Destaques

EUA entram na guerra contra o Irã com ataques aéreos e escalam tensão no Oriente Médio

Trump guerra
Trump guerra - Foto: Potus Trump guerra - Foto: Potus

Os Estados Unidos entraram oficialmente na guerra contra o Irã com ataques aéreos lançados a partir de porta-aviões, intensificando o conflito que já dura nove dias entre Israel e o governo iraniano, segundo informações de agências internacionais. A ofensiva, iniciada na noite de sexta-feira, 20 de junho de 2025, teve como alvos instalações militares no sudoeste do Irã, incluindo supostas fábricas de centrífugas nucleares. A decisão, que ocorre sob a administração de Donald Trump, responde à pressão de Israel para conter o programa nuclear iraniano e marca uma escalada sem precedentes na região. Explosões foram reportadas em cidades como Ahvaz e Tabriz, enquanto o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu “consequências irreparáveis”. A ação americana ocorre em meio a esforços diplomáticos europeus, liderados pela França, para evitar um colapso total das negociações nucleares.

O envolvimento dos Estados Unidos, aguardado há dias, muda o cenário do conflito. Israel, que já realizou ataques contra alvos iranianos, incluindo um centro médico em Khuvestan, agora conta com o apoio militar americano, especialmente com bombas anti-bunker capazes de atingir instalações subterrâneas. A Casa Branca informou que Trump ainda avalia um ataque direto a usinas nucleares, como a de Fordow, com uma decisão prevista para as próximas duas semanas.

Enquanto isso, a comunidade internacional reage com alarme. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou para o risco de a situação no Oriente Médio “sair de controle”, e líderes do G7 assinaram uma declaração conjunta pedindo contenção. O conflito, que já deixou mais de 430 mortos no Irã, segundo a agência estatal Nour News, ameaça desestabilizar ainda mais a região, com impactos globais em energia e segurança.

  • Principais alvos dos ataques iniciais dos EUA:
    • Instalações militares no sudoeste do Irã.
    • Fábricas de centrífugas para enriquecimento de urânio.
    • Bases aéreas próximas a Ahvaz.
  • Resposta iraniana:
    • Lançamento de mísseis contra Tel Aviv e Jerusalém.
    • Declarações de Khamenei condenando os bombardeios como “crimes de guerra”.

A entrada dos eua no conflito
A decisão dos Estados Unidos de entrar na guerra reflete a pressão de Israel, que há semanas solicita apoio militar para neutralizar o programa nuclear iraniano. O Exército israelense divulgou documentos que apontam o financiamento do Irã ao Hamas, grupo responsável pelo ataque de 7 de outubro de 2023, intensificando a narrativa de que Teerã representa uma ameaça regional. Os bombardeiros B-2, enviados para a ilha de Guam, no Pacífico, estão equipados com a bomba GBU-57, projetada para atingir bunkers subterrâneos, como os que abrigam a usina de Fordow.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o programa nuclear do país não será interrompido, mesmo diante de ameaças. Em conversa com o presidente francês, Emmanuel Macron, ele garantiu que o Irã está aberto a negociações, mas rejeitou propostas europeias consideradas “fora da realidade”. A escalada militar americana, no entanto, pode dificultar essas tratativas, já que o Irã anunciou uma contraproposta para a próxima rodada de negociações, ainda sem data definida.

A entrada dos EUA também gerou reações de outros atores regionais. O grupo Houthi, do Iêmen, ameaçou atacar navios americanos no Mar Vermelho caso a ofensiva contra o Irã continue, rompendo um cessar-fogo estabelecido em maio. A Turquia, por sua vez, criticou Israel, acusando o governo de Benjamin Netanyahu de levar o Oriente Médio a um “desastre total”.

Impacto humanitário no Irã
O conflito tem cobrado um preço alto da população iraniana. Segundo o Ministério da Saúde do Irã, mais de 430 pessoas morreram e 3.500 ficaram feridas desde o início dos ataques, em 13 de junho. A maioria das vítimas é civil, incluindo 54 mulheres e crianças.

  • Regiões mais afetadas:
    • Província de Khuvestan, com ataques a centros médicos e infraestrutura.
    • Tabriz, onde explosões foram reportadas na noite de sexta-feira.
    • Qom, alvo de operações que resultaram na morte de comandantes da Guarda Revolucionária.

Organizações independentes iranianas estimam que o número de mortos pode ultrapassar 600, embora os dados oficiais sejam atualizados com menos frequência. A destruição de um centro médico em Khuvestan, relatada pela imprensa local, foi confirmada pela Universidade de Ciências Médicas, que destacou a ausência de vítimas no incidente.

A guerra também provocou deslocamentos internos e dificuldades de acesso a serviços básicos. A embaixada alemã em Teerã transferiu seus funcionários para o exterior, enquanto cidadãos estrangeiros recebem orientações para deixar o país por rotas terrestres.

Tensões nucleares em destaque
O programa nuclear iraniano está no centro do conflito. Israel alega que suas operações visam destruir instalações de enriquecimento de urânio, enquanto o Irã insiste que suas atividades são pacíficas. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) relatou danos em fábricas de centrífugas perto de Isfahan, mas afirmou que os níveis de radiação permanecem normais.

O chefe da AIEA, Rafael Grossi, pediu “máxima contenção” às partes envolvidas, alertando para o risco de vazamentos nucleares. Um assessor de Khamenei, Ali Larijani, ameaçou Grossi, declarando que “acertará contas” após o fim da guerra, em uma escalada retórica que preocupa a comunidade internacional.

  • Cronologia recente do programa nuclear iraniano:
    • 2015: Acordo nuclear (JCPOA) assinado com potências globais.
    • 2018: EUA abandonam o acordo sob Trump.
    • 2021: Negociações para retomada do acordo começam em Viena.
    • 2025: Conflito atual interrompe avanços diplomáticos.

Reações internacionais e esforços diplomáticos
A entrada dos EUA na guerra frustrou esforços europeus para mediar o conflito. Emmanuel Macron afirmou que a Europa está disposta a acelerar negociações, desde que o Irã comprove a natureza pacífica de seu programa nuclear. A Alemanha, por sua vez, priorizou a segurança de seus cidadãos, enquanto a Turquia intensificou críticas a Israel durante uma cúpula da Organização para a Cooperação Islâmica, em Istambul.

O G7, em sua declaração conjunta, pediu contenção e apoio a uma solução diplomática. No entanto, a decisão americana de lançar ataques aéreos, combinada com a retaliação iraniana, reduz as chances de um cessar-fogo imediato. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que “não sabe mais se pode confiar nos EUA”, sinalizando um colapso na confiança mútua.

A pressão sobre o líder supremo
A intensidade do conflito levou o aiatolá Ali Khamenei a nomear três candidatos à sua sucessão, segundo o jornal New York Times. A medida, rara na política iraniana, visa garantir uma transição rápida em caso de sua morte, especialmente após ameaças de Israel, incluindo a declaração de Netanyahu de que não descarta assassiná-lo.

A Constituição iraniana prevê que a Assembleia de Peritos escolha o novo líder supremo, mas o processo pode levar meses. A nomeação prévia de candidatos reflete a gravidade da situação e a percepção de ameaça direta ao regime.

O que está em jogo no Oriente Médio
O conflito entre Israel, Irã e agora os Estados Unidos tem ramificações globais. A escalada militar ameaça o fornecimento de petróleo, já que o Irã é um dos maiores produtores da Opep. Além disso, a instabilidade no Mar Vermelho, com as ameaças dos Houthis, pode impactar rotas comerciais cruciais.

  • Riscos identificados pela ONU:
    • Vazamento nuclear com impacto transfronteiriço.
    • Aumento de ataques terroristas na região.
    • Deslocamento em massa de civis no Irã e em países vizinhos.

A guerra, que entrou em seu nono dia, não mostra sinais de desaceleração. A entrada dos Estados Unidos, com seu poder militar, eleva o conflito a um novo patamar, enquanto a comunidade internacional busca formas de conter a crise antes que ela se torne incontrolável.

To Top