A Escola Nacional de Administração Pública (Enap) assumiu, em 25 de junho de 2025, a responsabilidade pela execução da segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU), conhecido como “Enem dos Concursos”. A decisão, formalizada por decreto publicado no Diário Oficial da União, transfere a gestão integral do certame, antes conduzida pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), para a Enap. A mudança visa fortalecer a governança do processo, que oferecerá 3.652 vagas em 36 órgãos federais, com lotações em cinco localidades, incluindo Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. O edital está previsto para julho, com provas marcadas para 5 de outubro em 228 cidades. A alteração reflete o objetivo de aprimorar a eficiência e a transparência do concurso, que atrai milhares de candidatos em busca de carreiras públicas com salários iniciais de até R$ 17,8 mil.
A transição para a Enap marca uma nova fase para o CNU, que se consolidou como um modelo inovador de seleção pública. A instituição, referência na formação de servidores federais, agora gerencia desde o recebimento de inscrições até a divulgação dos resultados. O MGI manterá o acompanhamento das ações, garantindo a integridade do processo.
O certame é aguardado por concurseiros de todo o país, especialmente pela diversidade de cargos e pela capilaridade das provas. As vagas abrangem níveis médio, técnico e superior, com destaque para oportunidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e na própria Enap, que ofertará 21 vagas para Técnico em Assuntos Educacionais.
Principais detalhes do CNU 2025:
- Vagas: 3.652, distribuídas em 36 órgãos federais.
- Locais de lotação: Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Pernambuco.
- Cronologia: Edital em julho, provas em 5 de outubro (objetivas) e 7 de dezembro (discursivas).
- Salários: Até R$ 17,8 mil para cargos de nível superior.
Nova governança do certame
A transferência da execução do CNU para a Enap foi acompanhada por mudanças na Comissão de Governança do concurso. A inclusão da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública ampliou a capacidade técnica do colegiado, que já conta com representantes do MGI, Advocacia-Geral da União, Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da própria Enap.
O decreto de 25 de junho formalizou a Enap como promotora do certame, permitindo que a instituição assuma a coordenação técnica e operacional. A mudança busca otimizar a gestão, especialmente após o sucesso da primeira edição, que enfrentou desafios logísticos devido à aplicação das provas em um único dia. Para 2025, o MGI decidiu dividir as provas em duas datas, reduzindo a sobrecarga para candidatos e organizadores.
A Enap, criada em 1986, é reconhecida por sua expertise em capacitação de servidores públicos. Sua escolha para liderar o CNU reforça o compromisso do governo com a profissionalização do serviço público, garantindo um processo seletivo mais estruturado e confiável.
Estrutura das provas
A segunda edição do CNU traz inovações no formato das provas, projetadas para facilitar a participação de candidatos em todo o país. As provas objetivas, marcadas para 5 de outubro, serão aplicadas no período da tarde em 228 cidades, abrangendo todas as regiões brasileiras. Os candidatos habilitados serão convocados para a prova discursiva, agendada para 7 de dezembro.
A divisão das provas em dois dias foi uma resposta às críticas da primeira edição, que concentrou todo o processo em uma única data. A ministra Esther Dweck, titular do MGI, destacou que a mudança visa melhorar a experiência dos candidatos e a logística da aplicação, especialmente em cidades menores.
Os cargos do CNU estão organizados em blocos temáticos, permitindo que os candidatos escolham áreas de atuação alinhadas com suas formações. Entre os cargos mais aguardados estão os de Analista Técnico de Justiça e Defesa (ATJD) e Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico (ATDS), que incluem cursos de formação eliminatórios e classificatórios coordenados pela Enap.
Vagas e lotações
O CNU 2025 oferecerá 3.652 vagas, das quais mais de 3 mil serão destinadas a órgãos sediados em Brasília. As demais oportunidades estão distribuídas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Pernambuco, com possibilidade de expansão para outras regiões, conforme decisões dos órgãos participantes.
Entre os órgãos com vagas confirmadas, destacam-se:
- INSS: 300 vagas para Analista do Seguro Social.
- Enap: 21 vagas para Técnico em Assuntos Educacionais.
- Ministérios e agências: 1.700 vagas distribuídas entre 22 órgãos, incluindo ANP, Fundacentro e Imprensa Nacional.
A maioria das vagas é de nível superior, totalizando 4.144 oportunidades, enquanto 508 são destinadas a cargos de nível médio e técnico. A remuneração inicial varia conforme o cargo, com valores que podem ultrapassar R$ 10 mil no topo das carreiras, especialmente após avaliações de desempenho.
A Enap, por exemplo, oferece salários iniciais de R$ 5.982,49 para Técnico em Assuntos Educacionais, com possibilidade de chegar a R$ 6.818,69 após a primeira avaliação. As atribuições do cargo incluem atividades pedagógicas e de pesquisa na administração pública, com foco em políticas educacionais.
Papel da Enap na formação
Além de coordenar o CNU, a Enap será responsável pelos cursos de formação de cinco carreiras específicas, como Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG). Esses cursos, presenciais e realizados em Brasília, têm duração de até 440 horas e são eliminatórios e classificatórios.
Os candidatos convocados para os cursos devem realizar matrícula no site da Enap entre 10 e 18 de março de 2025. A aprovação exige aproveitamento mínimo de 70% da pontuação total, com pelo menos 60% em cada eixo programático e frequência de até 25% de faltas justificadas.
A Enap também apoia tecnicamente a elaboração do conteúdo programático do CNU, definindo temas e estratégias pedagógicas. Sua atuação abrange desde o planejamento didático até o acompanhamento sistêmico do certame, garantindo alinhamento com as demandas da administração pública federal.
Escolha da banca organizadora
A definição da banca organizadora do CNU 2025 está prevista para meados de junho, com pelo menos dez instituições na disputa. O edital, esperado para julho, trará detalhes sobre os blocos temáticos, conteúdos programáticos e procedimentos de inscrição.
A escolha da banca é um momento crucial, pois determina a qualidade e a transparência do processo seletivo. Na primeira edição, o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) foi responsável por parte dos cursos de formação, mas a Enap assume um papel mais central em 2025.
A ministra Esther Dweck destacou que a diversificação regional das provas e a inclusão de novas carreiras transversais, como ATJD e ATDS, ampliam o alcance do CNU, promovendo maior inclusão e acessibilidade para candidatos de diferentes perfis.
Preparação dos candidatos
Com o edital próximo, concurseiros intensificam os estudos para o CNU 2025. A estrutura do concurso, com blocos temáticos, permite que candidatos de diversas formações concorram a cargos compatíveis com suas áreas de conhecimento.
Os cargos de nível superior exigem graduação em áreas específicas ou qualquer área, dependendo da carreira. Para cargos de nível médio, como os do INSS, a escolaridade mínima é o ensino médio completo, o que atrai um grande número de inscritos.
A Enap disponibiliza materiais de apoio e cursos de capacitação na plataforma Escola Virtual Gov, que podem auxiliar na preparação dos candidatos. A instituição também promove a Jornada Gov.Br, focada em competências digitais e proteção de dados, temas relevantes para o serviço público moderno.
Ampliação da diversidade regional
Uma das inovações do CNU 2025 é a expansão das cidades onde as provas serão aplicadas, totalizando 228 municípios. A medida visa reduzir barreiras geográficas, permitindo que candidatos de regiões menos atendidas participem do certame.
Na primeira edição, a aplicação em mais de 200 cidades foi considerada um sucesso, mas a concentração das provas em um único dia gerou dificuldades logísticas. A divisão em duas datas busca resolver esse problema, garantindo maior conforto e eficiência.
As lotações regionais, embora concentradas em Brasília, refletem a estrutura dos órgãos federais, muitos com sedes na capital. No entanto, órgãos como o INSS e o Ministério da Defesa possuem unidades descentralizadas, o que pode ampliar as vagas em outras regiões no futuro.
Investimento em capacitação
A escolha da Enap para liderar o CNU reforça seu papel estratégico na transformação da administração pública. Fundada em 1986, a instituição tem como missão desenvolver competências de servidores para aprimorar a gestão de políticas públicas.
Além do CNU, a Enap oferta cursos de alto desempenho, como os da Educação Executiva, que abordam temas como transformação digital e segurança da informação. Essas iniciativas complementam a formação dos aprovados no concurso, preparando-os para os desafios do serviço público.
A instituição também mantém um quadro de 46 cargos vagos, o que justifica a oferta de 21 vagas no CNU 2025. A recomposição do quadro funcional é essencial para manter a qualidade dos serviços prestados pela Enap, especialmente em atividades pedagógicas e de pesquisa.
Expectativas para o edital
O edital do CNU 2025 é aguardado com grande expectativa, especialmente pelos detalhes sobre os blocos temáticos e a distribuição final das vagas. A previsão é que as inscrições sejam abertas em julho, com um prazo de cerca de um mês para os candidatos se prepararem.
A segunda edição do CNU consolida o modelo unificado como uma referência em concursos públicos, combinando eficiência, transparência e inclusão. A liderança da Enap, aliada ao acompanhamento do MGI, garante que o certame atenda às necessidades da administração pública e dos candidatos.