A partir de 16 de junho de 2025, cerca de 5,4 milhões de famílias brasileiras receberão o Auxílio Gás, programa do governo federal que subsidia a compra de botijões de 13 kg. Os pagamentos, realizados a cada dois meses, seguem o calendário do Bolsa Família, com depósitos escalonados até 30 de junho, conforme o dígito final do Número de Identificação Social (NIS). Gerenciado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o benefício visa aliviar o impacto do preço do gás de cozinha para famílias de baixa renda. O valor, fixado em R$108 para esta rodada, corresponde a 100% da média nacional do botijão, calculada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O programa, instituído em 2021 pela Lei nº 14.237, prioriza famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda per capita de até meio salário mínimo. Beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) também são contemplados.
- Quem recebe: Famílias no CadÚnico, com prioridade para mulheres chefes de família.
- Como acessar: Depósitos em contas digitais ou poupança social via Caixa Tem.
- Validade: O valor fica disponível por 120 dias após o crédito.
O Auxílio Gás se consolida como ferramenta essencial para mitigar os efeitos da alta nos preços do gás, que já ultrapassou os R$100 em diversas regiões do país.
Famílias atendidas e regiões beneficiadas
O programa alcança mais de 5,4 milhões de famílias em todo o Brasil, com forte presença no Nordeste, onde cerca de 2,5 milhões de domicílios são contemplados. No Sudeste, aproximadamente 1,8 milhão de famílias recebem o benefício, enquanto o Norte registra 520 mil beneficiários. O Centro-Oeste e o Sul têm, respectivamente, 208 mil e 377 mil famílias atendidas. O investimento total para junho de 2025 é estimado em R$580 milhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
Esses números refletem o esforço do governo em manter o suporte a populações vulneráveis, especialmente em regiões onde o custo de vida pressiona os orçamentos domésticos. O Nordeste, por exemplo, enfrenta desafios logísticos para distribuição de gás, o que eleva os preços em áreas rurais.
Como funciona o pagamento
Os depósitos do Auxílio Gás seguem um cronograma baseado no dígito final do NIS, garantindo organização na liberação dos valores. Famílias com NIS final 1 recebem em 16 de junho, enquanto as com NIS final 0 têm o crédito em 30 de junho. Para municípios em situação de emergência ou calamidade pública, os pagamentos são unificados no primeiro dia do calendário, beneficiando cerca de 318 mil famílias em 659 cidades.

O valor é creditado diretamente em contas digitais ou bancárias. Caso o beneficiário não possua conta, a Caixa Econômica Federal abre automaticamente uma poupança social digital, acessível pelo aplicativo Caixa Tem. A validade do benefício é de 120 dias, contados a partir da data do depósito.
Critérios de elegibilidade
Para receber o Auxílio Gás, as famílias devem estar inscritas no CadÚnico e ter renda per capita mensal de até meio salário mínimo, equivalente a R$706 em 2025. O programa também contempla:
- Famílias beneficiárias do Bolsa Família.
- Pessoas que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
- Mulheres chefes de família, com prioridade no cadastro.
- Vítimas de violência doméstica sob medidas protetivas.
A seleção é feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social com base em dados do CadÚnico, sem necessidade de inscrição direta. Famílias com dados desatualizados devem procurar o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para regularização.
Mudanças previstas para o programa
A partir de 2025, o Auxílio Gás passará por reformulações significativas. O programa será renomeado para “Gás para Todos” e desvinculado do Bolsa Família, com a criação de um aplicativo próprio para gestão dos benefícios. A meta é ampliar o alcance para até 20 milhões de famílias até o fim do ano. Outra mudança envolve o modelo de pagamento: em vez de depósitos em dinheiro, o governo planeja oferecer descontos diretos às revendedoras de gás, que serão compensadas pela Caixa Econômica Federal.
Essa transição, no entanto, gera debates. Especialistas apontam que a nova modalidade pode facilitar o acesso ao botijão, mas há riscos de desvio do benefício, como a venda dos botijões por beneficiários. Além disso, o orçamento do programa sofreu uma redução de 84%, caindo de R$3,5 bilhões para R$600 milhões, mesmo com o aumento de 5,5 milhões para 6 milhões de famílias atendidas.
Valor do benefício e cálculo
O valor de R$108 para junho de 2025 reflete a média nacional do preço do botijão de 13 kg, apurada pela ANP nos seis meses anteriores. Desde 2023, o Auxílio Gás cobre 100% desse custo, após a Medida Provisória 1.155/2023, que ampliou o benefício de 50% para o valor integral. A variação do preço do gás é um fator determinante, já que o mercado de GLP sofre influência de cotações internacionais e da desvalorização do real.
Em 2024, o preço médio do botijão oscilou entre R$102 e R$106. Para 2025, a Petrobras estima que o valor pode chegar a R$110 em algumas regiões, dependendo de fatores como logística e impostos estaduais. O Auxílio Gás, portanto, desempenha um papel crucial para garantir que famílias vulneráveis mantenham acesso a esse item essencial.
Acesso e consulta do benefício
Os beneficiários podem consultar o status do pagamento por meio de canais oficiais:
- Aplicativo Caixa Tem: Login com CPF e senha para verificar saldos e datas.
- Aplicativo Bolsa Família: Permite acesso a informações sobre parcelas.
- Telefone 111: Central de atendimento da Caixa para consultas com CPF ou NIS.
Esses canais também ajudam a identificar erros cadastrais ou problemas de acesso. O aplicativo Caixa Tem, por exemplo, é amplamente utilizado para movimentação do benefício, com saques disponíveis em lotéricas, correspondentes Caixa Aqui e terminais de autoatendimento.
Histórico do programa
Criado em 2021, o Auxílio Gás surgiu em resposta à disparada dos preços do gás de cozinha, que subiu quase 50% entre 2020 e 2022. Inicialmente, o benefício cobria 50% do valor do botijão, mas foi ajustado em 2023 para atender à crescente demanda por suporte. O programa é financiado pelo Orçamento Geral da União, com recursos suplementares do Fundo Social do Pré-Sal, embora o governo planeje redirecionar parte desses fundos diretamente à Caixa em 2025.
A iniciativa tem sido fundamental para reduzir a insegurança energética em comunidades vulneráveis, especialmente em áreas onde o uso de lenha ainda é comum devido aos custos do gás. Dados do IBGE indicam que cerca de 10% das famílias brasileiras recorrem a combustíveis alternativos, como lenha e carvão, em momentos de crise econômica.
Desafios logísticos e regionais
A distribuição do Auxílio Gás enfrenta obstáculos em regiões remotas, onde o preço do botijão pode superar os R$120 devido a custos de transporte. No Norte, por exemplo, comunidades ribeirinhas dependem de revendedores que operam em longas distâncias, encarecendo o produto. O governo busca parcerias com distribuidoras para minimizar esses gargalos, mas a solução ainda é incipiente.
Além disso, a unificação dos pagamentos em municípios em calamidade pública demonstra a flexibilidade do programa em situações de emergência. Em 2025, 659 cidades estão nessa condição, abrangendo desastres como enchentes e secas severas.
Importância para a população
O Auxílio Gás vai além do suporte financeiro, impactando diretamente a nutrição e a saúde das famílias. O acesso ao gás de cozinha reduz a dependência de métodos de cozimento menos seguros, como fogueiras, que causam acidentes e problemas respiratórios. Para muitas famílias, o benefício representa a diferença entre preparar refeições adequadas ou recorrer a alternativas improvisadas.
O programa também prioriza a inclusão de mulheres, especialmente chefes de família e vítimas de violência doméstica, reforçando seu caráter social. Dados do CadÚnico mostram que cerca de 60% dos responsáveis familiares cadastrados são mulheres, muitas em situação de vulnerabilidade extrema.
Próximos passos do programa
Com a reformulação para “Gás para Todos”, o governo pretende modernizar a gestão do benefício, utilizando tecnologia para rastrear a entrega dos botijões. O novo aplicativo, ainda em desenvolvimento, permitirá que beneficiários confirmem a retirada do gás em pontos credenciados. A expectativa é que o sistema reduza fraudes e garanta que o benefício seja usado exclusivamente para a compra do botijão.
Enquanto as mudanças não são implementadas, o Auxílio Gás segue como um pilar de assistência social, com pagamentos programados para os meses pares de 2025: agosto, outubro e dezembro. Beneficiários devem ficar atentos às datas e manter seus dados atualizados no CadÚnico para evitar interrupções.