A partir da primeira quinzena de maio de 2025, o medicamento Mounjaro, desenvolvido pela Eli Lilly, começou a chegar às farmácias brasileiras, marcando um novo capítulo no tratamento de diabetes tipo 2. Com preços que variam de R$ 1.406,75 a R$ 2.384,34 para o tratamento mensal, o remédio, cujo princípio ativo é a tirzepatida, promete competir diretamente com medicamentos como o Ozempic. A antecipação do lançamento, inicialmente previsto para junho, reflete a alta demanda global pelo produto, que também é utilizado off-label para perda de peso. A comercialização, autorizada pela Anvisa em 2023, exige receita médica retida, reforçando o controle sobre seu uso. A chegada do Mounjaro ao Brasil, com valores competitivos e programas de desconto, já gera debates entre médicos, pacientes e redes farmacêuticas.
O medicamento, disponível em canetas autoinjetáveis de 2,5 mg e 5 mg, é aplicado semanalmente e tem chamado atenção por sua eficácia no controle glicêmico e na redução de peso. A farmacêutica aposta em uma estratégia agressiva de preços para conquistar o mercado brasileiro.

No programa Lilly Melhor Para Você, os valores são ainda mais acessíveis, com descontos significativos para pacientes cadastrados. A seguir, os preços praticados:
- R$ 1.406,75 para a dose de 2,5 mg (e-commerce).
- R$ 1.759,64 para a dose de 5 mg (e-commerce).
- R$ 1.506,76 para 2,5 mg e R$ 1.859,65 para 5 mg (lojas físicas).
Estratégia de precificação da Eli Lilly
A Eli Lilly optou por não praticar o preço máximo estipulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que chegava a R$ 4.058,85. Em vez disso, a empresa definiu valores mais competitivos, próximos de R$ 1.700 para a dosagem inicial, segundo fontes do mercado. Essa decisão visa posicionar o Mounjaro como uma alternativa viável ao Ozempic, que custa entre R$ 700 e R$ 1.300 por mês. A estratégia reflete a intenção de atrair pacientes que já utilizam medicamentos à base de semaglutida, mas buscam maior eficácia.
A precificação varia conforme o canal de compra e a adesão ao programa de fidelidade da Lilly. Em farmácias como Pague Menos e Drogasil, os preços máximos, incluindo a alíquota de 18% de ICMS, são de R$ 1.907,29 (2,5 mg) e R$ 2.384,34 (5 mg). A diferença de valores entre estados, devido às alíquotas de ICMS, também influencia o custo final. Por exemplo, no Rio de Janeiro, com ICMS de 20%, os preços podem ser até 10% mais altos.
O programa Lilly Melhor Para Você, que exige cadastro com prescrição médica, reduz significativamente os custos, especialmente no e-commerce. A iniciativa busca fidelizar pacientes e ampliar o acesso ao medicamento, que não é fabricado no Brasil e depende de importação de fábricas na Europa ou nos Estados Unidos.
Mecanismo de ação e benefícios do Mounjaro
O Mounjaro se destaca por sua composição única. A tirzepatida, seu princípio ativo, atua como um duplo agonista dos receptores GLP-1 e GIP, hormônios intestinais que regulam a glicose e o apetite. Essa dupla ação aumenta a produção de insulina, reduz a liberação de glucagon e retarda o esvaziamento gástrico, promovendo saciedade. Estudos clínicos, como o SURPASS-2, demonstraram que a dose de 5 mg do Mounjaro supera a semaglutida (Ozempic) na redução de hemoglobina glicada e peso corporal.
Os benefícios do medicamento incluem:
- Controle glicêmico em 92% dos pacientes com doses de 15 mg.
- Perda de peso média de até 20% do peso corporal em um ano.
- Aplicação semanal prática, com canetas autoinjetáveis de dose única.
- Redução do apetite, útil para pacientes com diabetes e obesidade.
Apesar de aprovado apenas para diabetes tipo 2 no Brasil, o uso off-label para emagrecimento tem impulsionado sua popularidade, especialmente após resultados promissores em estudos internacionais. A Eli Lilly já solicitou à Anvisa a aprovação para indicação de controle de peso, mas o processo ainda está em análise.
Comparação com concorrentes no mercado
No Brasil, o Mounjaro compete diretamente com o Ozempic e o Wegovy, ambos da Novo Nordisk. Enquanto o Ozempic custa entre R$ 700 e R$ 1.300, o Wegovy, voltado para obesidade, tem preços semelhantes aos do Mounjaro. A maior eficácia da tirzepatida, que em estudos promoveu uma perda de peso 47% superior ao Wegovy, é um diferencial competitivo. No entanto, o custo mais elevado do Mounjaro pode limitar seu alcance em um mercado sensível a preços.
A escolha entre esses medicamentos depende de fatores como:
- Necessidade médica (diabetes ou obesidade).
- Tolerância a efeitos colaterais, como náuseas e diarreia.
- Orçamento disponível, considerando programas de desconto.
- Disponibilidade de prescrição médica, agora mais rigorosa.
A chegada do Mounjaro também pressiona redes de farmácias, que veem nesses medicamentos uma fonte de receita recorrente. Em algumas redes, como a Pague Menos, a categoria de “canetas emagrecedoras” já representa mais de 5% do faturamento total.
Exigência de receita e controle da Anvisa
Desde junho de 2025, a compra do Mounjaro exige a apresentação de receita médica em duas vias, com uma delas retida na farmácia. A medida, implementada pela Anvisa, visa coibir o uso indiscriminado de medicamentos agonistas de GLP-1, como o Mounjaro e o Ozempic. Antes dessa regra, a venda com receita simples facilitava a automedicação, prática criticada por endocrinologistas.
A nova regulamentação alinha o Brasil a padrões internacionais, onde o uso desses medicamentos é estritamente controlado. A decisão também responde a preocupações com a segurança, já que o Mounjaro pode causar efeitos colaterais como náuseas, vômitos e alterações intestinais, especialmente no início do tratamento. Pacientes com histórico de câncer de tireoide medular ou alergia à tirzepatida devem evitar o medicamento.
Desafios logísticos e demanda global
A Eli Lilly enfrentou desafios para suprir a demanda global pelo Mounjaro, o que atrasou sua chegada ao Brasil. A empresa investiu cerca de US$ 50 bilhões em capacidade fabril para evitar desabastecimentos, mas a produção ainda é limitada. No Brasil, apenas as doses de 2,5 mg e 5 mg estão disponíveis, sem previsão para a comercialização de doses mais altas (7,5 mg a 15 mg).
A importação do medicamento, proveniente de fábricas na Europa, encarece o custo logístico, mas a Lilly optou por absorver parte desse impacto para manter preços competitivos. A ausência de uma planta fabril no Brasil, segundo a empresa, reflete a complexidade de instalar unidades para medicamentos injetáveis em mercados emergentes.
Reações de médicos e pacientes
Endocrinologistas têm recebido o Mounjaro com otimismo, destacando sua potência no controle glicêmico e na perda de peso. Andressa Heimbecher, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, aponta que a exigência de receita retida reduzirá a automedicação, garantindo o acompanhamento médico. Pacientes, por outro lado, expressam preocupação com os custos, especialmente aqueles sem acesso a programas de desconto.
Em redes sociais, a chegada do Mounjaro gerou debates. Alguns usuários comparam os preços com os de medicamentos importados, que chegavam a R$ 5 mil por tubo antes da comercialização local. Outros celebram a disponibilidade de um medicamento mais eficaz, mas questionam a acessibilidade para a maioria da população.
Perspectivas para o mercado farmacêutico
A entrada do Mounjaro no Brasil intensifica a competição no setor de medicamentos para diabetes e obesidade. A Eli Lilly aposta em parcerias com grandes redes de farmácias, como Drogasil e Pacheco, para garantir ampla distribuição. A estratégia inclui campanhas educativas sobre o uso correto do medicamento e seus benefícios, direcionadas a médicos e pacientes.
A demanda por “canetas emagrecedoras” deve continuar crescendo, impulsionada por estudos que destacam os benefícios desses medicamentos para além do controle glicêmico, como a redução de complicações cardiovasculares e apneia do sono. A Lilly planeja expandir a indicação do Mounjaro para obesidade, o que pode ampliar ainda mais seu mercado no Brasil.
Cuidados no uso do medicamento
O Mounjaro exige cuidados específicos durante o uso. A dose inicial de 2,5 mg deve ser mantida por quatro semanas antes de aumentar para 5 mg, conforme orientação médica. A aplicação, feita por caneta autoinjetável, é simples, mas requer atenção à higiene e ao descarte correto em recipientes para perfurocortantes.
Pacientes que usam insulina devem aplicar o Mounjaro em injeções separadas, embora na mesma região do corpo. Efeitos colaterais, como desconfortos gastrointestinais, são mais comuns no início e tendem a diminuir com o tempo. A hidratação adequada e uma dieta leve podem minimizar esses sintomas.
Futuro do Mounjaro no Brasil
A comercialização do Mounjaro marca um avanço no tratamento de diabetes tipo 2 no Brasil, mas também levanta questões sobre acessibilidade e regulamentação. A expectativa é que a aprovação para uso em obesidade, ainda em análise pela Anvisa, amplie o público-alvo do medicamento. Enquanto isso, a Lilly trabalha para equilibrar oferta e demanda, garantindo que o primeiro lote importado chegue a todas as regiões do país até meados de maio.
A popularidade do Mounjaro, impulsionada por sua eficácia e pelo interesse em tratamentos para perda de peso, deve manter o medicamento no centro das discussões sobre saúde e inovação farmacêutica no Brasil.