A Volkswagen anunciou, em abril de 2025, a nova geração da picape Amarok, com lançamento previsto para 2027 na América do Sul. Produzida na fábrica de General Pacheco, na Argentina, a caminhonete terá design exclusivo, motorizações híbridas e a moderna plataforma da Maxus Terron, fornecida pela parceira chinesa SAIC. Com investimento de US$ 580 milhões, cerca de R$ 3,3 bilhões, o Projeto Patagonia promete posicionar a Amarok como concorrente direta de Toyota Hilux e Ford Ranger. A engenharia liderada por equipes brasileiras garante adaptações às demandas regionais, enquanto a estrutura semi-monobloco e tecnologias avançadas elevam os padrões de segurança e conectividade. O modelo marcará a estreia de opções híbridas no segmento, com possibilidade de versões elétricas e flex, reforçando a aposta da montadora em sustentabilidade.
O segmento de picapes médias na América do Sul é altamente competitivo, com mais de 20% das vendas de veículos concentradas nesse nicho, segundo dados da Fenabrave. A Amarok atual, embora robusta, enfrenta desafios para acompanhar rivais que dominam o mercado. A nova geração busca reverter esse cenário com inovações que atendem tanto ao agronegócio quanto ao público urbano. O projeto também fortalece a presença da Volkswagen na região, com exportações planejadas para países como Chile e Uruguai.
Principais características da Amarok 2027:
- Plataforma semi-monobloco da Maxus Terron.
- Dimensões ampliadas, com 5,50 m de comprimento.
- Motorizações a diesel, híbridas e potencialmente elétricas.
- Tecnologias como conectividade 5G e assistências à condução.
Dimensões que impressionam
A nova Amarok terá medidas superiores às de suas principais concorrentes. Com 5,50 metros de comprimento, 2 metros de largura, 1,86 metro de altura e 3,30 metros de entre-eixos, ela supera a Toyota Hilux (5,32 m) e a Ford Ranger (5,35 m). Essas proporções garantem maior espaço interno e capacidade de carga, atendendo às necessidades de uso profissional. A estrutura semi-monobloco, que combina a robustez de carroceria sobre chassi com elementos de construção monobloco, oferece conforto semelhante ao de SUVs, sem comprometer a durabilidade em terrenos exigentes.
A plataforma da Maxus Terron, já testada em mercados asiáticos, incorpora aços de ultra-alta resistência, projetados para alcançar notas máximas em testes de colisão, como os do Latin NCAP. A Volkswagen também ajustou a suspensão para equilibrar o desempenho off-road e o uso urbano, com possibilidade de adotar um sistema a ar ajustável, semelhante ao da Terron. Essas características posicionam a Amarok como uma opção versátil, capaz de atrair diferentes perfis de consumidores.

Parceria estratégica com a SAIC
A colaboração com a SAIC, parceira de longa data da Volkswagen na China, é um dos alicerces do Projeto Patagonia. A escolha pela plataforma da Maxus Terron reflete a busca por uma base tecnológica avançada, capaz de suportar motorizações híbridas e elétricas. A Terron, conhecida como Interstellar X em alguns mercados, foi apresentada no Salão de Xangai com design robusto e acabamento premium, mas a Volkswagen garante que a Amarok não será uma simples reestilização.
O desenvolvimento é liderado pelo centro de design da Volkswagen na América do Sul, sob o comando de José Carlos Pavone, responsável por projetos como o SUV Tera. A equipe brasileira adaptou a plataforma às condições regionais, como estradas rurais e demandas do agronegócio. A fábrica de General Pacheco receberá modernizações ao longo de 2025 e 2026, com capacidade para produzir entre 70 mil e 80 mil unidades por ano, destinadas ao mercado interno e à exportação.
Design com identidade regional
A estética da nova Amarok reflete uma evolução significativa em relação ao modelo atual. A dianteira, revelada em teasers, apresenta faróis horizontais interligados por uma barra de LED, grade com filetes horizontais e capô redesenhado. Esses elementos criam uma identidade visual que combina a linguagem global da Volkswagen com traços que ressoam com o público sul-americano. O logotipo da marca, possivelmente iluminado, segue tendências vistas em modelos europeus.
As laterais mantêm proporções robustas, com ajustes para reforçar a identidade da Amarok, enquanto a traseira deve trazer lanternas redesenhadas e detalhes em relevo na tampa da caçamba. Por dentro, a picape adotará um painel moderno, inspirado na Maxus Terron, mas com personalizações para o mercado brasileiro. Telas integradas de 10 e 12 polegadas, conectividade 5G e materiais de alta qualidade prometem competir com versões premium de rivais como a Ranger Wildtrak.
Características do interior:
- Console central elevado com freio de estacionamento eletrônico.
- Acabamento refinado, eliminando elementos como o laranja da Terron.
- Comandos físicos para funções essenciais, priorizando usabilidade.
- Suporte a atualizações remotas OTA e integração com smartphones.
Motorizações para o futuro
A motorização é um dos grandes diferenciais da Amarok 2027. O motor 3.0 V6 turbodiesel, que entrega 258 cv e 59,1 kgfm de torque, pode ser atualizado para atender às normas de emissões mais rígidas de 2027 ou substituído por um propulsor 2.0 ou 2.5 turbodiesel. Versões mais acessíveis, com motores 2.0 de quatro cilindros e câmbio manual, atenderão frotistas e mercados emergentes.
A grande novidade é a introdução de uma configuração híbrida, confirmada por fontes sindicais argentinas. A plataforma da Maxus Terron suporta sistemas híbridos leves e plug-in, que combinam eficiência energética com robustez. A Volkswagen também estuda uma variante flex, capaz de rodar com etanol e gasolina, aproveitando sua expertise em tecnologias sustentáveis na região. Uma versão elétrica, inspirada na Maxus e-Terron (442 cv e 430 km de autonomia), é considerada para o longo prazo.
Tecnologia de ponta
A Amarok 2027 elevará o padrão tecnológico no segmento de picapes médias. A plataforma da Maxus Terron suporta uma arquitetura eletrônica avançada, com recursos como reconhecimento de voz, estacionamento por controle remoto e assistências à condução (ADAS). Entre os equipamentos esperados estão frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo e câmeras 360°. A conectividade 5G e as atualizações remotas OTA garantirão uma experiência moderna.
A segurança também é prioridade. A estrutura semi-monobloco e os aços de alta resistência visam notas máximas em testes de colisão. A nova geração ampliará os recursos da Amarok atual, como airbags frontais, laterais e de cortina, com tecnologias mais avançadas, posicionando-a como uma das picapes mais seguras do mercado.
Produção e exportação
A fábrica de General Pacheco, na Argentina, será o coração do Projeto Patagonia. O investimento de US$ 580 milhões, aplicado entre 2025 e 2029, modernizará a planta para acomodar a nova linha de montagem. A produção em larga escala começará em 2026, com o lançamento oficial em 2027. A Volkswagen planeja exportar a Amarok para mercados regionais, como Chile, Paraguai e Uruguai, aumentando em 50% as vendas externas em relação ao modelo atual.
A estratégia de exportação aproveita a capacidade produtiva da fábrica argentina e o reconhecimento da marca Volkswagen na região. A Maxus T90, base da Terron, já é vendida em alguns desses mercados, mas a Amarok oferecerá um produto adaptado, com maior apelo comercial.
Competitividade no mercado
O segmento de picapes médias é dominado por Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10 e Nissan Frontier, que superam a Amarok atual em vendas. A nova geração busca conquistar espaço com um produto mais sofisticado e adaptado às necessidades regionais. A introdução de motorizações híbridas posicionará a Amarok em um nicho ainda pouco explorado, competindo diretamente com a BYD Shark, uma picape híbrida plug-in.
As dimensões ampliadas e a capacidade de carga tornam o modelo atraente para o agronegócio, enquanto o design moderno e as tecnologias avançadas apelam a consumidores urbanos. A Volkswagen aposta na combinação de robustez, sustentabilidade e inovação para reposicionar a Amarok como referência no segmento.
Principais concorrentes:
- Toyota Hilux: líder de mercado, com foco em confiabilidade.
- Ford Ranger: destaque em tecnologia e conforto.
- BYD Shark: aposta em eletrificação e eficiência.
- Chevrolet S10: robustez e custo-benefício.
Modernização da indústria automotiva
O Projeto Patagonia consolida a Argentina como um polo de produção de picapes, ao lado da fábrica da Ford em Pacheco. A modernização da planta de General Pacheco criará empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia local. No Brasil, a nova Amarok reforçará a presença da Volkswagen em um segmento estratégico, onde a Fiat Strada lidera entre as compactas e a Hilux domina entre as médias.
A introdução de tecnologias híbridas e elétricas pode acelerar a transição para veículos mais sustentáveis na região, especialmente com regulamentações ambientais mais rigoridas a partir de 2027. A parceria com a SAIC também abre portas para futuros projetos, como SUVs ou uma picape intermediária para substituir a Saveiro