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Fluminense x Al-Hilal: Como Rivellino conectou os clubes há 47 anos

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Rivellino - Foto: Instagram Rivellino - Foto: Instagram

Em 1978, Roberto Rivellino, ídolo do Fluminense e campeão mundial com o Brasil em 1970, deixou o clube carioca para se aventurar no Al-Hilal, da Arábia Saudita, marcando o início de uma era de brasileiros no futebol saudita. A transferência, cercada de polêmicas e dificuldades financeiras do Tricolor, foi um marco na profissionalização do esporte no país árabe. Com 23 gols em 57 jogos, títulos e uma despedida turbulenta em um clássico, Rivellino se tornou lenda no Al-Hilal. Hoje, 47 anos depois, Fluminense e Al-Hilal se enfrentam pelas quartas de final da Copa do Mundo de Clubes 2025, em Orlando, revivendo essa conexão histórica. A negociação revelou as tensões de um mercado em transformação, enquanto o meia enfrentou desafios culturais e climáticos para deixar sua marca. Por que essa passagem foi tão marcante, e como ela influencia o duelo de hoje?

  • Principais feitos de Rivellino no Al-Hilal:
    • Conquistou o primeiro Campeonato Saudita do clube em 1978/79.
    • Venceu a Copa do Príncipe Faisal Bin Fahad em 1979/80.
    • Marcou 23 gols em 57 partidas, impressionando em um futebol ainda amador.

Rivellino, aos 33 anos, chegava a Riad após a Copa de 1978, onde lesões limitaram seu brilho. No Fluminense, ele era o coração da “Máquina Tricolor”, mas o clube vivia uma crise financeira que tornava impossível recusar a oferta saudita. A transferência, no entanto, não foi simples, e o pagamento atrasado gerou atritos que levaram o caso à Fifa.

A história de Rivellino no Al-Hilal é mais do que números: é sobre pioneirismo. Ele abriu portas para outros brasileiros, como Thiago Neves e Malcom, que também brilharam no clube. O confronto de 2025 entre Fluminense e Al-Hilal resgata essa trajetória, unindo passado e presente em um palco global.

Al-Hilal: Um destino inesperado

A decisão de Rivellino de deixar o Fluminense em 1978 surpreendeu muitos torcedores. Aos 33 anos, o meia ainda era referência técnica, com dribles elásticos e chutes potentes que o tornaram ídolo no Corinthians, no Fluminense e na Seleção Brasileira. A proposta do Al-Hilal, no entanto, era irrecusável. O clube saudita, recém-permitido a contratar estrangeiros, viu em Rivellino a chance de elevar o nível do futebol local.

A negociação envolveu 200 mil dólares, uma quantia significativa para a época, equivalente a cerca de 5 milhões de reais em valores atuais. Para o Fluminense, atolado em dívidas, o dinheiro era uma tábua de salvação. Rivellino, por sua vez, enxergou a oportunidade de prolongar a carreira em um ambiente menos exigente, mas com benefícios financeiros e pessoais, como casa, carro de luxo e escola para os filhos.

A mudança, porém, trouxe desafios. O futebol saudita ainda engatinhava, com treinos em estádios compartilhados e gramados sintéticos. Rivellino precisou se adaptar a um calendário diferente, com jogos noturnos para evitar o calor, e a uma cultura distante da brasileira. Sua chegada, acompanhada pelo técnico Mário Zagallo, marcou o início de uma revolução no Al-Hilal.

Negociação cheia de entraves

A transferência de Rivellino não foi um conto de fadas. O Fluminense, desesperado por recursos, aceitou a oferta rapidamente, mas o pagamento demorou meses para chegar. O clube carioca precisou recorrer à Fifa para garantir o recebimento, o que gerou tensão nos bastidores.

  • Obstáculos na negociação:
    • Atraso no pagamento dos 200 mil dólares pelo Al-Hilal.
    • Pressão do Fluminense para liberar Rivellino antes da quitação.
    • Envolvimento da Fifa para mediar o conflito financeiro.

Do lado de Rivellino, a decisão também envolveu riscos. Ele temia que, no Brasil, qualquer queda de desempenho fosse vista como sinal de declínio. Na Arábia Saudita, ele poderia jogar sem a mesma pressão, mas enfrentaria o desconhecido. Sua visita a Riad, antes de assinar, foi crucial para aceitar o desafio, mas os primeiros meses exigiram paciência para se adaptar ao novo ambiente.

Adaptação ao deserto

O clima árido de Riad foi um dos maiores obstáculos para Rivellino. Com temperaturas que podiam ultrapassar 40°C, o meia criou uma solução peculiar: jogava com um pedaço de algodão molhado na boca para aliviar a secura. Essa imagem, relatada em sua biografia, tornou-se símbolo de sua resiliência.

Fora de campo, a vida era confortável. O Al-Hilal ofereceu uma casa, carro (uma Mercedes, seu sonho de infância) e presentes luxuosos, como relógios cravejados de diamantes. Esses mimos, comuns para jogadores estrangeiros, refletiam o tratamento de realeza dado aos astros. Rivellino, apelidado de “Rivo” pelos sauditas, conquistou a torcida com sua habilidade e carisma.

Em campo, ele não decepcionou. Seus 23 gols em 57 jogos incluíram cobranças de falta precisas e dribles que encantaram um público ainda não habituado a ver estrelas mundiais. Sob o comando de Zagallo, o Al-Hilal venceu o Campeonato Saudita de 1978/79, o primeiro da história do clube, consolidando Rivellino como ídolo.

Títulos e a parceria com Zagallo

A chegada de Rivellino ao Al-Hilal coincidiu com a de Mário Zagallo, técnico que já conhecia o meia desde a Seleção Brasileira. A dupla trouxe profissionalismo a um clube em formação, transformando o Al-Hilal em protagonista do futebol saudita.

  • Conquistas com o Al-Hilal:
    • Campeonato Saudita 1978/79: Primeiro título nacional do clube.
    • Copa do Príncipe Faisal Bin Fahad 1979/80: Rivellino liderou o ataque.
    • Vice-campeonato saudita em 1980/81: Última temporada de Rivellino.

Zagallo, no entanto, deixou o clube após a primeira temporada, retornando ao Brasil. Sem ele, Rivellino continuou como referência, mas o Al-Hilal não repetiu o título nacional. A Copa do Príncipe Faisal Bin Fahad, conquistada em 1979/80, foi outro marco, com Rivellino marcando gols decisivos. Sua capacidade de se adaptar a um futebol menos estruturado destacou sua genialidade.

Despedida em meio ao caos

A carreira de Rivellino no Al-Hilal terminou de forma tão intensa quanto começou. Em 1981, durante um clássico contra o Al-Ittihad, o maior rival do Al-Hilal, uma briga generalizada marcou sua última partida. Rivellino, alvo constante de faltas duras, perdeu a paciência após provocações e partiu para cima de um adversário.

A confusão se espalhou para as arquibancadas, e os jogadores precisaram de escolta para deixar o estádio. O episódio, relatado por Rivellino como resultado da marcação violenta que sofria, encerrou sua trajetória no clube. Aos 35 anos, ele decidiu se aposentar, frustrado também por desavenças com o príncipe Khaled, dono do Al-Hilal.

Rivellino planejava jogar até os 42 anos, mas as tensões e o desgaste físico o levaram a pendurar as chuteiras. Ele ainda tentou um retorno ao Brasil, treinando com o São Paulo e disputando um amistoso contra a seleção saudita, mas entraves contratuais com o Al-Hilal impediram a continuidade.

Legado de um pioneiro

A passagem de Rivellino pelo Al-Hilal não foi apenas sobre títulos. Ele abriu as portas do futebol saudita para outros brasileiros, que décadas depois transformariam a liga em destino de craques como Neymar e Malcom. Sua influência é sentida até hoje, com o Al-Hilal celebrando sua história em camisas comemorativas lançadas em 2024.

  • Brasileiros que seguiram Rivellino no Al-Hilal:
    • Thiago Neves: Conquistou títulos entre 2009 e 2017.
    • Malcom: Destaque na campanha do Mundial de Clubes 2025.
    • Marcos Leonardo: Artilheiro do clube no torneio atual.

O confronto entre Fluminense e Al-Hilal em 2025 resgata essa conexão. Enquanto o Tricolor busca surpreender com sua garra, o Al-Hilal, agora um gigante financeiro, carrega o legado de Rivellino como símbolo de sua ascensão. A torcida tricolor, presente em Orlando, espera que o espírito da “Máquina Tricolor” supere o poderio saudita.

Um clássico com raízes históricas

O duelo desta sexta-feira, às 16h, no Camping World Stadium, é mais do que uma partida pelas quartas de final. Ele une dois clubes que, há 47 anos, começaram a construir uma ponte improvável entre o Rio de Janeiro e Riad. Rivellino, com sua “patada atômica” e dribles elásticos, foi o elo inicial dessa história.

O Fluminense chega embalado pela vitória sobre a Inter de Milão, enquanto o Al-Hilal, que eliminou o Manchester City, é favorito com seu elenco estrelado. A disparidade financeira é evidente: desde 2023, o Al-Hilal investiu 3 bilhões de reais em reforços, 12 vezes mais que o Tricolor. Mesmo assim, o passado mostra que a garra pode superar o dinheiro, como Rivellino provou em sua jornada.

Rivellino e o futebol saudita

A presença de Rivellino no Al-Hilal ajudou a moldar a imagem do futebol saudita. Na época, a liga era amadora, com poucos recursos e infraestrutura limitada. Sua chegada, junto com Zagallo, trouxe visibilidade e profissionalismo, pavimentando o caminho para a modernização do esporte no país.

Hoje, a Saudi Pro League atrai estrelas como Cristiano Ronaldo e Benzema, mas Rivellino foi o primeiro a desbravar esse território. Sua habilidade de se adaptar a um ambiente tão diferente do brasileiro o tornou um ícone, lembrado até por torcedores que nunca o viram jogar.

Memórias de Riad

Rivellino guarda histórias curiosas de sua passagem pela Arábia Saudita. Além do algodão na boca, ele relembra com carinho os presentes dos príncipes, como relógios que evitava usar por medo de assaltos. Sua Mercedes, um sonho de infância, foi outro marco pessoal.

  • Curiosidades da passagem de Rivellino:
    • Jogava com algodão molhado para suportar o calor.
    • Recebeu uma Mercedes como parte do contrato.
    • Ganhava relógios cravejados de diamantes como bônus.

Essas memórias, contadas em entrevistas e em sua biografia, mostram o contraste entre o luxo oferecido pelo Al-Hilal e as dificuldades de um futebol em desenvolvimento. Rivellino, com sua simplicidade e talento, conquistou o respeito de todos.

O reencontro em Orlando

O jogo de 2025 entre Fluminense e Al-Hilal é um capítulo novo em uma história que começou com Rivellino. Para os torcedores tricolores, é a chance de honrar o legado de um dos maiores ídolos do clube. Para o Al-Hilal, é a oportunidade de consolidar sua posição como potência global, um sonho que começou a tomar forma com a chegada de “Rivo” em 1978.

A partida, transmitida ao vivo por Globo, SporTV e Globoplay, promete ser um espetáculo. O Fluminense aposta na união de seu elenco, liderado por Germán Cano, enquanto o Al-Hilal confia em estrelas como Malcom e Rúben Neves. Independentemente do resultado, a conexão entre os dois clubes, forjada por Rivellino, permanecerá viva.

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