Trabalhadores nascidos em maio têm até 31 de julho de 2025 para resgatar os valores do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), conforme o calendário oficial da Caixa Econômica Federal. A modalidade, criada em 2019, permite saques anuais de parte do saldo das contas ativas e inativas, mas exige adesão prévia por aplicativo, site ou agências da Caixa. A janela de retirada, que começou em 2 de maio, abrange dois meses após o mês de nascimento, e o não resgate implica no retorno automático dos valores à conta do FGTS. Em 2025, cerca de 37 milhões de trabalhadores aderiram à modalidade, que já movimentou R$ 142 bilhões desde sua criação, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. A adesão, porém, impede o saque total em caso de demissão sem justa causa, limitando o trabalhador à multa rescisória de 40%.
A opção pelo saque-aniversário é feita digitalmente, com crédito em até cinco dias úteis, e os valores variam de 5% a 50% do saldo, acrescidos de parcelas adicionais. A Medida Provisória 1.290/2025 liberou R$ 12 bilhões para 12,1 milhões de demitidos entre 2020 e fevereiro de 2025, mas a regra não se aplica a demissões futuras.
- Canais para adesão ao saque-aniversário:
- Aplicativo FGTS (Android e iOS).
- Site oficial da Caixa Econômica Federal.
- Agências físicas da Caixa.
- Login via conta gov.br ou cadastro Caixa.
O prazo de 31 de julho é crucial para evitar a perda da oportunidade de saque em 2025, e a Caixa recomenda verificar o saldo no aplicativo para planejar a retirada.
Regras do saque-aniversário
O saque-aniversário, instituído pela Lei 13.932/2019, permite que trabalhadores com carteira assinada retirem anualmente uma parte do saldo do FGTS, com percentuais que variam conforme o montante acumulado. Para saldos de até R$ 500, o saque é de 50%, enquanto saldos acima de R$ 20 mil liberam 5%, com parcelas adicionais fixas que chegam a R$ 2.900. A adesão é voluntária e pode ser feita até o último dia útil do mês de nascimento, mas o efeito só vale para o ano seguinte.
Quem opta por essa modalidade perde o direito ao saque-rescisão, que garante o resgate integral do saldo em caso de demissão sem justa causa. Em 2023, o saque-aniversário liberou R$ 38,1 bilhões, dos quais 34% foram pagos diretamente aos trabalhadores e 66% destinados a bancos como garantia de empréstimos, segundo o Ministério do Trabalho. A escolha exige planejamento, já que a modalidade prioriza flexibilidade anual em vez de uma reserva maior para emergências.
A tabela de saques, atualizada pela Caixa, é consultável no aplicativo FGTS, e a adesão em 2025 só permitirá saques a partir de 2026. Trabalhadores devem avaliar o impacto financeiro antes de decidir, especialmente em cenários de instabilidade no emprego.
- Faixas de saque-aniversário:
- Até R$ 500: 50% do saldo.
- R$ 500,01 a R$ 1.000: 40% + R$ 50.
- R$ 1.000,01 a R$ 5.000: 30% + R$ 150.
- R$ 5.000,01 a R$ 10.000: 20% + R$ 650.
- Acima de R$ 20.000: 5% + R$ 2.900.
Calendário de saques para 2025
O calendário do saque-aniversário segue o mês de nascimento, com uma janela de três meses para retirada, começando no primeiro dia útil do mês de aniversário. Para nascidos em maio, o período vai de 2 de maio a 31 de julho de 2025, enquanto para os de junho, o prazo é de 2 de junho a 29 de agosto. O cronograma completo abrange:
- Janeiro: 2 de janeiro a 31 de março.
- Fevereiro: 3 de fevereiro a 30 de abril.
- Março: 13 de março a 30 de maio.
- Dezembro: 1 de dezembro a 27 de fevereiro de 2026.
Os valores são creditados automaticamente na conta bancária cadastrada no aplicativo FGTS para 85% dos optantes, enquanto os demais devem sacar em agências da Caixa ou lotéricas. Se o trabalhador não retirar o dinheiro no prazo, ele retorna à conta do FGTS, rendendo Taxa Referencial mais 3% ao ano, além da distribuição de lucros do fundo.
Liberação excepcional para demitidos
A Medida Provisória 1.290/2025, publicada em 28 de fevereiro, liberou R$ 12,1 bilhões para 12,1 milhões de trabalhadores demitidos sem justa causa entre janeiro de 2020 e 28 de fevereiro de 2025, que haviam aderido ao saque-aniversário. A medida, dividida em duas etapas, pagou até R$ 3 mil em março e o restante em junho, beneficiando quem teve o saldo retido.
Na primeira etapa, iniciada em 6 de março, R$ 6,4 bilhões foram distribuídos, com crédito automático para quem cadastrou conta no aplicativo FGTS. A segunda etapa, entre 17 e 20 de junho, liberou R$ 6 bilhões para saldos acima de R$ 3 mil, com valores médios de R$ 7,7 mil por trabalhador. Cerca de 9,6 milhões de beneficiados tiveram descontos devido a empréstimos de antecipação, enquanto 2,5 milhões receberam o saldo integral.
A medida não se aplica a demissões após 28 de fevereiro de 2025, e os trabalhadores continuam limitados à multa rescisória de 40% em caso de demissão, a menos que retornem ao saque-rescisão, o que exige 24 meses de espera.
Como aderir ao saque-aniversário
A adesão ao saque-aniversário é simples e pode ser feita por trabalhadores com contas ativas ou inativas no FGTS. O processo é 100% digital na maioria dos casos, exigindo apenas acesso ao aplicativo FGTS ou ao site da Caixa. O trabalhador faz login com CPF e senha via conta gov.br, seleciona a modalidade saque-aniversário e indica uma conta bancária para o crédito.
Para quem não tem cadastro, é possível criar um no aplicativo, informando CPF, e-mail e dados pessoais. A solicitação deve ser feita até o último dia útil do mês de nascimento para valer no mesmo ano; caso contrário, o saque só será liberado no ano seguinte. Em agências da Caixa, o processo exige documentos como RG, CPF e carteira de trabalho.
A Caixa orienta verificar o extrato do FGTS antes da adesão para calcular o valor disponível, que depende do saldo acumulado. Em 2025, a adesão feita em maio, por exemplo, só permitirá saques a partir de maio de 2026.

Processo de saque e prazos
O resgate do saque-aniversário é facilitado pela Caixa, com opções digitais e presenciais. No aplicativo FGTS, o trabalhador acessa a aba “Saque-aniversário”, verifica o valor disponível e solicita a transferência para uma conta de sua titularidade, que pode ser de qualquer banco. O crédito é feito em até cinco dias úteis, e o valor fica disponível por três meses.
Para saques presenciais, as regras variam conforme o montante: até R$ 1.500, é possível usar o caixa eletrônico com a senha cidadão; até R$ 3 mil, lotéricas ou caixas eletrônicos aceitam cartão e senha; acima de R$ 3 mil, é necessário ir a uma agência com RG e carteira de trabalho. Se o valor não for sacado até o fim do prazo, como 31 de julho para nascidos em maio, ele retorna automaticamente à conta do FGTS.
- Opções de saque:
- Digital: aplicativo FGTS com transferência para conta bancária.
- Caixa eletrônico: até R$ 1.500 com senha cidadão.
- Lotéricas: até R$ 3 mil com cartão e senha.
- Agências: acima de R$ 3 mil com documentos pessoais.
Antecipação do saque-aniversário
Muitos trabalhadores utilizam o saque-aniversário como garantia para empréstimos de antecipação, oferecidos por bancos e fintechs. Em 2023, cerca de 25 milhões de optantes usaram o saldo como garantia, movimentando R$ 23,4 bilhões em operações de crédito. A antecipação permite receber até sete parcelas futuras, com descontos anuais do saldo do FGTS, mas implica taxas de juros que variam entre instituições.
A Caixa e bancos como Banco do Brasil e fintechs como MeuTudo oferecem essa modalidade, com contratação via aplicativo. O trabalhador deve avaliar as taxas, que podem chegar a 2% ao mês, e o impacto no saldo futuro, já que o valor antecipado é bloqueado. Em caso de demissão, o saldo comprometido com empréstimos não pode ser sacado, como ocorreu com 9,6 milhões de trabalhadores na liberação da MP 1.290/2025.
Possível fim da modalidade
O saque-aniversário tem sido alvo de debates, com o governo considerando sua extinção. Em setembro de 2024, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, anunciou que um projeto de lei seria enviado ao Congresso em novembro para substituir a modalidade por um novo modelo de crédito consignado, usando o FGTS como garantia apenas em demissões. A proposta visa corrigir a limitação de acesso ao saldo em caso de desemprego, que afetou 9 milhões de demitidos desde 2020.
A medida ainda não foi encaminhada, mas o ministro criticou o saque-aniversário por enfraquecer a proteção social, já que o FGTS foi criado em 1966 para amparar trabalhadores em momentos críticos. O novo modelo de consignado manteria a função do fundo como poupança, com acesso a crédito em situações de demissão. Em 2023, o FGTS geriu R$ 704,3 bilhões, com 219,5 milhões de contas e saques totais de R$ 142,3 bilhões.
Benefícios e limitações do saque-aniversário
Optar pelo saque-aniversário oferece flexibilidade para quitar dívidas, investir ou cobrir despesas, com saques anuais previsíveis. Em 2025, a Caixa estima que o volume de saques cresça 15%, injetando bilhões na economia. A modalidade é vantajosa para quem não enfrenta instabilidade no emprego e planeja usar o dinheiro de forma recorrente.
Por outro lado, a renúncia ao saque-rescisão pode ser arriscada para trabalhadores com empregos instáveis, já que o saldo total fica bloqueado em demissões. Além disso, antecipações de crédito podem gerar custos elevados, comprometendo o fundo. A escolha exige análise do perfil financeiro, com consulta ao extrato do FGTS para calcular os valores disponíveis.
Gestão financeira e planejamento
Planejar o uso do saque-aniversário é essencial para maximizar seus benefícios. A Caixa recomenda que os trabalhadores verifiquem o saldo regularmente no aplicativo FGTS, que permite consultar extratos, depósitos do empregador e simular saques. O fundo, com 134 milhões de trabalhadores em 2025, é uma reserva estratégica, e a decisão de aderir ao saque-aniversário deve considerar o impacto a longo prazo.
Quem deseja retornar ao saque-rescisão pode solicitar a mudança no aplicativo, mas a alteração só entra em vigor após 24 meses. Durante esse período, o trabalhador continua com saques anuais. A gestão consciente do FGTS, com atenção aos prazos e regras, garante maior segurança financeira.