 243 cv e 54 kgfm, com bateria de 1,6 kWh.
- PHEV19: Híbrido plug-in, com 326 cv e 53 kgfm, equipado com bateria de 19 kWh e tração 4×2.
- PHEV34 e GT: Híbridos plug-in com dois motores elétricos e bateria de 34 kWh, gerando 393 cv e 77,7 kgfm.
Essas configurações posicionam o Haval H6 como um dos SUVs mais potentes e tecnológicos da categoria, competindo diretamente com modelos como o Jeep Compass e o Volkswagen Taos. A versão GT, com carroceria de estilo cupê, destaca-se pelo apelo esportivo, enquanto as demais focam em eficiência e conforto.

Estratégia de mercado da GWM
A decisão de adiar a reestilização e o motor flex para 2026 reflete uma abordagem cautelosa da GWM. Ao manter o design atual, a montadora evita custos adicionais na fase inicial de produção e preserva o valor de revenda dos modelos importados. A introdução simultânea do motor híbrido flex e do novo visual em 2026 cria um pacote mais atrativo, combinando eficiência energética, estética moderna e adaptação ao mercado brasileiro, onde o etanol é amplamente utilizado.
O Haval H6 já é um sucesso no Brasil, liderando as vendas de híbridos entre janeiro e maio de 2025, com mais de 17 mil unidades emplacadas desde seu lançamento em 2023. A produção local deve ampliar a rede de distribuição e reduzir preços, especialmente com a gradual isenção de impostos de importação. A GWM também planeja exportar o modelo para países do Mercosul, como Argentina e Paraguai, a partir de 2026, quando o índice de nacionalização atingir os 40% exigidos para benefícios tributários.
Tecnologia híbrida flex em desenvolvimento
A motorização híbrida flex é um dos pilares da estratégia da GWM no Brasil. Em parceria com a Bosch e três universidades paulistas, a montadora desenvolve um sistema que permitirá ao motor 1.5 turbo operar com etanol e gasolina, mantendo a eficiência dos conjuntos híbridos. Testes estão previstos para 2025, com produção em escala a partir de 2026. A tecnologia promete rendimentos superiores, especialmente com etanol, que tem maior octanagem e é mais sustentável.
Atualmente, apenas Toyota (Corolla e Corolla Cross) e Fiat (Pulse e Fastback) oferecem veículos híbridos flex no Brasil, mas com sistemas distintos. A GWM pode se tornar a primeira a lançar um híbrido plug-in flex, reforçando sua posição no segmento de eletrificados. A bateria de 34 kWh do PHEV34, por exemplo, oferece mais de 100 km de autonomia elétrica, ideal para uso urbano.
Atualização visual prevista para 2026
O facelift do Haval H6, já disponível na China, será implementado no modelo nacional em 2026. As mudanças incluem uma dianteira redesenhada, com grade maior e faróis de LED com 54 lâmpadas, alcançando até 190 metros. O para-choque ganha linhas mais agressivas, enquanto a traseira abandona as lanternas interligadas por um desenho mais convencional. No interior, o SUV adota um estilo minimalista, com:
- Central multimídia de 14,6 polegadas.
- Quadro de instrumentos digital de 10,2 polegadas.
- Novo sistema operacional com chip Qualcomm.
- Redução de botões físicos para comandos integrados.
Essas alterações reforçam a percepção de modernidade, alinhando o Haval H6 às tendências globais de design e tecnologia. A cabine, já elogiada por seu espaço e acabamento, ganhará ainda mais sofisticação, competindo com rivais premium.
Investimentos e expansão da GWM
Além do Haval H6, a GWM planeja produzir outros modelos em Iracemápolis, como a picape Poer e o SUV Haval H9, ambos com versões híbridas flex. A Poer, equipada com motor 2.0 turbo, será lançada em 2026, enquanto o H9, voltado ao off-road, pode chegar como um produto da linha Tank. A montadora também estuda a fabricação do Haval H4, um SUV compacto para concorrer com Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.
O plano de investimentos de R$ 10 bilhões até 2032 inclui a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento em Iracemápolis. A unidade será responsável por adaptar tecnologias ao mercado brasileiro, como a tropicalização de motores e baterias. A GWM também prevê a produção de 50 mil veículos por ano inicialmente, com potencial de expansão para 100 mil unidades.
Competitividade no segmento de SUVs
O mercado de SUVs médios no Brasil é altamente disputado, com modelos como Toyota Corolla Cross, Jeep Compass, Volkswagen Taos e BYD Song Plus. A produção local do Haval H6 permitirá à GWM oferecer preços mais competitivos, especialmente após a redução de impostos de importação. A liderança do modelo entre os híbridos em 2025 reforça seu apelo, impulsionado por tecnologia avançada e eficiência energética.
A introdução do motor híbrido flex em 2026 será um diferencial, considerando a popularidade do etanol no Brasil. A GWM também aposta na autonomia elétrica dos modelos PHEV para atrair consumidores urbanos, que buscam reduzir custos com combustível. A versão GT, com 393 cv, continuará sendo uma opção para quem prioriza desempenho.
Preparativos finais da fábrica
A GWM finaliza a adaptação da planta de Iracemápolis, com foco na linha de alta tensão para conjuntos híbridos, que exige padrões rigorosos de segurança. A produção pré-série, iniciada em 2024, permitiu ajustes nos processos de manufatura. A visita do presidente Lula à fábrica, prevista para junho de 2025, destaca a relevância do projeto para a economia brasileira, com geração de empregos e fortalecimento da indústria automotiva.
A montadora já contratou 400 funcionários e iniciou treinamentos para a operação inicial. A escolha do Haval H6 como primeiro modelo nacional reflete seu sucesso comercial e a demanda por SUVs híbridos no país. A GWM também planeja ampliar sua rede de concessionárias, facilitando o acesso ao modelo em todo o Brasil.
Futuro da eletrificação no Brasil
A aposta da GWM em híbridos, especialmente com tecnologia flex, alinha-se à realidade brasileira, onde a infraestrutura de recarga para elétricos ainda é limitada. O CEO da GWM para o Brasil, Andy Zhang, descartou o lançamento de novos modelos 100% elétricos, focando em híbridos plug-in como solução ideal para o país. A estratégia contrasta com a concorrente BYD, que investe em elétricos e híbridos, mas ainda não confirmou um PHEV flex.
O Haval H6 nacional será um marco para a GWM, consolidando sua presença em um mercado estratégico. A combinação de produção local, tecnologia híbrida e design atualizado em 2026 posiciona o SUV como um dos mais promissores do segmento, com potencial para liderar as vendas de eletrificados no Brasil.