O corpo de Juliana Marins, jovem brasileira de 26 anos que faleceu após uma queda durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, deve chegar ao Brasil nesta terça-feira, 1º de julho de 2025. A companhia aérea Emirates, responsável pelo transporte, antecipou o embarque, com o traslado passando por Dubai antes de seguir para o Rio de Janeiro. A publicitária de Niterói caiu em um penhasco no dia 21 de junho, e seu corpo só foi resgatado quatro dias depois, em meio a condições climáticas adversas. A família, que criticou a demora no resgate e a condução do processo, aguarda a chegada para realizar o velório e uma nova autópsia. O caso gerou comoção nacional, com debates sobre a segurança em trilhas internacionais e a logística de repatriação.
A tragédia que vitimou Juliana chocou o Brasil e a Indonésia, onde a jovem era conhecida por sua paixão por aventuras e viagens. Formada em Publicidade pela UFRJ, ela estava em um mochilão pelo Sudeste Asiático, registrando suas experiências nas redes sociais. A notícia de sua morte mobilizou familiares, amigos e internautas, que pressionaram por respostas e agilidade no traslado. A antecipação do voo pela Emirates trouxe alívio à família, mas também reacendeu discussões sobre os desafios enfrentados durante o processo.

- Principais desafios enfrentados pela família:
- Atrasos iniciais no traslado devido a restrições operacionais da companhia aérea.
- Falta de comunicação clara com as autoridades indonésias.
- Dificuldade em obter informações precisas sobre a autópsia inicial.
A volta de Juliana ao Brasil marca o fim de uma espera angustiante para seus entes queridos, que agora buscam respostas sobre o que aconteceu no Monte Rinjani.
Detalhes do traslado
A Emirates confirmou que o corpo de Juliana Marins deixou Bali na manhã de 1º de julho, com destino a Dubai, onde fará uma conexão antes de seguir para o Rio de Janeiro. A companhia aérea informou que a antecipação do embarque foi possível após intensas negociações com autoridades indonésias e brasileiras. Inicialmente, o traslado enfrentou obstáculos, como a alegação de superlotação no bagageiro de um voo programado para o domingo anterior. A família, representada pela irmã Mariana Marins, expressou frustração com a demora, destacando que o corpo permaneceria por 27 horas em uma conexão em Bali.
O custo do traslado foi parcialmente coberto pela Prefeitura de Niterói, que destinou R$ 55 mil para apoiar a família. Além disso, o governo federal, por determinação do presidente Lula, comprometeu-se a arcar com despesas adicionais, conforme publicado no Diário Oficial da União. A embaixada brasileira em Jacarta também desempenhou um papel crucial, coordenando esforços para agilizar os trâmites burocráticos.
O acidente no Monte Rinjani
Juliana Marins caiu durante uma trilha guiada na madrugada de 21 de junho, em um trecho perigoso do Monte Rinjani, o segundo maior vulcão da Indonésia. A jovem, acompanhada por um guia local e outros cinco turistas, escorregou em um penhasco de cerca de 300 metros, na região de Cemara Nunggal. As equipes de resgate enfrentaram chuva, neblina e um terreno acidentado, o que dificultou a operação. Um drone localizou Juliana na segunda-feira, a 500 metros de profundidade, mas os socorristas só conseguiram alcançá-la na terça-feira, quando foi declarada morta.
A família acusou as autoridades indonésias de negligência, alegando que a demora no resgate pode ter contribuído para o desfecho trágico. Relatos iniciais indicavam que Juliana foi ouvida gritando após a queda, o que alimentou esperanças de que ela estivesse viva. No entanto, a autópsia realizada no Hospital Bali Mandara apontou que a jovem morreu cerca de 20 minutos após uma das quedas, devido a um trauma torácico grave, com hemorragia interna e fraturas múltiplas.
Repercussão e comoção
A morte de Juliana gerou uma onda de solidariedade no Brasil. O Palácio do Itamaraty, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e a Prefeitura de Niterói emitiram notas de pesar, destacando a trajetória da jovem. Nas redes sociais, internautas criticaram a condução do resgate e cobraram maior segurança em trilhas turísticas. O Colégio Pedro II, onde Juliana estudou, também publicou uma homenagem, lembrando-a como uma aluna dedicada e carismática.
- Reações institucionais:
- Itamaraty mobilizou autoridades locais desde o início das buscas.
- Prefeitura de Niterói assumiu custos do traslado e planeja nomear uma trilha em homenagem a Juliana.
- Governo federal alterou decreto para custear traslados em casos de comoção.
A mobilização online incluiu críticas à agência de turismo que organizou a trilha, com pedidos de investigação sobre a responsabilidade civil no acidente.
Autópsia e novas investigações
A autópsia realizada em Bali revelou que Juliana sofreu fraturas no tórax, ombro, coluna e coxa, com danos irreversíveis aos órgãos respiratórios. O legista Ida Bagus Alit descartou hipotermia e estimou que a morte ocorreu na quarta-feira, 25 de junho, entre 1h e 13h (horário local). No entanto, a família questionou a cronologia apresentada, apontando contradições com relatos de turistas que afirmaram ter visto Juliana viva dias após a queda.
Por isso, a família acionou a Defensoria Pública da União para solicitar uma nova autópsia no Brasil. A Advocacia-Geral da União (AGU) intermediou o pedido, que será analisado pela Justiça Federal assim que o corpo chegar ao Rio. A nova perícia busca esclarecer o horário exato da morte e possíveis falhas no resgate.
Segurança em trilhas internacionais
O caso de Juliana reacendeu o debate sobre a segurança em trilhas de alto risco, especialmente em destinos turísticos como o Monte Rinjani. Nos últimos cinco anos, pelo menos oito mortes foram registradas na região, incluindo montanhistas de diversas nacionalidades. Especialistas apontam que a falta de equipamentos adequados, como cordas longas, e a desorganização em operações de resgate são problemas recorrentes.
- Acidentes recentes no Monte Rinjani:
- 2021: Montanhista indonésio caiu em um desfiladeiro de 100 metros.
- 2022: Alpinista português morreu ao tirar uma selfie no cume.
- 2024: Turista suíça faleceu em uma rota ilegal.
As autoridades indonésias reabriram a trilha apenas três dias após o resgate de Juliana, o que gerou indignação entre os familiares. Mariana Marins classificou a decisão como “inaceitável”, cobrando medidas para evitar novas tragédias.
Papel da família na busca por justiça
Mariana Marins, irmã de Juliana, tornou-se uma das principais vozes na busca por respostas. Por meio das redes sociais, ela compartilhou atualizações sobre o caso, criticando a falta de transparência das autoridades indonésias e da Emirates. Em um vídeo publicado na sexta-feira, 27 de junho, Mariana expressou revolta com a divulgação da autópsia à imprensa antes da entrega do laudo oficial à família.
A mãe de Juliana, em entrevista à imprensa, declarou que “esses caras mataram minha filha”, apontando falhas no resgate. A família planeja entrar com uma ação judicial contra a agência de turismo e avalia medidas contra o Parque Nacional do Monte Rinjani. A polícia indonésia interrogou quatro testemunhas, incluindo o guia que acompanhava Juliana, mas ainda não há conclusões sobre a investigação.
Apoio comunitário em Niterói
Em Niterói, a comunidade local se mobilizou para apoiar a família. Amigos e vizinhos organizam uma homenagem póstuma, que incluirá uma cerimônia no velório e a nomeação de uma trilha na Praia do Sossego em memória de Juliana. A iniciativa partiu da Prefeitura, que destacou o amor da jovem pela natureza e por sua cidade natal.
A trajetória de Juliana, marcada por sua energia e paixão por viagens, deixou um legado de inspiração. Sua última postagem nas redes sociais, onde escreveu “Nunca me senti tão viva”, reflete o espírito aventureiro que a levou ao Monte Rinjani.
Logística do velório e enterro
O corpo de Juliana deve desembarcar no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, na noite de 1º de julho. A família aguarda a liberação pelas autoridades brasileiras para iniciar os preparativos do velório, que será realizado em Niterói. A data exata ainda depende dos trâmites alfandegários e da nova autópsia, que pode atrasar o processo em alguns dias.
A Prefeitura de Niterói garantiu suporte logístico, incluindo transporte e assistência à família durante o período de luto. A expectativa é que o enterro ocorra no Cemitério Parque da Paz, onde Juliana será sepultada próximo aos familiares.