A série sul-coreana Round 6 (Squid Game), fenômeno global da Netflix, chegou ao fim com sua terceira temporada, lançada em 27 de junho de 2025, marcando o desfecho de uma trama que conquistou 330 milhões de espectadores na primeira temporada. Criada por Hwang Dong-hyuk, a produção encerrou sua narrativa em três anos, sem prolongamentos desnecessários, e agora planeja expandir seu universo com spin-offs, incluindo uma possível versão americana e uma série prequel ambientada nos anos 1980. Filmada na Coreia do Sul, a temporada final aprofunda o lado humano dos personagens, reforçando mensagens de empatia em meio a conflitos globais. O sucesso da série abriu portas para produções asiáticas, desafiando a hegemonia de Hollywood.
O impacto de Round 6 transcende números. A série, que retrata endividados em jogos infantis mortais por um prêmio milionário, tornou-se a obra original mais vista da Netflix, com 2,8 bilhões de horas assistidas na estreia. Hwang Dong-hyuk, em entrevistas, destacou a intenção de encerrar a trama conforme sua visão original, resistindo a pressões comerciais.
A narrativa, centrada no jogador 456, interpretado por Lee Jung-jae, ganhou projeção por abordar desigualdade e competitividade extrema. A temporada final, lançada seis meses após a segunda, mantém o ritmo intenso e foca em dilemas éticos.
- Principais marcos da série:
- Primeira temporada: 330 milhões de espectadores.
- Segunda temporada: 68 milhões de visualizações em quatro dias.
- Terceira temporada: Estreia em 27 de junho de 2025.
- Recordes: Maior estreia da história da Netflix.
Legado para a indústria audiovisual
O sucesso de Round 6 consolidou a Coreia do Sul como potência no streaming. A série desafiou barreiras culturais, levando narrativas asiáticas a públicos ocidentais. Hwang Dong-hyuk enfatizou que o carinho global pela trama inspira criadores marginalizados a buscar visibilidade. A produção também elevou o padrão de séries não anglófonas, com investimento em cenários, fotografia e elenco de apoio, como Park Hae-soo e Jung Ho-yeon.
A Netflix, ciente do potencial, planeja explorar o universo da série. Rumores apontam para um spin-off americano, com possível envolvimento do cineasta David Fincher, e uma série prequel sobre a origem dos jogos. Essas expansões seguem o modelo de La Casa de Papel, que gerou derivações após seu sucesso.
Mensagens sociais na temporada final
A terceira temporada mergulha nos conflitos internos dos personagens, explorando temas como empatia e resistência. Lançada em um contexto de guerras e crises climáticas, a narrativa ressoa com questões globais. Hwang Dong-hyuk destacou que a série busca despertar consciência, sem oferecer soluções simplistas.
Cenas marcantes mostram o jogador 456 enfrentando o Frontman, vilão que revela sua identidade no trailer. A temporada mantém a tensão psicológica, com jogos ainda mais elaborados, mas prioriza o desenvolvimento emocional, evitando a violência gratuita.
Expansão do universo de Round 6
A Netflix já experimentou formatos derivados, como o reality Round 6: O Desafio, que recria os jogos sem elementos letais. Lançado em 2023, o programa alcançou o topo das séries em língua inglesa na plataforma por duas semanas. A segunda temporada do reality está em produção, com inscrições abertas desde dezembro de 2024.
- Possíveis projetos futuros:
- Série prequel ambientada nos anos 1980.
- Versão americana com novos personagens.
- Expansão do reality para outros países.
- Experiências imersivas, como as Netflix Houses, previstas para 2025 nos EUA.
Apesar do sucesso, o reality enfrentou críticas. Dois competidores ameaçaram processar a produção por ferimentos durante as filmagens, embora a Netflix tenha negado ações judiciais. Especialistas, como a psicóloga Pamela Rutledge, questionaram a ética do programa, apontando que ele transforma uma crítica à desigualdade em entretenimento competitivo.
Desafios enfrentados pela produção
A produção de Round 6 não foi isenta de dificuldades. A segunda temporada, lançada em dezembro de 2024, enfrentou um hiato de três anos devido à complexidade dos roteiros e à agenda de Hwang Dong-hyuk. A terceira temporada, por outro lado, foi produzida em tempo recorde, atendendo à demanda dos fãs.
O elenco também enfrentou perdas. A atriz Lee Joo-sil, que interpretou a mãe do vilão, faleceu em fevereiro de 2025, aos 80 anos, após um diagnóstico de câncer. A morte de Kim Sae-ron, outra atriz sul-coreana, em um caso de suicídio, reacendeu debates sobre a pressão no entretenimento coreano.
Recepção crítica e pública
A crítica elogiou a série por sua consistência, mas a segunda temporada recebeu comentários mistos, com alguns apontando excesso de estilização na violência. A terceira temporada, porém, foi bem recebida por equilibrar ação e emoção. Fãs nas redes sociais destacaram o desfecho do jogador 456 como satisfatório, embora alguns lamentem o fim precoce da série.
A audiência global reforça o fenômeno. A segunda temporada bateu recordes com 68 milhões de visualizações em quatro dias, superando Wandinha. A Netflix confirmou que a terceira temporada também teve forte desempenho inicial, embora números exatos ainda não tenham sido divulgados.
Inovações na produção
A direção de Hwang Dong-hyuk trouxe inovações visuais. A terceira temporada usou técnicas de filmagem que intensificam a imersão, como câmeras em ângulos inusitados e cenários interativos. A trilha sonora, com temas que remetem à cultura coreana, foi outro destaque, mantendo a identidade da série.
A produção também investiu em diversidade no elenco, incluindo atores como T.O.P, ex-integrante do grupo de k-pop Bigbang, que enfrentou controvérsias antes de retornar como o rapper Thanos. Sua participação atraiu atenção, especialmente entre fãs de k-pop.
Planos para experiências imersivas
A Netflix planeja levar Round 6 além das telas. As Netflix Houses, espaços de entretenimento nos Estados Unidos, incluirão áreas temáticas baseadas na série a partir de 2025. Esses locais oferecerão atividades interativas, como simulações dos jogos, ampliando a conexão com o público.
A plataforma também anunciou eventos como o Tudum 2025, em Los Angeles, que destacou Round 6 ao lado de outras franquias, como Stranger Things. O evento reuniu o elenco e apresentou prévias exclusivas, reforçando a relevância da série.
- Atrações previstas nas Netflix Houses:
- Simulações de jogos como “Batatinha 1, 2, 3”.
- Exposições de cenários e figurinos.
- Lojas com produtos licenciados.
Repercussão cultural e social
A série gerou debates sobre desigualdade e violência, especialmente na Coreia do Sul, onde a competitividade social é um tema sensível. A narrativa também inspirou discussões globais, com paralelos traçados entre os jogos e a luta por sobrevivência em economias instáveis.
Hwang Dong-hyuk destacou que a série não busca mudar o mundo, mas estimular empatia. Ele mencionou a importância de narrativas que humanizem personagens marginalizados, um dos pontos fortes da temporada final.
Curiosidades sobre a série
A produção de Round 6 envolveu detalhes únicos que contribuíram para seu sucesso. A boneca Young-hee, presente nos jogos, tornou-se um ícone cultural, inspirando até um “namorado” na segunda temporada. A série também enfrentou controvérsias, como a condenação de um contrabandista na Coreia do Norte, que distribuiu cópias da série e foi sentenciado à morte.
- Fatos marcantes:
- A série foi indicada ao Globo de Ouro antes da estreia da segunda temporada.
- O reality Round 6: O Desafio foi acusado de explorar a violência da série original.
- A trama inspirou memes e paródias em todo o mundo.
O futuro da franquia
A Netflix vê Round 6 como uma franquia duradoura. Além dos spin-offs, há planos para jogos, produtos licenciados e possíveis adaptações teatrais. A participação de Boninho, ex-diretor do Big Brother Brasil, em uma campanha promocional, conectou o confinamento da série ao público brasileiro, reforçando sua versatilidade.
Hwang Dong-hyuk expressou interesse em explorar o passado de personagens secundários, como o Frontman. Ele também mencionou o desejo de colaborar com diretores internacionais, como David Fincher, para manter a relevância da franquia.

