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Estreito de Ormuz: por que a rota do petróleo está no centro do conflito

Estreito de Ormuz
Estreito de Ormuz- Beautiful landscape of the Arabian Peninsula - Foto: SzymonBartosz/istockphoto.com Beautiful landscape of the Arabian Peninsula - Foto: SzymonBartosz/istockphoto.com

A tensão no Oriente Médio escalou em 20 de junho de 2025, com o Irã ameaçando fechar o Estreito de Ormuz, principal rota para cerca de 20% do petróleo global, em retaliação a um possível ataque dos Estados Unidos no conflito com Israel. Localizado entre Omã e o Irã, o estreito é monitorado pela 5ª Frota da Marinha americana, sediada no Bahrein, responsável por proteger a navegação comercial. A ameaça gerou alta de 13,5% no preço do barril Brent, que atingiu US$ 78,74, e preocupa mercados globais. O bloqueio, embora nunca executado, poderia elevar o petróleo a US$ 130 por barril, segundo analistas. A decisão dos EUA, liderada pelo presidente Donald Trump, será crucial nas próximas semanas.

As cotações do petróleo já refletem a instabilidade. Desde o início das ofensivas, na sexta-feira, 13 de junho, o barril tipo Brent subiu de US$ 69,36 para US$ 78,74, enquanto o WTI, referência nos EUA, passou de US$ 66,64 para US$ 73,88, alta de 10,9%. A volatilidade remete a 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia provocou choques energéticos semelhantes.

Navios petroleiros receberam alertas para redobrar a cautela na região, enquanto países como Arábia Saudita e Emirados Árabes buscam rotas alternativas para reduzir a dependência do estreito. O impacto econômico de um bloqueio seria sentido globalmente, especialmente na Ásia, principal destino do petróleo exportado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

  • Rotas afetadas: Cerca de 17,8 a 20,8 milhões de barris de petróleo passam pelo estreito diariamente.
  • Países dependentes: Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes, Kuwait e Iraque exportam via Ormuz.
  • Gás natural: O Catar envia quase todo o seu gás liquefeito pela mesma rota.

Riscos de um bloqueio histórico

A possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz não é nova. Em 2019, o Irã ameaçou bloquear a passagem após os EUA se retirarem do acordo nuclear, sob a gestão de Donald Trump. A retórica voltou em 2025, intensificada pelo conflito com Israel. A largura do estreito, de apenas 33 km em seu ponto mais estreito, com canais de navegação de 3 km, facilita a interrupção do tráfego marítimo.

O monitoramento constante pela Marinha americana busca garantir a segurança, mas a presença militar também eleva as tensões. A 5ª Frota, baseada no Bahrein, realiza patrulhas regulares, mas um confronto direto com forças iranianas poderia paralisar a navegação. Analistas do JPMorgan alertam que, em um cenário extremo, o preço do petróleo poderia atingir a faixa de US$ 120 a US$ 130 por barril, impactando economias globais.

A Ásia, que recebe a maior parte do petróleo da OPEP, seria a mais afetada. Países como China, Japão e Coreia do Sul dependem fortemente das exportações que passam por Ormuz. Um bloqueio prolongado poderia desencadear crises de abastecimento e inflação em cadeias produtivas globais.

Impactos econômicos imediatos

A alta nos preços do petróleo já pressiona mercados. No dia 13 de junho, o Brent registrou um salto intradiário de 8%, um dos maiores desde 2022. A cotação, no entanto, perdeu força ao longo da semana, refletindo incertezas sobre a resposta dos EUA.

  • Alta do Brent: De US$ 69,36 para US$ 78,74, aumento de 13,5% em uma semana.
  • WTI nos EUA: Subiu de US$ 66,64 para US$ 73,88, alta de 10,9%.
  • Projeções: Preços podem chegar a US$ 130 por barril em caso de bloqueio.
  • Outros combustíveis: Gás natural liquefeito do Catar também seria impactado.

Empresas marítimas orientaram navios a evitar rotas próximas ao estreito sempre que possível, mas alternativas são limitadas. Oleodutos nos Emirados Árabes e na Arábia Saudita têm capacidade ociosa de cerca de 2,6 milhões de barris por dia, insuficiente para substituir o volume transportado por Ormuz.

A instabilidade também afeta o comércio de gás natural. O Catar, um dos maiores exportadores mundiais, depende do estreito para enviar gás liquefeito à Europa e à Ásia. Um bloqueio poderia agravar a crise energética em regiões já pressionadas por altas tarifas.

Geopolítica e tensões regionais

O Estreito de Ormuz é mais do que uma rota comercial; é um ponto de tensão geopolítica. A rivalidade entre Irã e Arábia Saudita, aliada à influência dos EUA na região, cria um cenário volátil. O Irã, embora membro da OPEP, enfrenta sanções americanas que limitam suas exportações, tornando o bloqueio uma arma estratégica.

A presença militar americana no Bahrein, a poucos quilômetros do estreito, é vista pelo Irã como uma provocação. Em contrapartida, os EUA justificam a proteção da navegação como essencial para a estabilidade econômica global. O presidente Trump, que decidirá sobre um ataque ao Irã nas próximas semanas, já indicou interesse em negociar um novo acordo nuclear, o que poderia reduzir as tensões.

A escalada do conflito com Israel, iniciada em 13 de junho, trouxe nova urgência ao debate. Ataques aéreos e retaliações mútuas intensificaram a retórica iraniana, que vê no bloqueio uma forma de pressionar os EUA e seus aliados.

Alternativas e limitações logísticas

Países do Golfo buscam reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, mas as opções são restritas. A Arábia Saudita utiliza o oleoduto Petroline, que transporta petróleo do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho, mas sua capacidade é limitada. Os Emirados Árabes operam o oleoduto Habshan-Fujairah, que contorna o estreito, mas também não suporta o volume total exportado.

  • Capacidade ociosa: Oleodutos alternativos podem transportar até 2,6 milhões de barris por dia.
  • Limitações: A demanda global exige pelo menos 17,8 milhões de barris diários via Ormuz.
  • Novas rotas: Projetos de infraestrutura levarão anos para serem concluídos.
  • Impacto no gás: O Catar não possui rotas alternativas viáveis para o gás liquefeito.

A falta de infraestrutura alternativa reforça a importância estratégica do estreito. Mesmo com avanços em oleodutos, a dependência da rota marítima permanecerá alta por décadas, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA.

Cenário global e mercados em alerta

A ameaça de bloqueio mantém os mercados financeiros em suspense. A alta do petróleo já elevou os custos de combustíveis e matérias-primas, impactando indústrias como transporte e manufatura. Países importadores, especialmente na Ásia, monitoram de perto as decisões de Trump, que podem definir o rumo do conflito.

A volatilidade dos preços reflete a incerteza. Embora o Brent tenha perdido força após o pico inicial, analistas preveem novas altas caso as tensões escalem. A OPEP, que reúne os principais exportadores da região, ainda não anunciou medidas para estabilizar o mercado, mas reuniões emergenciais podem ser convocadas.

A Europa, que enfrenta pressões energéticas desde 2022, também está em alerta. O gás liquefeito do Catar é essencial para diversificar o fornecimento, reduzindo a dependência da Rússia. Um bloqueio no estreito poderia agravar a crise energética no continente.

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