A nova geração do Nissan Kicks chega ao Brasil em junho de 2025, trazendo motor 1.0 turbo flex de até 125 cv, porte comparável ao Jeep Compass e design renovado. Fabricado em Resende (RJ), o SUV será lançado com preços entre R$ 140 mil e R$ 180 mil, mirando a liderança do segmento dominado pelo Volkswagen T-Cross. Apresentado em março de 2024 nos Estados Unidos, o modelo foi testado na Cidade do México, onde revelou suspensão confortável e amplo espaço interno. A Nissan investiu R$ 2,8 bilhões na fábrica fluminense para produzir o veículo, que promete competir com Hyundai Creta e Chevrolet Tracker. A nova linguagem visual, com LEDs verticais e lanternas interligadas, reforça a robustez do SUV.
O modelo cresceu significativamente em relação à geração atual, ainda vendida como Kicks Play. Com 4,37 metros de comprimento e 2,66 metros de entre-eixos, o Kicks se aproxima das dimensões de SUVs médios. O porta-malas oferece 466 litros na versão mexicana, mas o número pode mudar no Brasil. A produção local adapta o veículo às preferências do mercado, com câmbio CVT e operação por botões, diferente da caixa automatizada do Renault Kardian, que compartilha o motor.
Para detalhar as novidades, seguem os principais destaques do novo Kicks:
- Motor 1.0 turbo flex de até 125 cv e 20,4 kgfm, desenvolvido pela Horse.
- Design com grade tripartida, LEDs verticais e lanternas interligadas.
- Interior com telas integradas de 12,3 polegadas e conexão Apple CarPlay sem fio.
- Suspensão ajustada para conforto, ideal para o asfalto brasileiro.
O lançamento marca a aposta da Nissan em recuperar espaço no segmento de SUVs compactos, que movimentou mais de 300 mil unidades em 2024, segundo a Fenabrave.

Design renovado para o mercado brasileiro
A estética do novo Kicks foi completamente reformulada. A dianteira exibe uma grade dividida em três seções, com DRLs de LEDs verticais que se integram aos faróis. Na traseira, uma barra preta conecta as lanternas de LED, criando um visual moderno e robusto. As rodas variam entre 16 e 19 polegadas, dependendo da versão, com destaque para o desenho esportivo nas configurações topo de linha.
O aumento nas dimensões trouxe benefícios práticos. Com 6 cm a mais de comprimento e 4 cm extras no entre-eixos, o SUV oferece espaço interno comparável a modelos de categoria superior. A altura de 1,63 metro e o vão livre de 21,3 cm garantem versatilidade em diferentes tipos de terreno. A Nissan priorizou a aerodinâmica, reduzindo o coeficiente de arrasto em 5% em relação ao modelo anterior, segundo testes internos.
Motorização e desempenho
O coração do novo Kicks no Brasil é o motor 1.0 turbo flex de três cilindros, o mesmo do Renault Kardian. Com injeção direta, ele entrega até 125 cv e 20,4 kgfm de torque com etanol, um salto em relação ao 1.6 aspirado de 113 cv da geração atual. A transmissão CVT, com operação por botões, privilegia o conforto, mas pode limitar retomadas mais rápidas, como observado no teste mexicano com o motor 2.0 aspirado de 142 cv.
No México, o consumo do Kicks 2.0 é de 11,6 km/l na cidade e 14,2 km/l na estrada. Dados brasileiros ainda não foram divulgados, mas a eficiência deve ser semelhante, considerando a tecnologia flex. A suspensão, com acerto macio, absorve bem as imperfeições do asfalto, tornando o SUV ideal para uso urbano e viagens longas.
Tecnologia embarcada
A Nissan equipou o Kicks 2025 com um pacote tecnológico robusto. A partir da versão Advance, o SUV oferece:
- Painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas.
- Central multimídia de 12,3 polegadas com Apple CarPlay sem fio.
- Carregador de celular por indução.
- Freio de estacionamento eletrônico.
A segurança também é destaque, com seis airbags, controles de tração e estabilidade, alerta de colisão frontal com frenagem de emergência e monitoramento de ponto cego. Esses itens posicionam o Kicks à frente de rivais como o Chevrolet Tracker em algumas configurações.
Interior e conforto
O espaço interno é um dos pontos fortes do novo Kicks. No banco traseiro, há espaço suficiente para adultos de até 1,87 metro, mesmo com o assento dianteiro ajustado para motoristas altos. O apoio de braço central inclui dois porta-copos e entradas USB-C, mas a ausência de saídas de ar-condicionado no banco traseiro é uma desvantagem frente ao T-Cross.
Na frente, o painel combina couro na parte superior e tecido na seção central, com acabamento superior à média do segmento. A versão Advance, testada no México, usa bancos de tecido com texturas variadas, enquanto a Platinum adota revestimento que imita couro. Os apoios de braço nas portas, porém, são de plástico rígido, o que reduz o conforto em longas viagens.
Produção e investimentos no Brasil
A fábrica de Resende (RJ) recebeu R$ 2,8 bilhões para produzir o novo Kicks e um futuro SUV de entrada, previsto para 2026. O investimento modernizou a linha de montagem, ampliando a capacidade produtiva para 160 mil unidades anuais. A escolha pelo motor 1.0 turbo flex reflete a estratégia da Nissan de atender à demanda por eficiência e desempenho no mercado brasileiro.
A produção local também reduz custos logísticos, permitindo preços competitivos. A faixa estimada de R$ 140 mil a R$ 180 mil posiciona o Kicks contra o Hyundai Creta (R$ 135 mil a R$ 190 mil) e o Volkswagen T-Cross (R$ 130 mil a R$ 170 mil). A Nissan planeja oferecer três versões no Brasil, com pacotes de equipamentos ajustados para diferentes públicos.
Concorrência acirrada
O segmento de SUVs compactos é o mais disputado do Brasil, com 28% das vendas de veículos leves em 2024, segundo a Anfavea. O Volkswagen T-Cross liderou com 68 mil unidades emplacadas, seguido pelo Hyundai Creta (55 mil) e Chevrolet Tracker (48 mil). O Kicks Play, com 35 mil unidades, ficou em sexto lugar, mas a nova geração tem potencial para subir no ranking.
A Nissan aposta no porte maior, tecnologia embarcada e motor turbo para atrair consumidores. O Jeep Compass, embora de segmento superior, é um referência em dimensões, mas seu preço inicial de R$ 190 mil o coloca fora da disputa direta. Modelos como o Honda HR-V 2026, recém-chegado, também são concorrentes, com preços a partir de R$ 150 mil.
Detalhes do teste no México
O teste na Cidade do México, realizado em junho de 2025, revelou um SUV voltado para o conforto. O percurso de duas horas, em ruas congestionadas e asfalto irregular, destacou a suspensão macia e a posição de dirigir elevada, 2 cm mais alta que a geração anterior. O motor 2.0 aspirado, exclusivo do mercado mexicano, surpreendeu pelo desempenho, mas o 1.0 turbo brasileiro deve oferecer respostas semelhantes em baixas rotações.
A transmissão CVT, embora confortável, mantém rotações altas em retomadas, o que pode incomodar motoristas que buscam esportividade. A cabine permaneceu silenciosa, mesmo em trechos urbanos, reforçando o isolamento acústico aprimorado em 10% em relação ao Kicks Play.
Equipamentos por versão
As versões do Kicks no México oferecem uma base para o Brasil:
- Sense: Rodas de 16 polegadas, central multimídia de 8 polegadas, quatro airbags.
- Advance: Rodas de 17 polegadas, telas de 12,3 polegadas, seis airbags.
- Platinum: Rodas de 19 polegadas, bancos em couro sintético, teto solar.
No Brasil, a Nissan pode ajustar os pacotes, mas a versão Advance, equivalente a R$ 163 mil no México, deve ser a intermediária, com itens como carregador por indução e frenagem de emergência. A topo de linha Platinum deve incluir teto solar e acabamento premium.
Expectativas para o lançamento
A chegada do Kicks em junho de 2025 coincide com a alta temporada de vendas no Brasil, impulsionada por eventos como a Black Friday. A Nissan planeja uma campanha agressiva, com test-drives em concessionárias e parcerias com plataformas digitais. O modelo será exibido no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 2025, para aumentar a visibilidade.
A marca japonesa espera emplacar 50 mil unidades no primeiro ano, mirando o top 3 do segmento. A combinação de design, tecnologia e preço competitivo pode reposicionar o Kicks como referência entre os SUVs compactos, desafiando a hegemonia do T-Cross.