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Governo de MG eleva tarifa de ônibus metropolitanos para R$ 8,20 a partir de julho

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Ônibus - Foto: Roberto Resston Fo / Shutterstock.com Ônibus - Foto: Roberto Resston Fo / Shutterstock.com

A partir de 1º de julho de 2025, os moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte enfrentarão um aumento de 6,49% nas tarifas dos ônibus metropolitanos, conforme decisão do Governo de Minas Gerais. A medida, anunciada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), eleva a tarifa predominante de R$ 7,70 para R$ 8,20, impactando diretamente as 636 linhas que operam na Grande BH. O reajuste, autorizado em 30 de dezembro de 2024, visa cobrir custos operacionais e acompanhar a inflação, mas tem gerado debates entre usuários e especialistas sobre a qualidade do serviço. A mudança ocorre logo após o aumento da tarifa do metrô, que passou para R$ 5,80, intensificando as discussões sobre mobilidade urbana na região.

O governo justifica a correção com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que reflete a inflação acumulada no período. Além disso, a Seinfra destaca que o percentual aprovado é 33% inferior ao solicitado pelas empresas de transporte, que reivindicavam um aumento de 8,70%. A decisão busca equilibrar a sustentabilidade do sistema, que realiza até 14 mil viagens diárias, com a necessidade de manter o serviço acessível à população.

Para esclarecer os impactos, a tabela completa das novas tarifas foi disponibilizada no site do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). A medida abrange desde linhas curtas até trajetos mais longos, como a conexão entre Betim e o Aeroporto de Confins, que também sofrerá ajuste.

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ônibus – Foto: wsfurlan/istockphoto.com
  • Principais mudanças: A tarifa principal sobe de R$ 7,70 para R$ 8,20, afetando a maioria das linhas.
  • Linhas específicas: Rotas menos frequentes terão aumentos proporcionais, com valores detalhados no DER-MG.
  • Bilhetagem eletrônica: Créditos do Cartão Ótimo adquiridos antes do reajuste manterão o valor antigo por 30 dias.

Aumento após o metrô
O reajuste dos ônibus metropolitanos vem na esteira do aumento da tarifa do metrô de Belo Horizonte, que passou de R$ 5,50 para R$ 5,80 em 1º de julho de 2025, com um incremento de 5,45%. A proximidade entre os dois ajustes intensifica as críticas de usuários, que questionam a falta de melhorias perceptíveis no transporte público. Segundo a Seinfra, ambos os aumentos seguem cláusulas contratuais de concessão, que preveem correções anuais com base em índices inflacionários.

A tarifa do metrô, que acumula alta de 222% em seis anos, já havia gerado debates sobre a relação custo-benefício do sistema, que opera com apenas 28,1 km de extensão. O aumento dos ônibus reforça a percepção de encarecimento do transporte na Grande BH, especialmente para trabalhadores que dependem de múltiplos modais. Um passageiro que utiliza metrô e ônibus diariamente, por exemplo, terá um gasto mensal adicional significativo, pressionando o orçamento familiar.

Justificativas do governo
A Seinfra argumenta que o reajuste é essencial para manter a operação do sistema metropolitano, que enfrenta custos crescentes com combustíveis, manutenção e pessoal. Em 2019, um aumento anterior de 4,46% já havia sido justificado por fatores semelhantes, mas a ausência de cobradores desde 2017 reduziu parte das despesas fixas. Mesmo assim, os custos variáveis, como diesel e peças, representam 41,49% do cálculo do reajuste, enquanto os custos fixos, como depreciação de veículos, respondem por 40,05%.

O governo também destaca investimentos recentes, como a renovação de 144 ônibus em 2024, com promessa de incorporar 850 novos veículos até o final de 2025. Esses coletivos, segundo a gestão estadual, visam reduzir a idade média da frota de 11 para 6 anos, melhorando segurança e conforto. No entanto, a entrega de apenas 100 veículos operacionais até o momento gera ceticismo entre os usuários.

  • Custos operacionais: Combustível e manutenção são os principais vilões do aumento.
  • Renovação da frota: 850 novos ônibus estão previstos até o final de 2025.
  • Idade média da frota: Meta é reduzir de 11 para 6 anos.
  • Bilhetagem digital: Sistema eletrônico é usado por 85% dos passageiros.

Reações da população
O aumento das tarifas tem gerado descontentamento entre os moradores da Grande BH. Em redes sociais, usuários relatam que os reajustes frequentes não acompanham melhorias tangíveis, como maior frequência de linhas ou redução de lotação nos horários de pico. Moradores de cidades como Santa Luzia e Ribeirão das Neves, que dependem do transporte metropolitano para acessar Belo Horizonte, são particularmente afetados.

Um exemplo é o operador de telemarketing Douglas Rodrigues, de Santa Luzia, que utiliza linhas alimentadoras no bairro Duquesa 1. Ele reclama da baixa frequência nos finais de semana, com intervalos de até duas horas, e cobra a ampliação de horários. A percepção de que os novos ônibus não resolvem problemas estruturais, como superlotação, é compartilhada por outros passageiros entrevistados por portais locais.

Investimentos prometidos
Além da renovação da frota, o governo estadual anunciou a construção de corredores exclusivos de ônibus em Santa Luzia e Ribeirão das Neves. Esses projetos, financiados com recursos estaduais e federais, prometem melhorar a fluidez do tráfego e reduzir o tempo de viagem. A Seinfra também planeja a integração de tecnologias, como sistemas de bilhetagem digital mais eficientes, para facilitar o uso do transporte.

A entrega de 38 novos ônibus para Santa Luzia e 17 para Betim, por exemplo, foi destacada como parte do esforço para atender áreas com maior volume de reclamações. No entanto, a ausência de planos concretos para ampliar a frota ou aumentar a frequência das linhas frustra expectativas de melhorias imediatas.

Comparação com outros estados
Em São Paulo, as tarifas de ônibus, metrô e trens também sofreram reajustes em 2025, mas com percentuais menores. A tarifa de ônibus na capital paulista passou de R$ 4,40 para R$ 5,00, um aumento de 13,6%, enquanto o metrô e os trens subiram de R$ 5,00 para R$ 5,20, com alta de 4%. A integração entre modais em São Paulo, que custa R$ 8,90, é comparável ao custo combinado de ônibus e metrô na Grande BH, mas a capital mineira enfrenta desafios adicionais devido à menor extensão do sistema metroviário.

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) de São Paulo, responsável pelas linhas intermunicipais, ajustou tarifas com aumentos entre R$ 0,25 e R$ 0,30, variando conforme a distância. O corredor ABD, que conecta São Mateus a Jabaquara, passou de R$ 5,80 para R$ 6,05. Esses valores, embora semelhantes aos de Minas Gerais, refletem um sistema com maior capilaridade e integração.

Demanda por transparência
Especialistas em mobilidade urbana, como Silvestre de Andrade Puty Filho, apontam que os reajustes podem reduzir a demanda por transporte público, levando passageiros a optar por modais individuais, como carros ou aplicativos de transporte. Essa migração, segundo ele, agrava congestionamentos e compromete a sustentabilidade do sistema. Ele defende maior transparência na composição dos custos e um aviso prévio de 30 dias para os reajustes, permitindo que a população se prepare.

A falta de diálogo com os usuários também é uma crítica recorrente. Diferentemente de São Paulo, onde o Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT) debateu o aumento, em Minas Gerais não houve consultas públicas amplamente divulgadas antes da decisão. A Seinfra afirma que segue os contratos de concessão, mas a ausência de participação popular alimenta a insatisfação.

Planos futuros
O governo de Minas planeja continuar a modernização do transporte metropolitano com a introdução de tecnologias de segurança e controle de trens, além de melhorias nas estações. A nova estação Novo Eldorado, na linha 1 do metrô, está prevista para 2026, e há promessas de iniciar as obras da linha 2, que conectará o Barreiro, ainda em 2025. Essas iniciativas, porém, não amenizam o impacto imediato do aumento para os usuários.

A renovação da frota, embora significativa, ainda está aquém da demanda de 600 mil usuários diários. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram), Rubens Lessa, admite que a superlotação em horários de pico é um problema global, mas garante que as empresas monitoram a ocupação para ajustes pontuais.

Impacto no bolso
O reajuste de 6,49% nas tarifas de ônibus metropolitanos eleva o custo mensal para trabalhadores que fazem duas viagens diárias. Um passageiro que gasta R$ 15,40 por dia (ida e volta) passará a desembolsar R$ 16,40, um acréscimo de R$ 22,00 por mês, considerando 22 dias úteis. Para quem combina metrô e ônibus, o impacto é ainda maior, com um custo diário que pode ultrapassar R$ 20,00.

A bilhetagem eletrônica, utilizada por 85% dos passageiros, oferece uma pequena vantagem: créditos comprados antes de 1º de julho manterão o valor antigo por 30 dias. Ainda assim, a medida é vista como insuficiente para aliviar o peso no orçamento das famílias de baixa renda, que representam a maioria dos usuários.

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