A primeira onda de frio do inverno de 2025, iniciada na segunda-feira (23), alcança seu ápice nesta quarta-feira (25), trazendo temperaturas mínimas recordes para capitais do Sul e Sudeste do Brasil. Em São Paulo, a previsão é de 5°C, enquanto Curitiba pode registrar 1°C e Porto Alegre, 4°C. O fenômeno, causado por uma intensa massa de ar polar, afeta estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sudoeste de Minas Gerais, com geadas previstas em áreas agrícolas. O frio, que deve persistir até sexta-feira (27), resulta de uma combinação de alta umidade e temperaturas até 5°C abaixo da média, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A geada, mais intensa no Sul, ameaça plantações e exige atenção de agricultores.
Essa onda de frio, a terceira do ano, mas a primeira do inverno, destaca-se pela intensidade e extensão geográfica. Diferentemente de eventos anteriores, a massa polar avança com força, mantendo o tempo firme e seco na maioria das regiões afetadas. Em algumas áreas, como o litoral norte do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, há previsão de pancadas isoladas, mas o predomínio é de céu claro e temperaturas baixas. O fenômeno também chama atenção por suas implicações econômicas e sociais, especialmente em regiões agrícolas e urbanas despreparadas para o frio extremo.
- Principais áreas afetadas: Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sudoeste de Minas Gerais.
- Riscos destacados: Geada intensa no Sul, com potencial de perdas em plantações.
- Duração prevista: Até sexta-feira (27), com pico na quarta-feira (25).
Geada ameaça agricultura no Sul
A formação de geada, comum em períodos de frio intenso, ocorre quando a umidade do ar se condensa em superfícies, formando uma camada de gelo. Nesta quarta-feira, o fenômeno é esperado em todos os estados do Sul, além de São Paulo, sul de Minas Gerais e partes do Mato Grosso do Sul. Regiões centrais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul enfrentam maior risco, com temperaturas entre 0°C e 3°C. Nessas áreas, plantações de milho, trigo e hortaliças podem sofrer danos significativos.

O Inmet alerta que a geada pode comprometer a safra agrícola, especialmente em pequenas propriedades rurais. Em Pato Branco, no Paraná, agricultores já relatam camadas de gelo em pastagens e culturas sensíveis. A intensidade do fenômeno depende de fatores como umidade e ventos, que amplificam a sensação térmica de frio. Para minimizar perdas, especialistas recomendam técnicas como irrigação controlada e cobertura de plantas.
Recordes de temperatura nas capitais
As capitais do Sul e Sudeste registram mínimas históricas para 2025. Curitiba, com previsão de 1°C, supera o recorde anterior de 1,2°C, registrado na terça-feira (24). Porto Alegre espera 4°C, abaixo dos 5,7°C de 2 de junho. Em São Paulo, a mínima de 5°C é a mais baixa do ano, comparada aos 8,8°C de 30 de maio.
- Curitiba: 1°C, com sensação térmica próxima de zero em áreas altas.
- Porto Alegre: 4°C, com geada em bairros periféricos.
- São Paulo: 5°C, com frio mais intenso na zona sul e oeste.
Essas temperaturas, segundo a Climatempo, refletem a força da massa de ar polar, que bloqueia frentes quentes e mantém o ar frio estacionado. O fenômeno é mais severo em áreas de maior altitude, como a Serra Gaúcha e a Mantiqueira, onde termômetros podem marcar valores negativos.
Frio se estende ao Centro-Oeste
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e Distrito Federal enfrentam manhãs geladas, com temperaturas entre 6°C e 8°C. Campo Grande, capital sul-mato-grossense, registra 6°C, a menor marca do ano. A ausência de chuvas e o céu claro intensificam o resfriamento noturno, especialmente em áreas rurais.
Em Goiás, cidades como Jataí e Rio Verde relatam geada leve, um evento raro para a região. No Distrito Federal, a mínima de 8°C surpreende moradores, acostumados a invernos mais amenos. A massa polar, embora menos intensa no Centro-Oeste, mantém o tempo seco, aumentando a demanda por energia elétrica para aquecimento.
Previsão para os próximos dias
A massa de ar polar perde força gradualmente a partir de quinta-feira (26), mas as temperaturas permanecem baixas até sexta-feira (27). No Sul, as mínimas devem variar entre 3°C e 6°C, com geada menos intensa. Em São Paulo, a previsão é de 7°C na quinta-feira, com aumento gradativo no fim de semana.
O Inmet destaca que frentes quentes podem trazer chuvas isoladas ao litoral sudeste a partir de sábado (28), elevando as temperaturas. No entanto, áreas altas do Sul e Sudeste ainda podem registrar geadas leves até o início da próxima semana. A Climatempo prevê que o inverno de 2025 será mais rigoroso que o de anos anteriores, devido a padrões climáticos como o La Niña, que favorece massas de ar frio.
Impactos nas cidades urbanas
Nas grandes cidades, o frio intenso altera a rotina de moradores. Em São Paulo, a prefeitura intensifica ações de acolhimento para pessoas em situação de rua, com abertura de abrigos temporários. Em Curitiba, a demanda por transporte público aumenta, enquanto motoristas enfrentam dificuldades com vidros embaçados e baterias de veículos descarregadas.
- Ações municipais: Ampliação de vagas em albergues e distribuição de cobertores.
- Transporte: Atrasos em linhas de ônibus devido ao frio e nevoeiro.
- Saúde: Aumento de casos de doenças respiratórias, como gripes e pneumonias.
Hospitais relatam maior procura por atendimentos relacionados a problemas respiratórios, especialmente entre idosos e crianças. Médicos recomendam hidratação, uso de roupas adequadas e evitar exposição prolongada ao frio.
Diferenças entre fenômenos de inverno
A onda de frio traz à tona fenômenos típicos do inverno, como geada, chuva congelada e neve. A geada, mais comum, ocorre em superfícies expostas ao frio úmido. Chuva congelada, menos frequente, é chuva que gela ao tocar o solo. Neve, rara no Brasil, exige condições específicas de umidade e altitude, sendo mais provável em cidades como São Joaquim (SC).
No inverno de 2025, a neve é improvável, mas a geada predomina. Em 2023, nevascas leves foram registradas na Serra Catarinense, mas as condições atuais favorecem apenas a formação de gelo superficial. Esses fenômenos, embora naturais, desafiam a infraestrutura urbana e rural, exigindo preparo de governos e comunidades.
Agricultura sob alerta
A geada preocupa agricultores do Sul e Sudeste, onde culturas sensíveis, como frutas e hortaliças, são predominantes. No Paraná, a produção de café também está em risco, com possíveis perdas de até 10% em algumas lavouras. Técnicas de proteção, como aquecimento de estufas e cobertura com lonas, são adotadas, mas os custos elevados dificultam a aplicação em pequenas propriedades.
No Mato Grosso do Sul, a pecuária enfrenta desafios, com pastagens afetadas pelo gelo. Pecuaristas relatam aumento nos gastos com ração para manter o gado aquecido. O governo estadual anunciou linhas de crédito emergenciais para apoiar produtores rurais, mas a burocracia pode atrasar a liberação dos recursos.
Frio histórico no inverno de 2025
O inverno de 2025 já é considerado um dos mais frios das últimas décadas, superando os registros de 2023 e 2024. A combinação de massas polares frequentes e o efeito do La Niña intensifica as ondas de frio. Dados do Inmet mostram que as temperaturas no Sul estão até 6°C abaixo da média histórica para junho.
Cidades serranas, como Gramado (RS) e Campos do Jordão (SP), atraem turistas em busca do clima gelado, impulsionando o comércio local. Hotéis e pousadas registram ocupação próxima de 90%, mas a alta demanda pressiona os preços de hospedagem e alimentação.
Preparação para o frio intenso
Autoridades recomendam medidas para enfrentar as baixas temperaturas. Em áreas urbanas, o uso de aquecedores exige cuidado para evitar incêndios. Nas zonas rurais, agricultores são orientados a monitorar a previsão do tempo e adotar práticas de proteção às lavouras.
- Recomendações para moradores: Usar roupas quentes, manter ambientes ventilados e evitar aquecedores sem manutenção.
- Apoio governamental: Distribuição de kits de inverno em comunidades vulneráveis.
- Prevenção agrícola: Irrigação noturna e cobertura de plantas para reduzir danos por geada.
A onda de frio, embora desafiadora, é um lembrete da força dos fenômenos climáticos no inverno brasileiro. A preparação adequada é essencial para minimizar seus efeitos em diferentes setores da sociedade.