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Salário mínimo paulista de R$ 1.804 entra em vigor: quem tem direito?

Carteira de Trabalho, crédito consigando
Carteira de Trabalho, crédito consigando - Foto: EDSON DE SOUZA NASCIMENTO Carteira de Trabalho, crédito consigando - Foto: EDSON DE SOUZA NASCIMENTO

A partir de 1º de julho de 2025, o estado de São Paulo passa a contar com um novo salário mínimo de R$ 1.804, um aumento de 10% em relação ao valor anterior de R$ 1.640. Aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em 13 de maio e sancionado pelo governador Tarcísio de Freitas no início de junho, o reajuste beneficia diretamente 76 categorias profissionais que não possuem piso salarial definido por lei federal ou acordos coletivos. A medida, que garante um ganho real de aproximadamente 5% acima da inflação, reforça a posição de São Paulo como um dos estados com maior piso salarial no Brasil, superando em 18,8% o mínimo nacional de R$ 1.518. A nova lei entrou em vigor após publicação no Diário Oficial, impactando trabalhadores de setores como serviços domésticos, construção civil e cuidados pessoais.

O projeto de lei, encaminhado pelo Executivo à Alesp em 30 de abril, foi elaborado com base em estudos que consideram o elevado custo de vida no estado, especialmente na capital, e a demanda por mão de obra local. A iniciativa também unifica o piso salarial para todas as categorias contempladas, promovendo maior equidade entre profissões. Durante a tramitação, uma emenda parlamentar ampliou o alcance da lei, incluindo cuidadores de pessoas com deficiência entre os beneficiados.

A valorização salarial ocorre em um momento de pressões inflacionárias, com destaque para o aumento no preço dos alimentos, que consome grande parte da renda das famílias de baixa renda. O novo piso busca mitigar esses desafios, oferecendo maior poder de compra aos trabalhadores.

  • Principais pontos do reajuste:
    • Aumento de 10% sobre o piso de 2024.
    • Ganho real de 5% acima da inflação.
    • Benefício para 76 categorias profissionais.
    • Unificação do piso salarial para maior equidade.

Novo piso e o custo de vida em São Paulo

Viver em São Paulo, especialmente na capital, exige um planejamento financeiro rigoroso. O custo de vida elevado é um dos fatores que justificam a criação de um salário mínimo estadual superior ao nacional. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cesta básica paulistana custava, em janeiro de 2025, cerca de R$ 852, o que representa quase 47% do novo piso salarial. Esse valor reflete a necessidade de ajustes salariais que acompanhem as despesas básicas, como alimentação, transporte e moradia.

O transporte público também pesa no orçamento. Uma passagem de ônibus na capital custa R$ 5, enquanto a integração com o metrô chega a R$ 8,90. Para um trabalhador que utiliza o transporte diariamente, os gastos mensais podem variar entre R$ 220 e R$ 392. Aluguéis de imóveis pequenos, como kitnets em bairros periféricos, partem de R$ 800, tornando a moradia um desafio para quem depende do salário mínimo. O novo piso de R$ 1.804 busca aliviar essas pressões, mas ainda exige escolhas estratégicas para equilibrar as contas.

Categorias profissionais beneficiadas

O salário mínimo paulista, instituído em 2007 pela Lei 12.640, abrange profissões que não possuem pisos salariais definidos por convenções coletivas ou legislação federal. A unificação do piso para 76 categorias elimina diferenças salariais entre funções similares, promovendo isonomia. Durante a tramitação do projeto na Alesp, a inclusão de cuidadores de pessoas com deficiência foi um avanço significativo, seguindo a incorporação de cuidadores de idosos em 2023.

  • Algumas das categorias contempladas:
    • Trabalhadores domésticos, como faxineiros e cozinheiros.
    • Motoboys e outros trabalhadores de entrega.
    • Operadores de máquinas agrícolas e da construção civil.
    • Serventes e trabalhadores de movimentação de mercadorias.
    • Cuidadores de pessoas com deficiência e idosos.

A abrangência da lei beneficia desde trabalhadores braçais até operadores técnicos, garantindo uma remuneração mínima que reflete as condições econômicas do estado. A medida também serve como referência para negociações salariais em setores sem acordos coletivos, reduzindo desigualdades.

Pagamento Salário
Pagamento Salário – Foto: Joa_Souza/istock

Tramitação e aprovação na Alesp

O processo de aprovação do novo salário mínimo foi marcado por agilidade na Alesp. Encaminhado pelo governador Tarcísio de Freitas em 30 de abril, o projeto de lei 411/2025 passou pelas comissões da Casa antes de ser votado em duas sessões extraordinárias em 13 de maio. A proposta recebeu apoio unânime, refletindo a prioridade dada à valorização salarial. A sanção ocorreu no início de junho, com a publicação da Lei 18.153/2025 no Diário Oficial, estabelecendo a entrada em vigor a partir de 1º de julho.

A inclusão de uma emenda parlamentar para contemplar cuidadores de pessoas com deficiência foi um dos destaques da tramitação. A medida ampliou o alcance social da lei, beneficiando uma categoria essencial, mas historicamente desvalorizada. A unificação do piso salarial também foi bem recebida, eliminando faixas salariais distintas que existiam até 2023.

Comparação com outros estados

São Paulo não é o único estado com piso salarial regional, mas está entre os que oferecem os valores mais altos. O Paraná, por exemplo, lidera com pisos que variam de R$ 1.984,16 a R$ 2.275,36, dependendo da categoria profissional. Santa Catarina tem faixas entre R$ 1.730 e R$ 1.978, enquanto o Rio Grande do Sul adota valores de R$ 1.789,04 a R$ 2.267,21. No Rio de Janeiro, o piso é dividido em seis faixas, de R$ 1.238,11 a R$ 3.158,96, conforme a atividade.

O piso paulista, fixado em R$ 1.804, é único e não varia por categoria, o que simplifica sua aplicação. Comparado ao mínimo nacional de R$ 1.518, o valor representa uma margem significativa, mas ainda está abaixo do maior piso paranaense. A escolha por um valor unificado reflete a intenção de promover equidade, mas também considera o equilíbrio financeiro para empregadores.

Impacto econômico do reajuste

O aumento do salário mínimo paulista injeta recursos na economia local, especialmente em setores como comércio e serviços. Com 76 categorias beneficiadas, a medida eleva o poder de compra de trabalhadores de baixa renda, que tendem a gastar a maior parte de sua renda em bens essenciais. O governo estadual estima que o reajuste de 10% terá um efeito multiplicador, estimulando o consumo e a geração de empregos.

A valorização salarial também responde às pressões inflacionárias. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de baixa renda, registrou 4,77% no último ano. O ganho real de 5% do novo piso garante que os trabalhadores mantenham ou ampliem seu poder de compra, especialmente em um contexto de alta nos preços de alimentos e transporte.

Benefícios para servidores públicos

Além do impacto nas categorias privadas, o novo piso também beneficia servidores públicos estaduais. A Lei Complementar 1.424/2025, sancionada na mesma data, institui um abono complementar para garantir que nenhum servidor receba menos que R$ 1.804, considerando a proporção da jornada de trabalho. A medida abrange cerca de 91 mil servidores ativos, aposentados e pensionistas, incluindo profissionais de todas as secretarias, da Procuradoria Geral e da Controladoria Geral.

Outra lei complementar, a 1.425/2025, concede um reajuste de 5% para mais de 925 mil servidores de diversas áreas, como saúde, educação e segurança. Essas iniciativas reforçam o compromisso do governo estadual com a valorização do funcionalismo, alinhando os salários ao novo piso.

Histórico de aumentos salariais

O salário mínimo paulista tem registrado avanços consistentes desde 2022. Naquele ano, o piso era de R$ 1.284, passando para R$ 1.550 em 2023 (aumento de até 20,7%) e R$ 1.640 em 2024 (alta de 5,8%). Com o reajuste de 2025, o crescimento acumulado chega a 40,5%, contra uma inflação de 15,1% no mesmo período, segundo o INPC. Essa trajetória reflete a prioridade dada à valorização salarial, mesmo em um cenário econômico desafiador.

  • Marcos do salário mínimo paulista:
    • 2007: Criação do piso estadual pela Lei 12.640.
    • 2023: Unificação do piso e inclusão de cuidadores de idosos.
    • 2025: Reajuste de 10% e inclusão de cuidadores de pessoas com deficiência.

Desafios para empregadores

O aumento do piso salarial também traz responsabilidades para os empregadores. Empresas que contratam trabalhadores das categorias contempladas devem ajustar suas folhas de pagamento até o final de julho. A obrigatoriedade do piso estadual, estabelecida pela Lei Complementar nº 103/2000, vale para empregados sob o regime da CLT que não possuem acordos coletivos.

Embora o reajuste seja positivo para os trabalhadores, pequenas empresas podem enfrentar dificuldades para absorver o custo adicional. A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico recomenda que os empregadores planejem seus orçamentos com antecedência, considerando o impacto do novo piso nos encargos trabalhistas, como a contribuição ao INSS.

Importância do piso regional

A existência de um salário mínimo regional é justificada pelas diferenças econômicas entre os estados brasileiros. Em São Paulo, o elevado custo de vida, especialmente na capital, exige remunerações que garantam condições mínimas de subsistência. O piso estadual, superior ao nacional, considera fatores como o preço da cesta básica, os custos com transporte e as demandas do mercado de trabalho local.

A medida também contribui para reduzir desigualdades salariais, especialmente em setores com baixa representação sindical. Ao estabelecer um valor mínimo para 76 categorias, o governo paulista protege trabalhadores vulneráveis, como empregados domésticos e motoboys, que muitas vezes não contam com negociações coletivas robustas.

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