Em 2025, milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrentam uma onda crescente de golpes que exploram a confiança nos serviços previdenciários e a vulnerabilidade de idosos. Criminosos utilizam táticas sofisticadas, como ligações telefônicas, mensagens fraudulentas e sites falsos, para roubar dados pessoais ou desviar benefícios. A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União, revelou fraudes bilionárias, com descontos indevidos afetando cerca de 7,7 milhões de beneficiários entre 2016 e 2024. Este cenário exige atenção redobrada para proteger aposentadorias. A seguir, detalhamos os cinco golpes mais comuns e estratégias práticas para evitá-los, com base em informações oficiais e investigações recentes.
A escalada de fraudes contra segurados do INSS reflete a adaptação de golpistas às novas tecnologias e à digitalização dos serviços. Muitos aposentados, especialmente aqueles com pouca familiaridade digital, tornam-se alvos fáceis. Dados da Polícia Federal estimam que R$ 6,3 bilhões foram desviados em esquemas envolvendo associações e sindicatos, muitos sem autorização dos beneficiários. A situação ganhou destaque após a demissão do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e a intensificação de medidas preventivas pelo governo.

Os golpes exploram brechas como a complexidade das regras previdenciárias e a confiança nos canais oficiais. Para ajudar os segurados, o INSS ampliou campanhas de conscientização e implementou ferramentas como a biometria facial no aplicativo Meu INSS. Ainda assim, a prevenção depende de ações individuais. Confira os principais esquemas fraudulentos:
- Descontos indevidos de associações: Criminosos cadastram aposentados em entidades fictícias, cobrando mensalidades sem consentimento.
- Falsos empréstimos consignados: Golpistas usam dados roubados para contratar créditos, cujas parcelas são descontadas do benefício.
- Links fraudulentos: Mensagens com promessas de revisões ou atualizações direcionam para sites falsos que capturam informações.
- Falsos advogados: Estelionatários prometem agilizar processos judiciais em troca de pagamentos antecipados.
- Golpe da prova de vida: Criminosos solicitam dados pessoais sob o pretexto de atualizar cadastros ou realizar biometria.
Descontos indevidos: o maior golpe contra aposentados
A fraude de descontos indevidos, revelada pela Operação Sem Desconto em 2025, é o esquema mais impactante. Associações e sindicatos falsificavam assinaturas para autorizar mensalidades, desviando valores diretamente dos benefícios. A Controladoria-Geral da União constatou que 97,6% dos 1.273 beneficiários entrevistados não autorizaram os débitos, e 95,9% não eram filiados às entidades. Entre 2016 e 2024, cerca de 7,7 milhões de segurados foram afetados, com prejuízos estimados em R$ 6,3 bilhões.
O esquema contava com falhas internas do INSS, como a falta de fiscalização rigorosa. Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2023 já apontava “descontrole” nos processos, com apenas três servidores responsáveis pela fiscalização de entidades conveniadas. Em resposta, o INSS suspendeu temporariamente descontos associativos e bloqueou novos empréstimos consignados, visando proteger os segurados enquanto revisa os processos.
A dificuldade de muitos aposentados em acessar o aplicativo Meu INSS agravou o problema. Cerca de 72,4% dos entrevistados pela CGU não sabiam que sofriam descontos, pois não recebiam extratos impressos. O INSS orienta verificar mensalmente o extrato de pagamento no aplicativo ou pelo telefone 135 para identificar irregularidades.
Falsos empréstimos consignados: roubo direto do benefício
Outro golpe comum envolve a contratação de empréstimos consignados sem autorização. Criminosos obtêm dados pessoais por telefone, e-mail ou mensagens, passando-se por funcionários de bancos ou do INSS. Com essas informações, contratam créditos cujas parcelas são descontadas diretamente do benefício, deixando o aposentado com valores reduzidos. Em 2025, a Polícia Federal identificou milhares de casos, com vítimas descobrindo os descontos apenas ao consultar o extrato.
Para evitar esse golpe, o INSS recomenda nunca fornecer dados pessoais por canais não oficiais. Bancos legítimos não solicitam informações como CPF, senhas ou números de benefício por telefone. Além disso, qualquer operação de consignado aprovada pelo INSS não exige taxas iniciais. A orientação é contatar diretamente a instituição financeira pelos canais oficiais em caso de dúvida.
Links fraudulentos e phishing: armadilhas digitais
Mensagens enviadas por SMS, WhatsApp ou e-mail têm se tornado uma tática perigosa em 2025. Golpistas enviam links prometendo revisões de benefícios, saldos a receber ou atualizações cadastrais. Esses links direcionam para sites falsos, que imitam o portal Meu INSS ou de bancos, capturando dados pessoais e bancários. Um caso em Taubaté, São Paulo, envolveu um aposentado que quase perdeu suas economias ao clicar em um link sobre uma suposta pendência no CPF.
O INSS alerta que comunicações oficiais ocorrem apenas pelo aplicativo Meu INSS, pelo telefone 135 ou por SMS do número 280-41. Links recebidos por outros canais devem ser ignorados. Para maior segurança, os beneficiários devem manter seus dados de contato atualizados no Meu INSS e ativar notificações no aplicativo.
Falsos advogados: promessas de benefícios ilusórios
Golpistas que se passam por advogados têm explorado segurados com ações judiciais no INSS. Eles prometem agilizar processos ou liberar valores atrasados mediante pagamentos antecipados, geralmente via Pix. Após receberem o dinheiro, desaparecem. Em 2025, o INSS identificou um aumento nas denúncias desse golpe, especialmente após revisões de benefícios como auxílio-doença, que beneficiarão 140 mil segurados até maio.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recomenda verificar a identidade de qualquer profissional junto à entidade antes de realizar pagamentos. Processos judiciais legítimos não exigem taxas antecipadas sem contrato formal. Os segurados podem consultar o andamento de suas ações diretamente no Meu INSS ou com advogados de confiança.
Golpe da prova de vida: exploração da biometria
A prova de vida digital, implementada durante a pandemia, tornou-se alvo de fraudes. Criminosos entram em contato por telefone ou mensagem, solicitando dados pessoais e fotos de documentos para supostas atualizações cadastrais ou biometria facial. Com essas informações, realizam fraudes financeiras, como abertura de contas ou contratação de empréstimos. O INSS esclarece que a biometria facial é feita exclusivamente pelo aplicativo Gov.br, e o órgão não solicita dados por telefone ou WhatsApp.
Para se proteger, os segurados devem realizar a prova de vida apenas pelos canais oficiais. Em 2025, o INSS ampliou a prova de vida automática, que utiliza dados de outros serviços públicos para confirmar a situação do beneficiário, reduzindo a necessidade de contato direto.
Como se proteger: medidas práticas para 2025
A prevenção é a melhor defesa contra golpes no INSS. Abaixo, listamos ações práticas para proteger seu benefício:
- Use apenas canais oficiais: Acesse o Meu INSS ou ligue para o 135 para verificar informações.
- Confira o extrato mensalmente: Identifique descontos indevidos no aplicativo ou site Meu INSS.
- Desconfie de contatos suspeitos: Não forneça dados por telefone, e-mail ou mensagens de números desconhecidos.
- Bloqueie descontos futuros: Ative a opção de bloqueio de mensalidades associativas no Meu INSS.
- Denuncie fraudes: Registre boletins de ocorrência e contate a Ouvidoria do INSS pelo Fala.Br.
Ressarcimento: o que fazer se for vítima
Aposentados que sofreram descontos indevidos podem solicitar ressarcimento pelo Meu INSS a partir de 14 de maio de 2025. O processo envolve verificar o extrato, identificar a entidade responsável e informar se o desconto foi autorizado. As associações têm 15 dias para comprovar a autorização ou devolver o valor. Caso não o façam, o INSS repassará os valores aos beneficiários em folha suplementar. A Advocacia-Geral da União bloqueou R$ 2,56 bilhões em bens de entidades investigadas para garantir o ressarcimento.
Especialistas recomendam agir rapidamente. O advogado previdenciário Washington Barbosa sugere reunir extratos e procurar um profissional para agilizar o processo, especialmente para valores descontados antes de 2025. O INSS não cobra taxas para esses procedimentos, e qualquer solicitação de pagamento é indicativo de fraude.
Alerta constante para aposentados
A sofisticação dos golpes exige vigilância contínua. O INSS tem investido em segurança, como a autenticação via Gov.br e campanhas educativas, mas a responsabilidade recai também sobre os segurados. Acompanhar extratos, desconfiar de promessas de ganhos rápidos e usar apenas canais oficiais são passos essenciais. Em 2025, proteger a aposentadoria é mais do que uma precaução: é uma necessidade diante de esquemas que exploram a confiança e a vulnerabilidade.