Fortes explosões abalaram Teerã na madrugada de sexta-feira, 13 de junho de 2025, quando Israel lançou uma ofensiva contra instalações militares e nucleares do Irã, matando líderes da Guarda Revolucionária e cientistas. O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, prometeu uma retaliação severa, classificando os ataques como um crime que não ficará impune. O governo iraniano denunciou a ação como uma “declaração de guerra” e acionou o Conselho de Segurança da ONU. A operação israelense, que visava conter o programa nuclear iraniano, elevou as tensões regionais, com os Estados Unidos negando envolvimento direto, mas pressionando por negociações nucleares. A escalada do conflito gerou temores globais de uma guerra mais ampla no Oriente Médio.
A resposta iraniana foi imediata. Em pronunciamento, Khamenei afirmou que as Forças Armadas do país “agirão com força” para punir Israel, garantindo que o “regime sionista” enfrentará um “destino amargo”. A ofensiva, que resultou em pelo menos 78 mortes e 329 feridos, segundo a agência iraniana Fars, também foi condenada pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, que exigiu uma reunião emergencial na ONU. Israel, por sua vez, justificou os ataques como uma medida preventiva contra o avanço nuclear iraniano, alegando que o Irã possui material suficiente para até nove bombas nucleares.

Os bombardeios marcaram um novo capítulo na longa rivalidade entre os dois países. Além de atingir alvos estratégicos, como o complexo nuclear de Natanz, a operação eliminou figuras-chave do alto escalão militar iraniano, incluindo Hossein Salami, chefe da Guarda Revolucionária, e Mohammad Bagheri, comandante do Estado-Maior. A ação foi descrita por Israel como um golpe direto ao coração do programa nuclear de Teerã.
- Principais alvos dos ataques: Instalações nucleares em Natanz e bases da Guarda Revolucionária.
- Vítimas confirmadas: 78 mortos, incluindo dois cientistas nucleares e líderes militares.
- Resposta iraniana: Lançamento de cerca de 100 drones contra Israel, interceptados em sua maioria.
- Posição dos EUA: Negação de envolvimento, mas pressão por acordo nuclear.
Escalada sem precedentes na região
Os ataques de Israel ao Irã intensificaram um conflito que já vinha se agravando nos últimos meses. A operação, que envolveu cerca de 100 alvos em cidades como Teerã, Tabriz e Shiraz, foi descrita pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, como um “momento decisivo” para a segurança do país. Em pronunciamento gravado, ele afirmou que os bombardeios continuarão “pelo tempo necessário” para neutralizar a ameaça iraniana. A ação ocorre em um contexto de tensões crescentes, alimentadas pelo apoio iraniano a grupos como o Hezbollah e o Hamas, que enfrentam ofensivas israelenses no Líbano e em Gaza.
O Irã, por sua vez, reagiu com veemência. Além da retórica inflamada de Khamenei, o Exército iraniano declarou que “não terá limites” em sua resposta, sugerindo a possibilidade de novos ataques. A televisão estatal iraniana transmitiu imagens de destroços em Natanz, enquanto o porta-voz militar Abolfazl Shekarchi acusou os Estados Unidos de cumplicidade, apesar das negativas de Washington. A Jordânia, que interceptou drones iranianos lançados em retaliação, também foi alvo de críticas de Teerã por sua cooperação com Israel.
A comunidade internacional expressou preocupação com a escalada. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu “máxima moderação” às partes, enquanto a Rússia, aliada do Irã, condenou os ataques como uma “violação da soberania”. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) alertou que instalações nucleares jamais deveriam ser alvos de ações militares, classificando os bombardeios como “profundamente preocupantes”.
Reações globais ao conflito
A ofensiva israelense gerou reações em cadeia pelo mundo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora tenha negado participação direta, intensificou a pressão sobre o Irã, exigindo um acordo nuclear em termos favoráveis a Washington. Em declarações à imprensa, Trump alertou que novos ataques poderiam ser “ainda mais brutais” caso Teerã não cedesse às negociações. Ele também confirmou que foi informado previamente dos planos israelenses, o que levantou questionamentos sobre a coordenação entre os dois aliados.
Na Europa, líderes pediram cautela. A chefe da diplomacia da União Europeia reiterou a necessidade de evitar uma guerra regional, enquanto países como França e Alemanha expressaram apoio a sanções contra o Irã, mas condenaram ações que possam desestabilizar ainda mais o Oriente Médio. A China, principal compradora de petróleo iraniano, limitou-se a pedir um cessar-fogo, evitando tomar partido diretamente no conflito.
- Posicionamentos internacionais:
- ONU: Solicita moderação e reunião emergencial do Conselho de Segurança.
- Rússia: Condena ataques e reforça apoio ao Irã.
- EUA: Pressiona por acordo nuclear, mas nega envolvimento militar.
- UE: Pede diálogo e alerta para riscos de escalada.
Histórico de tensões entre Irã e Israel
A rivalidade entre Irã e Israel tem raízes profundas, marcadas por décadas de hostilidades indiretas e ataques pontuais. Israel considera o programa nuclear iraniano uma ameaça existencial, enquanto o Irã acusa Israel de sabotagem e agressões contra seus interesses na região. Nos últimos anos, incidentes como o assassinato de cientistas nucleares iranianos, atribuídos a Israel, e ataques iranianos com drones e mísseis contra alvos israelenses intensificaram o confronto.
Em 2024, a escalada ganhou novos contornos com o ataque iraniano a Israel em 1º de outubro, seguido por uma série de bombardeios israelenses no Líbano e na Síria contra aliados do Irã. A ofensiva de junho de 2025, no entanto, representa o maior golpe direto ao território iraniano em décadas, elevando o risco de uma guerra aberta. Analistas apontam que a morte de líderes militares e cientistas pode forçar o Irã a adotar uma postura mais agressiva, especialmente em um momento de fragilidade interna.
Impacto econômico imediato
Os ataques tiveram reflexos imediatos nos mercados globais. Os preços do petróleo dispararam mais de 12% nas horas seguintes aos bombardeios, com o barril do tipo Brent ultrapassando os US$ 90. A instabilidade no Oriente Médio, uma região crucial para o fornecimento de energia, reacendeu temores de interrupções no comércio global. Bolsas asiáticas, como as de Tóquio e Hong Kong, registraram quedas, enquanto o ouro atingiu valores próximos a recordes históricos.
No Irã, os bombardeios agravaram a já delicada situação econômica. As sanções internacionais, combinadas com os danos a infraestruturas estratégicas, podem comprometer a capacidade do país de sustentar sua produção de energia. Em Israel, o estado de emergência declarado pelo governo elevou os custos de segurança, impactando a economia local.
Resposta militar iraniana
O Irã não demorou a retaliar. Autoridades israelenses relataram o lançamento de cerca de 100 drones contra o território do país na manhã de sexta-feira, embora a maioria tenha sido interceptada pelas defesas aéreas de Israel e da Jordânia. A ausência de mísseis balísticos, usados em ataques anteriores, sugere que a resposta inicial foi simbólica, mas o Exército iraniano sinalizou que novas ações estão sendo preparadas.
Khamenei, em um movimento rápido, nomeou novos comandantes para a Guarda Revolucionária e o Estado-Maior, garantindo a continuidade das operações militares. O líder supremo também inspecionou uma exposição de defesa em Teerã, onde foram apresentados novos drones e mísseis, reforçando a mensagem de que o Irã está pronto para um confronto prolongado.
- Medidas tomadas pelo Irã:
- Nomeação de novos líderes militares.
- Lançamento de drones contra Israel.
- Apelo à ONU por intervenção.
- Exibição de capacidades militares em Teerã.
Papel da ONU na crise
A carta enviada por Abbas Araghchi ao Conselho de Segurança da ONU marcou um esforço diplomático do Irã para internacionalizar o conflito. Na reunião emergencial convocada para sexta-feira, o Irã acusou Israel de violar o direito internacional e pediu sanções contra o país. Israel, por sua vez, defendeu a operação como um ato de autodefesa, citando a ameaça nuclear iraniana.
A divisão entre os membros permanentes do Conselho de Segurança, com Estados Unidos e Reino Unido apoiando Israel, e Rússia e China defendendo o Irã, torna improvável a adoção de medidas concretas. A reunião, no entanto, destacou a gravidade da situação, com Guterres alertando que o Oriente Médio está “na beira do abismo”.
Cenário de incerteza regional
A ofensiva israelense ocorre em um momento de fragilidade para o Irã, que enfrenta pressões internas e externas. A morte de líderes militares e cientistas nucleares pode enfraquecer temporariamente sua capacidade de resposta, mas também aumenta a probabilidade de ações retaliatórias. No Líbano e em Gaza, grupos aliados do Irã, como o Hezbollah e o Hamas, intensificaram ataques contra Israel, ampliando o risco de um conflito multifrontes.
Israel, por outro lado, mantém sua postura de força, com o ministro da Defesa, Israel Katz, prometendo “eliminar” qualquer ameaça. A mobilização de caças F-35 e bombardeiros na região, apoiada pelos Estados Unidos, reforça a capacidade militar do país, mas também eleva o custo humano e econômico de um confronto prolongado.
Futuro das negociações nucleares
Antes dos ataques, Irã e Estados Unidos estavam em negociações indiretas, mediadas por Omã, sobre o programa nuclear iraniano. A ofensiva israelense, no entanto, comprometeu essas conversas, com Teerã acusando Washington de conivência. Trump, que busca um acordo que elimine completamente o enriquecimento de urânio no Irã, enfrenta resistência de Khamenei, que insiste no direito do país à tecnologia nuclear.
A escalada militar torna improvável um avanço diplomático no curto prazo. A AIEA, que monitora o programa iraniano, relatou que o país acelerou o enriquecimento de urânio a 60%, nível próximo ao necessário para armas nucleares, o que alimenta as preocupações de Israel e do Ocidente.