Mateus Gonçalves, ex-Fluminense, é preso por tráfico de drogas em rodovia de MS

Droga foi apreendida com ex-jogador do Vitória durante trajeto em Mato Grosso do Sul. — Foto Divulgação PMR

Droga foi apreendida com ex-jogador do Vitória durante trajeto em Mato Grosso do Sul. — Foto Divulgação PMR

Na noite de 10 de junho de 2025, a pequena cidade de Juti, no Mato Grosso do Sul, foi palco de uma operação policial que chocou o mundo do futebol brasileiro. Mateus Gonçalves Martins, ex-jogador de clubes como Fluminense, Vitória, Sport, Ceará e Goiás, foi preso em flagrante por tráfico de drogas e associação criminosa. Aos 30 anos, ele foi detido na rodovia MS-156, próximo à fronteira com o Paraguai, junto a outras três pessoas. No total, 187,2 quilos de maconha foram apreendidos em dois veículos, um deles conduzido por um casal que confessou o crime. O caso, que envolveu perseguição policial e rádios comunicadores, expôs uma faceta inesperada da trajetória de um atleta que já foi promessa nas categorias de base de grandes clubes. A prisão preventiva do grupo foi decretada, e o caso agora tramita na Justiça de Dourados.

A operação começou como uma fiscalização de rotina, mas rapidamente se transformou em uma perseguição de alta velocidade. Policiais militares rodoviários avistaram dois carros, um Hyundai HB20 e um VW Taos, trafegando em alta velocidade pela MS-156. Quando tentaram abordá-los, os veículos desobedeceram à ordem de parada, iniciando uma fuga que terminou em um posto de combustível em Juti. No HB20, estavam Mateus Gonçalves e Luiz Henrique Pereira, que atuavam como “batedores” – responsáveis por alertar sobre barreiras policiais. No Taos, o casal Joice Costa e Moisés Moraes Martins transportava a droga, dividida em 202 tabletes.

Mateus Gonçalves, quando atuava pelo Vitória — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

Durante o interrogatório, o casal confessou que transportava a maconha para Londrina, no Paraná, com o objetivo de quitar uma dívida com traficantes. Luiz Henrique Pereira afirmou que receberia R$ 2 mil pelo serviço de batedor. Mateus, por sua vez, optou pelo silêncio, não oferecendo explicações às autoridades. Além da droga, foram apreendidos R$ 1,8 mil em dinheiro, quatro celulares e dois rádios comunicadores sintonizados na mesma frequência, confirmando a coordenação entre os veículos.

  • Detalhes da apreensão: 187,2 kg de maconha, divididos em 202 tabletes.
  • Veículos envolvidos: Hyundai HB20 (batedores) e VW Taos (transporte da droga).
  • Outros itens confiscados: R$ 1,8 mil, quatro celulares e dois rádios comunicadores.
  • Destino da droga: Londrina, Paraná, segundo depoimento do casal.

Trajetória de Mateus Gonçalves no futebol
Nascido em Minas Gerais, Mateus Gonçalves Martins começou sua carreira nas categorias de base de clubes renomados, como Cruzeiro, Guarani e Palmeiras. Sua estreia como profissional, no entanto, ocorreu em 2012, pelo Santa Rita, de Alagoas. A partir daí, sua trajetória foi marcada por passagens por diversos clubes no Brasil e no exterior, com momentos de destaque e controvérsias. Entre 2015 e 2018, ele atuou no futebol mexicano, defendendo equipes como Pachuca, Chiapas, Zacatepec, Toluca e Tijuana, onde ganhou o apelido de “El Rayo” por sua velocidade em campo.

De volta ao Brasil, Mateus passou por Sport, Fluminense e Ceará, mas nunca conseguiu se firmar como titular em grandes clubes. Em 2019, sua passagem pelo Fluminense foi breve, com apenas oito jogos disputados. No Vitória, entre 2023 e 2024, ele viveu um dos melhores momentos de sua carreira, marcando dois gols na final do Campeonato Baiano de 2023 e ajudando o clube a conquistar o título. No entanto, sua saída do clube baiano foi seguida por uma passagem turbulenta pelo Goiás, onde foi afastado por indisciplina após participar de uma festa em Pirenópolis, em 2024.

Em 2025, Mateus defendeu o Athletic-MG, de São João del Rei, na Série B do Campeonato Brasileiro. Sua última partida pelo clube foi contra o Operário-PR, antes de rescindir o contrato no fim do primeiro semestre. A prisão, ocorrida poucos dias após o término de seu vínculo com o Athletic, marcou um ponto de inflexão em uma carreira que alternou momentos de glória com episódios polêmicos.

Contexto do tráfico na região de Juti
A rodovia MS-156, onde Mateus Gonçalves foi preso, é conhecida como uma rota estratégica para o tráfico de drogas na fronteira entre Brasil e Paraguai. A proximidade com o Paraguai, um dos maiores produtores de maconha da América do Sul, faz da região um corredor para o transporte de entorpecentes. Operações policiais na área são frequentes, com apreensões significativas ao longo dos últimos anos. Em 2024, por exemplo, a Polícia Militar Rodoviária de Mato Grosso do Sul confiscou mais de 10 toneladas de maconha em fiscalizações semelhantes.

A tática dos “batedores”, utilizada por Mateus e Luiz Henrique, é comum em esquemas de tráfico transfronteiriço. Esses indivíduos seguem à frente do veículo que transporta a droga, usando rádios ou celulares para alertar sobre a presença de policiais. A coordenação entre os carros, confirmada pelos rádios sintonizados na mesma frequência, demonstra o nível de organização do grupo. Apesar disso, a perseguição policial em Juti foi bem-sucedida, resultando na prisão do quarteto e na apreensão de todos os itens envolvidos.

  • Características da região: Fronteira com o Paraguai, principal rota de tráfico de maconha.
  • Estratégia dos batedores: Uso de rádios para evitar barreiras policiais.
  • Histórico de apreensões: Mais de 10 toneladas de maconha confiscadas em 2024.
  • Frequência de operações: Fiscalizações rotineiras na MS-156.

Reações dos clubes envolvidos
A prisão de Mateus Gonçalves gerou reações imediatas dos clubes por onde ele passou. O Goiás Esporte Clube, mencionado erroneamente em documentos policiais como seu último empregador, emitiu uma nota esclarecendo que o jogador não possui vínculo com o clube desde o fim de 2024. O comunicado destacou que Mateus foi desligado após um episódio de indisciplina, reforçando a transparência da instituição. O Athletic-MG, seu último clube, também confirmou que o contrato do atleta foi rescindido antes da prisão, encerrando qualquer ligação profissional.

Outros clubes, como Vitória, Fluminense e Ceará, não se manifestaram oficialmente até o momento. No entanto, a notícia reverberou entre torcedores e jornalistas, especialmente por causa do apelido “Pastor”, que Mateus usava nas redes sociais, onde compartilhava mensagens religiosas. A desativação de seu perfil no Instagram nos dias seguintes à prisão intensificou as discussões sobre sua conduta fora dos gramados.

Detalhes do processo judicial
Após a prisão, o grupo passou por uma audiência de custódia em Juti, onde a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. Isso significa que Mateus Gonçalves e os outros três suspeitos permanecerão detidos enquanto o caso é investigado. A Justiça de Dourados, responsável pelo processo, analisa os crimes de tráfico de drogas e associação criminosa, previstos na Lei 11.343/06. As penas, se confirmadas, podem variar de 5 a 15 anos de prisão para o tráfico e de 3 a 10 anos para a associação criminosa.

A defesa de Mateus argumenta que ele possui residência fixa, carteira assinada e sustenta um filho menor de idade, fatores que poderiam influenciar a decisão judicial. No entanto, o silêncio do ex-jogador durante o interrogatório e a gravidade do crime dificultam sua situação. Os advogados também destacaram sua carreira como jogador de futebol, mas não apresentaram evidências que contestassem diretamente as acusações.

Passagens polêmicas na carreira
Além do episódio de indisciplina no Goiás, Mateus Gonçalves enfrentou outras controvérsias ao longo de sua trajetória. Em 2021, enquanto defendia o Cerro Porteño, no Paraguai, ele foi flagrado em um teste antidoping, resultando em uma suspensão de 11 meses. Na ocasião, o jogador alegou contaminação em suplementos alimentares, mas o caso abalou sua carreira. Em entrevistas à época, ele admitiu ter pensado em abandonar o futebol, mas voltou a jogar após cumprir a punição.

Outro momento marcante foi sua expulsão em um clássico contra o Bahia, em 2023, quando atuava pelo Vitória. O incidente gerou críticas da torcida, e Mateus pediu desculpas publicamente. Apesar desses reveses, ele conseguiu se destacar em momentos-chave, como na conquista da Série B de 2023 pelo Vitória, onde foi peça importante no elenco comandado por Léo Condé.

  • Episódio de doping: Suspensão de 11 meses em 2021, no Cerro Porteño.
  • Indisciplina no Goiás: Afastamento após festa em Pirenópolis, em 2024.
  • Expulsão polêmica: Clássico contra o Bahia, em 2023.
  • Título conquistado: Série B de 2023 pelo Vitória.

Impacto no futebol brasileiro
A prisão de Mateus Gonçalves reacende o debate sobre a vida pessoal de atletas e os desafios enfrentados após o fim de contratos em clubes de menor expressão. Muitos jogadores, ao deixarem grandes equipes, enfrentam dificuldades financeiras e pressões que podem levá-los a decisões extremas. Embora não haja evidências de que Mateus estivesse em situação de vulnerabilidade, o caso levanta questões sobre o acompanhamento de ex-atletas e a transição para outras carreiras.

No Mato Grosso do Sul, a operação policial foi celebrada como um golpe contra o tráfico na região. A Polícia Militar Rodoviária destacou a importância das fiscalizações rotineiras, que têm reduzido o fluxo de drogas na fronteira. Para o futebol, no entanto, a notícia é um lembrete de que a fama e o talento nem sempre garantem um futuro estável.

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