A BYD, gigante global em veículos elétricos, inaugurou sua fábrica em Camaçari, Bahia, em julho de 2025, iniciando a produção de carros elétricos e híbridos. Localizada no antigo complexo da Ford, a unidade promete transformar a região em um polo de inovação tecnológica, gerando até 20 mil empregos diretos e indiretos até 2026. Com investimento de R$ 5,5 bilhões, a planta foca em sustentabilidade e modernização do setor automotivo. A produção começou com o BYD Dolphin Mini, e a empresa planeja expandir a oferta de modelos acessíveis. A iniciativa reforça a aposta na mobilidade elétrica no Brasil.
A chegada da BYD a Camaçari marca um novo capítulo para a cidade, que sofreu com o fechamento da Ford em 2021. A fábrica, a maior da empresa fora da Ásia, já emprega cerca de mil pessoas e abriu 508 vagas em 25 especialidades, como operadores de produção e soldadores. A expectativa é que a unidade produza 150 mil veículos por ano inicialmente, com planos de alcançar 300 mil até 2026.
- Principais destaques da iniciativa:
- Produção de modelos como Dolphin Mini e Song Pro.
- Geração de empregos em diversas áreas técnicas.
- Foco em tecnologias sustentáveis e redução de emissões.
O projeto também inclui um centro de pesquisa e desenvolvimento em Salvador, voltado para inovações como motores híbridos flex, adaptados ao etanol brasileiro.
Modernização do setor automotivo
A nova planta da BYD em Camaçari simboliza um avanço significativo para a indústria automotiva brasileira. Instalada em um terreno de 4,6 milhões de metros quadrados, a fábrica ocupa inicialmente 156 mil m², com planos de expansão para 26 galpões e pistas de teste. A estrutura espelha a unidade de Changzhou, na China, conhecida pela automação avançada, capaz de montar um veículo em cerca de quatro horas.

A produção começou no regime SKD (Semi Knocked Down), com kits importados da China, mas a meta é evoluir para o CKD (Completely Knocked Down), aumentando a nacionalização de componentes. Isso deve atrair fornecedores locais, como a Continental Pneus, já homologada. A empresa planeja que 70% das peças sejam fabricadas na Bahia nos próximos cinco anos, fortalecendo a cadeia produtiva regional.
A BYD também anunciou o desenvolvimento de um motor híbrido flex 1.5 DM-i, projetado em parceria com engenheiros brasileiros e chineses. Esse motor, que combina bateria elétrica com etanol, estreará no SUV Song Pro, destacando a adaptação da tecnologia às necessidades do mercado local.
Geração de empregos em larga escala
A criação de empregos é um dos pilares do projeto. A fábrica já contratou mil trabalhadores e planeja abrir 10 mil vagas entre janeiro e agosto de 2025, com 2 mil em janeiro, 3 mil em maio e 5 mil em agosto. Até 2026, o complexo deve gerar 20 mil postos diretos e indiretos, beneficiando Camaçari e cidades vizinhas.
As oportunidades abrangem diversos perfis profissionais, com destaque para:
- Operadores de produção, responsáveis pela montagem de veículos.
- Técnicos de manutenção, que asseguram a operação das máquinas.
- Engenheiros de processos, focados em otimizar a produção.
- Analistas de logística, que gerenciam o fluxo de componentes.
- Soldadores e operadores de empilhadeira, essenciais para a linha de montagem.
Os processos seletivos são intermediados pelo SineBahia, que organiza candidaturas gratuitamente. A Secretaria do Trabalho da Bahia (Setre) também lançou programas de qualificação profissional para preparar a mão de obra local, garantindo que as vagas sejam ocupadas prioritariamente por baianos.
Sustentabilidade como prioridade
A fábrica foi projetada com padrões ambientais rigorosos, utilizando energia renovável em parte de suas operações e adotando práticas de reciclagem. A produção de veículos elétricos e híbridos contribui para a redução das emissões de carbono, alinhando-se aos compromissos do Brasil no Acordo de Paris. A BYD também planeja expandir a rede de carregadores elétricos no país, facilitando a adoção de seus modelos.
Além disso, a empresa mantém iniciativas sociais na região, como doações para escolas e apoio a projetos de preservação ambiental. Essas ações reforçam o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a integração com a comunidade local.
Impacto econômico na Bahia
A chegada da BYD reativa a economia de Camaçari, que perdeu cerca de 9 mil empregos diretos com o fechamento da Ford. A prefeitura estima que a saída da montadora americana reduziu em R$ 20 milhões a circulação mensal de salários na cidade. Com a nova fábrica, a expectativa é que o fluxo financeiro volte a crescer, impulsionando comércio, serviços e infraestrutura.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, destacou a relevância do projeto durante a inauguração. A unidade posiciona o Nordeste como um polo estratégico de inovação, com potencial para atrair outras empresas do setor automotivo. A BYD também solicitou ao governo estadual o uso do Porto de Aratu para facilitar a logística, o que deve ampliar a capacidade de exportação para a América Latina.
Inovações tecnológicas na produção
A fábrica incorpora tecnologias de ponta, como robôs de automação e sistemas de inspeção avançados. A linha de montagem inicial inclui pistas de teste para velocidade e obstáculos, garantindo a qualidade dos veículos. A BYD planeja fabricar não apenas carros de passeio, mas também caminhões, ônibus elétricos e baterias, com uma unidade dedicada ao processamento de lítio e ferro-fosfato.
O centro de pesquisa em Salvador será crucial para o desenvolvimento de soluções locais. Um dos primeiros projetos é o motor híbrido flex, que combina eficiência energética com o uso de etanol, uma matéria-prima abundante no Brasil. Essa inovação pode tornar os veículos da BYD mais competitivos no mercado nacional.
Expansão da mobilidade elétrica
A BYD aposta na popularização dos carros elétricos no Brasil, onde o mercado de eletrificados deve atingir 170 mil unidades em 2025. Modelos como o Dolphin Mini, o elétrico mais vendido do país, e o Song Pro, com motor híbrido flex, são destaques da produção inicial. A empresa também planeja lançar o sedã BYD King em 2025, ampliando seu portfólio.
Para apoiar a adoção de elétricos, a BYD investe na expansão de sua rede de carregadores. A empresa já possui soluções residenciais e planeja instalar pontos de recarga em locais públicos, como shoppings e rodovias. Essa infraestrutura é essencial para tornar os veículos elétricos mais acessíveis aos consumidores brasileiros.
Integração com a comunidade local
A BYD tem priorizado a contratação de trabalhadores locais e a parceria com fornecedores baianos. A homologação de 106 empresas nacionais, incluindo fabricantes de pneus e peças, fortalece a economia regional. Além disso, a empresa enviou 100 profissionais brasileiros para treinamento na China, garantindo a transferência de conhecimento técnico.
Programas de qualificação profissional, desenvolvidos em parceria com o governo estadual, preparam jovens e adultos para as demandas da indústria automotiva elétrica. Essas iniciativas visam criar uma mão de obra especializada, capaz de atender às necessidades da fábrica e de futuras expansões.
Planos de crescimento futuro
A BYD tem metas ambiciosas para os próximos anos. A capacidade inicial de 150 mil veículos por ano deve dobrar para 300 mil na segunda fase, com possibilidade de alcançar 450 mil unidades anualmente. A empresa também estuda a produção local de baterias, um setor estratégico para a mobilidade elétrica.
O investimento total pode ultrapassar R$ 6,5 bilhões, dependendo de novos aportes. A fábrica de Camaçari será um hub para a América Latina, com potencial para exportar veículos para países vizinhos. A BYD também planeja consolidar sua posição entre as três maiores montadoras do Brasil nos próximos cinco anos, aproveitando o crescimento do mercado de eletrificados.