Ford Everest, o SUV de sete lugares derivado da picape Ranger, está no centro das atenções da Ford para o mercado brasileiro, onde pode rivalizar com o Toyota SW4, Chevrolet Trailblazer e Mitsubishi Pajero Sport. Apresentado na Argentina em junho de 2025, o modelo chegou com preço estimado em R$ 375 mil e motor 2.3 Ecoboost turbo a gasolina de 300 cv, mas sua vinda ao Brasil ainda depende de decisões estratégicas sobre produção e motorização. A Ford avalia importar o veículo da Tailândia ou investir na fabricação em General Pacheco, Argentina, o que só ocorreria a partir de 2027. Enquanto isso, jornalistas brasileiros testaram o modelo na Patagônia, sinalizando o interesse da marca em medir a receptividade do público. A demora na definição pode limitar sua competitividade frente aos rivais já consolidados.
O SUV impressiona pelo design robusto, tecnologia avançada e desempenho off-road, mas enfrenta desafios logísticos e de mercado. A Ford busca repetir o sucesso da Ranger, vice-líder entre picapes médias, mas a escolha do motor a gasolina e a possível importação podem afastar consumidores, especialmente no segmento agropecuário, que prefere diesel.
- Diferenciais do Everest: motor turbo de 300 cv, tração 4×4 com reduzida e seis modos de condução.
- Concorrência direta: Toyota SW4, Chevrolet Trailblazer e Mitsubishi Pajero Sport, todos com forte presença no Brasil.
- Desafio principal: produção local ou importação, impactando preço e competitividade.
A decisão sobre o lançamento deve considerar a receptividade do público e a viabilidade econômica, com a Ford apostando na força da marca Ranger para atrair consumidores.
Características do Ford Everest
O Ford Everest compartilha a plataforma e o visual frontal da Ranger, com faróis, grade e logotipo idênticos, mas se diferencia pela carroceria fechada de SUV. Com 4,91 metros de comprimento, 1,92 m de largura, 1,84 m de altura e 2,90 m de entre-eixos, ele supera o Toyota SW4 em dimensões, oferecendo mais espaço interno. O porta-malas é outro destaque, com 259 litros com as três fileiras de assentos e 898 litros com a terceira fileira rebatida, ideal para famílias ou viagens longas.
A traseira do veículo apresenta lanternas bipartidas de LED conectadas por uma barra preta, conferindo um visual moderno. As portas laterais traseiras, para-lamas e tampa do porta-malas foram redesenhados para atender à proposta de SUV, mantendo a robustez da Ranger. No entanto, o modelo é 44 cm mais curto que a picape, adaptado para não carregar uma caçamba.
O design interno segue o padrão da Ranger, com acabamento superior aos concorrentes, incluindo plásticos emborrachados no painel e portas. A terceira fileira, embora generosa para o segmento, é mais adequada para crianças devido ao assoalho elevado, mas conta com porta-copos, difusores de ar e rebatimento elétrico dos encostos, facilitando o uso.
Motorização em debate
A motorização é um dos pontos mais discutidos para a possível chegada do Everest ao Brasil. Na Argentina, o modelo utiliza o motor 2.3 Ecoboost turbo a gasolina, desenvolvido em parceria com a Mazda, que entrega 300 cv e 45,5 kgfm de torque. Acoplado a um câmbio automático de dez marchas, ele garante aceleração de 0 a 100 km/h em 8,6 segundos, superando os rivais diretos.
Apesar do desempenho, a escolha por um motor a gasolina pode ser arriscada no Brasil, onde o público de SUVs derivados de picapes, especialmente no setor agropecuário, prefere motores a diesel pela robustez e economia em longas distâncias. A Ford considera oferecer o V6 3.0 turbodiesel de 250 cv, já usado na Ranger e disponível em mercados como Ásia e Oceania, como alternativa para atender a essa demanda.
O sistema de tração 4×4, com bloqueio de diferencial central e reduzida, é outro ponto forte, complementado por seis modos de condução: Normal, Eco, Escorregadio, Terra/Lama, Areia e Reboque. Testes off-road na Patagônia demonstraram a capacidade do Everest em terrenos acidentados, com ângulos de ataque (30°), central (22°) e saída (25°), além de 80 cm de capacidade de imersão, a maior da categoria.
Desempenho na estrada e fora dela
No asfalto, o Everest oferece equilíbrio entre conforto e robustez, superando concorrentes como o SW4 em estabilidade, graças à suspensão traseira com molas helicoidais e seis pontos de fixação. No entanto, a carroceria sobre chassi de longarina ainda apresenta inclinações típicas de SUVs derivados de picapes, e o ruído dos pneus é perceptível em altas velocidades.
Fora da estrada, o SUV se destaca pela facilidade em enfrentar riachos, lama e terrenos irregulares, mesmo sem usar a reduzida ou o bloqueio do diferencial. Os pneus de uso misto limitam o desempenho em condições extremas, mas a Ford poderia oferecer opções mais agressivas para o mercado brasileiro, aumentando sua versatilidade.
- Vantagens off-road: tração 4×4, modos de condução variados e alta capacidade de imersão.
- Limitações no asfalto: ruído dos pneus e inclinações em curvas.
- Potencial de melhoria: pneus lameiros para uso off-road intenso.
Tecnologia e equipamentos
O Everest Titanium, versão testada na Argentina, traz um pacote de tecnologia alinhado à Ranger. A central multimídia Sync 4 de 12 polegadas, com tela vertical, suporta Android Auto e Apple CarPlay sem fio, enquanto o quadro de instrumentos digital tem 8 polegadas. O sistema de som conta com oito alto-falantes, e o teto solar panorâmico adiciona sofisticação à cabine.
Entre os itens de conforto, destacam-se bancos de couro com ajustes elétricos, ar-condicionado digital de duas zonas, carregador por indução e freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold. A segurança é reforçada por seis airbags, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alertas de ponto cego e assistentes de faixa e tráfego cruzado traseiro.

Desafios de produção
A produção do Everest é um dos maiores entraves para sua chegada ao Brasil. Importado da Tailândia, o SUV enfrenta impostos elevados, o que o tornaria menos competitivo frente ao SW4, produzido na Argentina, e ao Trailblazer, fabricado no Brasil. A alternativa seria a fabricação em General Pacheco, ao lado da Ranger, mas isso exige investimentos significativos, com previsão de início apenas em 2027.
A Ford tem pressa para capitalizar o sucesso da Ranger, que superou a Chevrolet S10 e se consolidou como vice-líder no segmento de picapes médias, atrás apenas da Toyota Hilux. A importação temporária da Tailândia é uma possibilidade, mas poderia posicionar o Everest como coadjuvante, a exemplo do Mitsubishi Pajero Sport, que sofre com preços elevados devido à origem japonesa.
Comparação com concorrentes
O Everest enfrenta um mercado competitivo, dominado pelo Toyota SW4, líder em vendas, seguido pelo Chevrolet Trailblazer e pelo Mitsubishi Pajero Sport. O SW4, com motor 2.8 turbodiesel de 204 cv, é referência em confiabilidade e valor de revenda, enquanto o Trailblazer, com motor 2.8 turbodiesel de 200 cv, aposta na produção local para oferecer preços competitivos. O Pajero Sport, com motor 2.4 turbodiesel de 190 cv, tem presença limitada devido ao custo de importação.
O Everest se destaca pelo motor mais potente, acabamento superior e tecnologia avançada, mas precisa superar a barreira do preço e da motorização para conquistar espaço. A escolha pelo motor a gasolina, embora inovadora, pode limitar sua aceitação em um segmento onde o diesel predomina.
Estratégia da Ford no Brasil
A Ford busca fortalecer sua presença no segmento de SUVs de grande porte, onde já oferece o Territory e o Bronco Sport, mas nenhum com sete lugares. O Everest preencheria essa lacuna, atraindo famílias e consumidores do agronegócio, que valorizam robustez e versatilidade. A marca aposta na força da Ranger, que cresceu em vendas desde a renovação em 2023, para alavancar o SUV.
Testes com jornalistas brasileiros na Patagônia indicam que a Ford está avaliando a receptividade do público antes de tomar uma decisão. A reação dos consumidores e a viabilidade econômica serão cruciais para definir se o Everest chegará ao Brasil como importado ou produzido localmente.
Detalhes do mercado argentino
Na Argentina, o Everest Titanium custa cerca de R$ 375 mil, valor elevado para o segmento, mas justificado pelo pacote de tecnologia e desempenho. O modelo atraiu atenção no lançamento, com filas de espera em concessionárias de Buenos Aires, segundo relatos de portais locais. A Ford aposta na imagem premium do SUV para competir com o SW4, que domina o mercado argentino com preços a partir de R$ 320 mil.
A experiência argentina serve como termômetro para o Brasil, onde o SW4 também lidera com folga. A Ford precisa ajustar sua estratégia para evitar que o Everest repita o desempenho modesto do Pajero Sport, que vende menos de 500 unidades por ano no Brasil.
Expectativas para o futuro
A Ford planeja intensificar os estudos de mercado nos próximos meses, com base nos testes realizados e no feedback de consumidores. A possibilidade de oferecer o motor V6 3.0 turbodiesel é vista como essencial para atender às expectativas do público brasileiro, que associa SUVs de grande porte a motores diesel. Além disso, a marca avalia parcerias regionais para viabilizar a produção em General Pacheco, reduzindo custos e impostos.
O cronograma atual aponta para uma decisão em 2026, com possível lançamento no Brasil entre 2026 e 2027, caso a produção local seja aprovada. Até lá, a importação da Tailândia permanece como alternativa, mas com riscos de baixa competitividade. A Ford sabe que o sucesso do Everest dependerá de um equilíbrio entre preço, motorização e posicionamento de mercado.