Em 17 de junho de 2025, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, lançou uma advertência direta ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, comparando seu possível destino ao do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, capturado e executado em 2006. A declaração, feita durante uma reunião com altos comandantes das Forças de Defesa de Israel (IDF), intensificou a escalada de tensões entre os dois países, que trocam ataques aéreos há cinco dias. A ameaça ocorre em meio a uma ofensiva israelense contra alvos militares e nucleares iranianos, iniciada como ação preventiva contra o programa nuclear de Teerã. Katz acusou o Irã de crimes de guerra, como o lançamento de mísseis contra civis israelenses, e prometeu continuar os ataques a infraestruturas estratégicas em Teerã.
A fala de Katz ecoa uma declaração do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que, na véspera, sugeriu que eliminar Khamenei poderia encerrar o conflito. As tensões, que atingiram um novo patamar com bombardeios mútuos, preocupam a comunidade internacional, enquanto líderes globais pedem desescalada.
A comparação com Saddam Hussein, deposto após a invasão dos EUA em 2003, carrega um peso simbólico:
- Contexto histórico: Hussein foi capturado escondido em um buraco no deserto e enforcado por crimes contra a humanidade.
- Mensagem de Israel: A advertência sugere que Khamenei pode enfrentar um fim similar se persistir em ações contra Israel.
- Reação iraniana: Até o momento, Teerã não respondeu diretamente à ameaça, mas intensificou seus ataques.
O conflito, que já deixou centenas de mortos, reflete rivalidades históricas e disputas pelo poder no Oriente Médio.
Escalada do conflito no Oriente Médio
A troca de ataques entre Israel e Irã entrou em seu quinto dia em 17 de junho de 2025, marcando um dos confrontos mais diretos entre os dois países. Israel iniciou a ofensiva, batizada de “Operação Leão Ascendente”, na sexta-feira, 13 de junho, com bombardeios a instalações nucleares iranianas, como o complexo de Natanz. A justificativa foi a ameaça iminente do programa nuclear iraniano, que, segundo as IDF, possui urânio enriquecido suficiente para produzir ogivas nucleares em poucos dias.
Teerã retaliou com mísseis balísticos que atingiram alvos em Tel Aviv e Jerusalém, incluindo áreas civis e instalações petrolíferas. Um ataque iraniano, reivindicado pela Guarda Revolucionária, teria atingido centros de inteligência em Tel Aviv, incluindo instalações do Mossad. Em resposta, Israel bombardeou a sede da televisão estatal iraniana e alvos militares em Teerã, causando a morte de ao menos três funcionários da emissora.
Os bombardeios israelenses danificaram significativamente as defesas aéreas iranianas, garantindo superioridade aérea às IDF no oeste do Irã. No entanto, as forças israelenses reconhecem que operações no espaço aéreo iraniano ainda apresentam riscos.
Declarações que elevam a tensão
Israel Katz, ao advertir Khamenei, reforçou a narrativa de que Israel não tolerará ameaças à sua segurança. Durante a reunião com comandantes militares, ele declarou: “O ditador iraniano deve se lembrar do que aconteceu com o líder do país vizinho que seguiu esse caminho contra Israel”. A menção a Saddam Hussein remete à Guerra do Golfo de 1991, quando o Iraque lançou mísseis contra Israel, e à invasão de 2003, que resultou na deposição e execução do ditador.
Na segunda-feira, 16 de junho, Katz já havia emitido um comunicado condenando os ataques iranianos a civis e prometendo que os moradores de Teerã “pagarão o preço” pelas ações de seu governo. Ele esclareceu, no entanto, que Israel não tem intenção de atacar civis diretamente, mas pediu a evacuação de áreas próximas a instalações militares e nucleares na capital iraniana.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também adotou um tom contundente. Em entrevista à ABC News, ele afirmou que assassinar Khamenei “não escalaria, mas encerraria o conflito”. A declaração veio após relatos de que o presidente dos EUA, Donald Trump, vetou um plano israelense para eliminar o líder iraniano, temendo uma guerra regional de maiores proporções.

Alvos estratégicos em Teerã
Os ataques israelenses em Teerã têm se concentrado em infraestruturas militares e nucleares. Entre os alvos estão:
- Instalações nucleares: O complexo de Natanz, essencial para o enriquecimento de urânio, sofreu danos significativos.
- Centros de comando: Um bombardeio na madrugada de 17 de junho matou o major-general Ali Shadmani, chefe do Estado-Maior iraniano e figura próxima a Khamenei.
- Infraestrutura de propaganda: A sede da Rádio e Televisão da República Islâmica do Irã foi atingida, interrompendo transmissões.
- Lançadores de mísseis: Mais de 200 lançadores de mísseis balísticos iranianos foram destruídos, segundo as IDF.
Apesar dos danos, o Irã mantém capacidade de retaliação, como demonstrado pelos ataques a Tel Aviv. A Guarda Revolucionária afirmou que intensificará suas ações nas próximas horas, enquanto parlamentares iranianos ameaçam bloquear inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em suas instalações nucleares.
Reações internacionais ao conflito
A comunidade internacional expressa crescente preocupação com a escalada. Líderes do G7, como o presidente francês Emmanuel Macron, pediram a retomada imediata das negociações sobre o programa nuclear iraniano. Macron classificou a tentativa de mudança de regime no Irã como “um erro estratégico”.
Os Estados Unidos, apesar de não participarem diretamente da ofensiva israelense, mobilizaram recursos adicionais para o Oriente Médio, incluindo sistemas de defesa antimísseis e aviões de combate. O secretário de Defesa dos EUA, Peter Hegseth, afirmou que as forças americanas estão preparadas para proteger seus aliados na região.
No Irã, o líder supremo Ali Khamenei prometeu uma “resposta rígida” aos ataques, acusando Israel de revelar sua “natureza perversa”. Ele também lamentou a morte de cientistas nucleares e comandantes militares, como Mohammad Mahdi Tehranchi e Fereydoon Abbasi, mortos nos bombardeios israelenses.
Consequências para a população
Os bombardeios em Teerã provocaram evacuações em massa e engarrafamentos na capital iraniana. O Grande Bazar e a maioria dos comércios permanecem fechados, enquanto moradores tentam deixar áreas próximas a alvos militares. No sábado, 14 de junho, um ataque iraniano a Israel matou ao menos cinco pessoas, e um bombardeio israelense em Teerã resultou em 60 mortes, incluindo 20 crianças, segundo autoridades iranianas.
Em Israel, sirenes antiaéreas soam constantemente em Tel Aviv e Jerusalém, e o sistema de defesa Domo de Ferro interceptou parte dos projéteis iranianos. Equipes de resgate trabalham em áreas atingidas, como a cidade de Tamra, onde um prédio foi destruído por mísseis.
Programa nuclear iraniano em foco
O programa nuclear do Irã é o epicentro do conflito. Israel alega que o país está próximo de desenvolver uma bomba nuclear, com urânio enriquecido a 60%, nível muito acima do necessário para fins pacíficos. A AIEA confirmou danos em quatro instalações do complexo nuclear de Isfahan, mas descartou risco imediato de contaminação.
As negociações sobre o programa nuclear iraniano, que já estavam fragilizadas, foram suspensas por Teerã enquanto durarem os ataques. O Irã também emitiu alertas a potências ocidentais, como EUA, Reino Unido e França, para não interferirem em seus ataques contra Israel, sob risco de represálias contra bases militares estrangeiras na região.
Histórico de rivalidades
As tensões entre Israel e Irã remontam décadas, marcadas por uma guerra nas sombras envolvendo assassinatos de cientistas, ataques cibernéticos e operações de inteligência. O atual conflito, porém, representa uma escalada sem precedentes, com ataques abertos e diretos.
Durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988), Saddam Hussein invadiu o Irã, e, na Guerra do Golfo (1991), lançou mísseis contra Israel. Esses eventos históricos são evocados na retórica de Israel para justificar sua postura contra Khamenei, acusado de financiar grupos como o Hezbollah e os Houthis, que também ameaçam a segurança israelense.
Ameaças cibernéticas no conflito
Além dos ataques militares, o Irã enfrentou um ataque cibernético ao banco estatal Sepah Bank, que interrompeu serviços online. A agência de notícias Fars confirmou o incidente, mas não identificou os responsáveis. Israel, conhecido por sua expertise em guerra cibernética, não comentou o caso, mas ataques similares já foram atribuídos ao país no passado.
A combinação de operações militares e cibernéticas amplia a complexidade do confronto, com ambos os lados buscando enfraquecer as infraestruturas do adversário.
Movimentações diplomáticas
Enquanto os combates prosseguem, esforços diplomáticos tentam evitar uma guerra regional. O primeiro-ministro britânico reforçou o apelo do G7 por desescalada, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, descreveu a ação israelense como unilateral, mas necessária para conter ameaças.
No Irã, parlamentares ameaçam retaliar contra países que apoiarem Israel, enquanto a população enfrenta o impacto dos bombardeios e da crise econômica agravada pelo conflito. A suspensão das negociações nucleares e o bloqueio de inspeções da AIEA sinalizam um endurecimento da postura iraniana.