Fernanda Torres brilha em longa que leva multidões à Urca e debate história brasileira

Fernanda Torres

Fernanda Torres - Foto: Instagram

O filme “Ainda estou aqui”, lançado em 7 de novembro de 2024, tornou-se um fenômeno cultural no Brasil, atraindo milhares de turistas à Urca, no Rio de Janeiro, onde cenas marcantes foram gravadas. Dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello, o longa arrecadou mais de R$ 66,6 milhões em bilheteria e foi escolhido como representante brasileiro ao Oscar 2025 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. A frase “Ainda estou aqui”, proferida por Torres no papel de Eunice Paiva, virou bordão e ecoa entre visitantes que buscam vivenciar a história retratada. A narrativa, baseada no livro de Marcelo Rubens Paiva, resgata a luta de Eunice contra a repressão da ditadura militar após o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva, em 1971. A produção não só revive um período sombrio, mas também transforma cenários cariocas em pontos de peregrinação cultural.

A força do filme reside na combinação de uma história real com atuações impactantes. Fernanda Torres, premiada com o Globo de Ouro de Melhor Atriz, entrega uma performance visceral que tem emocionado públicos no Brasil e no exterior. A casa na esquina da Rua Roquete Pinto com a Avenida João Luiz Alves, na Urca, usada como cenário, agora é parada obrigatória para fãs e cinéfilos.

  • Locais em destaque no filme: A Urca, com sua arquitetura histórica, é o principal ponto de interesse.
  • Impacto cultural: O bordão popularizou o longa nas redes sociais, com hashtags entre os assuntos mais comentados.
  • Relevância histórica: A obra reacende debates sobre a ditadura militar (1964-1985) e a resistência das famílias.

O sucesso do filme vai além das telas, impulsionando o turismo e a reflexão sobre a memória histórica.

Casa na Urca vira símbolo do filme
Na Urca, a casa que serviu de cenário para “Ainda estou aqui” é um dos destaques para os visitantes. Originalmente pertencente a uma família carioca tradicional, o imóvel foi restaurado para as filmagens, com detalhes que recriam os anos 1970. Turistas fotografam a fachada e buscam capturar a essência da narrativa de Eunice Paiva, que viveu momentos cruciais no local. A escolha da locação reflete a preocupação da equipe de produção em manter a autenticidade, um diferencial que intensifica a conexão emocional do público com a história.

O bairro, conhecido por sua tranquilidade e vistas para o Pão de Açúcar, já era um ponto turístico antes do filme. Agora, guias locais relatam um aumento expressivo no número de visitantes, especialmente aos fins de semana. A casa, com sua arquitetura clássica, tornou-se um marco que une cinema, história e cultura carioca.

Ainda estou aqui. – Foto: Instagram

A história por trás da narrativa
O enredo de “Ainda estou aqui” baseia-se no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, que narra a trajetória de sua mãe, Eunice, após o desaparecimento de Rubens Paiva, deputado cassado preso em 1971. A ditadura militar, que vigorou entre 1964 e 1985, deixou marcas profundas no Brasil, com milhares de vítimas de perseguições e desaparecimentos. A obra destaca a coragem de Eunice, que enfrentou o regime em busca de respostas, tornando-se um símbolo de resistência.

A produção mergulha nesse contexto com sensibilidade, mostrando os desafios enfrentados por famílias durante o período. A escolha de Walter Salles para a direção reforça a profundidade do projeto, já que o cineasta é reconhecido por obras como “Central do Brasil”, que também abordam questões humanas e sociais.

Turismo cultural ganha força no Rio
Além da casa na Urca, outros cenários do filme atraem turistas. Praias cariocas, edifícios históricos e ruas do centro do Rio, usados como pano de fundo, agora integram roteiros de viagem. O fenômeno reflete o crescimento do turismo cultural, que combina arte, história e experiências imersivas.

  • Praias como Copacabana e Ipanema aparecem em cenas que capturam a estética dos anos 1970.
  • Edifícios do centro histórico, com arquitetura da época, reforçam o contexto da narrativa.
  • Ruas da Urca e arredores são exploradas por visitantes em busca de conexão com o filme.

Esse movimento tem impulsionado a economia local, com bares, restaurantes e guias turísticos relatando maior procura. O bairro da Urca, em particular, vive um momento de redescoberta, com visitantes de estados como São Paulo, Minas Gerais e até de países como Argentina e Estados Unidos.

Reconhecimento global da produção
A atuação de Fernanda Torres tem sido um dos pontos altos do filme. Além do Globo de Ouro, ela recebeu o Critics Choice Awards de Melhor Atriz, consolidando sua performance como uma das mais marcantes do cinema brasileiro recente. A indicação ao Oscar 2025 amplia a visibilidade da obra, colocando o Brasil em destaque no cenário internacional.

O filme também foi premiado em festivais de cinema, com elogios à direção de Salles e à precisão histórica da narrativa. A recriação dos anos 1970, com figurinos e cenários detalhados, foi apontada como um dos diferenciais da produção, que equilibra emoção e rigor técnico.

Detalhes das filmagens revelam cuidado com a história
A produção de “Ainda estou aqui” envolveu um trabalho minucioso para retratar a época com fidelidade. A equipe de arte recriou ambientes dos anos 1970, desde móveis até objetos do cotidiano, para garantir imersão. A frase “Ainda estou aqui”, que virou bordão, surgiu de um momento de improviso de Fernanda Torres durante uma cena emocional, o que acrescentou autenticidade ao longa.

Outro destaque foi a escolha de locações reais, como a casa na Urca, que pertenceu a uma família carioca e foi adaptada para as gravações. Esse cuidado reforça o compromisso da equipe em honrar a memória de Eunice Paiva e de outras vítimas da ditadura.

Números impressionam no sucesso do filme
Até janeiro de 2025, “Ainda estou aqui” foi assistido por mais de 8 milhões de pessoas nos cinemas brasileiros, um marco para o cinema nacional. A bilheteria de R$ 66,6 milhões reflete o apelo da obra, que conquistou públicos de diferentes faixas etárias. Nas redes sociais, hashtags relacionadas ao filme e ao bordão aparecem frequentemente entre os tópicos mais comentados, ampliando sua repercussão.

O longa também gerou debates em escolas e universidades, onde professores têm usado a narrativa para discutir a ditadura militar e a importância da memória histórica. Movimentos sociais destacam a relevância da obra em um momento de valorização do cinema brasileiro.

Outras produções que dialogam com o tema
O cinema brasileiro tem uma tradição de abordar a ditadura militar, e “Ainda estou aqui” se junta a outras obras marcantes. Filmes como “O que é isso, companheiro?” (1997), que retrata o sequestro de um embaixador, e “Zuzu Angel” (2006), sobre a luta de uma mãe por justiça, também exploram a repressão do período.

  • “Cabra marcado para morrer” (1984): Documentário que mistura resistência e repressão no campo.
  • “Batismo de sangue” (2006): Foca na resistência de frades dominicanos contra o regime.
  • “Que bom te ver viva” (1989): Depoimentos de mulheres torturadas durante a ditadura.

Essas produções reforçam o papel do cinema na preservação da memória e na educação sobre o passado.

Urca como novo polo cultural
O aumento do turismo na Urca tem transformado o bairro em um polo cultural. Visitantes não se limitam à casa do filme, mas exploram outros pontos, como o Bondinho do Pão de Açúcar e a Praia Vermelha. A combinação de história, cinema e beleza natural faz do bairro um destino único para turistas interessados em experiências culturais.

Guias turísticos têm criado roteiros temáticos inspirados no filme, que incluem paradas em locações e explicações sobre a ditadura militar. A iniciativa atrai especialmente jovens, que buscam entender melhor o período retratado na obra.

Memória histórica em foco
A popularidade de “Ainda estou aqui” tem incentivado iniciativas para preservar a memória da ditadura. Museus, como o Museu da Resistência, em São Paulo, registraram aumento no número de visitantes após o lançamento do filme. Escolas também incorporaram a obra em aulas de história, usando-a como ferramenta para discutir autoritarismo e direitos humanos.

A história de Eunice Paiva, retratada com tanta força no longa, serve como lembrete da resiliência diante da adversidade. O bordão “Ainda estou aqui” ressoa como um símbolo de resistência, ecoando nas ruas da Urca e nas conversas sobre o passado brasileiro.

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