Lucas Ribeiro, um maranhense de 26 anos, natural de Santa Helena, a 117 km de São Luís, tornou-se destaque global ao marcar um golaço contra o Borussia Dortmund pela Copa do Mundo de Clubes da Fifa, no dia 21 de junho de 2025, em Cincinnati, Estados Unidos. Camisa 10 do Mamelodi Sundowns, da África do Sul, o meia-atacante conduziu o time sul-africano a uma atuação memorável, apesar da derrota por 3 a 1. Com passagens por clubes da França e Bélgica, ele nunca jogou profissionalmente no Brasil, mas sua habilidade e visão de jogo o transformaram em peça central do clube conhecido como “os brasileiros” pelas cores e estilo de jogo. Sua ascensão no futebol internacional reflete talento, determinação e adaptação a novos desafios.
A trajetória de Ribeiro começou cedo, nas categorias de base de clubes maranhenses como Sampaio Corrêa e Moto Club. Aos 17 anos, ele deixou o Brasil rumo ao Pinheiros, em São Paulo, onde se destacou em torneios regionais. Essa exposição o levou ao Valenciennes, da França, em 2017, iniciando sua carreira no exterior. Após passagens por clubes belgas, como Charleroi e Beveren, ele chegou ao Mamelodi Sundowns em julho de 2023, onde se consolidou como líder técnico e artilheiro.
- Principais feitos recentes de Lucas Ribeiro:
- Golaço contra o Borussia Dortmund na Copa do Mundo de Clubes.
- Artilheiro da Premiership Sul-Africana 2024/2025 com 16 gols.
- Nove assistências em 26 jogos na mesma temporada.
- Primeiro brasileiro a marcar um hat-trick na liga sul-africana.
A habilidade de Ribeiro com a bola nos pés e sua versatilidade em campo chamam atenção. Ele atua como meia-armador ou falso nove, combinando dribles, passes precisos e finalizações. Sua atuação contra o Borussia, com uma arrancada fulminante e um chute colocado, colocou o Mamelodi em vantagem temporária, surpreendendo o vice-campeão da Champions League.
Origens humildes em Santa Helena
Nascido em uma cidade de 42 mil habitantes no interior do Maranhão, Lucas Ribeiro enfrentou dificuldades financeiras e logísticas na infância. O futebol de várzea foi seu primeiro palco, onde chamou a atenção de olheiros do Moto Club. A falta de recursos, porém, quase o fez desistir da carreira. Ele relata que, na Bélgica, chegou a morar em condições precárias, com tiroteios frequentes na vizinhança. Um amigo, campeão com ele na várzea, o acolheu, permitindo que sua carreira decolasse.
A mudança para São Paulo, ainda adolescente, foi um divisor de águas. No Pinheiros, ele brilhou em torneios regionais, o que abriu as portas para a Europa. Sua adaptação ao futebol francês e belga foi desafiadora, mas a perseverança o levou a clubes de maior expressão. Em 2023, ao receber a proposta do Mamelodi Sundowns, Ribeiro hesitou. Desconhecia o clube e o país, mas uma conversa com o técnico Rulani Mokwena e a pesquisa sobre a grandeza do time o convenceram.
Ascensão no Mamelodi Sundowns
O Mamelodi Sundowns, fundado em 1970, é uma potência do futebol africano, com oito títulos consecutivos da Premiership Sul-Africana. Conhecido pelas cores verde e amarelo, o clube adota um estilo de jogo ofensivo, inspirado no Brasil de 1970. Ribeiro se encaixou perfeitamente nesse sistema, tornando-se o maestro do meio-campo. Desde sua chegada, ele acumula 29 gols e 19 assistências em 67 jogos, números impressionantes para um meia.
Na temporada 2024/2025, ele liderou o time ao título nacional, sendo o artilheiro com 16 gols e contribuindo com nove assistências. Sua atuação na Copa do Mundo de Clubes reforçou sua relevância. Contra o Ulsan HD, na estreia, ele deu uma assistência decisiva na vitória por 1 a 0. Já contra o Borussia, seu golaço aos 10 minutos do primeiro tempo colocou o Mamelodi na frente, embora o time alemão tenha virado o placar.
Estilo de jogo e versatilidade
Lucas Ribeiro se destaca por sua capacidade de ler o jogo e criar oportunidades. Ele prefere atuar com o pé esquerdo, mas sua visão periférica e movimentação o tornam imprevisível. No Mamelodi, ele alterna entre meia-armador e falso nove, explorando espaços e confundindo defesas adversárias. Sua técnica refinada inclui dribles curtos, passes longos e finalizações de média distância, como demonstrado no golaço contra o Borussia.
- Características do jogo de Ribeiro:
- Velocidade em arrancadas pelo lado direito.
- Precisão em passes para romper linhas defensivas.
- Capacidade de finalização com ambos os pés.
- Inteligência tática para se posicionar sem a bola.
O técnico Miguel Cardoso, que assumiu o Mamelodi em 2025, elogia a liderança de Ribeiro em campo. Ele é frequentemente acionado com lançamentos longos, aproveitando sua habilidade para dominar bolas difíceis e iniciar jogadas ofensivas. Sua parceria com o atacante Iqraam Rayners e o brasileiro Arthur Sales forma um trio ofensivo que desafia adversários de alto nível.
Desafios no Mundial de Clubes
O Grupo F da Copa do Mundo de Clubes, com Fluminense, Borussia Dortmund e Ulsan HD, é um dos mais competitivos. O Mamelodi Sundowns surpreendeu ao liderar a chave após a primeira rodada, graças à vitória sobre o Ulsan. A derrota para o Borussia, porém, mostrou a dificuldade de enfrentar equipes europeias. Ribeiro, mesmo com o golaço, desperdiçou uma chance clara no segundo tempo, evidenciando a pressão do torneio.
O próximo jogo, contra o Fluminense, em Miami, será crucial. O time carioca, que empatou sem gols com o Borussia, aposta em uma postura ofensiva, o que pode abrir espaços para as investidas de Ribeiro. A visibilidade do Mundial é uma vitrine para o camisa 10, que sonha em retornar à Europa ou atrair clubes brasileiros.
Carreira internacional e passagens pela Europa
Antes de chegar à África do Sul, Ribeiro construiu uma carreira sólida na Europa. No Valenciennes, ele começou no time secundário, mas logo subiu ao elenco principal. Em 2019, no Virton, da Bélgica, marcou quatro gols em oito jogos, atraindo atenção. Passagens por Waasland-Beveren, RWDM47, Mouscron e Charleroi mostraram sua evolução. No Beveren, em 2022/2023, ele marcou 11 gols em 31 jogos, consolidando-se como um jogador versátil.
A decisão de se transferir para o Mamelodi foi motivada pelo desejo de jogar em um clube ambicioso. Ele destaca a estrutura profissional do time e a semelhança com o Brasil, desde o uniforme até a recepção calorosa dos torcedores. Sua adaptação à África do Sul foi rápida, e ele se tornou um ídolo local.
Vida pessoal e conexão com o Brasil
Torcedor do Palmeiras, Ribeiro mantém laços fortes com o Brasil, especialmente com Santa Helena. Ele cita Lionel Messi como seu maior ídolo e busca emular a criatividade do argentino em campo. Fora das quatro linhas, ele é descrito como reservado, mas carismático, conquistando colegas e torcedores com sua humildade. Em entrevistas, ele enfatiza a importância da família, que o apoiou nos momentos mais difíceis.
- Curiosidades sobre Lucas Ribeiro:
- Nunca jogou profissionalmente no Brasil, apesar da formação em clubes maranhenses.
- É fã de futebol brasileiro e acompanha jogos do Palmeiras.
- Aprendeu a falar inglês fluentemente na África do Sul.
- Tem um ritual de oração antes de cada partida.
Repercussão na África do Sul
Na África do Sul, Ribeiro é celebrado como um dos melhores jogadores da Premiership. Torcedores do Mamelodi o comparam a lendas do clube, como “Trem Chukwu”, famoso nos anos 1990. Sua atuação no Mundial de Clubes gerou elogios nas redes sociais, com fãs destacando sua capacidade de competir com gigantes europeus. A imprensa local o aponta como candidato a prêmios individuais na temporada.
O impacto de Ribeiro vai além do campo. Ele inspira jovens jogadores sul-africanos, mostrando que é possível brilhar em competições globais. Sua história de superação, de uma cidade pequena no Maranhão ao estrelato internacional, ressoa com muitos no país.
Próximos passos na carreira
Aos 26 anos, Ribeiro está no auge físico e técnico. Seu contrato com o Mamelodi vai até 2028, mas o desempenho no Mundial pode atrair propostas de clubes europeus ou brasileiros. Ele já expressou o desejo de jogar em ligas mais competitivas, mas também valoriza a estabilidade no clube sul-africano. O jogo contra o Fluminense será uma oportunidade de mostrar seu talento para o público brasileiro.
A Copa do Mundo de Clubes, disputada em 11 cidades dos Estados Unidos, é a maior vitrine de sua carreira até agora. Com premiações que podem chegar a R$ 713 milhões para o campeão, o torneio atrai atenção global. Ribeiro, ao lado de outros brasileiros como Arthur Sales, representa o talento nacional em um contexto internacional.