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PCC se consolida em 28 países com tráfico global e infiltração em presídios

PCCC e Comando vermelho
PCCC e Comando vermelho - Foto: Globo PCCC e Comando vermelho - Foto: Globo

O Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do Brasil, foi mapeado em 28 países, onde se infiltrou em presídios para recrutar novos membros e expandir o tráfico internacional de drogas e armas, além de práticas de lavagem de dinheiro. As informações, reveladas em um relatório exclusivo do Ministério Público de São Paulo, obtido pela GloboNews e pelo g1, mostram a presença da organização em quatro continentes, com operações que vão desde o recrutamento em cadeias estrangeiras até o transporte de cocaína em contêineres e submarinos. A notícia, publicada em 24 de junho de 2025, destaca a sofisticação e o alcance global do grupo, que agora também estabelece moradias fixas de seus integrantes em outros países. O relatório tem sido apresentado a embaixadas e consulados para fomentar a cooperação internacional no combate aos crimes transnacionais.

Essa expansão reflete a capacidade do PCC de adaptar suas estratégias, aproveitando fronteiras porosas e a presença de comunidades brasileiras no exterior. A organização, que nasceu em 1993 nos presídios paulistas, transformou-se em uma rede criminosa global, desafiando autoridades de diversas nações. O mapeamento detalha como o grupo opera em países vizinhos, como Paraguai e Bolívia, e até em nações europeias, como Portugal.

Prisão, presidio, auxílio-reclusão
Prisão, presidio, auxílio-reclusão – Foto: hxdbzxy/shutterstock.com

A seguir, alguns pontos-chave do relatório:

  • Presença confirmada em 28 países, com forte atuação na América do Sul.
  • Infiltração em presídios para recrutamento de novos membros.
  • Expansão do tráfico de drogas, especialmente cocaína, para a Europa.
  • Uso de métodos sofisticados, como submarinos e contêineres, para transporte.
  • Lavagem de dinheiro em operações transnacionais.

Alcance global do PCC

O relatório do Ministério Público de São Paulo aponta que o PCC opera em pelo menos quatro continentes, com uma estrutura que combina recrutamento local e operações logísticas complexas. Na América do Sul, países como Paraguai, Venezuela, Bolívia e Uruguai são os principais polos de atuação, devido à proximidade com o Brasil e à produção de cocaína. A organização aproveita as extensas fronteiras terrestres para facilitar o tráfico de drogas e armas.

Em nações como o Paraguai, a infiltração em presídios já gerou episódios de violência. Um exemplo marcante ocorreu em 2019, quando uma rebelião liderada por membros do PCC na penitenciária de San Pedro resultou em dez mortes e 12 feridos. Esses incidentes demonstram como a facção utiliza o controle de cadeias para consolidar poder e recrutar novos integrantes, uma prática que se tornou sua marca registrada.

Na Europa, Portugal destaca-se como o principal destino do PCC, ocupando a quinta posição na lista de países com maior presença da facção. A facilidade do idioma e a significativa comunidade brasileira no país facilitam a instalação de traficantes, que muitas vezes estabelecem residência fixa. Autoridades portuguesas já registraram prisões de membros do PCC envolvidos em tentativas de transportar cocaína em embarcações adaptadas, incluindo submarinos, para cruzar o Atlântico.

Estratégias de recrutamento

A infiltração em presídios estrangeiros é uma das táticas mais eficazes do PCC para expandir sua influência. O grupo identifica detentos vulneráveis ou com habilidades específicas e os recruta para suas operações. Essa estratégia, que começou nos presídios paulistas, foi exportada para cadeias em países como Paraguai e Portugal, onde o PCC já estabeleceu redes de contatos.

O processo de recrutamento é estruturado e envolve:

  • Identificação de presos com potencial para integrar a facção.
  • Oferta de proteção e benefícios em troca de lealdade.
  • Treinamento para atividades como tráfico e lavagem de dinheiro.
  • Monitoramento contínuo para garantir fidelidade ao grupo.

Essa abordagem permite ao PCC manter um fluxo constante de novos membros, mesmo em territórios distantes. A presença de brasileiros em presídios estrangeiros, muitas vezes presos por crimes relacionados ao tráfico, facilita a criação de células locais da facção.

Tráfico internacional de drogas

O tráfico de cocaína é o principal negócio do PCC no exterior, com a Europa como destino prioritário. O porto de Santos, o maior do Brasil, é um ponto central para o envio de drogas em contêineres, utilizando a técnica conhecida como “rip-on/rip-off”. Nesse método, os criminosos arrombam contêineres, inserem grandes quantidades de droga e os selam com lacres falsificados para evitar detecção.

Nos últimos anos, o grupo também passou a usar submarinos e outras embarcações adaptadas para transportar cocaína até portos europeus. Apreensões realizadas por autoridades portuguesas confirmam a sofisticação dessas operações, que envolvem quantidades significativas de droga. Em 2021, o PCC foi incluído em uma lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, evidenciando sua relevância no cenário global do crime organizado.

Além da cocaína, o tráfico de armas é outra fonte de receita. A proximidade com países produtores de armamentos e a facilidade de contrabando nas fronteiras sul-americanas permitem ao PCC manter um arsenal robusto, que é usado tanto em operações criminosas quanto em disputas por território.

Lavagem de dinheiro

A lavagem de dinheiro é um pilar essencial para sustentar as operações globais do PCC. O grupo utiliza esquemas complexos, como o “dólar-cabo”, uma operação informal de câmbio que movimenta milhões de reais sem registros oficiais. Investigações do Ministério Público revelaram que a facção movimenta cerca de R$ 100 milhões por ano, com lucros provenientes do tráfico e de contribuições de seus membros.

Essas operações financeiras são frequentemente intermediadas por advogados e contadores cooptados pela organização. Em 2020, a Operação Sharks, deflagrada em São Paulo, desmantelou parte desse esquema, apreendendo R$ 100 mil em dinheiro vivo, explosivos e carros de luxo. A ação também identificou membros da cúpula do PCC operando na Bolívia e no Paraguai, reforçando a dimensão transnacional do grupo.

Presença na América do Sul

A América do Sul concentra a maior parte dos integrantes do PCC fora do Brasil. Paraguai, Venezuela, Bolívia e Uruguai são considerados territórios estratégicos devido à produção de cocaína e às rotas de tráfico. No Paraguai, a facção mantém uma presença consolidada, com membros residindo no país e controlando operações em presídios.

A Bolívia também é um ponto crítico, especialmente após a prisão de Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, em maio de 2025. Apontado como sucessor de Marcola, líder histórico do PCC, Tuta foi capturado em Santa Cruz de la Sierra com documentos falsos. Sua prisão revelou a profundidade da infiltração da facção no país, onde ele coordenava operações de tráfico e lavagem de dinheiro.

Atuação em Portugal

Portugal emerge como o principal hub do PCC na Europa, aproveitando a facilidade linguística e a presença de brasileiros. O país é usado como porta de entrada para a cocaína destinada ao mercado europeu, com operações que envolvem portos e redes de distribuição. A polícia portuguesa intensificou as investigações nos últimos anos, resultando em prisões e apreensões significativas.

A residência fixa de membros do PCC em Portugal é uma novidade preocupante. Diferentemente de viagens temporárias, esses integrantes estabelecem bases permanentes, o que facilita a coordenação de atividades criminosas. O relatório do Ministério Público destaca que a facção também recruta em presídios portugueses, replicando o modelo usado no Brasil.

Cooperação internacional

O mapeamento do PCC tem sido compartilhado com embaixadas e consulados para promover a cooperação entre países no combate ao crime transnacional. Autoridades brasileiras trabalham com agências internacionais, como a Interpol, para monitorar a movimentação de membros da facção e desmantelar suas redes.

A inclusão do PCC na lista de sanções dos Estados Unidos em 2021 foi um marco nesse esforço. A medida bloqueou ativos financeiros ligados à facção e aumentou a pressão sobre seus líderes. No entanto, a capacidade do grupo de se adaptar a novos cenários continua desafiando as autoridades.

Histórico da facção

Fundado em 1993 na Casa de Custódia de Taubaté, o PCC surgiu com o discurso de combater a opressão no sistema prisional brasileiro. Seus fundadores, como Mizael Aparecido da Silva e José Márcio Felício, criaram uma organização que rapidamente se expandiu para além das cadeias. A facção ganhou notoriedade após o Massacre do Carandiru, em 1992, que serviu como catalisador para sua formação.

Ao longo das décadas, o PCC consolidou sua hegemonia nos presídios paulistas e expandiu suas operações para o tráfico internacional. A liderança de Marcola, que assumiu o controle anos após a fundação, foi crucial para transformar o grupo em uma máfia global. Mesmo preso em uma penitenciária federal, Marcola continua influenciando as decisões da organização.

Operações contra o PCC

Nos últimos anos, diversas operações policiais tentaram enfraquecer o PCC. A Operação Sharks, em 2020, revelou a estrutura da nova cúpula da facção e resultou na prisão de membros importantes, como Tuta. Outra ação significativa ocorreu em janeiro de 2025, quando 12 pessoas, incluindo advogados e líderes de uma ONG ligada ao PCC, foram presas em São Paulo.

Essas operações expuseram a sofisticação do grupo, que mantém setores especializados, como os de saúde e assistência jurídica, para apoiar seus integrantes. A descoberta de um “plano de saúde” para presos, com médicos e dentistas cooptados, ilustra a capacidade do PCC de se infiltrar em diferentes esferas da sociedade.

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