João Fonseca avança em Wimbledon e recoloca Brasil na terceira rodada masculina após 15 anos, vencendo Jenson Brooksby por 3 sets a 1, em 3h13min, com parciais de 6/4, 5/7, 6/2 e 6/4, nesta quarta-feira, 2 de julho de 2025, em Londres. O jovem de 18 anos, número 54 do mundo, superou o norte-americano em partida marcada por intensidade e momentos decisivos na quadra 12, interrompida por chuva. A conquista marca o retorno de um tenista brasileiro a essa fase do Grand Slam desde Thomaz Bellucci, em 2010, e reforça a ascensão de Fonseca como promessa do tênis mundial. O feito histórico reacende o sonho de um título inédito para o Brasil na chave masculina do torneio.
A partida contra Brooksby, atual 101º do ranking, foi desafiadora. Fonseca começou com consistência, conquistando o primeiro set por 6/4 após explorar erros do adversário. No segundo, Brooksby reagiu, vencendo por 7/5 em um jogo equilibrado. O brasileiro, porém, retomou o controle no terceiro set, fechando em 6/2 com saques precisos e jogadas agressivas. No quarto, mesmo com a torcida local apoiando o rival, Fonseca selou a vitória por 6/4, garantindo a vaga. A chuva, que atrasou o início do jogo em duas horas, não abalou o foco do carioca, que demonstrou preparo físico e mental.
O caminho até a terceira rodada incluiu uma vitória expressiva na estreia contra o britânico Jacob Fearnley, número 51 do mundo, por 6/4, 6/1 e 7/6(5). Com esses resultados, Fonseca se torna o tenista mais jovem a alcançar essa fase em Wimbledon desde Carlos Alcaraz, em 2021, e consolida sua trajetória meteórica no circuito profissional. Ele agora enfrenta o dinamarquês Holger Rune, oitavo cabeça de chave, em um duelo que promete testar suas habilidades.
Raízes de um feito histórico
A trajetória de João Fonseca em Wimbledon carrega o peso de 15 anos sem um brasileiro na terceira rodada masculina. Em 2010, Thomaz Bellucci, então número 24 do mundo, alcançou essa fase ao derrotar Ricardo Mello e Martin Fischer, mas caiu para Robin Soderling. Desde então, o Brasil enfrentou dificuldades para avançar além da segunda rodada no torneio. Thiago Wild, em 2024, e Thiago Monteiro, em 2017, chegaram perto, mas não conseguiram repetir o feito de Bellucci. Fonseca, com apenas 18 anos, quebra essa barreira e reacende a esperança de conquistas maiores.
O jovem carioca, que começou a jogar aos cinco anos, cresceu admirando Wimbledon, seu Grand Slam favorito. Sua paixão pelo torneio se reflete em sua dedicação em quadra, onde combina potência nos saques com agilidade nas trocas de bola. A vitória sobre Brooksby, um adversário experiente que já foi número 33 do mundo, destaca a capacidade de Fonseca de competir em alto nível, mesmo em sua primeira participação na chave principal do torneio.
- Momentos decisivos da partida:
- Primeiro set: Fonseca aproveitou uma dupla falta de Brooksby para fechar em 6/4.
- Segundo set: Brooksby venceu por 7/5 após salvar break points.
- Terceiro set: Fonseca dominou com winners, fechando em 6/2.
- Quarto set: Consistência nos saques garantiu o 6/4 final.
Ascensão de um prodígio
João Fonseca entrou em Wimbledon como número 54 do ranking da ATP, mas já subiu provisoriamente para o 47º lugar no Live Ranking. Sua campanha no torneio reforça a reputação de um dos maiores talentos da nova geração do tênis. Em 2025, o brasileiro acumulou conquistas expressivas, como o título no Challenger 175 de Phoenix e vitórias contra jogadores experientes, como Kei Nishikori e Alexander Bublik. Esses resultados o colocaram no radar de especialistas, que o comparam a nomes como Alcaraz e Rafael Nadal pela precocidade e estilo agressivo.
Diferentemente de outros tenistas brasileiros, Fonseca combina força física com inteligência tática. Seu jogo na grama, superfície que exige adaptação, surpreendeu pela consistência. Ele venceu 15 pontos consecutivos contra Fearnley na estreia e manteve a calma contra Brooksby, mesmo sob pressão. Sua preparação incluiu treinos intensos na pré-temporada e participação em torneios preparatórios, como Eastbourne, onde conquistou sua primeira vitória na grama.
Comparações com o passado
O tênis brasileiro tem uma história rica, mas com poucos momentos de glória em Wimbledon. Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros, chegou apenas às quartas de final em 1999, seu melhor resultado no torneio. Maria Esther Bueno, ícone do esporte, conquistou três títulos de simples (1959, 1960 e 1964), sendo a única brasileira a erguer a taça na chave individual. Em duplas, Marcelo Melo venceu em 2017, ao lado de Lukasz Kubot. Fonseca, agora, busca escrever seu nome nessa galeria.
A ausência de brasileiros na terceira rodada masculina por 15 anos reflete os desafios enfrentados pelo país no circuito profissional. A falta de estrutura, alto custo do esporte e concorrência global dificultaram a formação de novos talentos. Fonseca, no entanto, representa uma nova era. Ele treina na academia de Juan Carlos Ferrero, ex-número 1 do mundo, e conta com apoio de patrocinadores que apostam em seu potencial.
Próximo desafio em Londres
Na terceira rodada, Fonseca enfrentará Holger Rune, número 8 do mundo, em um confronto que testará sua resistência. Rune, de 22 anos, é conhecido por seu jogo agressivo e experiência em Grand Slams, tendo alcançado as quartas de final em Wimbledon no ano passado. A partida, prevista para sexta-feira, 4 de julho, será um marco na carreira do brasileiro, independentemente do resultado.
O duelo promete ser equilibrado. Fonseca terá que neutralizar o saque potente de Rune e explorar sua movimentação para forçar erros. A torcida brasileira, que lotou as redes sociais com mensagens de apoio, espera que o jovem mantenha o mesmo nível apresentado nas rodadas anteriores. Uma vitória o colocaria nas oitavas de final, igualando o melhor resultado de Bia Haddad na chave feminina em 2023.
Fatores que impulsionam Fonseca
Vários elementos contribuíram para o sucesso de Fonseca em Wimbledon. Sua preparação física, essencial para suportar partidas longas, foi destaque contra Brooksby. O brasileiro também demonstrou maturidade emocional, mantendo a calma em momentos críticos, como no tie-break contra Fearnley e no quarto set contra Brooksby. Além disso, sua adaptação à grama, superfície menos familiar para tenistas sul-americanos, impressionou os comentaristas.
- Pilares do desempenho de Fonseca:
- Preparação física: Treinos intensos para resistência e explosão.
- Foco mental: Capacidade de lidar com pressão em jogos decisivos.
- Técnica na grama: Ajustes no saque e voleio para a superfície.
- Apoio da equipe: Orientação de treinadores experientes.
Repercussão no Brasil
A vitória de Fonseca gerou comoção entre os fãs brasileiros. Nas redes sociais, torcedores celebraram o feito, destacando a juventude e o carisma do tenista. Clubes de tênis no Rio de Janeiro, onde Fonseca começou sua carreira, organizaram exibições públicas para acompanhar a partida. A imprensa esportiva também destacou o impacto do resultado, apontando o carioca como o principal nome do tênis masculino brasileiro desde Guga.
A conquista chega em um momento de renovação para o esporte no país. Bia Haddad, que também avança em Wimbledon, consolida o Brasil como uma força no tênis feminino. Juntos, Fonseca e Haddad representam a melhor campanha brasileira no torneio em décadas, reacendendo o interesse pelo esporte entre os jovens.
Caminho no torneio
Fonseca está no quarto quadrante da chave de Wimbledon, que inclui nomes como Carlos Alcaraz, atual bicampeão, e Andrey Rublev. Uma eventual classificação para as oitavas o colocaria contra adversários como Frances Tiafoe ou Jiri Lehecka, dependendo dos resultados. Embora o caminho seja desafiador, o brasileiro já demonstrou que pode surpreender. Sua campanha, até o momento, rendeu 99 mil libras esterlinas (cerca de R$ 741 mil), com potencial para mais premiações caso avance.
A performance de Fonseca também garante pontos importantes no ranking da ATP. Uma vitória contra Rune poderia levá-lo ao top 40, um feito notável para um jogador de 18 anos. Independentemente do próximo resultado, sua campanha já é a melhor de um brasileiro em Wimbledon desde Bellucci, consolidando seu nome no cenário global.
Legado em construção
Aos 18 anos, João Fonseca está apenas no início de sua carreira, mas já carrega a responsabilidade de representar o Brasil em um esporte de alta competitividade. Sua vitória em Wimbledon não é apenas um marco pessoal, mas um símbolo de renovação para o tênis brasileiro. Ele segue os passos de ídolos como Guga e Maria Esther Bueno, mas com um estilo próprio, marcado por agressividade e carisma.
O jovem tenista também inspira uma nova geração. Academias de tênis no Brasil relatam aumento na procura por aulas, especialmente entre crianças que veem Fonseca como um exemplo. Sua história, de um garoto do Rio que sonhava com Wimbledon, ressoa com muitos que buscam superar as barreiras do esporte no país.
Prêmio financeiro e ranking
A passagem para a terceira rodada garantiu a Fonseca uma premiação significativa. Além dos 99 mil libras já assegurados, uma vitória nas oitavas renderia mais 53 mil libras (cerca de R$ 400 mil). Até agora, o brasileiro acumula cerca de R$ 9 milhões em premiações na carreira, com R$ 4,6 milhões apenas em 2025. Esses valores refletem não apenas seu talento, mas também o impacto financeiro de avançar em um Grand Slam.
No ranking, Fonseca está próximo de se tornar o primeiro brasileiro no top 50 desde Bellucci. Sua ascensão é acompanhada de perto pela ATP, que o incluiu na lista de jovens promissores do circuito. Com mais torneios pela frente, como o US Open, o carioca tem a chance de consolidar sua posição entre os melhores do mundo.