Em Sorocaba, interior de São Paulo, Emerson Gagliardi, de 48 anos, transformou sua paixão infantil pelo Fusca em uma coleção de quatro veículos que contam histórias de família, perseverança e amor pelo automóvel. No Dia Nacional do Fusca, celebrado em 22 de junho de 2025, ele compartilha com entusiasmo como adquiriu seu primeiro carro aos 14 anos e, décadas depois, realizou o sonho de possuir um raro Ocre Marajó 1974. A coleção, mantida com cuidado em sua garagem, reflete não apenas um hobby, mas uma conexão emocional com um ícone da indústria automotiva brasileira. Essa trajetória, marcada por momentos com seu pai e eventos em autódromos, destaca a relevância cultural do Fusca no Brasil.
A paixão de Emerson pelo Fusca começou na infância, quando o som característico do motor e o design inconfundível do carro o fascinavam. Ele lembra vividamente de ficar admirado com os veículos que passavam pelas ruas de Sorocaba. Esse encanto o levou a convencer seu pai a comprar seu primeiro Fusca, um modelo 1969, em 1992. “Eu vendi minha mobilete e usei a mesada para ajudar na compra. Esse carro está comigo até hoje”, conta. A aquisição marcou o início de uma jornada que mistura nostalgia e dedicação.

- Primeiro Fusca: Um modelo 1969, comprado com esforço aos 14 anos.
- Clube de entusiastas: Aos 16 anos, Emerson se tornou sócio do Fusca Clube de Sorocaba e do Brasil.
- Apoio familiar: Seu pai, mesmo sem compartilhar a mesma paixão, sempre o incentivou.
O envolvimento com o Fusca Clube foi um marco. Emerson participava de encontros e eventos, muitas vezes acompanhado pelo pai, que viajava com ele até São Paulo para apoiar seu hobby. Essa conexão familiar tornou a experiência ainda mais especial, reforçando o valor afetivo dos momentos vividos com os carros.
Uma volta inesquecível em Interlagos
Aos 16 anos, Emerson viveu um dos momentos mais marcantes de sua trajetória como colecionador. Durante um evento do Fusca Clube em São Paulo, ele teve a oportunidade de dirigir seu Fusca 1969 no autódromo de Interlagos, pista famosa por corridas históricas de pilotos como Ayrton Senna. “Foi como ser campeão do mundo. Meu pai estava ao meu lado, e aquilo ficou gravado na minha memória”, relata. O evento, que reuniu outros entusiastas, reforçou sua paixão e o incentivou a continuar investindo em sua coleção.
A experiência em Interlagos não foi apenas uma conquista pessoal, mas também um reflexo do impacto cultural do Fusca. O carro, produzido no Brasil entre 1959 e 1996, foi um símbolo de mobilidade para milhões de famílias. Sua simplicidade mecânica e durabilidade o tornaram um ícone, especialmente em cidades do interior, como Sorocaba, onde eventos de colecionadores ainda atraem multidões.

A coleção de quatro relíquias
Hoje, Emerson possui quatro Fuscas, cada um com uma história única. Além do modelo 1969, ele adquiriu um Fusca Itamar 1996, comprado com seu pai, um Fusca 1970 verde, que pertenceu a uma senhora de São Paulo, e o cobiçado Ocre Marajó 1974. “Cada carro tem um pedaço da minha vida. Eles não são só objetos, são memórias”, explica. A manutenção desses veículos exige tempo e cuidado, mas para Emerson, o esforço vale a pena.
O Fusca Itamar, produzido em edição limitada nos anos 1990, é um dos destaques da coleção. Ele representa um período de revival do modelo, quando a Volkswagen relançou o carro por demanda popular. Já o Fusca 1970, com zero quilômetro quando adquirido, impressiona pela preservação. “É como uma cápsula do tempo. Tudo original, até o cheiro de novo”, diz Emerson.
- Fusca 1969: O primeiro carro, comprado na adolescência.
- Fusca Itamar 1996: Uma edição especial, adquirida com o pai.
- Fusca 1970: Um modelo verde, preservado como novo.
- Ocre Marajó 1974: O xodó, perseguido desde a infância.
O sonho do Ocre Marajó
O Fusca Ocre Marajó 1974 é, sem dúvida, o maior orgulho de Emerson. Desde os 11 anos, ele sonhava com o carro, que pertencia a um vizinho em Sorocaba. “Eu pedia ao meu pai para me levar à casa do vizinho só para ver o carro. Era como um tesouro escondido”, lembra. O veículo, que ficou parado por décadas após o falecimento da proprietária, tinha apenas 16 mil quilômetros rodados.
A aquisição do Ocre Marajó, no entanto, não foi fácil. Emerson acompanhou a história do carro por mais de 30 anos, temendo que fosse vendido. Em 2020, após localizar a filha do vizinho, ele conseguiu convencê-la a vender o veículo. “Ela sabia do apego do pai pelo carro e só aceitou porque prometi cuidar dele com o mesmo carinho”, conta. Quando finalmente tirou o Fusca do galpão onde estava guardado, Emerson sentiu que um ciclo se completava.
A restauração do Ocre Marajó foi feita com atenção aos detalhes, preservando sua originalidade. O carro, com pintura vibrante e interior impecável, é hoje uma das joias da coleção. “É mais do que um carro. É a realização de um sonho de criança”, afirma.
A paixão que atravessa gerações
O Fusca não é apenas um veículo para Emerson; é um símbolo de conexão familiar e cultural. Ele lembra com carinho das viagens com o pai para eventos de colecionadores e das conversas sobre o carro com outros entusiastas. “O Fusca tem uma magia. Ele une pessoas, gera histórias. Não é à toa que o Dia Nacional do Fusca é tão especial”, diz.
No Brasil, o Fusca foi mais do que um meio de transporte. Lançado em 1959, ele se tornou o carro do povo, acessível e confiável. Sua produção, que se estendeu até 1996 com o relançamento do modelo Itamar, marcou gerações. Em cidades como Sorocaba, clubes de colecionadores mantêm viva essa tradição, organizando encontros e exposições.
O impacto cultural do Fusca no Brasil
O Fusca transcende o papel de automóvel e se consolida como um ícone cultural. Em sua época de maior popularidade, nas décadas de 1960 e 1970, ele era o carro preferido de famílias, taxistas e jovens. Sua simplicidade mecânica permitia reparos caseiros, enquanto o design arredondado conquistava corações. “O Fusca é universal. Ele tem fãs no mundo todo, mas no Brasil ele ganhou um lugar especial”, observa Emerson.
Eventos como o Dia Nacional do Fusca, celebrado em 22 de junho, reforçam essa relevância. Em 2025, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre organizaram exposições e desfiles de Fuscas, atraindo colecionadores e curiosos. Em Sorocaba, o Fusca Clube local realizou um encontro que reuniu dezenas de veículos, muitos deles restaurados com o mesmo cuidado dos carros de Emerson.
- Produção histórica: Fabricado no Brasil de 1959 a 1996.
- Popularidade: Foi o carro mais vendido no país por décadas.
- Eventos: Encontros de colecionadores ocorrem em todo o Brasil.
- Legado: O Fusca inspirou filmes, músicas e histórias.
Um legado que não envelhece
A coleção de Emerson é um testemunho da durabilidade do Fusca, tanto mecânica quanto emocional. Cada carro representa um capítulo de sua vida, desde a adolescência até a maturidade. Ele planeja continuar participando de eventos e, quem sabe, ampliar a coleção no futuro. “Enquanto eu puder, vou manter esses carros vivos. Eles fazem parte de mim”, declara.
O Dia Nacional do Fusca, comemorado com entusiasmo em 2025, é uma oportunidade para reconhecer a importância desse veículo na história brasileira. Para Emerson e outros colecionadores, o Fusca é mais do que um carro; é um símbolo de resiliência, simplicidade e paixão. Em Sorocaba, as ruas ainda ecoam o ronco característico desses motores, prova de que o legado do Fusca permanece firme.