Após maior ataque russo, Ucrânia revida com drones em base de Voronezh

Agentes dos serviços de emergência trabalham para apagar um incêndio após um ataque russo na região de Kharkiv, Ucrânia, neste sábado — Foto: Serviço de Emergência da Ucrânia

Agentes dos serviços de emergência trabalham para apagar um incêndio após um ataque russo na região de Kharkiv, Ucrânia, neste sábado — Foto: Serviço de Emergência da Ucrânia

A Ucrânia intensificou suas ações militares ao atacar uma base aérea russa em Borisoglebsk, na região de Voronezh, neste sábado, 5 de julho de 2025, em resposta ao maior bombardeio aéreo da Rússia contra o território ucraniano desde o início da guerra, em 2022. O ataque ucraniano, anunciado pelas forças especiais, atingiu um depósito de bombas e uma aeronave, enquanto Moscou retaliou com 322 drones contra várias regiões da Ucrânia na mesma noite. A escalada ocorre em meio a negociações estagnadas para um cessar-fogo e à suspensão de parte do apoio militar dos Estados Unidos, gerando tensão no leste europeu. A ofensiva reflete a determinação de Kiev em responder à agressão russa, apesar dos desafios logísticos e diplomáticos.

O comunicado das forças ucranianas detalhou que o ataque em Voronezh teve como alvo infraestrutura crítica usada por aeronaves russas, incluindo caças Su-34 e Su-35S. Não houve confirmação oficial de Moscou sobre danos ou perdas. A ação foi planejada com precisão, utilizando drones para maximizar o impacto em um ponto estratégico. A base de Borisoglebsk é conhecida por abrigar equipamentos essenciais para as operações aéreas russas na Ucrânia, o que torna o ataque um golpe simbólico e tático.

Enquanto isso, a Rússia intensificou sua campanha aérea. A Força Aérea ucraniana relatou que, dos 322 drones lançados por Moscou, 157 foram abatidos e 135 neutralizados por interferência eletrônica. A região de Khmelnytskyi, no oeste do país, foi a mais atingida, embora sem registros de vítimas ou danos significativos, segundo o governador Serhii Tyurin. A capacidade de defesa aérea da Ucrânia, apesar de limitada pela redução do apoio externo, demonstrou resiliência ao conter grande parte da ofensiva.

Principais alvos do ataque ucraniano:

  • Depósito de bombas planadoras em Borisoglebsk.
  • Aeronave de treinamento danificada.
  • Possível impacto em caças Su-34, Su-35S e Su-30SM.
  • Infraestrutura de apoio logístico na base aérea.

Intensificação do conflito após bombardeio recorde

Na sexta-feira, 4 de julho, a Rússia executou o que autoridades ucranianas classificaram como o maior ataque aéreo da guerra, com 539 drones e 11 mísseis direcionados principalmente à capital, Kiev. O bombardeio deixou dois mortos e 26 feridos, conforme relatou o prefeito Vitali Klitschko. Prédios residenciais, escolas e a infraestrutura ferroviária sofreram danos, enquanto uma nuvem de fumaça pairava sobre a cidade. A ofensiva foi interpretada como uma resposta direta a uma conversa telefônica entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump, que terminou sem avanços para a paz.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou a postura russa, afirmando que o ataque demonstra a falta de interesse de Moscou em negociações. Ele destacou a necessidade de pressão internacional para mudar o comportamento russo, apontando que a suspensão de parte do envio de armas pelos Estados Unidos agrava a situação. “Sem pressão em larga escala, a Rússia não mudará sua postura destrutiva”, declarou Zelensky em uma postagem no Telegram.

A intensificação dos bombardeios russos ocorre em um momento delicado. Dados compilados pela agência de notícias AFP indicam que, apenas em junho de 2025, a Rússia lançou um número recorde de drones e mísseis contra a Ucrânia, coincidindo com o impasse nas negociações de paz iniciadas em Istambul. As tratativas, que resultaram apenas em trocas de prisioneiros, não avançaram para um cessar-fogo, com双方 mantendo posições opostas: Moscou exige concessões territoriais, enquanto Kiev defende a retirada total das forças russas.

Drones como arma estratégica

A Ucrânia tem apostado cada vez mais em drones para contra-atacar a Rússia, especialmente após a redução do apoio militar ocidental. A ofensiva em Borisoglebsk reflete o uso crescente de drones de longo alcance, capazes de atingir alvos a centenas de quilômetros do front. Essas armas, muitas vezes equipadas com inteligência artificial para navegação autônoma, permitem à Ucrânia compensar a inferioridade numérica em relação às forças russas.

Aspectos do uso de drones pela Ucrânia:

  • Tecnologia de ponta com sistemas de navegação por IA.
  • Capacidade de atingir alvos estratégicos em território russo.
  • Baixo custo em comparação com mísseis tradicionais.
  • Flexibilidade para operações de longo alcance.

O ataque à base aérea de Borisoglebsk não foi um caso isolado. Nos últimos meses, Kiev intensificou suas operações com drones, visando depósitos de munições, refinarias de petróleo e infraestrutura militar em regiões russas como Rostov e Kursk. Em um incidente recente, um drone ucraniano atingiu um prédio residencial, resultando na morte de uma mulher, segundo autoridades russas. Essas ações, embora eficazes, geram críticas por atingir áreas civis, o que complica o apoio internacional à Ucrânia.

A Rússia, por sua vez, também ampliou o uso de drones, especialmente os modelos Shahed, de fabricação iraniana. Esses aparelhos, conhecidos por sua capacidade de voar em grandes enxames, sobrecarregam as defesas aéreas ucranianas. A Força Aérea da Ucrânia informou que, no ataque de sexta-feira, 270 drones foram neutralizados, mas a escala das ofensivas russas continua a desafiar os recursos de Kiev.

Negociações de paz em xeque

O conflito, que completa mais de três anos, enfrenta um momento crítico. As negociações diretas entre Rússia e Ucrânia, retomadas em Istambul em maio de 2025, não produziram avanços significativos. A troca de prisioneiros de guerra, anunciada na sexta-feira, foi o único resultado concreto das conversas. Enquanto a Ucrânia insiste em um cessar-fogo incondicional, a Rússia propõe tréguas temporárias em áreas específicas, mantendo suas exigências de controle territorial.

O papel dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, tem gerado controvérsias. Após uma ligação com Putin na quinta-feira, 3 de julho, Trump expressou decepção, afirmando que o líder russo “não está pronto para parar”. A suspensão de parte do envio de armas, incluindo mísseis Patriot essenciais para a defesa aérea, foi criticada por Zelensky, que pediu reforços para “proteger o céu” ucraniano. Trump, por sua vez, justificou a medida alegando a necessidade de preservar os estoques militares americanos.

A comunidade internacional acompanha a escalada com preocupação. O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski, relatou danos à embaixada polonesa em Kiev durante o bombardeio de sexta-feira, enquanto a União Europeia anunciou sanções contra 16 indivíduos e três entidades ligadas à Rússia. Apesar disso, a falta de consenso entre os aliados ocidentais dificulta uma resposta unificada.

Impacto humanitário e desafios logísticos

Os bombardeios russos têm causado devastação em várias regiões da Ucrânia. Em Kiev, moradores buscaram refúgio em estações de metrô durante a noite de sexta-feira, enquanto equipes de emergência trabalhavam para apagar incêndios e resgatar vítimas. Em Kharkiv, no nordeste do país, ataques adicionais danificaram a infraestrutura local, embora sem registro de vítimas fatais no sábado.

A suspensão do apoio militar americano agrava os desafios enfrentados pela Ucrânia. Os sistemas Patriot, cruciais para interceptar mísseis balísticos, estão em falta, e aliados europeus, como a Alemanha, buscam acordos para suprir a demanda. Enquanto isso, a Ucrânia investe na produção de drones interceptores, conhecidos como “caçadores”, para conter os ataques russos. Esses equipamentos, segundo Zelensky, já demonstraram eficiência em combates recentes.

Efeitos dos bombardeios em Kiev:

  • Danos a prédios residenciais e escolas.
  • Interrupção no transporte ferroviário.
  • Pelo menos dois mortos e 26 feridos.
  • Moradores abrigados em estações de metrô.

A guerra, que já custou milhares de vidas e desalojou milhões de pessoas, continua a desafiar as perspectivas de paz. A resiliência ucraniana, exemplificada pelo ataque a Borisoglebsk, contrasta com a intensificação das ofensivas russas, que parecem buscar pressão militar antes de qualquer concessão diplomática. A ausência de avanços nas negociações e a redução do apoio externo colocam Kiev em uma posição delicada, enquanto Moscou mantém sua postura intransigente.

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