Porto Alegre enfrenta uma crise climática com chuvas intensas que já deixaram duas pessoas mortas e um desaparecido no Rio Grande do Sul, segundo a Defesa Civil estadual. Desde a madrugada de 17 de junho de 2025, o mau tempo afeta 33 municípios, com alagamentos, deslizamentos e bloqueios de rodovias. Em Candelária, um casal foi arrastado por uma enxurrada ao tentar atravessar uma via com seu veículo. A capital gaúcha, em estado de alerta, registrou mais de 100 milímetros de chuva em 24 horas, superando metade da média histórica de junho. As autoridades intensificam ações de resgate e monitoramento, enquanto a população enfrenta transtornos e riscos iminentes.
As chuvas, impulsionadas por um sistema de baixa pressão, trouxeram ventos fortes e descargas elétricas, agravando a situação em áreas urbanas e rurais. A Defesa Civil emitiu alertas para possíveis inundações em rios e arroios, além de riscos de deslizamentos em regiões de encosta. Em Porto Alegre, bairros como Humaitá sofrem com alagamentos severos, dificultando o acesso a serviços essenciais.
- Impactos imediatos: Mais de 2,3 mil pessoas estão desalojadas ou em abrigos.
- Áreas afetadas: Vales, Região Metropolitana e Centro do estado enfrentam os maiores danos.
- Previsão: Meteorologistas alertam para chuvas moderadas a fortes até o final da semana.
A tragédia reacende o debate sobre a vulnerabilidade climática do estado, que enfrentou enchentes devastadoras em 2024, com 184 mortes e milhões de afetados.
Alerta máximo na capital gaúcha
Porto Alegre vive momentos de tensão com a continuidade das chuvas. O bairro Humaitá, na zona norte, é um dos mais castigados, com ruas transformadas em rios e casas inundadas. A prefeitura local acionou equipes de resgate e interditou vias para evitar novos acidentes. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a capital acumulou 100 milímetros de chuva em menos de 24 horas, um volume excepcional para o período. O prefeito Sebastião Melo reforçou a necessidade de evacuação em áreas de risco, especialmente próximas ao rio Guaíba, que apresenta elevação em seu nível.
A Defesa Civil municipal mantém equipes em campo, mas a extensão dos alagamentos dificulta o atendimento em algumas regiões. Moradores relatam dificuldades para acessar supermercados e farmácias, enquanto o transporte público opera com restrições.
Tragédia em Candelária
No município de Candelária, a 190 quilômetros de Porto Alegre, a morte de um casal chocou a comunidade. O homem, de 65 anos, e a mulher, de 54 anos, foram surpreendidos por uma enxurrada enquanto tentavam atravessar uma estrada rural com seu veículo. A força da água arrastou o carro, e os corpos foram encontrados horas depois por equipes de resgate. A Defesa Civil investiga as circunstâncias do acidente, mas as fortes chuvas e a falta de visibilidade são apontadas como fatores determinantes.
Um terceiro caso, de uma pessoa desaparecida na mesma região, segue sob apuração. As autoridades locais pediram que a população evite áreas alagadas e respeite os alertas meteorológicos.

Impactos em 33 municípios
O temporal não se limitou à capital. Pelo menos 33 cidades gaúchas registraram danos, desde alagamentos em áreas urbanas até deslizamentos em zonas rurais. Em Santa Maria, quatro famílias ficaram ilhadas e precisaram de resgate por helicóptero. Cachoeira do Sul e Encruzilhada do Sul reportaram desalojados, enquanto Arvorezinha enfrenta problemas com quedas de árvores e bloqueios de vias.
- Santa Maria: Resgates aéreos salvaram famílias isoladas.
- Cachoeira do Sul: Alagamentos forçaram a remoção de moradores.
- Novos Cabrais: A rodovia RSC-287 foi bloqueada por enxurrada.
- Paraíso do Sul: Queda de árvores interrompeu o tráfego.
A Defesa Civil estadual contabiliza mais de 2,3 mil pessoas fora de suas casas, com 367 em abrigos temporários e 349 desalojadas em residências de familiares ou amigos. Não há registros de feridos graves até o momento, mas a situação pode evoluir com a continuidade das chuvas.
Sistema meteorológico em ação
As chuvas são resultado de um sistema de baixa pressão combinado com a chegada de umidade do oceano, segundo a MetSul Meteorologia. Esse fenômeno intensifica as precipitações e provoca rajadas de vento de até 80 km/h em algumas regiões. Em Porto Alegre, descargas elétricas foram registradas na madrugada de 18 de junho, aumentando os riscos para a população.
Meteorologistas preveem que o ápice do mau tempo ocorra ainda nesta quarta-feira, com possibilidade de chuvas torrenciais em curtos períodos. A partir de sábado, a entrada de uma massa de ar seco e frio deve reduzir a instabilidade, mas até lá, as autoridades recomendam cautela.
Medidas de prevenção em curso
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul intensificou o envio de alertas por SMS e redes sociais, orientando a população sobre áreas de risco. Para se cadastrar no serviço de alertas, basta enviar o CEP da residência para o número 40199. A medida visa agilizar a comunicação em situações de emergência.
Além disso, o governo estadual mobilizou equipes da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros para apoiar os municípios afetados. Em Porto Alegre, barreiras foram instaladas em pontos críticos, e motobombas trabalham para drenar a água acumulada em bairros alagados.
Histórico de vulnerabilidade climática
O Rio Grande do Sul tem enfrentado eventos climáticos extremos com frequência alarmante. Em maio de 2024, enchentes históricas deixaram 184 mortos, 25 desaparecidos e mais de 2,3 milhões de pessoas afetadas em 471 municípios. Na ocasião, Porto Alegre viu o rio Guaíba atingir 5,33 metros, superando o recorde de 1941. Os prejuízos foram estimados em R$ 19 bilhões, e a reconstrução ainda está em andamento.
A repetição de tragédias levanta questionamentos sobre a infraestrutura urbana e a capacidade de resposta do estado. Especialistas apontam que a urbanização desordenada e a ocupação de áreas de risco agravam os impactos das chuvas.
Esforços de reconstrução e apoio
O governo do Rio Grande do Sul destinou R$ 2,4 bilhões ao Plano Rio Grande, criado para mitigar os danos das enchentes de 2024. Parte desses recursos foi usada na recuperação de estradas, pontes e sistemas de drenagem. No entanto, as chuvas de 2025 mostram que os desafios persistem, especialmente em cidades com sistemas de contenção deficientes.
Organizações não governamentais e voluntários também se mobilizam para apoiar as vítimas. Em Candelária, doações de alimentos, roupas e itens de higiene são distribuídas para famílias desalojadas.
Monitoramento dos rios e arroios
A elevação dos níveis de rios como o Guaíba, o Taquari e o Caí preocupa as autoridades. A Defesa Civil emitiu alertas para possíveis inundações em áreas próximas a esses cursos d’água. No Vale do Taquari, a situação é crítica, com risco de transbordo em cidades como Lajeado e Estrela.
O monitoramento hidrológico indica que pequenos rios e arroios, sem sistemas de controle, são os mais vulneráveis. Alagamentos urbanos, como os registrados em Porto Alegre, também decorrem da saturação do solo e da incapacidade de escoamento.
Ações comunitárias em destaque
Em meio à crise, a solidariedade ganha força. Em Santa Maria, voluntários organizaram cozinhas comunitárias para fornecer refeições às famílias desalojadas. Em Cachoeira do Sul, jovens se uniram para limpar ruas e desobstruir bueiros, aliviando o impacto dos alagamentos.
- Doações prioritárias: Alimentos não perecíveis, água potável e roupas.
- Pontos de coleta: Escolas e ginásios municipais foram transformados em centros de arrecadação.
- Apoio psicológico: Equipes de saúde oferecem atendimento às vítimas.
A mobilização reflete o espírito de união que marcou as respostas às enchentes de 2024, mas também evidencia a necessidade de soluções estruturais de longo prazo.
Previsão para os próximos dias
Embora o sábado traga alívio com a chegada de ar seco, as chuvas devem persistir até sexta-feira, com acumulados de até 150 milímetros em algumas regiões. O Litoral Norte e a Serra Gaúcha estão sob alerta para temporais isolados. A Defesa Civil orienta que a população evite áreas de encosta e acompanhe os boletins meteorológicos.
O estado segue em vigilância, com equipes preparadas para novos resgates. A prioridade é garantir a segurança dos moradores e minimizar os danos causados pelo temporal.