A segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU) teve início em 2 de julho de 2025, oferecendo 3.652 vagas para cargos de níveis médio, técnico e superior em 36 órgãos federais, com salários iniciais que variam de R$ 4 mil a R$ 16,4 mil. As inscrições, abertas até 20 de julho, devem ser feitas pelo site da Fundação Getúlio Vargas (FGV), banca organizadora, com taxa de R$ 70. As provas objetivas estão marcadas para 5 de outubro, em 228 cidades brasileiras, e a seleção visa preencher posições majoritariamente em Brasília, mas também em outros estados. Organizado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o certame adota medidas inéditas, como a garantia de pelo menos 50% de mulheres na segunda fase, reforçando a equidade de gênero e políticas de cotas para grupos específicos.
O chamado “Enem dos concursos” mantém o formato inovador da primeira edição, realizada em 2024, que atraiu quase 1 milhão de candidatos. A proposta centraliza seleções federais em uma única prova, reduzindo custos e ampliando o acesso ao serviço público. O edital, publicado em 30 de junho no Diário Oficial da União, detalha as vagas distribuídas em nove blocos temáticos, permitindo que candidatos concorram a múltiplos cargos dentro de uma mesma área com apenas uma inscrição.
As novidades desta edição incluem um único edital, em vez dos oito da edição anterior, e a introdução de ações afirmativas mais robustas. Além da equidade de gênero, há cotas reforçadas para pessoas negras, indígenas, quilombolas e com deficiência, com sorteio para alocação proporcional em cargos com poucas vagas.

- Principais características do CNU 2025:
- 3.652 vagas em 36 órgãos federais.
- Salários iniciais de R$ 4 mil a R$ 16,4 mil.
- Inscrições de 2 a 20 de julho, com taxa de R$ 70.
- Provas em 5 de outubro (objetiva) e 7 de dezembro (discursiva).
- Nove blocos temáticos, agrupando cargos por área de atuação.
Detalhes do processo seletivo
O CNU 2025 é estruturado em duas etapas principais. A primeira, em 5 de outubro, consiste em provas objetivas de múltipla escolha, com questões de conhecimentos gerais e específicos, variando conforme o nível do cargo. Para nível superior, são 90 questões, sendo 30 gerais e 60 específicas; para nível intermediário, 68 questões, com 20 gerais e 48 específicas. A segunda etapa, em 7 de dezembro, é uma prova discursiva para os classificados na primeira fase, com conteúdo adaptado ao bloco temático escolhido.
A avaliação inclui ainda fases complementares para alguns cargos, como análise de títulos, investigação social e prova oral, conforme o edital. A FGV, escolhida como banca após chamamento público, organiza o certame com foco em acessibilidade, aplicando provas em 228 cidades para facilitar a participação de candidatos de diferentes regiões.
O processo de inscrição exige uma conta ativa no GOV.BR, em qualquer nível (ouro, prata ou bronze). Candidatos podem solicitar isenção da taxa de R$ 70 entre 2 e 8 de julho, caso atendam aos critérios, como baixa renda ou participação em programas sociais.
Organização por blocos temáticos
Os 3.652 cargos estão divididos em nove blocos, agrupados por afinidade de atuação, permitindo que o candidato escolha múltiplas vagas dentro de um mesmo bloco. A maioria das oportunidades é para nível superior (2.844 vagas), mas há 508 vagas para nível médio, especialmente nos blocos 8 e 9, que incluem cargos em agências reguladoras e funções técnico-administrativas.
- Exemplos de blocos e áreas de atuação:
- Bloco 1: Seguridade Social (Saúde, Assistência Social, Previdência).
- Bloco 4: Cultura, Educação e Ciências.
- Bloco 9: Técnico-administrativo (nível médio, com maior número de vagas).
Embora a maioria das vagas esteja concentrada em Brasília, há oportunidades regionalizadas, como as 54 vagas em Mato Grosso do Sul, distribuídas entre Campo Grande e Ladário, com salários de R$ 4,8 mil a R$ 8,2 mil. Outros estados, como Rio de Janeiro (315 vagas) e São Paulo, também contam com posições específicas.
Medidas de equidade e inclusão
Uma das grandes novidades do CNU 2025 é a garantia de que pelo menos 50% dos candidatos classificados para a prova discursiva sejam mulheres. A medida, anunciada pela ministra Esther Dweck, visa corrigir a desproporção observada na primeira edição, em que o percentual de mulheres aprovadas foi inferior ao de inscritas. A iniciativa não reserva vagas no resultado final, mas equaliza a participação na segunda fase.
Além disso, o certame reforça políticas de cotas. A legislação assegura 30% das vagas para cotas raciais e 5% para pessoas com deficiência. Para cargos com até quatro vagas, o MGI realizou sorteios para definir a alocação proporcional, resultando em 169 vagas reservadas para cotistas. Entre os cargos contemplados estão médicos das Forças Armadas e analistas do INSS.
Cronologia do certame
O planejamento do CNU 2025 foi detalhado em etapas claras, começando com a autorização das vagas em 3 de junho de 2025, seguida pela formação da comissão de governança em 24 de junho. O edital, publicado em 30 de junho, marca o início oficial do processo, com inscrições abertas dois dias depois. As provas objetivas ocorrem em outubro, e a discursiva, em dezembro, com resultados previstos para fevereiro de 2026 e posse dos aprovados até junho de 2026.
A escolha da FGV como banca trouxe mudanças em relação à primeira edição, organizada pela Cesgranrio. A nova organizadora implementou um código de barras para identificação nas provas, substituindo o sistema manual da edição anterior, que gerou polêmicas.
Distribuição regional das vagas
Embora Brasília concentre a maioria das vagas, o CNU 2025 amplia a capilaridade com oportunidades em outros estados. No Rio de Janeiro, por exemplo, 315 vagas abrangem órgãos como o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) e o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Em Mato Grosso do Sul, as provas serão aplicadas em quatro cidades: Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas.
A regionalização reflete o compromisso do governo em descentralizar o acesso ao serviço público, reduzindo barreiras geográficas. Candidatos de áreas remotas, como o Acre e Rondônia, também encontram vagas específicas, especialmente em órgãos como o Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Preparação dos candidatos
A alta concorrência, evidenciada pelos 2 milhões de inscritos na edição de 2024, exige preparação estratégica. Especialistas recomendam foco nas disciplinas comuns, como língua portuguesa e raciocínio lógico, e nas questões específicas de cada bloco. A FGV, conhecida por provas bem elaboradas, tende a cobrar conteúdos práticos e contextualizados.
- Dicas para candidatos:
- Estude o edital detalhadamente para entender os requisitos do bloco escolhido.
- Priorize simulados baseados no estilo da FGV.
- Revise conteúdos de atualidades, comuns a todos os blocos.
- Organize o tempo para cobrir conhecimentos gerais e específicos.
A plataforma GOV.BR facilita o acesso às inscrições, mas candidatos devem garantir que suas contas estejam ativas antes do prazo final. A isenção da taxa é uma oportunidade para ampliar a participação de grupos socioeconomicamente vulneráveis.
Importância do modelo unificado
O CNU revolucionou a seleção de servidores públicos ao centralizar concursos federais em uma única prova. A iniciativa, idealizada pelo MGI, reduz custos logísticos e promove equidade no acesso, permitindo que candidatos de diferentes regiões concorram em igualdade de condições. A primeira edição, em 2024, foi considerada um sucesso, com quase 1 milhão de participantes.
A edição de 2025 consolida o modelo, incorporando ajustes baseados na experiência anterior. A unificação do edital e a ampliação das ações afirmativas reforçam o compromisso com a diversidade e a inclusão no serviço público federal.
Cargos e remunerações
Os salários iniciais variam conforme o nível de escolaridade e a complexidade do cargo. Para nível médio, as remunerações partem de R$ 4 mil, com destaque para cargos técnico-administrativos. Para nível superior, os valores chegam a R$ 16,4 mil, como em posições de analista do INSS ou médico das Forças Armadas.
Alguns cargos oferecem progressão de carreira, com salários finais que podem ultrapassar R$ 30 mil, segundo o MGI. A tabela de remunerações, disponível no edital, detalha as faixas salariais por cargo e órgão, orientando os candidatos na escolha do bloco.
Acessibilidade e logística
As provas em 228 cidades garantem maior acessibilidade, especialmente para candidatos de regiões afastadas. A logística, coordenada pela FGV, inclui medidas para candidatos com deficiência, como tempo adicional e locais adaptados. O edital prevê ainda procedimentos de verificação para cotistas, assegurando a legitimidade das reservas de vagas.
A aplicação simultânea das provas, em 5 de outubro, exige planejamento rigoroso. Candidatos devem consultar o site da FGV para confirmar locais de prova e horários, divulgados com antecedência.
Números e expectativas
O CNU 2025 oferta 2.480 vagas imediatas e 1.172 para cadastro reserva, com possibilidade de convocações adicionais até 2026. A expectativa é de alta adesão, superando 1 milhão de inscritos, dado o sucesso da edição anterior. O governo estima impacto orçamentário de R$ 2 bilhões com os novos servidores, refletindo a relevância do certame para a administração pública.
Os aprovados assumirão cargos em 2026, após etapas como avaliação de títulos e investigação social, dependendo do cargo. A nomeação reforçará o quadro funcional de órgãos estratégicos, como o INSS e o Ministério da Saúde.