O Programa Pé-de-Meia, lançado pelo governo federal em 2024, avança em 2025 como uma das principais políticas para combater a evasão escolar no Brasil, beneficiando cerca de 4 milhões de estudantes do ensino médio público e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Gerido pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Caixa Econômica Federal, o programa oferece incentivos financeiros de até R$ 9.200 por aluno ao longo de três anos, visando garantir a permanência nas salas de aula e a conclusão dos estudos. Em 23 de junho de 2025, foi iniciada a quarta parcela anual de R$ 200 para alunos do ensino médio, enquanto a EJA recebe parcelas ajustadas. A iniciativa prioriza jovens de baixa renda inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), com foco em populações vulneráveis, como quilombolas e indígenas. Dados do MEC apontam uma redução de 15% na evasão escolar em 2024, consolidando o impacto do programa.
A estrutura do Pé-de-Meia combina diferentes tipos de incentivos financeiros, distribuídos ao longo do ano letivo, para estimular matrícula, frequência e conclusão escolar. Estudantes do ensino médio regular recebem depósitos mensais, enquanto os da EJA têm um calendário adaptado às especificidades da modalidade. Além disso, o programa promove inclusão digital e educação financeira, utilizando contas digitais no aplicativo Caixa Tem e incentivando investimentos em títulos seguros. Parcerias com universidades, como a Federal de Alagoas e a Federal de Santa Catarina, garantem eficiência no monitoramento e transparência nos pagamentos.
- Principais objetivos do programa:
- Reduzir a evasão escolar no ensino médio e na EJA.
- Promover a inclusão educacional de jovens em vulnerabilidade.
- Estimular a mobilidade social por meio da educação.
- Incentivar a participação em exames nacionais, como Enem e Encceja.
Apesar dos avanços, o programa enfrenta críticas relacionadas a denúncias de fraudes em algumas cidades, embora o MEC reforce a fiscalização rigorosa. A ampliação para a EJA e ajustes nos critérios de elegibilidade marcam a evolução do Pé-de-Meia em 2025, com um orçamento robusto de R$ 13 bilhões.
Estrutura dos incentivos financeiros
O Pé-de-Meia organiza seus incentivos em quatro categorias, projetadas para atender diferentes momentos da trajetória escolar. Para o ensino médio regular, o aluno recebe R$ 200 ao se matricular, até R$ 1.800 anuais em nove parcelas de R$ 200 por frequência mínima de 80%, R$ 1.000 por ano letivo concluído e R$ 200 pela participação no Enem. O total acumulado pode chegar a R$ 9.200 em três anos. A modalidade EJA tem incentivos adaptados, com parcelas semestrais que refletem a flexibilidade dessa etapa educacional.
Os pagamentos são realizados em contas digitais automáticas, abertas pela Caixa Econômica Federal, acessíveis pelo aplicativo Caixa Tem. Para menores de 18 anos, é necessário o consentimento do responsável legal para movimentação. O sistema de depósitos é organizado por mês de nascimento, garantindo um fluxo contínuo e planejado.
Pagamentos para a educação de jovens e adultos
A EJA, voltada para quem não concluiu o ensino médio na idade regular, recebe atenção especial no Pé-de-Meia. Em 2025, cerca de 300 mil alunos da modalidade são beneficiados, com um incentivo de R$ 900 por semestre, pago em quatro parcelas de R$ 225. A matrícula anual garante R$ 200, depositados entre março e abril, e a conclusão do ano letivo rende R$ 1.000, condicionado à aprovação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).
O calendário do segundo semestre de 2025 prevê pagamentos entre 22 e 29 de setembro, seguindo o mês de nascimento dos estudantes. Essa estrutura reconhece as barreiras enfrentadas por esses alunos, como a necessidade de conciliar estudos com trabalho, e busca oferecer suporte financeiro que viabilize a permanência escolar. Em 2024, a EJA registrou um aumento de 25% na frequência entre os beneficiários, segundo o MEC.
Bônus por desempenho e exames
Além dos incentivos regulares, o Pé-de-Meia recompensa o desempenho acadêmico e a participação em avaliações nacionais. O bônus de conclusão, de R$ 1.000 por ano letivo, é depositado entre fevereiro e março do ano seguinte, mas só pode ser sacado após a formatura no ensino médio. Estudantes do terceiro ano que participam dos dois dias do Enem recebem R$ 200, um incentivo que também fica bloqueado até a conclusão dos estudos.
Para a EJA, a aprovação no Encceja garante o bônus de conclusão, alinhando o programa às especificidades da modalidade. Esses incentivos estimulam não apenas a permanência, mas também o engajamento em processos que preparam os jovens para o ensino superior ou o mercado de trabalho. Em 2024, a participação no Enem entre beneficiários do terceiro ano cresceu 15%, conforme dados do MEC.

Quem pode participar
A elegibilidade ao Pé-de-Meia é baseada em critérios claros, voltados para jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica. As condições incluem:
- Estar matriculado no ensino médio público ou na EJA (19 a 24 anos para EJA).
- Ter entre 14 e 24 anos para ensino médio regular.
- Integrar família inscrita no CadÚnico, com renda per capita de até R$ 759 (meio salário mínimo em 2025).
- Possuir CPF regularizado na Receita Federal.
- Manter frequência escolar mínima de 80%.
A inclusão é automática, com cruzamento de dados entre o CadÚnico e as informações fornecidas pelas escolas públicas. As redes de ensino devem enviar dados de matrícula e frequência ao MEC até 9 de maio de 2025, garantindo pagamentos retroativos para os elegíveis. Estudantes de famílias beneficiárias do Bolsa Família têm prioridade, mas a exclusão de famílias unipessoais gerou questionamentos, com revisões previstas para 2026.
Monitoramento em tempo real
A eficiência do Pé-de-Meia depende de sistemas robustos de monitoramento. O Sistema Gestão Presente, desenvolvido pela Universidade Federal de Alagoas, rastreia a frequência escolar em tempo real, minimizando atrasos e inconsistências. As escolas públicas, responsáveis por enviar dados de matrícula e presença, trabalham em conjunto com o MEC para garantir a precisão das informações.
O aplicativo Jornada do Estudante, acessado via Gov.br, permite que os beneficiários consultem pagamentos, verifiquem frequência e resolvam pendências. Mensagens via WhatsApp e Gov.br reforçam a comunicação, especialmente para jovens que ainda não ativaram suas contas digitais no Caixa Tem. Essa integração tecnológica fortalece a transparência e facilita o acesso aos benefícios.
Redução da evasão escolar
O impacto do Pé-de-Meia na educação brasileira é mensurável. Em 2024, a evasão escolar entre os beneficiários caiu 15%, contra uma taxa nacional de 5,9% no ensino médio, segundo o Censo Escolar de 2023. Regiões como o Nordeste, onde a evasão chega a 17% entre adolescentes de 15 a 17 anos, registram avanços significativos. Alunos beneficiados também apresentam taxas de aprovação 20% superiores à média nacional.
Histórias como a de Maria Souza, moradora da periferia de São Paulo, ilustram o efeito do programa. Com os incentivos, ela conseguiu manter os filhos na escola, cobrindo despesas com uniformes e material escolar. Jovens como João Pedro, de 17 anos, destacam a motivação extra para não desistir dos estudos, mesmo diante de dificuldades financeiras.
Prioridade a populações vulneráveis
O Pé-de-Meia dá atenção especial a grupos historicamente marginalizados. Estudantes quilombolas, com taxa de repetência de 11,9%, e indígenas, com 10,7%, estão entre os priorizados. Renzo Renato, de 17 anos, utiliza o incentivo para custear despesas básicas e planeja investir em uma motocicleta, mostrando como o programa combina apoio imediato com perspectivas de longo prazo.
A iniciativa também alcança a educação do campo, incluindo centros familiares de formação por alternância, adaptando-se às realidades de diferentes comunidades. Essa abordagem inclusiva reforça o compromisso do programa com a redução das desigualdades educacionais.
Educação financeira e inclusão digital
Além de combater a evasão, o Pé-de-Meia promove autonomia financeira. As contas digitais no Caixa Tem permitem saques, transferências via Pix e pagamentos, incentivando os jovens a gerirem seus recursos. O MEC recomenda que 30% dos valores sejam aplicados em investimentos seguros, como o Tesouro Direto, para formar uma poupança de longo prazo.
A inclusão digital é outro pilar. O uso de aplicativos como Caixa Tem e Jornada do Estudante familiariza os estudantes com ferramentas digitais, preparando-os para um mundo cada vez mais conectado. Para muitos, essa é a primeira experiência com uma conta bancária, marcando um passo importante rumo à independência financeira.
Avanços na educação de jovens e adultos
A ampliação do Pé-de-Meia para a EJA em 2025 consolida a modalidade como prioridade. Com 300 mil beneficiários, a EJA registra taxas de aprovação 20% acima da média nacional. Os incentivos são estruturados para atender às particularidades do ensino presencial, semipresencial e à distância, reconhecendo os desafios de alunos que muitas vezes conciliam estudo e trabalho.
O Pacto EJA, lançado em 2024, planeja atender 540 mil estudantes até 2028, com um investimento de R$ 4 bilhões. O MEC também premia redes de ensino com R$ 4 milhões em 2025 por práticas inovadoras na EJA, incentivando a qualidade e a expansão da modalidade.
Investimento e parcerias estratégicas
Com um orçamento de R$ 13 bilhões para 2025, o Pé-de-Meia é uma das maiores políticas públicas de combate à desigualdade educacional no Brasil. Parcerias com a Universidade Federal de Alagoas, responsável pelo Sistema Gestão Presente, e a Universidade Federal de Santa Catarina, que desenvolveu o aplicativo Jornada do Estudante, garantem eficiência operacional.
O Fundo de Custeio da Poupança de Incentivo à Permanência e Conclusão Escolar (Fipem), gerido pela Caixa, assegura a disponibilidade de recursos. Em 2024, a União aportou R$ 6,1 bilhões, complementados por R$ 6 bilhões do Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (FGEDUC). Para 2025, a Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê mais R$ 1 bilhão.
Críticas e ajustes no programa
O Pé-de-Meia enfrentou denúncias de fraudes em algumas localidades, com relatos de cidades onde o número de beneficiários superava o de alunos matriculados. O MEC nega irregularidades, destacando a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que liberou R$ 6 bilhões após ajustes orçamentários. A Advocacia-Geral da União (AGU) também atua para garantir a continuidade do programa.
Outro ponto de crítica é a exclusão de famílias unipessoais do Bolsa Família, o que levou a revisões previstas para 2026. A flexibilização das modalidades de ensino e melhorias na logística, especialmente para a EJA, têm ampliado a adesão, mas a atualização do CadÚnico permanece um desafio para muitas famílias.