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Projeto de lei muda CNH com laudo para medicamentos controlados

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CNH - Foto: rafastockbr/ Shutterstock.com CNH - Foto: rafastockbr/ Shutterstock.com

A nova lei que torna obrigatório o exame toxicológico para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em todas as categorias, aprovada pelo Congresso Nacional em maio de 2025, aguarda sanção presidencial e preocupa usuários de medicamentos controlados em todo o Brasil. O Projeto de Lei 3965/21, discutido em Brasília, exige que candidatos à primeira habilitação, incluindo categorias A (motos) e B (carros), apresentem resultado negativo em testes que detectam substâncias psicoativas, como anfetaminas e opiáceos, em uma janela de 90 dias. Para evitar a reprovação, quem utiliza remédios controlados, como para TDAH ou dores crônicas, precisará apresentar laudo médico justificando o uso. A medida, que já vale para categorias C, D e E, visa aumentar a segurança no trânsito, mas levanta debates sobre custos e acesso à CNH.

A proposta, que também destina recursos de multas para a CNH Social, não prevê punições específicas para reprovações, mas exige conformidade para liberar a habilitação.

Em 2024, cerca de 1,2 milhão de exames toxicológicos foram realizados no Brasil, com 1,37% de resultados positivos sem justificativa, segundo a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica.

  • Principais pontos da lei:
    • Exame toxicológico obrigatório para primeira CNH em todas as categorias.
    • Laudo médico necessário para uso de remédios controlados.
    • Teste detecta substâncias em janela de 90 dias.
    • Resultados confidenciais, sem punições explícitas para reprovação.

Detalhes do exame toxicológico
O exame toxicológico utiliza amostras de cabelo, pelo ou unhas para identificar substâncias psicoativas consumidas nos últimos 90 a 180 dias. Ele detecta drogas como cocaína, maconha, anfetaminas, opiáceos e medicamentos como Ritalina, usados para TDAH. A obrigatoriedade, já aplicada a motoristas profissionais de categorias C, D e E, agora se estende a candidatos à primeira habilitação.

A análise é realizada em laboratórios credenciados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), com custo médio entre R$ 110 e R$ 250. Clínicas que fazem exames de aptidão física e mental poderão coletar amostras, mas a avaliação final exige laboratório especializado. A validade do exame é de 90 dias a partir da coleta.

O procedimento inclui uma contraprova em caso de resultado positivo, garantindo maior confiabilidade. A taxa de positividade no Brasil é baixa, mas casos justificados por laudos médicos representam 1,56% dos exames, conforme dados de 2024.

Uso de medicamentos controlados
Candidatos que usam remédios controlados, como anfetaminas para TDAH ou opiáceos para dores crônicas, devem apresentar laudo médico ao laboratório antes ou após o exame. O Médico Revisor, profissional exigido por lei, avalia se o resultado positivo corresponde ao uso prescrito. Se confirmado, o laudo é registrado como “positivo, mas justificado” no Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach), liberando a CNH.

A medida preocupa pacientes com prescrições legítimas, como os 2 milhões de brasileiros diagnosticados com TDAH, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria. A exigência de laudo pode gerar custos adicionais, como consultas médicas, estimadas em R$ 200 a R$ 500.

  • Substâncias detectáveis no exame:
    • Anfetaminas (metanfetamina, MDMA, Ritalina).
    • Opiáceos (morfina, codeína, heroína).
    • Canabinoides (THC, maconha).
    • Cocaína e metabólitos (benzoilecgonina, crack).

Custo adicional para candidatos
O exame toxicológico representa um aumento no custo para tirar a CNH, que já varia de R$ 1.200 a R$ 2.300, segundo autoescolas. O teste adicional pode elevar o valor em até R$ 250, impactando especialmente jovens entre 18 e 25 anos, principal público da primeira habilitação.

A deputada Soraya Santos, defensora da medida, argumentou que o custo é inferior ao de tratamentos hospitalares para vítimas de acidentes. Em 2023, o Brasil registrou 32 mil mortes no trânsito, com 5% ligadas ao uso de substâncias psicoativas, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

Apesar do argumento, a obrigatoriedade preocupa candidatos de baixa renda, mesmo com a CNH Social, que cobre taxas, mas não garante isenção do exame toxicológico. No Espírito Santo, 7 mil vagas da CNH Social foram oferecidas em 2025, mas a nova exigência pode limitar o acesso.

Integração com a CNH Social
O Projeto de Lei 3965/21 vincula recursos de multas de trânsito ao financiamento da CNH Social, que beneficia pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Em 2024, 20 mil habilitações gratuitas foram emitidas em 19 estados, com destaque para o Rio Grande do Sul, que teve 251 mil inscritos para 3 mil vagas.

A nova lei mantém o foco na inclusão, mas a exigência do exame toxicológico pode complicar o processo. Estados como Bahia e Goiás, que oferecem programas como CNH da Gente e CNH Social, planejam adaptar os editais para incluir o teste, mas ainda não divulgaram como custearão o exame.

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CNH – Foto: RafaPress/ Istockphoto.com

Segurança no trânsito
A ampliação do exame toxicológico visa reduzir acidentes causados por substâncias psicoativas. Desde a Lei 13.103/2015, conhecida como Lei do Caminhoneiro, o teste para categorias C, D e E reduziu acidentes em 38% nas rodovias federais nos primeiros seis meses, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica estima que a nova lei aumentará em 60% a demanda por exames, com cerca de 2 milhões de testes mensais. A medida é vista como um avanço por entidades como a Abramed, que destaca a prevenção de acidentes.

O senador Randolfe Rodrigues, relator do projeto no Senado, defendeu a inclusão de candidatos das categorias A e B, argumentando que jovens, principais usuários de drogas recreativas, coincidem com a faixa etária de novos motoristas.

Preocupações com laudos médicos
A exigência de laudo médico para justificar medicamentos controlados gerou debates. Pacientes com TDAH, ansiedade ou dores crônicas temem dificuldades burocráticas, como acesso a especialistas e custos de consultas.

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica recomenda que laboratórios tenham Médicos Revisores capacitados para avaliar laudos, mas a disponibilidade desses profissionais varia entre regiões. Em áreas rurais, o acesso a psiquiatras ou neurologistas pode ser limitado, atrasando o processo de habilitação.

Adaptação dos laboratórios
Laboratórios credenciados, como a Toxicologia Pardini, preparam-se para o aumento da demanda. A nova lei permite que clínicas de exames de aptidão coletem amostras, mas a análise final exige equipamentos especializados, disponíveis em cerca de 4.500 postos no Brasil.

  • Procedimentos laboratoriais:
    • Coleta de cabelo (mínimo 3 cm) ou pelos.
    • Análise em janela de 90 a 180 dias.
    • Contraprova para resultados positivos.
    • Registro automático no Renach.

A confidencialidade dos resultados é garantida, com divulgação restrita ao candidato e ao Detran. Laboratórios que descumprem normas podem perder o credenciamento, conforme a Resolução 843/2021 do Contran.

Reações dos candidatos
A nova exigência dividiu opiniões. Estudantes como Pedro Almeida, de 19 anos, de São Paulo, consideram o exame uma barreira financeira, enquanto outros, como Ana Clara Souza, de 22 anos, do Rio de Janeiro, apoiam a medida por reforçar a segurança.

Autoescolas já orientam alunos sobre a possível inclusão do teste, mas aguardam a sanção presidencial para ajustar preços. Em 2024, 1,5 milhão de primeiras habilitações foram emitidas no Brasil, segundo a Senatran, e a nova lei pode impactar diretamente esse número.

Aguardando sanção presidencial
O projeto, de autoria do deputado José Guimarães, aguarda decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pode sancionar ou vetar trechos. A proposta original focava na CNH Social, mas emendas no Senado ampliaram o exame toxicológico para categorias A e B.

A sanção deve ocorrer até julho de 2025, com implementação gradual. O Contran será responsável por regulamentar detalhes, como prazos para clínicas se adaptarem à coleta de amostras. Estados como Rio Grande do Sul e Espírito Santo já sinalizaram ajustes nos programas de CNH Social para incluir o exame.

Preparação para o exame
Candidatos devem se planejar para o novo requisito. A recomendação é consultar médicos com antecedência para obter laudos, caso usem remédios controlados, e verificar laboratórios credenciados no site da Senatran.

  • Dicas para candidatos:
    • Atualizar prescrições médicas antes do exame.
    • Informar o laboratório sobre medicamentos no momento da coleta.
    • Guardar laudos para possíveis revisões.
    • Agendar o teste com antecedência para evitar atrasos.

A nova lei reforça a importância de laboratórios confiáveis, como os credenciados pela Senatran, para evitar falsos positivos, que podem ser contestados com contraprova.

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