Em um crime que chocou a cidade de Barueri, na Grande São Paulo, Diego Antônio Sanches Magalhães, de 36 anos, confessou ter assassinado a enteada Larissa Manuela Santos de Lucena, de apenas 10 anos, com 16 facadas no dia 12 de junho de 2025. O crime ocorreu na residência da família, no bairro Jardim Tupã, enquanto a menina estava sozinha. Segundo o depoimento exclusivo obtido pelo programa Alô, Você, do SBT, Diego afirmou que perdeu o controle após ser chamado de “corno” por Larissa, em um contexto de ciúmes e desconfiança de traição por parte da mãe da vítima, Adenúzia Silva. A confissão foi feita à Polícia Civil na segunda-feira, 23 de junho, após a apresentação de novas evidências. A brutalidade do caso e as circunstâncias que o envolvem geraram comoção na região.
O assassinato de Larissa Manuela expõe uma tragédia familiar marcada por tensões e comportamentos possessivos. Diego, que já era considerado o principal suspeito, foi detido temporariamente e está preso na Cadeia Pública de Carapicuíba. A investigação continua para esclarecer detalhes do crime, incluindo a possibilidade de premeditação.
- Fatos que levaram à confissão: Diego foi confrontado com imagens de câmeras de segurança e um bilhete de desculpas à mãe da vítima.
- Contexto do crime: A menina foi encontrada pela mãe, Adenúzia, por volta das 18h, com ferimentos no pescoço e tórax.
- Repercussão local: Moradores de Barueri expressaram revolta e tristeza com a violência do caso.
A polícia agora trabalha para determinar se o ataque foi motivado apenas pela suposta ofensa ou se há outros fatores envolvidos. A mãe da vítima, que não estava em casa no momento do crime, ainda não se pronunciou publicamente sobre a confissão.

Detalhes do depoimento de Diego Sanches
No depoimento à Polícia Civil, Diego relatou que chegou à casa da família pela manhã e encontrou Larissa acordada, deitada sob um beliche. Ele perguntou sobre o paradeiro de Adenúzia, com quem mantinha um relacionamento marcado por ciúmes excessivos. Segundo o relato, a menina, ainda deitada, teria dito: “Você é corno”. A frase, conforme Diego, desencadeou um “acesso de raiva”. Ele admitiu ter puxado Larissa da cama, jogado-a no chão e, em seguida, buscado uma faca na cozinha para desferir os golpes.
O assassino confesso afirmou acreditar que a menina morreu com a primeira facada, que atingiu a boca. No entanto, a perícia confirmou 16 perfurações, distribuídas pelo pescoço e tórax, indicando a violência extrema do ataque. Após o crime, Diego deixou a residência, mas voltou minutos depois para recuperar o celular, que estava em uma poça de sangue. Vestígios do sangue de Larissa foram encontrados no aparelho, reforçando as provas contra ele.
Evidências que incriminaram o padrasto
A Polícia Civil de Barueri considerava Diego o principal suspeito desde o início das investigações. Diversos elementos contribuíram para sua incriminação:
- Imagens de câmeras de segurança de uma residência próxima mostraram um homem com sandálias semelhantes às de Diego caminhando em direção à casa de Larissa no horário estimado do crime, por volta das 7h.
- Um bilhete escrito por Diego, encontrado pela polícia, continha pedidos de perdão à mãe da vítima, Adenúzia, o que levantou suspeitas.
- A faca usada no crime, que pertencia ao irmão mais velho de Larissa, de 19 anos, estava desaparecida. A arma ficava em cima de um armário, local conhecido apenas por pessoas próximas à família.
- O celular de Diego, recuperado na cena do crime, continha vestígios de sangue da vítima, confirmados por perícia.
Essas evidências contradisseram o álibi inicial de Diego, que alegava estar no trabalho no momento do assassinato. Confrontado com as provas, ele confessou o crime no quarto depoimento, no dia 23 de junho.
Cronologia do crime
O assassinato de Larissa Manuela ocorreu em um contexto de tensões familiares. A menina morava com a mãe, Adenúzia, e o irmão mais velho, que estava em viagem para Sorocaba no dia do crime. Diego, que vivia com a família, já demonstrava comportamentos possessivos. No dia anterior ao crime, ele e Adenúzia discutiram porque ela se recusou a compartilhar a senha do celular, o que intensificou as desconfianças de traição por parte dele.
Por volta das 7h do dia 12 de junho, Diego entrou na casa, onde Larissa estava sozinha. Após a suposta provocação, ele cometeu o crime e deixou o local. Às 11h57, retornou para buscar o celular, sujando as mãos com o sangue da vítima. Adenúzia encontrou o corpo da filha às 18h, ao voltar do trabalho, e acionou a polícia. A perícia descartou violência sexual, mas confirmou a brutalidade do ataque.
Investigações iniciais e prisão
A Polícia Civil solicitou a prisão temporária de Diego em 18 de junho, mas o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Após a coleta de mais provas, incluindo as imagens de câmeras e o bilhete, a detenção foi deferida no dia 23 de junho, mesma data da confissão. Diego está detido temporariamente por 30 dias, período que pode ser prorrogado, enquanto a polícia conclui os laudos periciais.
O delegado Dalmir de Magalhães, responsável pelo caso, afirmou que a investigação agora foca em determinar se o crime foi premeditado. A polícia também apura se Adenúzia, mãe de Larissa, era um possível alvo de violência, dado o histórico de ciúmes de Diego.
Acusação de agressão sexual
Um novo desdobramento surgiu após a prisão de Diego. Uma mulher, cuja identidade não foi revelada, procurou a delegacia de Barueri e acusou o padrasto de tê-la agredido sexualmente em um caso anterior. O advogado da família de Larissa, Lucas Silva Santos, confirmou a denúncia em entrevista ao programa Primeiro Impacto, do SBT. A mulher chegou à delegacia em estado de nervosismo e desmaiou antes de prestar depoimento.
A Polícia Civil abriu uma nova investigação para apurar a acusação de estupro. Se confirmada, a pena de Diego pode ser agravada, somando até 60 anos de prisão por homicídio qualificado e crime sexual, segundo o advogado.
Reação da família de Larissa
Cícero Regivan de Lucena, pai de Larissa, expressou profunda tristeza e indignação ao saber da confissão. Em entrevista coletiva no dia 23 de junho, ele relatou que Diego o consolou na saída da delegacia durante o velório da filha, o que intensificou sua revolta. Cícero afirmou que a filha nunca mencionou comportamentos estranhos do padrasto, preferindo aproveitar os momentos com o pai sem abordar assuntos familiares.
O pai também cobrou um posicionamento de Adenúzia sobre a confissão de Diego. Até o momento, a mãe da vítima não fez declarações públicas, e a polícia não confirmou se ela será investigada por possível omissão ou envolvimento indireto.
Perfil de Diego Sanches
Diego Antônio Sanches Magalhães, de 36 anos, mantinha um relacionamento com Adenúzia Silva há alguns anos. Vizinhos relatam que ele era reservado, mas frequentemente discutia com a companheira por ciúmes. No trabalho, Diego era descrito como um funcionário comum, sem histórico de comportamentos violentos conhecidos. No entanto, a investigação revelou um padrão de possessividade, com episódios de desconfiança que culminaram no crime.
A polícia apura se Diego tinha antecedentes criminais antes do assassinato de Larissa. A acusação de agressão sexual, feita por uma suposta vítima, sugere que o padrasto pode ter um histórico de comportamentos violentos não registrado anteriormente.
Repercussão em Barueri
O assassinato de Larissa Manuela abalou a comunidade de Barueri, uma cidade conhecida por sua tranquilidade relativa na região metropolitana de São Paulo. Moradores do Jardim Tupã organizaram vigílias em homenagem à menina, e mensagens de apoio à família circulam em redes sociais. O caso também reacendeu debates sobre a segurança de crianças em ambientes domésticos e a necessidade de identificar sinais de violência familiar.
- Homenagens à vítima: Escolas locais realizaram minutos de silêncio em memória de Larissa.
- Demanda por justiça: Moradores exigem punição rigorosa para Diego e maior proteção às crianças.
- Impacto na vizinhança: O crime gerou medo entre famílias da região, que reforçaram a vigilância.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil de São Paulo trabalha para concluir os laudos periciais e reunir provas para a denúncia formal do Ministério Público. Diego deve responder por homicídio qualificado, com agravantes pela crueldade e pela relação familiar com a vítima. A investigação sobre a acusação de estupro também segue em andamento, com depoimentos adicionais sendo coletados.
A prisão temporária de Diego, válida por 30 dias, permite que a polícia esclareça detalhes pendentes, como a possível premeditação do crime. O caso permanece sob sigilo em alguns aspectos para preservar a investigação e proteger a família da vítima.