Argentina

Novo Ford Everest chega com motor a gasolina e tração 4×4

Ford Everest
Ford Everest - Foto: Divulgação Ford Everest - Foto: Divulgação

O Ford Everest, SUV de sete lugares derivado da picape Ranger, começou a ser comercializado na Argentina em junho de 2025, importado da Tailândia, e já desperta interesse no mercado brasileiro. Com motor 2.3 turbo Ecoboost a gasolina, tração 4×4 e suspensão otimizada para conforto, o modelo foi testado por jornalistas na Patagônia argentina, onde demonstrou robustez e versatilidade. A Ford avalia a aceitação do público argentino para decidir sobre sua produção local em General Pacheco, o que poderia viabilizar sua chegada ao Brasil a partir de 2026. A estratégia visa competir com rivais como Toyota SW4 e Chevrolet Trailblazer, mas o motor a gasolina levanta dúvidas sobre sua aceitação no mercado agropecuário brasileiro.

A novidade chega em um momento estratégico para a Ford, que consolida a Ranger como vice-líder no segmento de picapes médias, atrás apenas da Toyota Hilux. O Everest, com design semelhante à picape na dianteira e uma traseira exclusiva com lanternas em L invertido, promete atrair consumidores que buscam um SUV robusto com capacidade off-road.

  • Principais destaques do Ford Everest:
    • Motor 2.3 Ecoboost a gasolina com 300 cv.
    • Transmissão automática de 10 marchas.
    • Suspensão traseira com molas helicoidais para maior conforto.
    • Modos de condução off-road, incluindo barro, areia e escorregadio.

O lançamento na Argentina marca o início de uma fase de testes de mercado, com a versão Titanium sendo a primeira a ser oferecida. A possibilidade de produção local pode reduzir custos e aumentar a competitividade do modelo na América do Sul.

Design e identidade visual

A estética do Ford Everest reflete sua origem compartilhada com a Ranger, mas com toques que reforçam sua personalidade como SUV. A dianteira mantém os faróis em formato de C e a grade robusta da picape, enquanto a traseira se destaca por lanternas horizontais conectadas por uma barra preta, com o nome “Everest” em relevo. O design é funcional e elegante, com linhas que equilibram sofisticação e robustez.

Internamente, o modelo replica o painel da Ranger, com uma tela multimídia vertical de 12 polegadas, quadro de instrumentos digital e acabamentos que simulam madeira em algumas versões. A cabine é espaçosa, com três fileiras de assentos que acomodam até sete passageiros. A terceira fileira, rebatível eletricamente, é um diferencial em relação a alguns concorrentes, facilitando o acesso ao porta-malas, que varia de 259 litros com todos os assentos em uso a 898 litros com a última fileira rebatida.

O cuidado com os detalhes internos reforça a proposta premium do Everest. Bancos com ajustes elétricos, teto solar panorâmico e sistemas de assistência à condução, como controle de cruzeiro adaptativo e frenagem autônoma, elevam o padrão do modelo. A Ford aposta em tecnologia para atrair consumidores que valorizam conforto sem abrir mão da capacidade off-road.

Desempenho e mecânica

O Ford Everest testado na Argentina traz um motor 2.3 turbo Ecoboost a gasolina, que entrega 300 cv e 45,4 kgfm de torque. Diferentemente de rivais como o Toyota SW4 e o Chevrolet Trailblazer, que usam motores turbodiesel, a escolha pelo propulsor a gasolina é uma aposta ousada. O motor, aliado a uma transmissão automática de 10 marchas, oferece respostas rápidas e baixo nível de ruído, o que contribui para o conforto em longas viagens.

A tração 4×4, com reduzida e bloqueio de diferencial traseiro, garante desempenho em terrenos desafiadores. Durante testes na Patagônia, o modo de condução “escorregadio” foi o mais utilizado, demonstrando eficácia em superfícies instáveis. Outros modos, como “barro” e “areia”, ampliam a versatilidade do SUV, que também conta com protetor de cárter e capacidade de imersão em até 80 cm de água.

  • Especificações técnicas do Everest Titanium:
    • Motor: 2.3 turbo Ecoboost, 300 cv, 45,4 kgfm.
    • Câmbio: Automático de 10 marchas.
    • Tração: 4×4 com reduzida e bloqueio de diferencial.
    • Dimensões: 4,91 m de comprimento, 2,90 m de entre-eixos.
    • Peso: 2.900 kg.

A suspensão traseira, com eixo rígido, seis braços e molas helicoidais, é um diferencial em relação à Ranger, que usa feixe de molas. Essa configuração reduz os sacolejos típicos de picapes e proporciona maior estabilidade, embora ainda seja perceptível em terrenos irregulares.

Estratégia de mercado na Argentina

A chegada do Everest à Argentina é um movimento calculado da Ford. Importado da Tailândia, o modelo é oferecido inicialmente na versão Titanium, com preço aproximado de 79,8 milhões de pesos argentinos, equivalente a cerca de R$ 377 mil. A escolha por uma versão bem equipada, mas não topo de linha, reflete a intenção de testar o mercado sem comprometer a imagem premium do SUV.

A Ford já sinalizou que a produção local em General Pacheco, onde a Ranger é fabricada, depende da aceitação do modelo. A fábrica argentina, modernizada recentemente, tem capacidade para incorporar o Everest sem grandes investimentos, o que facilitaria a exportação para outros mercados sul-americanos, incluindo o Brasil. A decisão, no entanto, exige um volume significativo de vendas para justificar o projeto.

Na Argentina, o Everest enfrenta concorrentes consolidados, como o Toyota SW4, líder do segmento, e o Chevrolet Trailblazer. A motorização a gasolina, embora potente, pode ser um obstáculo em um mercado onde o diesel predomina entre os SUVs derivados de picapes. A Ford, no entanto, não descarta oferecer outras opções de motorização, como o V6 3.0 turbodiesel de 250 cv, já disponível na Ranger e em versões do Everest em mercados como Austrália e Ásia.

Possibilidades para o Brasil

Embora a Ford não confirme oficialmente a chegada do Everest ao Brasil, a movimentação na Argentina e os testes realizados no país aumentam as expectativas. Em março de 2024, uma unidade do modelo na versão Titanium foi flagrada sem camuflagem em Salvador, na Bahia, onde a Ford mantém um centro de desenvolvimento no SENAI Cimatec. A placa verde indicava que o veículo estava em fase de testes, possivelmente para adaptação ao mercado sul-americano.

A produção local na Argentina seria um fator determinante para viabilizar o lançamento no Brasil. Sem os impostos de importação, o Everest poderia chegar com preços competitivos, estimados entre R$ 350 mil e R$ 400 mil, alinhados aos valores do Toyota SW4 e do Chevrolet Trailblazer. A Ranger, que já supera a Chevrolet S10 em vendas, serve como base para a confiança da Ford em expandir sua presença no segmento de SUVs grandes.

O mercado brasileiro de SUVs derivados de picapes é dominado pelo Toyota SW4, que emplacou mais de 15 mil unidades em 2024, segundo dados da Fenabrave. O Chevrolet Trailblazer, com cerca de 5 mil unidades, e o Mitsubishi Pajero Sport, com números menores, completam o cenário. O Everest teria a vantagem de herdar a reputação da Ranger, mas precisaria superar a preferência pelo diesel entre os consumidores do agronegócio, principal público-alvo do segmento.

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Ford Everest – Foto: Divulgação

Tecnologia e segurança

O Everest Titanium chega equipado com um pacote robusto de tecnologia e segurança, alinhado às expectativas do segmento premium. A central multimídia de 12 polegadas, com conectividade sem fio, é intuitiva e suporta sistemas como Apple CarPlay e Android Auto. O quadro de instrumentos digital, de 12,4 polegadas nas versões mais caras, exibe informações detalhadas, incluindo dados off-road como inclinação e ângulo de direção.

  • Recursos de segurança do Everest:
    • Seis airbags (frontais, laterais e de cortina).
    • Controle de cruzeiro adaptativo.
    • Frenagem autônoma de emergência.
    • Alertas de ponto cego e tráfego cruzado traseiro.
    • Monitoramento de pressão dos pneus.

Os sistemas de assistência à condução, como o controlador de velocidade em descidas e o assistente de permanência em faixa, reforçam a proposta do Everest como um SUV preparado para longas viagens e aventuras off-road. A câmera 360° e os sensores de estacionamento facilitam manobras, especialmente considerando o porte avantajado do veículo.

Concorrência e posicionamento

O segmento de SUVs de sete lugares derivados de picapes é altamente competitivo na América do Sul. O Toyota SW4, com motor 2.8 turbodiesel de 224 cv, é a referência em vendas e confiabilidade. O Chevrolet Trailblazer, reestilizado em 2025, aposta em um design renovado e motor 2.8 turbodiesel de 200 cv. O Mitsubishi Pajero Sport, com motor 2.4 turbodiesel de 190 cv, é outra opção, embora menos expressiva em volume de vendas.

O Everest se diferencia pelo design moderno, tecnologia embarcada e suspensão mais confortável. No entanto, a motorização a gasolina pode limitar seu apelo em um mercado onde o diesel é associado a maior economia e robustez para o trabalho rural. A possível oferta do motor V6 3.0 turbodiesel, com 250 cv, seria uma resposta direta a essa demanda, mas ainda não há confirmação para a América do Sul.

A estratégia da Ford será crucial para posicionar o Everest. A marca pode apostar em campanhas que destaquem a versatilidade do modelo, tanto para o uso urbano quanto para aventuras off-road, atraindo famílias e profissionais do agronegócio. A reputação da Ranger, que registrou 28.258 emplacamentos em 2024, contra 25.174 da Chevrolet S10, é um trunfo que a Ford pretende explorar.

Cronologia do projeto Everest

O Ford Everest não é um novato no mercado global. Lançado em 2003, o SUV é um sucesso em mercados asiáticos e da Oceania, onde compete com modelos como o Toyota Fortuner. Sua nova geração, apresentada em 2022, ampliou o alcance global, com planos de expansão para a América do Sul.

  • Etapas do Everest na região:
    • 2022: Nova geração é revelada, com produção focada na Tailândia.
    • 2024: Testes são realizados na Argentina e no Brasil.
    • Junho de 2025: Lançamento oficial na Argentina, importado.
    • 2026: Possível início da produção em General Pacheco.

A Ford estuda cuidadosamente os próximos passos. A aceitação do Everest na Argentina será decisiva para definir o cronograma de produção e a eventual chegada ao Brasil. A marca também considera a introdução de outras versões, como a Wildtrak, equipada com motor V6 turbodiesel e detalhes exclusivos, já oferecida na Austrália.

Expectativas do mercado

O interesse pelo Ford Everest no Brasil é impulsionado pela força da Ranger e pela demanda por SUVs grandes. A Ford planeja até 10 lançamentos em 2025, incluindo o Mustang manual e versões atualizadas do Bronco Sport e da F-150. O Everest, se confirmado, seria um reforço estratégico para a marca, que busca ampliar sua participação no segmento de utilitários.

A decisão de produzir o SUV na Argentina depende de fatores como competitividade de custos e regulamentações de exportação. A planta de General Pacheco, que já exporta a Ranger para diversos mercados, tem potencial para se tornar um hub de produção de derivados da picape, mas a Ford prioriza a consolidação da Ranger antes de investir em novos projetos.

O mercado brasileiro, com sua preferência por SUVs robustos, oferece uma oportunidade clara para o Everest. A Fenabrave projeta crescimento de 5% nas vendas de utilitários em 2025, o que reforça o potencial do modelo. A Ford, no entanto, precisa alinhar sua estratégia de motorização e preço para competir com o domínio do Toyota SW4.

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