A partir de 23 de junho, milhares de estudantes do ensino médio público em situação de vulnerabilidade receberão a nova parcela de R$ 200 do programa Pé-de-Meia, iniciativa do Governo Federal para combater a evasão escolar. Coordenado pelo Ministério da Educação (MEC), o programa beneficia jovens de 14 a 24 anos inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), com renda familiar per capita de até meio salário mínimo. Os pagamentos, escalonados conforme o mês de nascimento, visam incentivar a frequência escolar mínima de 80% e a conclusão do ensino médio. A ação, que já alcançou cerca de 4 milhões de beneficiários, deposita os valores diretamente em contas digitais da Caixa Econômica Federal, acessíveis pelo aplicativo Caixa Tem. O programa é uma ferramenta de inclusão social, oferecendo suporte financeiro para que jovens permaneçam na escola e planejem um futuro mais promissor.
O Pé-de-Meia, instituído pela Lei nº 14.818/2024, combina incentivos financeiros com metas educacionais. Além da parcela mensal, os estudantes podem acumular até R$ 9.200 ao longo do ensino médio, somando matrícula, frequência, conclusão de cada ano e participação no Enem.
- Principais objetivos: Reduzir a desigualdade social e promover a mobilidade social pela educação.
- Público-alvo: Estudantes de baixa renda matriculados em escolas públicas.
- Impacto esperado: Diminuir a taxa de evasão, que atingiu 5,9% no ensino médio em 2023.
- Ferramentas de acesso: Aplicativos Jornada do Estudante e Caixa Tem para consulta de saldos.
Com a proximidade dos pagamentos de junho, a expectativa é de que mais jovens sejam motivados a manter a assiduidade nas aulas.

Como funciona o incentivo financeiro
O programa Pé-de-Meia estrutura seus pagamentos em quatro modalidades distintas, cada uma com condições específicas. O incentivo-matrícula, de R$ 200, é pago anualmente aos estudantes que confirmam a matrícula no início do ano letivo. Já o incentivo-frequência, também de R$ 200, é liberado mensalmente para quem mantém pelo menos 80% de presença nas aulas. Para receber o incentivo-conclusão, no valor de R$ 1.000 por ano letivo, o aluno precisa ser aprovado na série cursada. Por fim, aqueles que participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no terceiro ano recebem um bônus único de R$ 200.
Esses valores são depositados em uma conta poupança social digital, aberta automaticamente pela Caixa Econômica Federal em nome do estudante. Para menores de 18 anos, o responsável legal deve autorizar a movimentação da conta pelo aplicativo Caixa Tem, garantindo que o jovem tenha acesso aos recursos. A flexibilidade para sacar os valores mensais permite que os beneficiários utilizem o dinheiro para necessidades imediatas, como compra de materiais escolares ou apoio às despesas familiares.
Quem tem direito ao benefício
Para ser elegível ao Pé-de-Meia, o estudante precisa atender a critérios rigorosos estabelecidos pelo MEC. A inclusão no programa é automática, sem necessidade de inscrição, desde que os dados do aluno estejam corretos no CadÚnico e na rede de ensino.
- Idade: Entre 14 e 24 anos, matriculados no ensino médio regular público.
- Renda familiar: Até meio salário mínimo por pessoa (R$ 759 em 2025).
- Frequência escolar: Mínimo de 80% de presença mensal.
- Cadastro: Inscrição válida no CadÚnico até 7 de fevereiro de 2025.
Estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) não são contemplados, ao contrário do informado em algumas fontes. Essa exclusão ocorre porque o programa foca no ensino médio regular, visando adolescentes em idade escolar típica. Além disso, jovens registrados como “família unipessoal” no CadÚnico, ou seja, que declararam morar sozinhos, também não são elegíveis, para evitar inconsistências cadastrais.
Calendário de pagamentos em junho
Os depósitos da parcela de junho seguem um cronograma escalonado, baseado no mês de nascimento do estudante. A organização por datas facilita a gestão dos pagamentos e evita sobrecarga nos sistemas da Caixa.
- 23 de junho: Nascidos em janeiro e fevereiro.
- 24 de junho: Nascidos em março e abril.
- 25 de junho: Nascidos em maio e junho.
- 26 de junho: Nascidos em julho e agosto.
- 27 de junho: Nascidos em setembro e outubro.
- 30 de junho: Nascidos em novembro e dezembro.
O MEC estima que cerca de 3 milhões de estudantes receberão o incentivo-frequência neste mês, incluindo 1,3 milhão de novos beneficiários que ingressaram no ensino médio em 2025. Os valores são creditados automaticamente, mas é fundamental que os dados cadastrais estejam atualizados para evitar bloqueios.
A importância da frequência escolar
A exigência de 80% de frequência mensal é um dos pilares do Pé-de-Meia. Escolas públicas, responsáveis por enviar os dados de matrícula e presença ao MEC, desempenham um papel crucial na validação dos beneficiários. A cada mês, as redes de ensino atualizam as informações por meio de sistemas informatizados, como o Sistema Gestão Presente (SGP), desenvolvido pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Quando a frequência fica abaixo do mínimo exigido, o estudante não recebe a parcela correspondente àquele mês, mas pode regularizar a situação nos meses seguintes. Essa regra incentiva a assiduidade e reforça a importância de permanecer na escola, especialmente em um contexto onde a evasão escolar é um desafio significativo. Em 2023, o Censo Escolar apontou que o ensino médio concentrava a maior taxa de repetência da educação básica, com 3,9%.
Como consultar os pagamentos
Os beneficiários podem acompanhar os depósitos por meio de dois aplicativos principais. O Jornada do Estudante, desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), permite verificar a elegibilidade, o histórico de pagamentos e possíveis pendências cadastrais. Para acessar, o estudante precisa de uma conta no portal Gov.br, que pode ser criada com nível de segurança bronze.
O aplicativo Caixa Tem, por sua vez, é usado para consultar saldos e movimentar os valores depositados. Em caso de inconsistências, como ausência de pagamento, o estudante deve:
- Verificar a frequência escolar no mês anterior.
- Confirmar a regularidade do CPF no site da Receita Federal.
- Atualizar os dados no CadÚnico, caso necessário, em um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
Manter as informações atualizadas é essencial, especialmente se houver mudanças de endereço, escola ou composição familiar. Atualizações no CadÚnico devem ser feitas a cada dois anos ou sempre que ocorrerem alterações significativas.
Histórias de transformação social
O Pé-de-Meia já impactou a vida de milhões de jovens desde seu lançamento em 2024. Em São Paulo, o estado com o maior número de beneficiários (538.604), estudantes relatam que os R$ 200 mensais ajudam a cobrir custos com transporte e alimentação, aliviando a pressão financeira sobre suas famílias. Na Bahia, segunda maior beneficiada com 410.639 alunos, o programa tem sido um diferencial para jovens de áreas rurais, onde o acesso à escola é mais desafiador.
Um exemplo é Danilo Belchior, de 17 anos, estudante do Distrito Federal. Ele descobriu o benefício em 2024 e passou a se dedicar exclusivamente aos estudos, abandonando a busca por empregos noturnos. Outro caso é o de Hosana D’Paula, também de 17 anos, que usou o incentivo para comprar materiais escolares e apoiar as despesas domésticas. Essas histórias ilustram como o programa vai além do suporte financeiro, oferecendo esperança e oportunidades.
Gestão e transparência do programa
A administração do Pé-de-Meia envolve uma rede de parceiros institucionais. O MEC define os critérios de elegibilidade e monitora o cumprimento das condições, enquanto a Caixa Econômica Federal gerencia as contas e os pagamentos. O Ministério do Desenvolvimento Social colabora na validação dos dados do CadÚnico, e universidades como Ufal e UFSC contribuem com soluções tecnológicas.
Apesar de seu sucesso, o programa enfrentou desafios. Em 2024, o Tribunal de Contas da União (TCU) questionou a forma de financiamento, exigindo que os recursos fossem contabilizados no Orçamento da União. O governo ajustou os procedimentos, garantindo a continuidade da iniciativa, que conta com um investimento anual de R$ 12,5 bilhões.
Apoio para o futuro educacional
Além de combater a evasão, o Pé-de-Meia incentiva a participação no Enem, porta de entrada para o ensino superior. O bônus de R$ 200 para quem realiza a prova no terceiro ano é um estímulo adicional, especialmente para jovens que, sem apoio financeiro, poderiam desistir de continuar os estudos. Em 2024, mais de 90% dos beneficiários do programa foram aprovados em pelo menos um ano do ensino médio, segundo o MEC.
O programa também dialoga com outras iniciativas educacionais, como o Pé-de-Meia Licenciaturas, lançado em janeiro de 2025 para apoiar estudantes de cursos de formação de professores. Essa expansão reforça o compromisso do governo com a educação como ferramenta de transformação social.
Próximos passos para beneficiários
Com a liberação da parcela de junho, os estudantes devem ficar atentos às datas de pagamento e às condições para manter o benefício. Escolas e famílias também têm um papel importante, garantindo que as informações enviadas ao MEC estejam corretas. Para novos alunos do ensino médio em 2025, a inclusão no programa ocorrerá automaticamente, desde que atendam aos critérios de elegibilidade.
A continuidade do Pé-de-Meia depende do engajamento de todos os envolvidos, desde os gestores educacionais até os próprios beneficiários. A cada parcela depositada, o programa reafirma seu objetivo de oferecer não apenas um auxílio financeiro, mas uma ponte para um futuro mais equitativo e promissor.