A Renault deu um passo importante para lançar a picape Niagara, com as primeiras unidades pré-série produzidas na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, Argentina, na semana passada. Conhecido internamente como Projeto H1312, o modelo teve quatro protótipos enviados ao Brasil para avaliação na fábrica de São José dos Pinhais, Paraná, com previsão de estreia em meados de 2026. A picape, que usará a plataforma CMF-B e tecnologia híbrida E-Tech 4×4, mira concorrentes como Fiat Toro e Ram Rampage, com um posicionamento premium e comprimento próximo a 4,90 metros. A produção, que não interrompeu a linha de montagem de Kangoo, Logan e Sandero, reflete um investimento de US$ 350 milhões na modernização da planta argentina. O projeto visa atender o mercado latino-americano, com 70% da produção destinada à exportação, especialmente para o Brasil.
O desenvolvimento da Niagara marca a estratégia da Renault de ampliar sua presença no segmento de picapes intermediárias. A fábrica de Córdoba, que produzirá 65 mil unidades anuais, foi escolhida para se especializar em utilitários, evitando concorrência direta com a unidade paranaense, focada em veículos de passeio.
A tecnologia híbrida, confirmada para a Niagara, combina um motor 1.3 turbo flex com um sistema elétrico 4×4, prometendo eficiência e desempenho off-road. Clínicas com consumidores brasileiros indicaram preferência pelo modelo em relação a rivais, destacando seu porte e design robusto.
Primeiros protótipos em produção
A fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, produziu quatro unidades pré-série da Niagara na semana passada, sem pausas na linha que fabrica Kangoo, Logan e Sandero. Essas unidades, enviadas ao Brasil, serão avaliadas pela engenharia da Renault em São José dos Pinhais para ajustes antes da produção em série, prevista para o segundo semestre de 2026.
Desde o início de 2025, a planta argentina fabricou, em média, três protótipos mensais do Projeto H1312. A escolha de Córdoba reflete a decisão de especializar a fábrica em utilitários, enquanto São José dos Pinhais foca em modelos como o Kardian. O investimento de US$ 350 milhões modernizou a unidade, que planeja exportar 70% de sua produção para países como Brasil e Colômbia.
- Detalhes da produção inicial:
- Quatro unidades pré-série fabricadas em junho de 2025.
- Protótipos enviados para avaliação no Brasil.
- Produção sem interrupção na linha de montagem.
- Meta de 65 mil unidades anuais a partir de 2026.
Tecnologia híbrida E-Tech 4×4
A Niagara contará com a tecnologia E-Tech Hybrid 4×4, confirmada aos funcionários envolvidos no projeto. O sistema combina um motor 1.3 turbo flex, com até 163 cv, e um mild-hybrid 48V na dianteira, acoplado a um motor elétrico na traseira, garantindo tração 4×4. O câmbio é automatizado de dupla embreagem com seis marchas, similar ao usado no Renault Kardian.
O conjunto híbrido permite que a picape opere em modo 100% elétrico em até 50% dos trajetos diários, reduzindo emissões de CO2. A Renault destaca que o sistema oferece desempenho off-road comparável a veículos 4×4 tradicionais, com foco em eficiência energética. Testes iniciais sugerem que a Niagara prioriza economia, mas mantém agilidade em terrenos variados.
A motorização híbrida flex alinha-se à tendência de eletrificação no Brasil, onde combustíveis como etanol são amplamente utilizados. A produção do motor será parcialmente local, pela Horse, em parceria com a Renault, reduzindo custos logísticos.

Design inspirado no conceito
O visual da Niagara de produção manterá elementos do conceito apresentado em 2023, com ajustes para viabilidade comercial. A carroceria exibe linhas robustas, com vincos pronunciados nas portas e uma grade frontal ampla, inspirada no Renault Rafale. Faróis, maçanetas e grade serão preservados, enquanto retrovisores e rodas serão simplificados em relação ao protótipo.
Com 4,90 metros de comprimento e entre-eixos de até 2,95 metros, a Niagara se equipara à Fiat Toro e Ram Rampage, superando a Oroch (4,70 metros). O design, descrito como premium, inclui iluminação LED e detalhes que remetem ao “Pixel Art”, com cores como verde e amarelo simbolizando aventura e esportividade.
A Renault realizou clínicas com consumidores brasileiros, onde a Niagara superou rivais como Toro e picapes médias, graças ao porte e à estética agressiva. O designer Daniel Nozaki destacou que o modelo não substituirá a Oroch, mas coexistirá como uma opção mais sofisticada.
Plataforma modular CMF-B
A Niagara utiliza a plataforma CMF-B, a mesma do Renault Kardian, conhecida por sua flexibilidade. Com entre-eixos ajustável entre 2,60 e 2,95 metros, a plataforma suporta diferentes carrocerias e motorizações, incluindo híbridas e flex. A estrutura monobloco garante maior rigidez torcional e segurança em relação à Oroch, que usa a antiga plataforma B0.
A CMF-B permite integração de tecnologias avançadas, como sistemas de assistência à condução e conectividade. A Niagara terá arquitetura elétrica moderna, compatível com normas de segurança latino-americanas, e espera-se que alcance nota máxima em testes do Latin NCAP, com seis airbags e controles de estabilidade de série.
- Características da plataforma CMF-B:
- Entre-eixos ajustável de 2,60 a 2,95 metros.
- Suporte a motorizações híbridas e flex.
- Arquitetura elétrica para assistências avançadas.
- Estrutura monobloco com alta rigidez.
Posicionamento premium no mercado
A Renault posiciona a Niagara como um produto premium, acima de Fiat Toro e Ram Rampage, segundo Daniel Nozaki, diretor de design da Renault América Latina. A picape não substituirá a Oroch, que permanecerá como opção de entrada, focada no trabalho. A Niagara, com materiais de alta qualidade e tecnologias avançadas, mira consumidores que buscam sofisticação e versatilidade.
Clínicas realizadas no Brasil mostraram preferência pela Niagara frente a concorrentes, incluindo picapes de uma tonelada, devido ao seu tamanho e design. A picape será vendida em toda a América Latina, com potencial expansão para mercados como África do Sul. A Renault aposta na Niagara para dobrar o preço médio de seus veículos fora da Europa até 2027.
Investimento e exportação
A fábrica de Santa Isabel recebeu US$ 350 milhões (R$ 2 bilhões) para produzir a Niagara, com modernizações que incluíram novos robôs e estações de montagem. A unidade, que emprega 2.200 trabalhadores, tem capacidade para 70 mil veículos anuais, mas planeja atingir 65 mil unidades da Niagara, com 70% destinadas à exportação.
O Brasil será o principal mercado, seguido por Colômbia e outros países latino-americanos. A Renault também avalia exportar para mercados globais, como a África, onde a Oroch já foi considerada. A produção local reduz custos logísticos e fortalece a economia da região, com foco em sustentabilidade, como uso de energia renovável na fábrica.
Avaliação no Brasil
As quatro unidades pré-série enviadas ao Brasil estão sendo testadas em São José dos Pinhais, com foco em desempenho, durabilidade e adaptação ao mercado local. A engenharia avalia o comportamento dinâmico da picape em diferentes terrenos, especialmente com a tração 4×4 híbrida. Testes incluem simulações urbanas e off-road, com ajustes previstos para o motor flex e a suspensão.
A Renault também analisa a integração de sistemas de conectividade, como multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, e assistências como frenagem autônoma e alerta de ponto cego. Os resultados das clínicas brasileiras, que destacaram o design e o porte, orientam os ajustes finais para atender às preferências locais.
Concorrência no segmento
A Niagara enfrentará Fiat Toro, Ram Rampage e Ford Maverick no segmento de picapes intermediárias, que cresce na América Latina. Com 4,90 metros, a picape se alinha às dimensões dos rivais, mas se diferencia pelo sistema híbrido 4×4 e posicionamento premium. A Toro, líder de vendas, oferece motores flex e diesel, enquanto a Rampage foca em desempenho com opções turbo.
A Renault aposta na eficiência do sistema E-Tech e no design sofisticado para atrair consumidores. A coexistência com a Oroch, que custa cerca de R$ 110 mil, permite à marca cobrir faixas de preço distintas, com a Niagara partindo de valores estimados acima de R$ 180 mil. O segmento representou 15% das vendas de veículos no Brasil em 2024, segundo a Fenabrave.
- Concorrentes diretos da Niagara:
- Fiat Toro: líder com motores flex e diesel.
- Ram Rampage: foco em desempenho turbo.
- Ford Maverick: importada com opções híbridas.
- Chevrolet Montana: monobloco com motor 1.2 turbo.
Estratégia global da Renault
A Niagara faz parte do plano “International Game Plan 2027”, que prevê oito novos modelos fora da Europa, com investimento de € 3 bilhões. Cinco desses veículos serão dos segmentos C e D, visando maior lucratividade. A Renault, que realizou 43% de suas vendas globais fora da Europa em 2022, busca dobrar o preço médio por veículo até 2027.
A picape integra a nova plataforma modular RGMP, usada também pelo Kardian e pelo futuro SUV Boreal. A estratégia inclui motorizações variadas, como flex, híbridas e GPL, adaptadas a mercados como América Latina, Índia e Turquia. A Niagara reforça a presença da Renault no Brasil, seu segundo maior mercado, atrás apenas da França.
Preparativos para o lançamento
A Renault planeja iniciar a produção em série no segundo semestre de 2026, com mulas de teste fabricadas em 2025. O nome final da picape ainda não foi confirmado, mas “Niagara” é o favorito, distanciando-se da Oroch, associada a veículos de trabalho. O lançamento no Brasil ocorrerá em eventos regionais, com pré-venda prevista para o primeiro semestre de 2026.
A campanha de marketing destacará o design premium, a tecnologia híbrida e a versatilidade off-road, com foco em consumidores urbanos e rurais. A Renault também planeja oferecer pacotes de acessórios, como racks de teto e estribos, para personalização.