A nova lei trabalhista proposta pelo Projeto de Lei (PL) 4165/24, apresentado pelo deputado Jonas Donizette (PSB-SP), promete alterar as férias de cerca de 40 milhões de trabalhadores brasileiros com carteira assinada a partir de 2025. Tramitando em caráter conclusivo no Congresso Nacional desde março de 2025, o texto exclui a contribuição previdenciária do adicional de um terço das férias, aumentando o valor líquido recebido, mas reduzindo a base de cálculo para aposentadorias. A medida, que afeta empregados formais e servidores públicos em todo o país, busca resolver disputas jurídicas e já agita debates em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Enquanto o projeto avança, trabalhadores e empregadores preparam-se para ajustar planejamentos financeiros e cronogramas de descanso.
A proposta não elimina o direito às férias, garantido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas modifica sua remuneração. Sindicatos e entidades patronais divergem sobre os efeitos a longo prazo.
Em vigor desde a Reforma Trabalhista de 2016, o fracionamento das férias em até três períodos continua, mas a nova lei pode impactar diretamente o bolso dos trabalhadores.
- PL 4165/24: Exclui INSS do adicional de um terço das férias.
- Beneficiários: 40 milhões de trabalhadores formais.
- Tramitação: Em análise nas comissões da Câmara, com possível aprovação em 2025.
Proposta do PL 4165/24
O Projeto de Lei 4165/24, apresentado em 2024, propõe alterar a Lei 8.212/91, que regula a Seguridade Social, para isentar o adicional de um terço das férias da contribuição ao INSS. O autor, Jonas Donizette, defende que o adicional tem caráter indenizatório, não salarial, alinhando-se a decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de 2023. A medida visa uniformizar a interpretação jurídica, eliminando descontos previdenciários que variam de 7,5% a 27,5%, dependendo da faixa salarial.
Para um trabalhador com salário de R$ 3.000, o adicional de R$ 1.000 seria isento de até R$ 275 em descontos do INSS, aumentando o valor líquido. No entanto, a exclusão reduz a base de contribuição para benefícios como aposentadoria, impactando o cálculo futuro. Em 2024, 62% dos trabalhadores formais ganhavam até dois salários mínimos, segundo o IBGE, indicando que milhões sentirão a mudança.
A tramitação em caráter conclusivo acelera o processo, com possível aprovação nas comissões da Câmara até o segundo semestre de 2025. Sindicatos, como a CUT, alertam para perdas previdenciárias, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apoia a redução de custos para empresas.
Impacto financeiro imediato
A isenção do INSS no adicional de férias aumenta o valor líquido recebido pelos trabalhadores. Um empregado com salário de R$ 2.000, por exemplo, recebe R$ 666,66 de adicional, dos quais até R$ 90 seriam descontados para o INSS. Com a nova lei, o valor cheio fica disponível, beneficiando o orçamento imediato. Para os 40 milhões de trabalhadores formais, o ganho líquido pode alcançar R$ 5 bilhões anuais, segundo estimativas de especialistas.
Por outro lado, a menor contribuição ao INSS reduz a base para aposentadorias e outros benefícios, como auxílio-doença. Para quem contribui há 20 anos, a perda anual pode ser de 1% no valor da aposentadoria, acumulando ao longo do tempo. Trabalhadores em setores de alta rotatividade, como varejo em Belo Horizonte, podem ser mais afetados, já que dependem de contribuições consistentes.
- Ganho imediato: Até 27,5% a mais no adicional de férias.
- Perda futura: Redução de até 1% ao ano na base de cálculo da aposentadoria.
- Setores impactados: Indústria, varejo e serviços, com 62% dos trabalhadores na faixa de até dois salários mínimos.
- Estimativa: R$ 5 bilhões a mais no bolso dos trabalhadores anuais.
Regras atuais das férias
As férias permanecem um direito inegociável sob a CLT, com 30 dias anuais para trabalhadores com até cinco faltas injustificadas. A Reforma Trabalhista de 2016 permite fracionar o período em até três partes, com pelo menos um bloco de 14 dias e os outros de no mínimo cinco. Faltas reduzem o tempo de descanso: 24 dias para seis a 14 faltas, 18 dias para 15 a 23, e 12 dias para 24 a 32.
Férias proporcionais aplicam-se a quem não completa 12 meses de trabalho. Um empregado demitido após seis meses recebe 15 dias de férias mais o adicional de um terço. Em 2024, 40 milhões de trabalhadores tiraram férias, com maior concentração no segundo semestre, especialmente em setores como indústria em Manaus e serviços em Brasília.
Planejamento financeiro necessário
A possível aprovação do PL 4165/24 exige planejamento financeiro. Trabalhadores devem calcular o impacto da isenção do INSS, comparando o ganho imediato com a perda futura. Poupar o valor excedente do adicional pode compensar a menor contribuição previdenciária. Ferramentas online, usadas por 30% dos trabalhadores em 2024, ajudam a simular esses cenários.
Empregadores também precisam se preparar, ajustando sistemas de folha de pagamento. Empresas que anteciparam mudanças trabalhistas em 2024 reduziram conflitos com funcionários em 15%, uma prática recomendada para 2025. Diálogo entre RH e trabalhadores evita surpresas, especialmente em cidades como Porto Alegre, onde o setor industrial é forte.

Cronograma de férias em 2025
Organizar o descanso exige alinhamento com o calendário trabalhista. Janeiro a março é ideal para planejar o primeiro fracionamento, enquanto abril a junho concentra férias coletivas em indústrias. Julho a dezembro é o pico de descanso, com alta demanda em turismo.
A aprovação do PL 4165/24 pode coincidir com o segundo semestre, afetando férias de julho em diante. Empresas em Vitória da Conquista, na Bahia, já orientam funcionários a monitorar a tramitação, enquanto grandes corporações em São Paulo preparam comunicados internos.
- Janeiro-março: Início do período aquisitivo para novos contratados.
- Abril-junho: Férias coletivas em indústrias.
- Julho-dezembro: Pico de férias, com alta no turismo.
- Tramitação do PL: Possível aprovação até julho de 2025.
Casos que cancelam o direito
A CLT prevê situações em que as férias são perdidas, como demissão sem readmissão em 60 dias, licença remunerada por mais de 30 dias ou auxílio-doença por mais de seis meses no ano. Em 2024, 5% dos trabalhadores formais, especialmente na construção civil em Goiânia e call centers em Curitiba, perderam o direito por esses motivos. Empresas não podem negar férias sem justa causa, sob pena de multas trabalhistas.
Setores com alta rotatividade enfrentam maior risco de conflitos. Em 2024, 10% das ações trabalhistas no Brasil envolveram disputas sobre férias, um alerta para empregadores em 2025.
Debates no Congresso
O PL 4165/24 tramita nas comissões de Trabalho, Previdência e Constituição e Justiça da Câmara, com análise acelerada por seu caráter conclusivo. A aprovação dispensa votação em plenário, salvo recurso. Sindicatos defendem o ganho imediato para trabalhadores, mas alertam para impactos previdenciários. A CNI, representando empregadores, apoia a medida, que reduz custos trabalhistas em até 2% ao ano.
A discussão reflete a tendência de ajustes trabalhistas. Desde 2016, 10 projetos relacionados a férias foram apresentados, com 40% aprovados. Em março de 2025, o debate ganha força, com audiências públicas previstas para ouvir trabalhadores e empresas.
Adaptação de trabalhadores e empresas
Trabalhadores devem monitorar a tramitação do PL e calcular os valores das férias com e sem a isenção do INSS. Empregadores precisam treinar equipes de RH e atualizar sistemas para evitar erros na folha de pagamento. Em 2024, empresas proativas reduziram disputas trabalhistas em 15%, uma lição para 2025.
Em cidades como Recife, sindicatos oferecem palestras sobre a nova lei, enquanto em São Paulo, grandes empresas planejam workshops internos. O diálogo é essencial para alinhar expectativas e evitar conflitos no período de descanso.
Setores mais afetados
Indústria, varejo e serviços, que empregam 70% dos trabalhadores formais, sentirão o impacto da nova lei. Em Manaus, fábricas do Polo Industrial já ajustam cronogramas de férias coletivas, enquanto lojas em Belo Horizonte preparam-se para maior demanda no segundo semestre. Call centers em Curitiba, com alta rotatividade, enfrentam desafios para cumprir as regras sem gerar disputas.
A isenção do INSS beneficia trabalhadores de baixa renda, mas exige planejamento para compensar perdas previdenciárias. Em 2024, 20% dos empregados usaram o adicional de férias para quitar dívidas, padrão que deve se repetir em 2025.
Tendências trabalhistas em 2025
O PL 4165/24 é parte de uma onda de ajustes trabalhistas. Projetos semelhantes, como a flexibilização do banco de horas, tramitam no Congresso, indicando maior diálogo entre empregadores e trabalhadores. Em 2025, o mercado formal deve crescer 2%, segundo o IBGE, ampliando o número de trabalhadores afetados pela nova lei.
A digitalização de processos trabalhistas, com 80% das empresas usando sistemas online em 2024, facilita a adaptação. Ferramentas como o eSocial ajudam a calcular férias com precisão, reduzindo erros. A nova lei reforça a importância de planejamento para garantir direitos e equilíbrio financeiro.